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[LEILÃO] Safety Cards

O leilão de Safety Cards da TRANSBRASIL e da VASP foi encerrado. Em breve teremos novos leilões! Portanto aguardem pelas novidades!

Juiz se recusa a entregar pente de arma e atrasa voo na BA

juiz judiciário transtornos em voo gol amab salvador

Já existem 241 respostas neste tópico, contribua você também!

#181 jmoura

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Postado 02 de fevereiro de 2012 - 22:20

View PostRenan - SAO, em 27 de janeiro de 2012 - 19:04 , disse:

Um juiz estadual causou tumulto dentro de uma aeronave da companhia aérea Gol na noite de quinta-feira. O avião, de prefixo 1889, partia do Aeroporto Internacional de Salvador, na Bahia, com destino ao Aeroporto Tom Jobim/Galeão, no Rio de Janeiro. A decolagem atrasou ao menos duas horas porque Vítor Bezerra se recusou a entregar um dos pentes com munição da pistola que portava no interior da aeronave.

O embarque estava marcado para as 20h45, no portão seis. As portas do avião já haviam sido fechadas e os comissários de bordo haviam repassado aos passageiros as informações básicas de segurança na decolagem. Mas o procedimento foi interrompido quando, às 21h40, o comandante anunciou que todos os ocupantes - com exceção do juiz - deveriam deixar a aeronave para que uma "norma administrativa" fosse cumprida.

Três policiais federais e um civil entraram no avião e iniciaram uma negociação com o magistrado, que continuou se recusando a entregar um dos três pentes da arma, alegando que o cargo de juiz lhe permitia carregar a quantidade de munição. Os policiais argumentaram que ele só poderia permanecer no avião com dois pentes de munição e, portanto, teria de devolver um. O juiz, que estava na poltrona 22 D, estava acompanhado de dois filhos. Somente depois de uma hora e meia de conversa com as autoridades, o juiz concordou em devolver um dos pentes.

Alguns dos 90 passageiros do voo ficaram muito irritados com a situação. O administrador de empresas João Almeida disse que, depois que o juiz Vítor Bezerra resolveu entregar o pente da pistola, muitos passageiros ficaram com medo de reembarcar e prosseguir viagem. Então exigiram a devolução das bagagens e resolveram viajar por outra companhia aérea. O procedimento atrasou ainda mais a saída do voo. "Acho um absurdo uma pessoa que se julga acima da lei atrapalhar a vida de pessoas que têm seus horários para cumprir", disse Almeida. Ele afirmou ainda que outra passageira, também juíza, disse que o magistrado já causou o mesmo problema no Rio. Outros passageiros afirmaram que o juiz ameaçou matar quem tentasse lhe tirar o pente.

http://noticias.terr...+voo+na+BA.html



Baseado no que li encontro as mais absurdas justificativas para os mais descabidos fatos.
SUPONDO QUE O A REPORTAGEM INICIAL reflita a mais absoluta verdade, entendo adequado algumas considerações.

1- " Um juiz estadual" - um juiz DE DIREITO?? estadual ( NÃO É JUIZ DE FUTEBOL, JUIZ DE PAZ!) dentro de sua jurisdição, ou seja, na área onde é titular da vara é um representante do Estado. Fora de sua área de jurisdição é um cidadão comum e seu cargo não transpoe sua jurisdição. Se esse juiz estiver lotado no municipio de Salvador EXCLUSIVAMENTE ( sendo juiz de 1@ instancia ) ou no Estado da Bahia ( se juiz do Tribunal de Justiça Baiano ) terá direito as prerrogativas do cargo. Caso ele esteja lotado no Rio de Janeiro, é um passageiro sem nenhum direito as prerrogativas do cargo de Juiz, etc. etc.

2- "A decolagem atrasou ao menos duas horas porque Vítor Bezerra se recusou a entregar um dos pentes" Se este fato causou qualquer prejuizo a qualquer passageiro cabe acionar a companhia e o juiz simultaneamente na comarca onde o passageiro reside. Inclusive prejuizos inferiores a 40 salarios mínimos podem ser cobrados no Juizado Especial Cível.

3- Cabe ainda denunciar este magistrado na Corregedoria do Poder Judiciário para apurar ato do mesmo.

4- "Três policiais federais e um civil entraram no avião e iniciaram uma negociação com o magistrado, que continuou se recusando a entregar um dos três pentes da arma, alegando que o cargo de juiz lhe permitia carregar a quantidade de munição. Os policiais argumentaram que ele só poderia permanecer no avião com dois pentes de munição e, portanto, teria de devolver um. O juiz, que estava na poltrona 22 D, estava acompanhado de dois filhos. Somente depois de uma hora e meia de conversa com as autoridades, o juiz concordou em devolver um dos pentes" . O trabalho dos tripulantes foi maravilhoso, evacuando a aeronave e protegendo os passageiros. Os policiais federais e um civil iniciaram uma negociação. Parabens é assim que se age.! Porém a negociação transformou-se em intimidação e prolongou-se demasiadamente, ou seja, explicado os motivos cabe ao magistrado entregar a arma ou dar justificativas convincentes para não o fazer. Persistindo a negativa, aí sim, faltou ombridade aos Policiais Federais em dar voz de prisão ao magistrado por desacato, e retira-lo da aeronave, com auxílio da força se necessário. Os juizes não estão acima da lei, e inclusive a Ministra Calmon - do Conselho Nacional de Justiça, textualmente disse que a toga ( vestimenta de um juiz ) encobre muitos bandidos no Brasil ------------ vixi deu a maior polemica . Existem inúmeros juízes no Brasil com patrimonio injusficado, muitos , muitos mesmo...........

5- "Ele afirmou ainda que outra passageira, também juíza, disse que o magistrado já causou o mesmo problema no Rio." Se isto for realmente verdade é mais um motivo para denunciar este magistrado e solicitar seu enquadramento legal.

6- "Outros passageiros afirmaram que o juiz ameaçou matar quem tentasse lhe tirar o pente." Sinceramente não estou acreditando nesta afirmação. Neste caso não estamos diante de um magistrado e sim de um delinquente. Acho muito pouco provável isto ser verdade. Ameaçar outrem de morte é incompatível com a magistratura. Será que não estão exagerando um pouco. ???

Essa noticia se verdadeira contribui para o já desacreditado Poder Judiciário brasileiro. Em pesquisa recente 60% da população brasileira não acredita no Poder Judiciário. Isto é lamentável.

#182 Clipper

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Postado 03 de fevereiro de 2012 - 03:24

Quote

... O objetivo é ter a arma sempre à mão para eventual necessidade de uso em solo. Não se cogitou, em qualquer momento, utilizar a arma em pleno voo em tiroteio ou o que fosse. Depois de passar pelo Raio-X e estar na área de embarque, não há como haver tiroteio, a não ser que criminosos logrem entrar na área de embarque com armas escondidas e tenham ainda a intenção explicita efetuar disparos, mesmo havendo inúmeras câmeras e vigilância extensiva e ostensiva. E justamente por ser a arma algo extremamente perigoso, e objeto de grande interesse por criminosos, é que a mesma não pode ser simplesmente despachada aos cuidados de qualquer um. E se a arma sumir? E se o voo for cancelado? E se a aeronave for trocada? E se o pacote que a contiver for extraviado e essa mesma arma for, posteriormente, utilizada para cometer um crime? Quem será responsável? A arma deve sim permanecer, em tempo integral, sob custódia de quem a possui, está apto a manuseá-la, e é responsável pela mesma ...


Caro Strato, entendo o seu ponto de vista, mas não concordo com ele, pois essa é uma conceituação que é adotada no Brasil, mas não é assim que funciona em outros países.

Aproveitando o tema desse debate, conversei com alguns colegas que voam no exterior a respeito do que suas empresas adotam como procedimento. Mais uma vez, por motivos óbvios não comentarei qual é a empresa, país ou detalhadamente o que é feito, mas todos eles, sem exceção, ficaram de cabelos em pé quando comentei a quantidade de autoridades que são autorizadas, as razões que cada uma alega e de que forma as armas ficam a bordo, segundo os regulamentos brasileiros.

Portanto, não é somente o fato de não ser utilizada em voo que ela não oferece riscos, mas sua óbvia disponibilidade no caso de uma ação a bordo, e essa é, no meu modo de entender, além daquela que munição é carga perigosa (DG), a principal razão de exaltação e de real preocupação do pessoal da linha aérea. Como comentei anteriormente, parte do sucesso de um ato violento numa aeronave está no poder da persuasão, e aposto 1000 mil rupees indianos se alguém negaria entregar a arma e até as calças se a argumentação não fosse mais do que convincente. Uma faca na jugular de um filho serve?

