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Acidente aéreo da Rico completa 10 anos sem laudo conclusivo sobre a tragédia


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17 respostas neste tópico

#1 Natan - RBR/SBRB

Natan - RBR/SBRB
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Postado 05 de agosto de 2012 - 00:22

Acidente aéreo da Rico completa 10 anos sem laudo conclusivo sobre a tragédia

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Neste mês, a tragédia da Rico Linhas Áereas completa 10 anos. No dia 30 de agosto de 2002, por volta das 18 horas, a aeronave “Brasília”, prefixo PT WRQ, caiu próximo a cabeceira da pista do Aeroporto Internacional de Rio Branco. O acidente vitimou fatalmente 23 pessoas e deixou 8 sobreviventes. O avião havia decolado às 16h25min de Cruzeiro do Sul, a 650 quilômetros de Rio Branco. Ele fez uma escala em Tarauacá, a 330 quilômetros da capital. Chovia muito na noite do ocorrido.

Um inquérito policial foi instaurado em setembro de 2002 pelo Ministério Público Federal e encerrado em abril de 2010 para apurar a responsabilização penal dos possíveis responsáveis por falhas mecânicas ou pela suposta falta de combustível na aeronave que teria sido a causa do acidente.

Até hoje não se sabe ao certo o real motivo da queda do avião. O inquérito afirma que “O Departamento de Polícia Técnica da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre, através do Instituto de Criminalística, emitiu um laudo pericial em que, após periciar toda a área onde ocorreu o sinistro aéreo, limitou-se a reconhecer a impossibilidade de emitir parecer categórico acerca da causa que determinou o acidente”.

Controladores de voo, gerentes da empresa, sobreviventes e responsáveis pelo abastecimento da nave foram ouvidos. Os controladores afirmaram que “cerca de quinze minutos antes do acidente, a aeronave sinistrada fez o primeiro contato com o centro de controle de voo de Rio Branco/AC, ocasião em que informou ao piloto que as condições metereológicas favoreciam o pouso da aeronave. Por seu lado, o piloto não fez nenhuma menção de que houvesse qualquer problema no voo e tampouco informou que estivesse visualizando a pista para que fosse autorizado o pouso”.

A então gerente da Rico Linhas Aéreas declarou que “a aeronave sinistrada foi abastecida no município de Cruzeiro do Sul/AC antes de retornar para Rio Branco/AC”. Mas o supervisor da empresa de combustíveis negou “no dia do acidente, a aeronave “Brasília”, de prefixo PT WRQ, da empresa RICO TÁXI AÉREO LTDA, não foi abastecida em Cruzeiro do Sul/AC”. O agente de voo da empresa disse que a quantidade de combustível na aeronave “era mais que suficiente para chegar ao aeroporto de Porto Velho/RO, se essa tivesse sido a decisão do piloto”.

Os sobreviventes afirmaram que “o voo transcorreu normal até o momento em que começou a chover muito forte. No entanto, nenhum aviso foi dado pela tripulação sobre a ocorrência de qualquer situação de perigo”.

Conforme o inquérito, o Centro de Investigações e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) descartou qualquer possibilidade de ter ocorrido qualquer falha mecânica, elétricas ou hidráulicas na aeronave. Também demonstrou que o acidente não teve como causa a falta de combustível.

http://www.agazetado...a-tragedia.html

#2 Alex Vieira

Alex Vieira
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Postado 05 de agosto de 2012 - 01:42

Meu Deus, aquilo é um corpo debaixo da fuselagem do Brasilia?

#3 Majesty 747

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Postado 05 de agosto de 2012 - 10:40

... espero que não, mas que parece um homem de bruços parece...

#4 F-4 Phantom

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Postado 05 de agosto de 2012 - 13:14

Se não me falha a memória, este corpo é de um dos sobrevivente... imagem mostra bombeiros socorrendo a vítima.

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Editado por F-4 Phantom, 05 de agosto de 2012 - 13:15 .


#5 Mário Dourado

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Postado 05 de agosto de 2012 - 13:14

Eu estou vendo ao menos tres corpos

#6 lichmann

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Postado 05 de agosto de 2012 - 13:24

Eu morava na época em Rio Branco, tinha chegado 3 dias antes de vaigem de BSB no antigo F27 da TAVAJ,
Eu nunca vi uma cobertura nojenta, surrealista dos jornais locais, mostrando corpos e como era tratados os mesmos,sendo jogados em caçambas de camionetas como um animal em matadouro.

Chovia exageradamente neste dia, e RBR não contava com ILS e está em uma região que proporciona e muito o blackhole.

#7 thor.rao

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Postado 05 de agosto de 2012 - 13:40

Início do fim da Rico Linhas Aéreas...

#8 pilotoKAL

pilotoKAL
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Postado 05 de agosto de 2012 - 13:48

10 anos para nao se concluir nada...Brasillllllllllllllllllllll !!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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#9 ANDRE1971

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Postado 05 de agosto de 2012 - 22:12

Em seu curto periodo como empresa de aviação regional, a Rico conseguiu destruir 3 brasilias.2 em vôo e 1 taxiando(acreditem, o avião se acabou taxiando. Caiu em uma vala ou buraco e se acabou).
Este acidente matou 23 pessoas, o outro idem, totalizando 46 mortos.
Conhecido meu voou lá e disse que a manutenção era uma m...
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#10 ANDRE1971

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Postado 05 de agosto de 2012 - 23:03

Em seu curto periodo como empresa de aviação regional, a Rico conseguiu destruir 3 brasilias.2 em vôo e 1 taxiando(acreditem, o avião se acabou taxiando. Caiu em uma vala ou buraco e se acabou).
Este acidente matou 23 pessoas, o outro idem, totalizando 46 mortos.
Conhecido meu voou lá e disse que a manutenção era uma m...


