Após toda a expectativa gerada em um tópico bastante discutido aqui no fórum, o grande dia havia então chegado. Alguns membros estavam confirmados para os voos AD 4187 e AD 4186, as duas pernas do inaugural da Azul na rota VCP-CGH-VCP. Outros fariam apenas o trecho CGH-VCP.
Eu estaria no primeiro grupo. E a primeira tarefa do dia era então rumar para o aeroporto de Viracopos e tentar identificar os outros três elementos que fariam o mesmo. Minhas pistas? Uma malinha de uma notória e falecida companhia aérea americana e a lembrança de reflexos registrados em espelhos de lavatórios de diversas aeronaves.
Assim que eu entrei no terminal, já pude observar que três cavalheiros saiam daquele cantinho em que ficam os totens de auto-atendimento da Azul. Seriam eles?
Quando eu chego mais perto, noto que entre eles está the man, the legend, FCANTERAS.
Pra quebrar o gelo, já cheguei fazendo brincadeira, que foi merecidamente recebida por todos com um olhar na linha do ´quem é este fdp?´. Mas enfim, passado o susto, me apresentei ao Canteras e às outras duas pessoas do grupo, o Arthur, que é do staff da Gol e não tem alcunha no C.R., e o MTorres, que é sócio do Canteras em um E-Jet privativo.
Prontamente já me fiz parte do grupo, que não teve escolha a não ser me acolher e me agüentar pelo resto da jornada. Já era quase a hora programada do embarque e então rumamos juntos para a segurança e o nosso gate.
Ao localizarmos o portão da saída do nosso voo, ficamos sentados em dois pares de cadeiras, ouvindo os causos do Arthur, como o da fralda atômica e sobre as conseqüências práticas da atitude ´what happens in Porto Seguro, stays in Porto Seguro´ da juventude veranista em viagem de formatura.

Em mais alguns minutos, já era hora de embarcarmos no ônibus que nos levaria até o pátio secundário de VCP, onde um novíssimo ATR-72-600 da Azul nos esperava. Nosso bimotor de hoje não era apenas novo, ele era o flagship da mini frota ATR da Azul: o PR-ATR, Azul Tango Romeo.

A última vez que eu havia voado em um ATR tinha sido no espetacular PT-Mifú da Pantanal. Então já dá pra imaginar a diferença que eu senti assim que entrei nesse 600, brand new. Bancos de couro cinza no capricho, tudo imaculado.

Minha poltrona seria a 01D, na janela do lado direito, na primeira fileira de assentos. Aliás, recomendo a mesma a todos vocês. Você tem todo o espaço do mundo e tudo o que precisa fazer para ter este privilégio é escolher tal lugar e estar apto a operar a saída de emergência. O que, vale dizer, significou que, em caso de pepino, a vida de alguns C.R.´s estava em minhas mãos.

O trade-off de sentar na primeira fileira é que a comissária vai ali na sua frente e não te resta alternativa a não ser deixar câmeras e etc. desligados por todo o voo, caso isso seja pedido pela tripulação, como foi o caso nas duas etapas de hoje. Eu, que bato as minhas fotos com um celular (nota à polícia politicamente correta: em modo airplane), acabei rodando então. Mas ao perceber a quantidade de barulhos de câmera que eu ouvi ao longo do voo, escondidas nas mãos de certos meliantes, eu fiquei tranqüilo de que a reputação do C.R. seria mantida e teríamos registros adequados de todas as fases deste voo. Ah, e a poltrona ao lado da minha ficou desocupada, o que me deu ainda mais espaço.

Todos embarcados, era hora do comandante Lantelme fazer o speech de boas vindas, informando a todos que aquele era um serviço inaugural e que nosso voo duraria apenas vinte minutos, se o approach em CGH ajudasse. O primeiro oficial Brunet completava o cockpit crew para esta etapa.

Logo depois de decolarmos, ficou aparente outra grande diferença desta versão 600 em relação aos irmãos mais antigos: o nível de ruído. Este ATR é realmente outro departamento. Muito silencioso. De verdade.
Durante o voo, eu mais uma vez tive a triste constatação de que sou um imbecil pra me localizar geograficamente. Quando formos anexar a Argentina ao Brasil, eu não poderei participar do esforço de guerra como piloto dos bombardeiros, definitivamente.
Pra não dizer que não percebi nada, consegui até me tocar que cruzamos a Castello Branco da esquerda pra direita um pouco à frente do pedágio de Itapevi, passando logo em seguida por cima do São Francisco Golfe Clube em Osasco, e depois sobre o Clube de Campo de São Paulo, nas margens da represa, já quase girando para a final rumo a Congonhas, que foi pelo lado do Jabaquara.