Em suma, se alguém sente-se intimidado por possível ataque em solo, há inúmeros dispositivos e procedimentos que podem ser seguidos e que de maneira alguma contribuem para abrir espaço para qualquer ação que venha a colocar em risco a integridade dos ocupantes de uma aeronave em voo comercial.

Vale dizer, para completar, essas eternas encrencas de quem ou o quê pode ou não pode somente ocorrem por aqui, isso é assim há anos, e nas empresas estrangeiras as armas não somem do nada, e se isso acontece, mais uma vez, é somente no Brasil, nesse caso, o problema é mais grave e, quem sabe, cultural. Nesse caso, não há carabina que resolva.

Quote

... estão levando a discussão para o lado de quem manda mais dentro do avião, no qual o comandante é a autoridade máxima, no que se refere a SEGURANÇA DO VOO e não mais que isso, mas o ponto não é esse, existe uma norma que contraria uma lei e se você ou alguém seguir a lei estará desrespeitando a norma e se você ou alguém seguir a norma estará desrespeitando a lei (e sujeito a prisão ???) ...

... Hoje em dia entre exercer a autoridade de comandante é voar sem abandonar a cabine e deixar o pau comer lá atrás, a figura do comandante Juiz, Psicologo, Segurança, Médico, foi perdida em algum lugar lá em 2001 ...


Caro Eduardo, tenho um grande respeito por você e pelo Dr. Benito, e as divergências, quando ocorrem, são para o bom andamento do debate, e não devem ser encaradas pelo lado pessoal, e lamento, ambos estão redondamente enganados. Não é questão de quem manda mais ou de medir forças, mas de quem tem a palavra final e o pleno direito de impor o cumprimento das regras e de usar sua autoridade para manter as coisas nos seus devidos lugares a bordo de uma aeronave. A não ser que esse conceito tenha caído em desuso no Brasil, coisa que não acredito, porque duvido que todos os meus colegas chegaram a esse ponto de alienação, um Comandante é responsável, sim, pela segurança de voo, desde que seja feita uma devida divisão do que a palavra segurança quer dizer, que obviamente não se limita apenas a decolar e pousar sem bater no morro.

Lendo algumas mensagens desse debate, fico surpreso com a conotação que muitos têm a respeito da figura desse membro da tripulação, e tenho certeza de que não é o caso do pessoal aqui do Fórum, mas essa postura cheia de fantasia talvez vem sendo estimulada pelo fato da bagunça generalizada que tomou conta da aviação comercial brasileira e ao acesso ao mundo da informática, que vem trazendo enormes benefícios à humanidade, mas ao mesmo tempo anda criando uma série de entendidos de tudo, pois basta entrar no Google e ... voilà!, formam-se autodidatas, como uma penca de passageiros que se acha no direito de enfiar o dedo na cara de um piloto, na verdade, de qualquer tripulante. Talvez isso ande funcionando no Brasil, mas sugiro fazer um teste para ver se as coisas estão assim mundo afora, porém, muito cuidado, pois o desembarque pode ser direto para uma penitenciária ou para o necrotério, no caso de haver um agente de segurança a bordo devidamente qualificado, uma condição que não se limita aos EUA e Israel.

No dia que exercer a profissão de Aviador se tornar naquilo que muitos imaginam que ela é atualmente, de um simples motorista de avião, vou procurar trabalhar em outra atividade.

A carreira deu uma degringolada sem tamanho, mas por outros motivos e que se aplicam mais diretamente ao bolso, à estabilidade de emprego e ao padrão de vida, mas quanto à autoridade, a esse ponto o mundo ainda não chegou.

Abs.

#183 Seninhavmf

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Postado 03 de fevereiro de 2012 - 09:14

Saiu no diário do nordeste a seguinte notícia hoje:

Juízes de Direito de várias comarcas da Capital e do Interior do Estado, além de representantes da Associação Cearense dos Magistrados (ACM), do Ministério Público Estadual (MPE), Defensoria Geral e da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção Ceará (OAB-CE), compareceram, ontem, à reunião do Pleno do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) com o intuito de pedir àquela Corte providências no sentido de garantir a segurança para o funcionamento da Justiça no Interior.



A reivindicação dos magistrados e das entidades deveu-se aos recentes episódios de violência que tiveram como objetivo intimidar os magistrados. Durante a greve de policiais e bombeiros militares, em dezembro último, familiares da desembargadora Sérgia Maria Miranda sofreram torturas em sua residência, no Município de Horizonte.



Mirada foi autora da decisão judicial que determinou o imediato retorno dos militares ao trabalho, além de obrigá-los a devolver ao Estado viaturas, armas e desocupar os quartéis.



Já na cidade de Guaraciaba do Norte, na Zona Norte do Estado (a 320Km de Fortaleza), o Fórum local foi invadido, na semana passada, por um homem armado, que disparou tiros de escopeta (calibre 12) para protestar diante de uma decisão judicial que pôs em liberdade um homem acusado de roubo seguido de sequestro. O atirador teve a sua família mantida como refém por uma quadrilha e um dos acusados do crime ganhou a liberdade menos de 15 dias após ser preso pela Polícia Civil.



Atentado

Em entrevista ao Diário do Nordeste, na tarde de ontem, o desembargador Teodoro Silva Santos, presidente da Comissão Permanente de Segurança do TJCE, falou em nome da Corte e garantiu que providências estão sendo tomadas para que os juízes tenham a proteção necessária para o desempenho de suas atividades nas comarcas interioranas.



"A partir do momento em que ocorrem atos delituosos dessa monta, não se desrespeita a pessoa do juiz propriamente dito. O alvo maior é o estado democrático de direito. Fere o Poder Judiciário, fere o Ministério Público, fere a sociedade, fere todas as pessoas que fazem parte e integram uma sociedade ordeira", disse Teodoro. "Portanto, todas as providências cabíveis e que estejam ao alcance do Tribunal de Justiça serão adotadas".



As sugestões das entidades e dos magistrados foram entregues ao Presidente do TJCE, desembargador José Arísio Lopes da Costa; e ao desembargador Teodoro Silva Santos e serão analisadas pela Corte.



http://diariodonorde...?codigo=1101394

#184 Stratocruiser

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Postado 03 de fevereiro de 2012 - 10:11

Clipper,

Não consigo imaginar essa situação que aconteceu envolvendo o juiz acontecendo comigo. Para evitar dor de cabeça, ainda que tivesse razão em precisar transportar, não levaria três carregadores para o aeroporto, e/ou teria comigo carregadores com maior capacidade para não ficar desmuniciado quando efetivamente precisasse da arma em uma emergência no destino. Aliás, posso falar por experiência. Já deixei de levar ao Brasil, apenas para evitar dor de cabeça, objetos que incomodam a Receita Federal, ainda que precisasse dos mesmos para meu próprio trabalho quando em visita ao país.

Entretanto, entendo as razões que já foram mostradas, normas e instruções que não podem limitar o alcance da lei complementar que dá porte por prerrogativa do cargo. O Benito explicou em detalhes isso páginas atrás, e o próprio Vitor já explicou também. Insistir em outros aspectos, como alguém acima falou em "ombridade" (sic), apenas denota a ignorância generalizada e, como já escrevi também, o atual estado de histeria coletiva da opinião pública contra tudo o que se refira à magistratura.

Depositar a confiança na tripulação parece sensato, e essa foi minha primeira avaliação. Mas é possivel depositar sempre a confiança num funcionário desconhecido de qualquer companhia? Funcionários das mesmas companhias que diariamente extraviam bagagens? Ou de companhias cujos donos seguem padrões éticos que, bem, não precisamos comentar também neste tópico? Em empresas grandes, bem reguladas e administradas, como a Gol, Trip ou Passaredo, talvez. Mas e lá na "Pelada Transportes Aéreos" voando nos rincões do país?

Sobre os males da internet, aviação não é a única afetada. Hoje pacientes entram nos consultórios achando que sabem mais do que os médicos. Não acho que seja ruim. Se por um lado pode frustrar o profissional que buscava na profissão alguma forma de superioridade social, por outro, a cobrança constante aumenta a qualidade e a busca por excelência. Sem surpresas e sem obscurantismo para quem depende dos serviços -- nós mesmos.

Forte abraço!

