todo mundo sabe, vive-se repetindo das dificuldades em manter uma empresa aérea (altos investimentos, margens reduzidas) mas na ciclotimia do mimimi parecem sempre perder a perspectiva. tacam pedra na TAM por não manter voos diários saindo de pelo menos uns oito aeroportos para MIA e Europa, no mínimo.
eu sou bastante mais cauteloso com essa crença na demanda infinita mas de todo modo acho excelente que venham essas empresas estrangeiras e cumpram o papel de sondar o mercado brasileiro. aliás, mas que sondar, espero que possam se estabelecer porque isso é aumento de concorrência e só beneficia o passageiro.
a TAM é conservadora? claro. mas daí a chamá-la de burra, como fica claro no subtexto de boa parte das postagens toda vez que esse assunto vem à tona, aí já é franco exagero. vamos lembrar que o Brasil só virou "potência" (pelo jeito, a maioria embarca nesse delírio) há coisa de cinco anos e a TAM tinha planos audaciososo (em contraste com sua atuação hoje) mas basta uma decisão errada - hedge - e a companhia paga até hoje o preço disso.
na história da companhia já tem casos também como a rota de Zurique, que deu com os burros no água e mostra como é bem delicada a decisão de voar para essa ou aquela cidade, e por mais que não falte engenheiro de obra pronta pra tacar pedra e mostrar como "só podia dar errado", é bastane compreensível a aposta da TAM. mas quem tenta acertar às vezes erra ou, como diria a finada elis, "vivendo e aprendendo a jogar, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas sempre aprendendo a jogar".
não sei se é porque gato escaldado tem medo de água fria, mas acho correto que a TAM seja mais comedida em seus planos, que foque em consolidar suas operações e melhorar seus resultados financeiros, ao invés de sair abrindo rota a torto e a direito. é melhor que a empresa tenha uma visão de longo prazo ao invés de sair surfando na análise econômica do momento, essas que mudam ao sabor dos ventos conforme estes venham desta ou daquela agëncia de rating. é mais ou menos como a gente vê aqui no CRadar: sai um resultado positivo da empresa X e começa "ah, por que ela não compra uns 787 e começa a voar PAL-TIA diário? soube de uma tia que vendeu um colares de capim dourado para um nepalês, mostrando o incremento nas relações comerciais do Tocantins com aquele país asiático"... Aí no trimestre seguinte vem um resultado não tão bom - "é, tá feio o negócio. devia cortar umas rotas menos lucrativas e comprar e-jets, ou então vai quebrar em dois anos..."
pra nossa sorte, parece que a gestão das nossas companhias tem sido um tanto mais madura que isso.
CLARO que há margem para crescimento da TAM de uma forma mais imediata, óbvio. O A345 levantou umas ótimas sugestões, algumas no-brainers mesmo, e CLARO que sem ousadia as empresas não vão pra frente. mas aí eu pergunto: será que não é minimamente ousado que uma companhia como a TAM seja a grande empresa que ela é, sem nenhuma ajuda do governo (ah, esqueci! ela é do zé dirceu... ou o zé dirceu foi contratado por ela pra matar a varig... ou a manuela amaro é o delúbio soares... ou sei lá, nunca entendi direito a teoria da conspiração), concorrendo em franca desvantagem com as maiores companhias do mundo e outras nem tão grande que operam por aqui mas pagam muito menos por suas aeronaves, seus impostos, seu petróleo, os juros de suas operações financeiras?
a TAM é uma excelente companhia em termos de serviço, pelo menos no internacional, muito melhor que qualquer americana e no mesmo nível de grandes legacy européias (superior, inclusive, em vários casos). e olha que a vermelha tem hub num dos aeroportos mais problemáticos do mundo e ainda assim presta um ótimo serviço, além do quee caminha para consolidar um segundo hub de maneira consistente - apesar de percalços e da grita dos cariocas - no Rio, além, claro de já operar em duas outras bases (CNF e BSB), sem esquecer de novas rotas (MEX - ah, esqueci que essa rota é um tiro no pé e não vai dar certo) e faz isso tudo em um momento de grande crise econômica mundial e paradoxal escassez de aeronaves.
não tenho nenhum vínculo com a TAM além de uma quase totalmente esvanecida simpatia que data da chegada dos seus primeiros A330 (hj quem me encanta é a azul) mas acho completamente desarrazoadas as críticas que ela recebe por aqui. como diria a tia elizabeth alexandra mary, "dear, have some sense of proportion".
ah! e vem aí o tal hub novo no N ou NE, a dose de reinvenção necessária e cobrada. se vem às custas da venda da empresa, aí é discussão pra outro tópico.
saudações a todos os davids neelemans desse brasil!
Editado por hugo bellini, 03 de fevereiro de 2012 - 09:33 .