Após o primeiro pouso de um ATR da Azul em Congonhas, taxiamos até nossa posição e o desembarque foi iniciado. Nossa presença foi notada e registrada pelos nossos vizinhos.

Lá pela fileira sete, os três distintos senhores abaixo conspiravam para a realização de um motim, com o objetivo de combater a formalidade de termos que sair da aeronave para reembarcarmos em seguida.

Sem sucesso em nosso pleito, descemos a escada rumo ao pátio, em uma tarde de tempo aberto e uns 32 graus de temperatura, por baixo. Mas se engana quem pensa que saímos do avião de mãos vazias. Por conta do diminuto tempo de voo, o serviço de bordo é obviamente inexistente. No entanto, uma comissária fica postada ao lado da porta, com as cestas de snacks à disposição de quem desembarca. Não nos fizemos de rogados e pegamos o suficiente para abrirmos um pequeno supermercado de bairro.


Um agente de solo da Azul nos orientou sobre como voltar pro embarque assim que chegássemos no saguão e, algumas fotos depois, entramos no nosso ônibus. Após uma voltinha, descemos e já nos encaminhamos à porta de conexão. Nosso voo de volta para VCP já estava embarcando e o portão já era o primeiro após a tal porta. No curto espaço de tempo entre entrar e sair do terminal, encontramos com o A345_Leadership, com o Boeing 707 e também com o Mbgmotta, que estava acompanhado da Raíssa Victoria. O grupo do C.R. havia dobrado de tamanho para a perna de volta.

Outra voltinha de ônibus e já estávamos então novamente aos pés do nosso aviãozinho. Que estava sendo eloquentemente elogiado pelo agente que conhecemos no desembarque. E com razão. O bichinho é uma bela máquina mesmo.
Nosso voo era formado majoritariamente por pessoas que seguiriam de VCP para BPS. Foi interessante, porque tinha tanta gente parada no pátio batendo foto do avião e do embarque que os elementos do C.R. fazendo a mesma coisa acabaram camuflados em meio à multidão.



Assim que eu entrei de volta no ATR, eu recebi um ´olá novamente´ e aquele típico olhar doce e condescendente de comissária que percebe que está lidando com alguém que extrapola o conceito de simplesmente gostar de voar.
Estava de volta na primeira fileira para este voo para Campinas, mas agora no lado esquerdo e no corredor. Desta vez havia um passageiro ao meu lado, e as outras duas poltronas da primeira fileira foram ocupadas por um jovem casal. Long story short, o jovem casal era formado pelo simpático Bruno Abud, que é assessor de comunicação da Azul e sua namorada. Ele me perguntou se eu estava com o pessoal do C.R., pois sabia da presença de alguns de nós a bordo. Então palmas para todos daqui.

Assim que a casa encheu, a outra simpática comissária apareceu na nossa frente para as instruções para a saída de emergência. Ela olhou para o casal, olhou para o passageiro ao meu lado e disse ´posso precisar da ajuda de vocês...´, e então olhou pra mim e disse ´e posso precisar da ajuda de você, de novo...´. Sensacional.
Sem mais milongas, decolamos com as cabeceiras de Congonhas invertidas em relação ao nosso pouso e em segundos estávamos novamente então sobrevoando o Jabaquara. E em mais alguns segundos já tínhamos o circuito de Interlagos à nossa esquerda.
Eu precisei manter novamente meu celular desligado e não pude ir registrando nada, mas uma vez mais percebi que as câmeras estavam largando brasa nas fileiras posteriores.
Após pouco mais de vinte minutos, já pousávamos de volta em Viracopos. Depois do nosso táxi, paramos nosso ATR no pátio secundário, ao lado dos fabulosos MD-11 da Lufthansa Cargo e da Fedex.

Quando eu, o Canteras e o A345 estávamos quase saindo do avião, uma das comissárias nos perguntou: ´Ué, vocês não vão ver a cabine?!´. Pra quê, né... demos um back track imediatamente e o comandante Lantelme, postado no corredor, autorizou a ida à cabine com um aceno de braço.
Lá, o primeiro oficial Brunet nos recebeu com toda a simpatia e cortesia, sentado em frente ao moderno glass cockpit que é outra característica que separa esses belos seiscentinhos do resto.

Enquanto isso, TODOS os outros passageiros nos aguardavam no ônibus. Espumando.
Na sequencia, o ônibus nos deixou em frente ao corredor que dá acesso ao saguão de desembarque, onde fizemos nossos últimos registros e devidas despedidas. É sempre uma satisfação conhecer pessoas novas que compartilham a mesma paixão pela aviação. E com o detalhe que essa turma aí, sem exceção, é formada só por gente do bem.

Boys and girls, nunca se esqueçam: primeira vez com as pessoas certas é muito melhor!