Strato

#185 Clipper

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Postado 03 de fevereiro de 2012 - 11:09

Strato,

A respeito desse debate, apesar de concordar com o ponto de vista de muitos, posso responder somente pela minha opinião, e confesso que não vi quem defendeu a ombridade :D

Mas falando sério, com certeza há um pessoal por aqui muito bem qualificado para discutir leis, e não é o cumprimento delas que discuto, no entanto, como profissional da aviação, vejo que o Brasil, com essa postura em relação ao embarque de armas e munição, principalmente ao gerar interpretações diversas, e isso não é de hoje, caminha claramente na contramão. Nem é preciso insistir em outros aspectos, como você salientou, mas é fato que o mundo todo, principalmente após os atentados de 11/9, tem pavor de qualquer coisa que seja relacionada com transporte de material que ofereça risco ao transporte aéreo, e pelo que tenho visto nessa discussão com divergências, mas de alto nível por parte de todos, e meus parabéns ao pessoal por isso, ainda temos diferenças consideráveis quanto ao que vem sendo feito em outros lugares. Dessa forma, concluo o seguinte: ou o mundo anda ressabiado em exagero, ou eita povo tranquilo que é o nosso, sô!

É bem provável que fui muito mal acostumado nos meus tempos de aviação brasileira ou, quem sabe, por estar envolvido numa realidade há algum tempo na qual não há desvios de procedimentos e cumpre-se o que está escrito, e isso parte das autoridades, antes mesmo da vontade da empresa, dessa forma, o que sinto é que o meu grande Brasil ainda patina numa zona de enorme retrocesso. Medo de sofrer atentado? Meu amigo, durante as minhas madrugadas de GRU para o interior de SP, desviando e levando pedrada no para-brisa ou sendo perseguido por marginais pela Marginal, a minha única defesa era Deus, nada mais.

Quanto ao uso da internet, a minha opinião em relação à aviação não é criar uma aura de mistério ao acesso às informações, onde poucos possuem a chave do "portal", isso seria estúpido, além de ridículo, mas de observar que de uns tempos para cá a cibernética anda dando margem à criação de conceitos deturpados, que ainda por cima acabam virando verdades absolutas.

Ok, ok, vou levar as coisas com menos seriedade.

Um grande abraço por aí.

C.

#186 benitorbp

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Postado 03 de fevereiro de 2012 - 16:12

View PostClipper, em 03 de fevereiro de 2012 - 03:24 , disse:

Caro Eduardo, tenho um grande respeito por você e pelo Dr. Benito, e as divergências, quando ocorrem, são para o bom andamento do debate, e não devem ser encaradas pelo lado pessoal, e lamento, ambos estão redondamente enganados. Não é questão de quem manda mais ou de medir forças, mas de quem tem a palavra final e o pleno direito de impor o cumprimento das regras e de usar sua autoridade para manter as coisas nos seus devidos lugares a bordo de uma aeronave. A não ser que esse conceito tenha caído em desuso no Brasil, coisa que não acredito, porque duvido que todos os meus colegas chegaram a esse ponto de alienação, um Comandante é responsável, sim, pela segurança de voo, desde que seja feita uma devida divisão do que a palavra segurança quer dizer, que obviamente não se limita apenas a decolar e pousar sem bater no morro.

Lendo algumas mensagens desse debate, fico surpreso com a conotação que muitos têm a respeito da figura desse membro da tripulação, e tenho certeza de que não é o caso do pessoal aqui do Fórum, mas essa postura cheia de fantasia talvez vem sendo estimulada pelo fato da bagunça generalizada que tomou conta da aviação comercial brasileira e ao acesso ao mundo da informática, que vem trazendo enormes benefícios à humanidade, mas ao mesmo tempo anda criando uma série de entendidos de tudo, pois basta entrar no Google e ... voilà!, formam-se autodidatas, como uma penca de passageiros que se acha no direito de enfiar o dedo na cara de um piloto, na verdade, de qualquer tripulante. Talvez isso ande funcionando no Brasil, mas sugiro fazer um teste para ver se as coisas estão assim mundo afora, porém, muito cuidado, pois o desembarque pode ser direto para uma penitenciária ou para o necrotério, no caso de haver um agente de segurança a bordo devidamente qualificado, uma condição que não se limita aos EUA e Israel.

No dia que exercer a profissão de Aviador se tornar naquilo que muitos imaginam que ela é atualmente, de um simples motorista de avião, vou procurar trabalhar em outra atividade.

A carreira deu uma degringolada sem tamanho, mas por outros motivos e que se aplicam mais diretamente ao bolso, à estabilidade de emprego e ao padrão de vida, mas quanto à autoridade, a esse ponto o mundo ainda não chegou.

Abs.


Acho que ninguem aqui questiona a autoridade do Comandante ou da Tripulação, mas esta autoridade não pode ser encarada como a de um déspota que tudo pode dentro avião, chegaram até a dizer que o médico deve deixar o cara morrer se o Comandante não autorizar o tratamento, nada mais absurdo!
Um Comandante como em qualquer outro emprego está sujeito há uma série de comandos normativos para exercer sua autoridade, em aviação o arcabouço normativo é tão grande que existe até uma matéria específica que estuda Direito Aeronáutico. Infelizmente o que mais se vê aqui no fórum e em outras discussões envolvendo aeronautas é que eles desconhecem as regras que regem a própria profissão.
Autoridade não deve ser encarada como um poder e sim um dever! Um Comandante é responsável pela segurança do vôo e para isso o primeiro passo é conhecer e seguir o que é determinado pela Lei, normas e costumes, caso contrário a sua Autoridade será a mesma de um "motorista de caminhão dos ares" termo aliais bem pejorativo que revela o quanto de arrogância ainda existe no meio!

Quanto ao debate sobre armas a bordo o que não entendo é o porquê não pode comentar qual empresa, qual país e citar quais são suas políticas de embarque armado.
Porquê não trazer elementos não sensíveis a discussão sobre quais são os procedimentos ou ao menos estudos que baseiam esta posição tão ferrenhamente crítica a profissionais (do outro lado também são profissionais, que se podem andar armados, possuem responsabilidades) embarcarem armados?
Estatísticamente quantos foram os acidentes envolvendo estes detentores de prerrogativas (tirando o caso citado da Varig, aonde sabe se lá aonde e porquê a arma estava municiada!)?
Porquê não citam por exemplo a quantidade de horas que um policial americano precisa ter de curso para poder embarcar armado (lá sem limite de carregadores)?
Porquê negar que existem sim muitos casos aonde as tripulações foram ajudadas por passageiros a conter os agressores (como no GOL 1733) e outros em que as tripulações como quaisquer seres humanos se desesperaram diante da ameaça e que o treinamento, se houver, provavelmente é insuficiente (presumo pelo tempo em que leva para se formar um negociador em casos de refens) diante da infinita gama de situações e ameaças.
Aliais será que um Air Marshaal ou um agente do Mossad vai sempre preservar a segurança do vôo ou será que ele pode ter ordens de derrubar o avião se necessário?
Vi situações por exemplo ao Comandante Murilo, que sem dúvida foi um herói, mas que sua atuação foi longe de ser técnica, talvez se tivesse um policial armado ele poderia ter contido o agressor e evitado a morte do co-piloto.
As normas de segurança moderna não isolam o Comandante em sua cabine, retirando-lhe poder de atuar de imediato sobre o caso concreto? Não vejo como não enxergar o óbvio e perceber que a autoridade do Comandante foi de fato restrita e que a crise vai ser inicialmente gerida pela tripulação comercial ou por outros agentes que estarão a bordo, sendo que não rara vezes vai ser contornada pelos próprios passageiros, de forma que atuação do Comandante foi diferida para um momento posterior.
Sinceramente acho que estas e outras quesões, tornam o debate muito amplo para ser restrito ao meio dos aeronautas!
Mas é desanimador ver que nem todos pensam assim!


Abraços!

Editado por benitorbp, 03 de fevereiro de 2012 - 16:13 .


#187 Mastercaptain

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Postado 03 de fevereiro de 2012 - 16:58

View PostClipper, em 03 de fevereiro de 2012 - 11:09 , disse:

Strato,

A respeito desse debate, apesar de concordar com o ponto de vista de muitos, posso responder somente pela minha opinião, e confesso que não vi quem defendeu a ombridade :D

Mas falando sério, com certeza há um pessoal por aqui muito bem qualificado para discutir leis, e não é o cumprimento delas que discuto, no entanto, como profissional da aviação, vejo que o Brasil, com essa postura em relação ao embarque de armas e munição, principalmente ao gerar interpretações diversas, e isso não é de hoje, caminha claramente na contramão. Nem é preciso insistir em outros aspectos, como você salientou, mas é fato que o mundo todo, principalmente após os atentados de 11/9, tem pavor de qualquer coisa que seja relacionada com transporte de material que ofereça risco ao transporte aéreo, e pelo que tenho visto nessa discussão com divergências, mas de alto nível por parte de todos, e meus parabéns ao pessoal por isso, ainda temos diferenças consideráveis quanto ao que vem sendo feito em outros lugares. Dessa forma, concluo o seguinte: ou o mundo anda ressabiado em exagero, ou eita povo tranquilo que é o nosso, sô!

É bem provável que fui muito mal acostumado nos meus tempos de aviação brasileira ou, quem sabe, por estar envolvido numa realidade há algum tempo na qual não há desvios de procedimentos e cumpre-se o que está escrito, e isso parte das autoridades, antes mesmo da vontade da empresa, dessa forma, o que sinto é que o meu grande Brasil ainda patina numa zona de enorme retrocesso. Medo de sofrer atentado? Meu amigo, durante as minhas madrugadas de GRU para o interior de SP, desviando e levando pedrada no para-brisa ou sendo perseguido por marginais pela Marginal, a minha única defesa era Deus, nada mais.

Quanto ao uso da internet, a minha opinião em relação à aviação não é criar uma aura de mistério ao acesso às informações, onde poucos possuem a chave do "portal", isso seria estúpido, além de ridículo, mas de observar que de uns tempos para cá a cibernética anda dando margem à criação de conceitos deturpados, que ainda por cima acabam virando verdades absolutas.

Ok, ok, vou levar as coisas com menos seriedade.

Um grande abraço por aí.

C.




Clipper,permita esclarecer que o conceito de autoridade do cmte não caiu em desuso no Brasil e ninguém fica impune também se ousar colocar o dedo na cara de um cmte.Concordo que pessoas mal educadas a bordo cresceram em níveis percentuais.E voltando ao tema do tópico,infelizmente abriu-se o leque de cargos com prerrogativa de portar armas a bordo desde sua incursão estrangeira.Dia destes ao ler um notoc, a descrição do portador era a de escrivão de policia.Nada contra escrivão de policia,mas o que era antes prerrogativa de pessoas de nível superior,com altos e importantes cargos, agora qualquer soldadinho pode entrar com seu trabuco a bordo.E é ai que mora o perigo.Abraços

#188 Mastercaptain

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Postado 03 de fevereiro de 2012 - 17:20

View Postbenitorbp, em 03 de fevereiro de 2012 - 16:12 , disse:

Acho que ninguem aqui questiona a autoridade do Comandante ou da Tripulação, mas esta autoridade não pode ser encarada como a de um déspota que tudo pode dentro avião, chegaram até a dizer que o médico deve deixar o cara morrer se o Comandante não autorizar o tratamento, nada mais absurdo! Um Comandante como em qualquer outro emprego está sujeito há uma série de comandos normativos para exercer sua autoridade, em aviação o arcabouço normativo é tão grande que existe até uma matéria específica que estuda Direito Aeronáutico. Infelizmente o que mais se vê aqui no fórum e em outras discussões envolvendo aeronautas é que eles desconhecem as regras que regem a própria profissão. Autoridade não deve ser encarada como um poder e sim um dever! Um Comandante é responsável pela segurança do vôo e para isso o primeiro passo é conhecer e seguir o que é determinado pela Lei, normas e costumes, caso contrário a sua Autoridade será a mesma de um "motorista de caminhão dos ares" termo aliais bem pejorativo que revela o quanto de arrogância ainda existe no meio! Quanto ao debate sobre armas a bordo o que não entendo é o porquê não pode comentar qual empresa, qual país e citar quais são suas políticas de embarque armado. Porquê não trazer elementos não sensíveis a discussão sobre quais são os procedimentos ou ao menos estudos que baseiam esta posição tão ferrenhamente crítica a profissionais (do outro lado também são profissionais, que se podem andar armados, possuem responsabilidades) embarcarem armados? Estatísticamente quantos foram os acidentes envolvendo estes detentores de prerrogativas (tirando o caso citado da Varig, aonde sabe se lá aonde e porquê a arma estava municiada!)? Porquê não citam por exemplo a quantidade de horas que um policial americano precisa ter de curso para poder embarcar armado (lá sem limite de carregadores)? Porquê negar que existem sim muitos casos aonde as tripulações foram ajudadas por passageiros a conter os agressores (como no GOL 1733) e outros em que as tripulações como quaisquer seres humanos se desesperaram diante da ameaça e que o treinamento, se houver, provavelmente é insuficiente (presumo pelo tempo em que leva para se formar um negociador em casos de refens) diante da infinita gama de situações e ameaças. Aliais será que um Air Marshaal ou um agente do Mossad vai sempre preservar a segurança do vôo ou será que ele pode ter ordens de derrubar o avião se necessário? Vi situações por exemplo ao Comandante Murilo, que sem dúvida foi um herói, mas que sua atuação foi longe de ser técnica, talvez se tivesse um policial armado ele poderia ter contido o agressor e evitado a morte do co-piloto. As normas de segurança moderna não isolam o Comandante em sua cabine, retirando-lhe poder de atuar de imediato sobre o caso concreto? Não vejo como não enxergar o óbvio e perceber que a autoridade do Comandante foi de fato restrita e que a crise vai ser inicialmente gerida pela tripulação comercial ou por outros agentes que estarão a bordo, sendo que não rara vezes vai ser contornada pelos próprios passageiros, de forma que atuação do Comandante foi diferida para um momento posterior. Sinceramente acho que estas e outras quesões, tornam o debate muito amplo para ser restrito ao meio dos aeronautas! Mas é desanimador ver que nem todos pensam assim! Abraços!


Benito,A autoridade do cmte não foi restrita. Somente se você se refere a barreira física entre o cmte e os passageiros através de uma porta blindada, o que não tem relação com autoridade.Parece que seu conceito sobre alguma crise a bordo enxerga o cmte fisicamente na cabine de passageiros,como se sua preseença física fosse crucial para intermediar algum problema, ledo engano.

Déspota é aquela autoridade que visa obediência ao seu bel prazer.O que não é o caso de nossa autoridade E até que você me prove ao contrario o cmte é a maior autoridade a bordo e portanto tem poderes que ascendem sobre qualquer passageiro, seja ele um advogado perito em direito aeronáutico, seja ele varredor de rua.No meu avião eu mando e você obedece,ponto.Sobre suas ilações de que os cmtes que se posicionaram aqui não conhecem as normas ,foram no minimo levianas

#189 benitorbp

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Postado 03 de fevereiro de 2012 - 18:26

View PostMastercaptain, em 03 de fevereiro de 2012 - 17:20 , disse:

.No meu avião eu mando e você obedece,ponto.Sobre suas ilações de que os cmtes que se posicionaram aqui não conhecem as normas ,foram no minimo levianas


Ta bom Master, você manda e eu obedeço, encerrado o assunto.


Abraços Comandante! Bons Vôos com ou sem pessoas armadas a bordo!



Ps1: A quantidade de pessoas com prerrogativa de andar armado não aumentou muito nos ultimos tempos, aliais a norma aeronáutica vigente sobre o assunto é bem antiga.
Ps2: Escrivão de polícia federal e de muitos estados como São Paulo são cargos de nível superior, de importancia impar, faz mais sentido um escrivão do que um juiz viajar armado
Ps3: A única conduta que não fica impune no Brasil é colocar o dedo na cara de Comandante.
Ps4: Peritos em direito aeronáutico são os aeronautas! Advogados, promotores, delegados e juízes só discutem direito aeronáutico nos casos de impericia.

Editado por benitorbp, 03 de fevereiro de 2012 - 18:28 .


#190 FlávioBHZ

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Postado 03 de fevereiro de 2012 - 23:02

Benito acho que você está dando aos textos postados, ao menos à alguns deles, um entendimento mais seu do que de quem escreveu.

É óbvio que quando se fala em autoridade do cmte está se falando sim que o cmte manda dentro do avião, porém ele manda desde que suas ações, que o ato de mandar, tenha o devido discernimento.

Aliás, não é assim em qualquer lugar ou situação em que alguém tenha a prerrogativa de mandar outra pessoa fazer algo?

O comentário que você fez, a partir de um outro postado, sobre o exagero de um cmte poder mandar um médico interromper um atendimento, é um bom exemplo deste entendimento equivocado em relação ao que foi falado, pois essa como qualquer outra situação em que o cmte tenha que exercer a prerrogativa (essa palavra já virou mote deste tópico :lol: ) de mandar deve ser colocada sob contexto.

É claro que ele só impediria um atendimento dentro do avião se tal fato colocasse em risco a integridade de outras pessoas além daquela que estava sendo atendida.

Eu não consigo nem imaginar uma situação em que isso ocorresse, mas nem é preciso pois foi um exemplo, uma situação hipotética, que assim como todos os exemplos devem ser colocados sob contexto.

Resumindo, o cmte manda desde que suas atitudes demonstrem discernimento, sendo razoáveis e equilibradas.

Aliás, se não forem, é bom que o seu imediato, no caso o copiloto, exerça a sua prerrogativa de "destituí-lo" de sua posição. :D

Mas voltando ao assunto, leis e regulamentos continuam conflitantes, e ao menos enquanto não se votam novas leis seria importante alterar os regulamentos.

Se isso não altera a questão do embarque armado, ao menos coloca todos seguindo os mesmos parâmetros.

Já seria algo.

Um abraço.

#191 Mastercaptain

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Postado 03 de fevereiro de 2012 - 23:17

View Postbenitorbp, em 03 de fevereiro de 2012 - 18:26 , disse:



Ta bom Master, você manda e eu obedeço, encerrado o assunto.


Abraços Comandante! Bons Vôos com ou sem pessoas armadas a bordo!



Ps1: A quantidade de pessoas com prerrogativa de andar armado não aumentou muito nos ultimos tempos, aliais a norma aeronáutica vigente sobre o assunto é bem antiga.
Ps2: Escrivão de polícia federal e de muitos estados como São Paulo são cargos de nível superior, de importancia impar, faz mais sentido um escrivão do que um juiz viajar armado
Ps3: A única conduta que não fica impune no Brasil é colocar o dedo na cara de Comandante.
Ps4: Peritos em direito aeronáutico são os aeronautas! Advogados, promotores, delegados e juízes só discutem direito aeronáutico nos casos de impericia.



‘’Ps1: A quantidade de pessoas com prerrogativa de andar armado não aumentou muito nos ultimos tempos, aliais a norma aeronáutica vigente sobre o assunto é bem antiga.’’
Estava me referindo a NOSER 2501 de 06/10/87,época em que eu e o Clipper galgamos o status de comandante.Procure estudar mais profundamente e veras que a prerrogativa do porte foi ampliada.

‘’Ps2: Escrivão de polícia federal e de muitos estados como São Paulo são cargos de nível superior, de importancia impar, faz mais sentido um escrivão do que um juiz viajar armado’’
O policial a que me referi era da policial civil, e penso que qualquer que seja o policial é de importância ímpar.No entanto sou contra policial armado a bordo,qualquer que seja.

‘’Ps3: A única conduta que não fica impune no Brasil é colocar o dedo na cara de Comandante.’’
Principalmente na minha, esta não fica mesmo. E vou te dizer porque:

Nos termos da Lei nº 7.183, de 05 de abril de 1984, que -Regula o exercício da profissão de aeronauta e dá outras providências -, Aeronauta é o profissional habilitado pelo Ministério da Aeronáutica que exerce atividade a bordo de aeronave civil nacional, mediante contrato de trabalho.

No exercício de função específica a bordo, de acordo com as prerrogativas da licença que é titular, tem a designação de tripulante (art. 14). O Comandante é o piloto responsável pela operação e segurança da aeronave, exerce autoridade que a legislação aeronáutica lhe atribui, sendo auxiliado, na operação da aeronave pelo co-piloto (art. 6º, “a” e “b”), dispõe o sobredito diploma legal.

A navegação aérea é matéria de hierarquia constitucional prevista na alínea “c”, do inciso XII do art. 21, da Carta Política de 1988, porquanto é um serviço público de competência da União explorado pelos particulares mediante autorização, concessão ou permissão sob o regime tarifário.

A primeira necessidade do transporte aéreo é que seja seguro, regular, eficaz e econômico, consoante a Declaração da Organização da Aviação Civil Internacional – OACI, criada em 1944.
O Brasil ratificou a Convenção sobre Infrações Praticadas a Bordo das Aeronaves firmada em Tóquio, em 14/09/63, que objetiva a segurança do vôo e outorga ao Comandante da Aeronave poderes suficientes para tomar as medidas que se fizerem necessárias para solucionar os problemas referentes à mesma.

Por sua vez, o Código Brasileiro de Aeronáutica Lei nº 7.565, de 19 de dezembro de 1996 dispõe que o comandante é responsável pela operação e segurança da aeronave, exerce a autoridade inerente à função e sobre as pessoas que se encontram a bordo, podendo desembarcar qualquer delas, desde que comprometa a boa ordem, a disciplina, ponha em risco a segurança da aeronave ou de pessoas e bens a bordo e tomar as medidas necessárias para protegê-lo, nos seguintes termos:

“Art. 166. O comandante será também responsável pela operação e segurança da aeronave;

Art. 167. O comandante exerce a autoridade inerente à função desde o momento em que se apresentar para o vôo até o momento em que entrega a aeronave, concluída a viagem. Parágrafo único. No caso de pouso forçado, a autoridade do comandante persiste até que as autoridades competentes assumam a responsabilidade pela aeronave, pessoas e coisas transportadas.

Art. 168. Durante o período de tempo previsto no art. 167, o comandante exerce autoridade sobre as pessoas e coisas que se encontrem a bordo da aeronave e poderá:

I – desembarcar qualquer delas, desde que comprometa a boa ordem, a disciplina, ponha em risco a segurança da aeronave ou das pessoas e bens a bordo;
II – tomar as medidas necessárias à proteção da aeronave e das pessoas ou bens transportados.”
No comando legal do art. 261 do Código Penal Brasileiro, expor a perigo embarcação ou aeronave própria ou alheia ou praticar qualquer ato tendente a impedir ou dificultar a navegação marítima, fluvial ou aérea, é crime apenado com reclusão de 2 a 5 anos.
.
Quando a questão é à segurança do vôo, a autoridade policial sui generis é o comandante da aeronave que goza, inclusive, do poder de polícia para mitigar os direitos individuais dos passageiros em prol do interesse público.

Portanto, o comandante da aeronave pode, na defesa da incolumidade dos passageiros e da tripulação, usar legitimamente da força para conter um passageiro inconveniente,e colocar o dedo na cara de um comandante caracteriza-se como um passageiro inconveniente,Pode empregar inclusive a algemas, e lavrar o devido Auto de Resistência no Diário de Bordo. O Diário de Bordo é um instrumento legal previsto no art. 173 do Código Brasileiro de Aeronáutica, hábil para a lavratura de óbitos, nascimentos, celebração de casamentos e até testamentos de passageiros em iminentes óbitos. Em assim sendo é uma comunicação escrita à autoridade policial a ensejar a instauração do Inquérito Policial no comando do§ 3º do art. 5º do Código de Processo Penal Brasileiro.

Se a comunicação fornecer informações sobre o fato, a autoria e indicar o tempo, o lugar e os elementos de convicção, a ação penal poderá ser provocada por iniciativa do Ministério Público, independentemente do Inquérito Policial, consoante os art. 27 e § 5º do art. 39 do Código Processo Penal Brasileiro:
“... a lei não pode punir quem cumpre um dever que ela impõe (...) na manutenção da ordem, é facultado à autoridade usar violência, desde que esta seja necessária para triunfar o princípio de autoridade e reinar a paz e a tranqüilidade necessária à vida comunitária. Ao contrário, o não emprego da força em casos tais pode traduzir, no mínimo, frouxidão, incorrendo a autoridade em sanções administrativas, quando não penais...”.
Cátedra de Edgard Magalhães Noronha, em Direito Penal.

Concluo, baseado nos argumentos acima ,que o incauto passageiro que ousar colocar o dedo na cara ,estaria propenso a ter fortes dissabores em sua vida,

‘’Ps4: Peritos em direito aeronáutico são os aeronautas! Advogados, promotores, delegados e juízes só discutem direito aeronáutico nos casos de impericia.’’

A bordo da aeronave Benito o comandante não discute leis, ele as aplica.

#192 benitorbp

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Postado 04 de fevereiro de 2012 - 00:17

View PostMastercaptain, em 03 de fevereiro de 2012 - 23:17 , disse:

[...]


Quem sou eu para questionar sua Autoridade Juridica Comandante (afinal fazendo isso posso ter serios dissabores na vida)!
Voce esta certo e ponto!

Abracos, bons voos e boas audiencias, com ou sem pessoas armadas!

#193 benitorbp

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Postado 04 de fevereiro de 2012 - 03:07

View PostFlávioBHZ, em 03 de fevereiro de 2012 - 23:02 , disse:

Benito acho que você está dando aos textos postados, ao menos à alguns deles, um entendimento mais seu do que de quem escreveu.

É óbvio que quando se fala em autoridade do cmte está se falando sim que o cmte manda dentro do avião, porém ele manda desde que suas ações, que o ato de mandar, tenha o devido discernimento.

Aliás, não é assim em qualquer lugar ou situação em que alguém tenha a prerrogativa de mandar outra pessoa fazer algo?

O comentário que você fez, a partir de um outro postado, sobre o exagero de um cmte poder mandar um médico interromper um atendimento, é um bom exemplo deste entendimento equivocado em relação ao que foi falado, pois essa como qualquer outra situação em que o cmte tenha que exercer a prerrogativa (essa palavra já virou mote deste tópico :lol: ) de mandar deve ser colocada sob contexto.

É claro que ele só impediria um atendimento dentro do avião se tal fato colocasse em risco a integridade de outras pessoas além daquela que estava sendo atendida.

Eu não consigo nem imaginar uma situação em que isso ocorresse, mas nem é preciso pois foi um exemplo, uma situação hipotética, que assim como todos os exemplos devem ser colocados sob contexto.

Resumindo, o cmte manda desde que suas atitudes demonstrem discernimento, sendo razoáveis e equilibradas.

Aliás, se não forem, é bom que o seu imediato, no caso o copiloto, exerça a sua prerrogativa de "destituí-lo" de sua posição. :D

Mas voltando ao assunto, leis e regulamentos continuam conflitantes, e ao menos enquanto não se votam novas leis seria importante alterar os regulamentos.

Se isso não altera a questão do embarque armado, ao menos coloca todos seguindo os mesmos parâmetros.

Já seria algo.

Um abraço.


Sabe qual o problema Flavio e que fiz um post extenso que comecava falando:

Acho que ninguem aqui questiona a autoridade do Comandante ou da Tripulação

Depois fiz uma serie de ponderacoes e questionamentos em que uma foi colocada no seguinte contexto:

As normas de segurança moderna não isolam o Comandante em sua cabine, retirando-lhe poder de atuar de imediato sobre o caso concreto? Não vejo como não enxergar o óbvio e perceber que a autoridade do Comandante foi de fato restrita e que a crise vai ser inicialmente gerida pela tripulação comercial ou por outros agentes que estarão a bordo, sendo que não rara vezes vai ser contornada pelos próprios passageiros, de forma que atuação do Comandante foi diferida para um momento posterior.

Dai minha frase foi retirada de contexto para dizer que eu estava enganado (sem dizer o porque ou explicar o contrario) para depois a pessoa conluir que No meu avião eu mando e você.

Entao voce vai em desculpar, mas e obvio que a frase nao foi proferida com o sentido que voce colocou (na mesma linha de pensamento do que eu) ate mesmo porque e perceptivel que o Master entende que todo o poder emana do Comandante a quem cabe todo e qualquer discernimento a bordo, de forma que a discussao foi deturpada para uma non sense auto-afirmacao sobre a autoridade do comandante que nunca foi questionada.

Nao vou entrar neste debate, o que eu poderia acrescentar sobre o tema no pouco conhecimento que tenho na minha aerea eu ja o fiz.

No mundo real, as pessoas com prerrogativas vao continuar embarcando armadas, se julgarem necessario vao efetuar disparos sem pedir autorizacao para o dono da aeronave e os Comandantes vao exercer sua autoridade trancados na cabine rezando (os que acreditam em uma autoridade acima da deles) para tudo dar certo.

Abracos.

Editado por benitorbp, 04 de fevereiro de 2012 - 03:08 .


#194 Clipper

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Postado 04 de fevereiro de 2012 - 03:15

A parte legal foi amplamente destrinchada, e vejo que o foco agora é a autoridade do comandante e procedimentos a bordo.

Pois bem, Benito, vamos lá, completamente desarmados :joinha:

Quote

... mas esta autoridade não pode ser encarada como a de um déspota que tudo pode dentro avião, chegaram até a dizer que o médico deve deixar o cara morrer se o Comandante não autorizar o tratamento, nada mais absurdo!


Acredito que está havendo uma confusão entre autoridade e autoritarismo. Em nenhum momento foi enfatizado por mim ou pelos meus colegas que o comandante pode agir ao seu bel-prazer, mas ele tem, por lei, plenos direitos – na verdade, a obrigação – de agir conforme as regras, sendo que parte foi muito bem apresentada pelo Master, e manter a ordem é uma de suas atribuições. Como sabemos, é assim que também funciona num tribunal, numa mesa de cirurgia e em várias outras atividades.

Quanto a um exemplo de impedir o atendimento médico a um enfermo a bordo, cito dois bem simples, como de uma situação de turbulência ou de preparativos para o pouso, se o posicionamento do médico colocar a sua integridade física ou a de outros em risco.

Quote

Um Comandante como em qualquer outro emprego está sujeito há uma série de comandos normativos para exercer sua autoridade, em aviação o arcabouço normativo é tão grande que existe até uma matéria específica que estuda Direito Aeronáutico. Infelizmente o que mais se vê aqui no fórum e em outras discussões envolvendo aeronautas é que eles desconhecem as regras que regem a própria profissão.


Temos casos e casos, e regras sempre existiram, desde os tempos do 14 Bis. Mas um aspecto interessante da aviação é que o aprendizado é constante. Enganos todos cometem, talvez pela óbvia falta de conhecimento ou pela ausência de experiência, no entanto, pior do que ler um comentário supostamente errôneo de quem exerce a atividade de aeronauta ou de aeroviário, é ver supostos entendidos da matéria dando a palavra final a respeito de um assunto e ainda por cima colocando-se numa posição contrária a qualquer tipo de confrontação.

Quote

Autoridade não deve ser encarada como um poder e sim um dever! Um Comandante é responsável pela segurança do vôo e para isso o primeiro passo é conhecer e seguir o que é determinado pela Lei, normas e costumes, caso contrário a sua Autoridade será a mesma de um "motorista de caminhão dos ares" termo aliais bem pejorativo que revela o quanto de arrogância ainda existe no meio!


Parte da resposta à essas colocações estão acima. O problema com relação ao transporte de armas no Brasil é a indefinição, começando por quem pode leva-las e de que forma. Mas ao invés de ser feito um estudo mais apurado, fica a medição de força e o jogo de interesses. Risco, meu amigo, todo mundo corre, mas se há o menor perigo quanto à integridade física de qualquer ocupante entre a entrada e a saída de um avião, o problema é muito mais complexo do que simplesmente criar leis ou dar direito à posse de armas.

A respeito do seu comentário final, leia na mensagem mais acima o que foi escrito, pois não foi feita qualquer alusão à profissão de caminhoneiro. Mas vamos trocar motorista por condutor, contudo, não ache melindres provocativos onde não existem.

Quote

Quanto ao debate sobre armas a bordo o que não entendo é o porquê não pode comentar qual empresa, qual país e citar quais são suas políticas de embarque armado.
Porquê não trazer elementos não sensíveis a discussão sobre quais são os procedimentos ou ao menos estudos que baseiam esta posição tão ferrenhamente crítica a profissionais (do outro lado também são profissionais, que se podem andar armados, possuem responsabilidades) embarcarem armados?


Nesse caso caberiam consultas por parte daqueles que têm de fato intenção de resolver as nossas eternas pendências. Mas digo desde já: escrivão de polícia não se encaixa no perfil de pessoas autorizadas.

Quote

Estatísticamente quantos foram os acidentes envolvendo estes detentores de prerrogativas (tirando o caso citado da Varig, aonde sabe se lá aonde e porquê a arma estava municiada!)?


Estatística é boa quando não fazemos parte dela, principalmente de forma negativa. A única coisa que posso falar a respeito da sua preocupação é que a nossa cultura é fazer depois que alguma coisa acontece, então, vamos esperar, porque encrencas não faltam.

Quote

Porquê negar que existem sim muitos casos aonde as tripulações foram ajudadas por passageiros a conter os agressores (como no GOL 1733) e outros em que as tripulações como quaisquer seres humanos se desesperaram diante da ameaça e que o treinamento, se houver, provavelmente é insuficiente (presumo pelo tempo em que leva para se formar um negociador em casos de refens) diante da infinita gama de situações e ameaças.


Um dos treinamentos de Air Rage que conheço prevê o uso de quem estiver disponível para deter infratores a bordo, porém, desde que os tripulantes não possam dar conta da situação ou, por motivos óbvios, a situação tem um começo ou desdobramento fora do alcance deles.

Benito, por favor, amigo, na boa, pare de imaginar que a política adotada pelo Brasil no transporte de armas a bordo ou porque há autoridades policiais ocupando assentos de passageiros traz mais benefícios do que riscos. A linha de conduta para diversas situações é variada e uma aeronave nem sempre apresenta um ambiente adequado para segundas chances, e tudo que não pode ocorrer a bordo é falta de respeito à liderança, que pode partir inclusive, e deve ser acatada, do mais jovem comissário a bordo, se for o caso.

Quote

Aliais será que um Air Marshaal ou um agente do Mossad vai sempre preservar a segurança do vôo ou será que ele pode ter ordens de derrubar o avião se necessário?


Inicialmente, por motivos óbvios, ninguém, além da tripulação, sabe onde eles estão sentados e quantos são. É claro que eles têm um limite de ação e de autonomia, e a finalidade básica é impedir o acesso à cabine de comando. Agora, se um terrorista tem uma granada, isso faz parte daquilo que chamo de poder de persuasão, como citei anteriormente.

Quote

Vi situações por exemplo ao Comandante Murilo, que sem dúvida foi um herói, mas que sua atuação foi longe de ser técnica, talvez se tivesse um policial armado ele poderia ter contido o agressor e evitado a morte do co-piloto.


Dois casos são, quando muito, semelhantes. O que ocorreu a bordo do SNT não pode ser avaliado de maneira simples, principalmente quando analisamos períodos distintos da aviação. O colega infelizmente foi atingindo fatalmente porque as coisas aconteceram de surpresa e a porta da cabine de comando naqueles tempos era de “papelão”. Hoje as coisas são intencionalmente bem mais complexas e nem sempre alguém que está portando armas estará viajando nos primeiros assentos, principalmente se ali é a primeira classe.

Quote

As normas de segurança moderna não isolam o Comandante em sua cabine, retirando-lhe poder de atuar de imediato sobre o caso concreto? Não vejo como não enxergar o óbvio e perceber que a autoridade do Comandante foi de fato restrita e que a crise vai ser inicialmente gerida pela tripulação comercial ou por outros agentes que estarão a bordo, sendo que não rara vezes vai ser contornada pelos próprios passageiros, de forma que atuação do Comandante foi diferida para um momento posterior.


O Master explicou algumas coisas, e adiciono o seguinte: na aviação a jato, sempre houve uma porta separando as duas cabines, de comando e de passageiro. A atuação do comandante, pelo menos nos padrões das empresas que tive oportunidade de trabalhar, invariavelmente sempre ficou restrita ao seu espaço de trabalho, quando muito, um dos seus subordinados era designado para verificações, para apresentar, quando fosse o caso, informações técnicas mais pertinentes, que nem sempre são do domínio de um comissário de bordo. Mas em resumo, como num julgamento ou numa cirurgia, alguém deve capitanear as ações, e essa pessoa sempre será o responsável maior pelas consequências, mas isso não quer dizer que deve jogar em todas as posições e a todo instante, para isso, existem os demais tripulantes, e hoje em dia há (muito) treinamento em conjunto. Existe fisicamente uma porta por inúmeras razões, entretanto, ela jamais servirá de bloqueio na essencial coordenação e participação entre todos os membros da tripulação.

Quote

Sinceramente acho que estas e outras quesões, tornam o debate muito amplo para ser restrito ao meio dos aeronautas!
Mas é desanimador ver que nem todos pensam assim!


Benito, sem dramas, você não é novo aqui, nenhum debate ficou ou ficará restrito a um determinado grupo, se há contestação de alguma mensagem é fácil notar que é geralmente associada com opiniões feitas de forma conclusiva, fantasiosa e carente de embasamento, que na maioria das vezes extrapolam o limite da realidade. O CR é um fórum que vem evoluindo muito e tem sido referência para um monte de coisa, e manter um bom nível de informações não é essencial, mas uma obrigação.

Mais uma vez, sem melindres, e numa oportunidade a primeira rodada é minha.

Abs.

#195 Airbus-FA

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Postado 04 de fevereiro de 2012 - 07:58

Alguém sabe dizer se tem processos de passageiros contra empresa/tripulantes por ter sido desembarcado por ordem do comandante? E qual o índice de sucesso dos passageiros ou das empresas/tripulantes nesses processos?

Pois com esses dados nós poderemos saber como a justiça brasileira lida com a questão autoridade do comandante.

#196 João Vítor Balduino

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Postado 04 de fevereiro de 2012 - 08:30

Pessoal,

Primeiramente, peço desculpas por me intrometer no tópico, que por sinal está tendo uma discussão de altíssimo nível.

A minha questão é a seguinte:

No caso de um cidadão normal, que não possua nenhum cargo na justiça ou na segurança pública (Novamente, peço desculpas se não utilizei os termos corretos), este ainda consegue embarcar portando uma arma de fogo, ou existe algum tipo de restrição maior em relação aos cargos que citei acima?

Grato!

#197 Thiago

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Postado 04 de fevereiro de 2012 - 10:26

Benito...

Só uma coisinha: Nem todo comandante, é acéfalo ao ponto de burlar leis, e estabelecer que a aeronave é seu feudo, enquanto subir as escadas, transformando tudo, e todos , em meras marionetes, a seu bel prazer. Seguimos as leis sim, e as seguiremos até o fim, caso contrário, aquele que corre à margem da lei, ou seja, ao seu arrepio, tem o nome de marginal.

Só que a autoridade que a autoridade nos outorga - vide legislação brilhantemente exposta pelo Master- é o mecanismo LEGAL que permite ter alguém que:

1- responda legalmente por tudo embarcado, e todos embarcados, afinal, necessita-se de um responsável.

2- siga as leis, e as aplique em seu rigor. Problema é de quem se acha acima da lei, tentanto dar um tombo naquilo que é escrito, tal como esse apedeuta tentou em SSA.

3- quando cito o item 1, esse item 1 justamente sacia a sede daqueles urubus judiciários, que justamente para buscar um culpado, tem-no na qualidade de responsável, ou seja, um réu em potencial, haja visto a tendência na criminalização de acidentes aeronáuticos, e/ou outros eventos.

4- o comandante, até onde entendo ser um comandante, não pode ser um vassalo dos devaneios de pessoas que, pela cultura brasileira da carteirada, do "tô mandando" , do país colônia, ainda com o coronelismo e o jaguncismo nas veias de nossas otoridades, se acham no direito de vir transpondo essa mentalidade escumalha a bordo de uma aeronave. Se existem ainda redutos, onde TEM de existir a ordem, e o seguimento fiel às regras, nessa cáfila chamada Brasil, um desses redutos se chama aeronave.

Coaduno integralmente com as colocações do Clipper e do Master, pois elencaram dezenas de fatores que indissociam e tornam indeléveis, o escopo de atuação de um comandante, dentro da aeronave. Não há como buscar brechas jurídicas, caminhos tortuosos, e acrobacias eufemísticas, como forma de minar, o que a lei bem claramente diz. A regra é clara, disse o filósofo.

E um ponto me chamou muito a atenção, que foi a parte em que citastes o evento de 88 com o PP-SNT: primeiro, você disse que o Cmt Murilo foi um heroi (novidade) mas depois , abre a betoneira, e descarrega críticas sobre o acontecido. Ora, elogiar uma atitude, para logo depois, encerrar o discurso com críticas, costuma transparecer um ressentimento enorme, sabe-se-lá motivado por o quê. Mas enfim, à luz do contexto de 1988, conforme o clipper já disse, em que nem no raio-X de CNF perceberam o trabuco daquele pulha, hoje em dia, requerer um policial armado à bordo, é fácil, já que alguns conceitos de segurança muito lentamente evoluiram nesse Brasil varonil.

Entretanto, em que pese a sua avaliação entender que TECNICAMENTE - e entendo tecnicamente a pilotagem em si- não foi correta, lembramos que ele praticamente agia sozinho, em um ambiente absurdamente caótico, do qual ainda conseguiu ser muitissimo bem sucedido, por mais que não concordes com isso, sentado no conforto do escritório. Qualquer piloto, cônscio das dificuldades empregadas, e encontradas naquela noite, buscaria até as últimas consequências, levar seus passageiros com segurança até o solo, com um fardo pesadíssimo de ver o colega com o crânio pulverizado.....tente entender como o emocional, foi a níveis altíssimos, e que sim, requereu levar aquele 737 até as últimas consequências. Instinto de sobrevivência, desde a época dos macacos, passando por 1988, até hoje em dia, o fez agir assim.

Até hoje, a maioria dos passageiros do VP375 envia a ele, cartões de natal, passados 23 anos......estranho né?

Enfim.

Mas entendo a sua posição polêmica. Entendo, não compreendo, mas respeito.




#198 benitorbp

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Postado 04 de fevereiro de 2012 - 19:07

View PostClipper, em 04 de fevereiro de 2012 - 03:15 , disse:

[,,,]


Bom Clipper,

Como eu disse nao vou mais entrar no debate sobre a autoridade do comandante, este e um tema proibido por aqui, cada um que saiba dos seus limites, poderes e responsabilidades e como lidar com isso nos casos concretos.

Com relacao ao tema de embarque de pessoas armadas, a unica coisa de concreto que ficou do debate e que existe uma normativa do Ministerio da Aeronautica regulamentando a questao, norma semelhante a existente na TSA por exemplo.
Como acredito na competencia destes orgaos, continuo com a opiniao que trata-se de uma pratica segura.

Respeito a posicao dos aviadores que aqui se manifestaram, mas infelizmente nao foi apresentado nenhuma informacao concreta sobre o assunto limitando-se a manifestar a sua opiniao sobre o tema, o que, por obvio, nao ataca a higidez do disposto pelas autoridades aeronauticas. Optou-se pelo debate restrito. Quem alega ter conhecimento para questionar a norma, prefere nao compartilha-lo!

Nao e questao de melindre e sim de desanimo!
Se o primeiro for por sua conta o segunda e por minha.


View PostThiago, em 04 de fevereiro de 2012 - 10:26 , disse:

Benito...

Só uma coisinha: Nem todo comandante, é acéfalo ao ponto de burlar leis, e estabelecer que a aeronave é seu feudo, enquanto subir as escadas, transformando tudo, e todos , em meras marionetes, a seu bel prazer. Seguimos as leis sim, e as seguiremos até o fim, caso contrário, aquele que corre à margem da lei, ou seja, ao seu arrepio, tem o nome de marginal.

Só que a autoridade que a autoridade nos outorga - vide legislação brilhantemente exposta pelo Master- é o mecanismo LEGAL que permite ter alguém que:

1- responda legalmente por tudo embarcado, e todos embarcados, afinal, necessita-se de um responsável.

2- siga as leis, e as aplique em seu rigor. Problema é de quem se acha acima da lei, tentanto dar um tombo naquilo que é escrito, tal como esse apedeuta tentou em SSA.

3- quando cito o item 1, esse item 1 justamente sacia a sede daqueles urubus judiciários, que justamente para buscar um culpado, tem-no na qualidade de responsável, ou seja, um réu em potencial, haja visto a tendência na criminalização de acidentes aeronáuticos, e/ou outros eventos.

4- o comandante, até onde entendo ser um comandante, não pode ser um vassalo dos devaneios de pessoas que, pela cultura brasileira da carteirada, do "tô mandando" , do país colônia, ainda com o coronelismo e o jaguncismo nas veias de nossas otoridades, se acham no direito de vir transpondo essa mentalidade escumalha a bordo de uma aeronave. Se existem ainda redutos, onde TEM de existir a ordem, e o seguimento fiel às regras, nessa cáfila chamada Brasil, um desses redutos se chama aeronave.

Coaduno integralmente com as colocações do Clipper e do Master, pois elencaram dezenas de fatores que indissociam e tornam indeléveis, o escopo de atuação de um comandante, dentro da aeronave. Não há como buscar brechas jurídicas, caminhos tortuosos, e acrobacias eufemísticas, como forma de minar, o que a lei bem claramente diz. A regra é clara, disse o filósofo.

E um ponto me chamou muito a atenção, que foi a parte em que citastes o evento de 88 com o PP-SNT: primeiro, você disse que o Cmt Murilo foi um heroi (novidade) mas depois , abre a betoneira, e descarrega críticas sobre o acontecido. Ora, elogiar uma atitude, para logo depois, encerrar o discurso com críticas, costuma transparecer um ressentimento enorme, sabe-se-lá motivado por o quê. Mas enfim, à luz do contexto de 1988, conforme o clipper já disse, em que nem no raio-X de CNF perceberam o trabuco daquele pulha, hoje em dia, requerer um policial armado à bordo, é fácil, já que alguns conceitos de segurança muito lentamente evoluiram nesse Brasil varonil.

Entretanto, em que pese a sua avaliação entender que TECNICAMENTE - e entendo tecnicamente a pilotagem em si- não foi correta, lembramos que ele praticamente agia sozinho, em um ambiente absurdamente caótico, do qual ainda conseguiu ser muitissimo bem sucedido, por mais que não concordes com isso, sentado no conforto do escritório. Qualquer piloto, cônscio das dificuldades empregadas, e encontradas naquela noite, buscaria até as últimas consequências, levar seus passageiros com segurança até o solo, com um fardo pesadíssimo de ver o colega com o crânio pulverizado.....tente entender como o emocional, foi a níveis altíssimos, e que sim, requereu levar aquele 737 até as últimas consequências. Instinto de sobrevivência, desde a época dos macacos, passando por 1988, até hoje em dia, o fez agir assim.

Até hoje, a maioria dos passageiros do VP375 envia a ele, cartões de natal, passados 23 anos......estranho né?

Enfim.

Mas entendo a sua posição polêmica. Entendo, não compreendo, mas respeito.


Nao vejo motivo para tanta agressividade Thiago, a utilizacao de termos pejorativos nao ajuda nada o debate, alem de demonstrar a falta de respeito com profissionais de outras areas que em momento algum atacaram a sua profissao.
As questoes que voce colocou sobre o tema estao amplamente debatidas no topico, desnecessario repetir argumentos.
O que disse sobre o Comandante Murillo foi EXATAMENTE a mesma coisa que voce disse, ele e um heroi, mas nao sua atuacao nao foi um exemplo de atuacao tecnica (aliais nao e isso que caracteriza os atos de heroismo? quando as pessoas vao alem do que seria comum?), por isso nao poderia ser colocada dentro de um contexto de exercicio de politica de seguranca como estava sendo colocado. Apenas isso!

Abracos

#199 gearbox

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Postado 04 de fevereiro de 2012 - 21:29

View Postbenitorbp, em 04 de fevereiro de 2012 - 19:07 , disse:




Nao vejo motivo para tanta agressividade Thiago, a utilizacao de termos pejorativos nao ajuda nada o debate, alem de demonstrar a falta de respeito com profissionais de outras areas que em momento algum atacaram a sua profissao.
As questoes que voce colocou sobre o tema estao amplamente debatidas no topico, desnecessario repetir argumentos.
O que disse sobre o Comandante Murillo foi EXATAMENTE a mesma coisa que voce disse, ele e um heroi, mas nao sua atuacao nao foi um exemplo de atuacao tecnica (aliais nao e isso que caracteriza os atos de heroismo? quando as pessoas vao alem do que seria comum?), por isso nao poderia ser colocada dentro de um contexto de exercicio de politica de seguranca como estava sendo colocado. Apenas isso!

Abracos


Benito, creio que realmente houve um prolongamento no tópico, porém, há de se convir, que 100% dos aviadores (a maioria comandantes) é contra e argumentam com exemplos e hipóteses o quão desnecessário é portar arma de fogo a bordo de aeronaves (independentemente de lei, normas, prerrogativas, etc...). Infelizmente, sem querer parecer arrogante ou prepotente, quem nunca viveu a responsabilidade e não tem dimensão da quantidade de decisões inerentes a uma simples perna de ponta aérea (desde briefing, verificação de documentação, condições da aeronave, meteorologia, combustível, despachante querendo empurrar embarque, co piloto em instrução, etc, etc, etc...) não consegue ter esse discernimento. Caso houvesse um plebiscito nos DO's, garanto que 99,9% dos que estão na linha de frente são veementemente contra devido ao supracitado e muito mais...Porém, por mais que se afirme que somos uma democracia, igualitária, blá, blá, blá, sabemos que aqui é o país da carteirada, do sabe com quem tá falando (típico de terceiro mundo, coloniazinha). Entre no youtube e veja a quantidade de vídeos de blitz, da lei seca, por exemplo, onde "autoridades" esfregam na cara dos "guardas" as funções e prerrogativas...
Pode parecer melindre, mas não é...particularmente sou um privilegiado (junto com a grande maioria daqui) que fazemos de nosso dever, o nosso prazer, e apesar das atribuições (além de termos máquinas de dezenas, centenas de milhões de dólares em nossas mãos, e centenas de vidas) saimos de casa serenos, tranquilos e felizes para mais um dia de vôo (não de trabalho..rs..). Talvez isso incomode alguns...
Abraço

#200 MulekeMinduim

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Postado 05 de fevereiro de 2012 - 21:53

Num outro tópico que já não me lembro mais o Ilmo. Sr. Dr. Cmte Mauro Silva postou uma coisa deveras interessante e que chamou a minha atenção:

A melhor coisa não é por para fora e sim não deixar entrar!


Eis que meus três neurônios foram acionados:

1 - Quem está errado???

- O Policial Federal???

- O Juíz Bizerra???

- O/A funcionário/a da Gol que permitiu o embarque???

2 - ALLguém não poderia ter evitado todo o atraso, desembarque e etc, barrando o Dr. Juíz???



Fica a questão.




Abraços;
Minduim
;)





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