Corrigindo uma possivel interpretação errada do post acima.
Felizmente o acidente com o brasilia taxiando não teve vitimas fatais.
Este acidente de Rio branco teve 23 mortos e um outro tambem em voo vitimou outras 23 pessoas.
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#11 Safe Flight

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Postado 06 de agosto de 2012 - 01:29

No site do Cenipa têm algumas RSV -recomendações de segurança de voo:

http://www.cenipa.ae...atricula=PT-WRQ

CFIT?

#12 PHAJET

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Postado 06 de agosto de 2012 - 10:40

e o que é mais revoltante é que os donos da empresa continuam lá, tocando o táxi aéreo como se nada tivesse acontecido...

#13 PR-MGE

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Postado 06 de agosto de 2012 - 17:19

e o que é mais revoltante é que os donos da empresa continuam lá, tocando o táxi aéreo como se nada tivesse acontecido...


bom uma coisa eh fato, os caras perderam muito patriomonio, quebraram praticamente. queria saber como eh que pagam o leasing dos e120 que estao lah como PTWJG, PTWZM e o PPISG

#14 PHAJET

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Postado 06 de agosto de 2012 - 17:43

mas esses e120 não voam mais? tem um e120 no táxi aéreo, não tem?

#15 thor.rao

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Postado 06 de agosto de 2012 - 18:23


bom uma coisa eh fato, os caras perderam muito patriomonio, quebraram praticamente. queria saber como eh que pagam o leasing dos e120 que estao lah como PTWJG, PTWZM e o PPISG


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Não esta apta a voar não sei pq...

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2 E120 tb sem condições de voo.

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Sds

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Tentando voltar a ativa talvez....?!!!!?

Editado por thor.rao, 06 de agosto de 2012 - 18:24 .

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#16 davidribeiro

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Postado 06 de agosto de 2012 - 18:46

Na 1° foto fo Tho.rao, você vê como eles fazem pra pagar o resto da Rico. Citation XLS, PP-MDB..contratos, contratos e contratos.

#17 Silva

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Postado 30 de agosto de 2012 - 15:01

O acidente completa 10 anos neste dia 30 de agosto. Hoje foi divulgada uma reportagem publicada nos dias seguintes ao acidente:


O voo 4823 e o dia em que o Acre chorou

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Capa do jornal de domingo, quando as primeiras informações sobre o acidente na época foram repassadas à opinião pública (Foto: Reprodução/arquivo pessoal)
“O Acre está de luto. A tragédia do voo da Rico, na noite desta sexta-feira, atingiu dezenas de famílias de Rio Branco e Cruzeiro do Sul e deixou a população em estado de choque. Todos os shows da Expoacre foram suspensos. Em Cruzeiro do Sul, a situação é ainda mais delicada. O prefeito César Messias (PPB) decretou luto oficial por três dias. A população compareceu em massa ao aeroporto da cidade para receber os corpos e os familiares das vítimas. Um grande cortejo fúnebre seguiu pelas principais ruas da cidade até a Catedral de Nossa Senhora da Glória, onde foi realizada uma missa em memória dos mortos”.

Você lê acima a chamada principal da edição de 1º de setembro de 2002, do Jornal A Tribuna, quase 48 horas depois da maior tragédia aérea desta década no Acre, quando um avião turboélice EMB-120 Brasília, da extinta Rico Linhas Aéreas, procedente de Cruzeiro do Sul e Tarauacá, caiu a quatro quilômetros do aeroporto de Rio Branco matando 23 pessoas e deixando oito sobreviventes.
De lá para cá já se foram dez anos, mas aquela fatídica noite de 30 de agosto ainda ecoa, de alguma forma, nos corações dos sobreviventes, nos daqueles que perderam queridos e até entre jornalistas que participaram intensamente do resgate, muitos deixando de lado o serviço noticioso para auxiliar na remoção dos feridos.

Para quem não presenciou o drama do dia 30 de agosto de 2002, AGazeta.net traz um retrospecto das principais causas do acidente, do sentimento de alguns dos que sobreviveram e a lição deixada pelo acidente para a segurança do voo nos dias atuais.
A tarde é agradável em Cruzeiro do Sul (distante 640 quilômetros de Rio Branco). No saguão do segundo principal aeroporto do Acre, amigos de despedem, enquanto o voo RLE 4823 é aprontado pela tripulação para mais uma perna entre Cruzeiro e Rio Branco, com escala em Tarauacá.

Na sala de informação para pilotos, a sala AIS, o co-piloto Paulo Roberto Nascimento obtém as informações meteorológicas de Tarauacá e Rio Branco. Na capital do Acre, o tempo começa a piorar a partir das 17 horas, horário de Rio Branco.
Já no cockpit, Nascimento inicia os procedimentos de pré-voo e comunica as informações do tempo ao seu superior, o comandante Paulo de Freitas Tavares.

Na sala de embarque, o então deputado federal Ildefonço Cordeiro conversa com os amigos empresários João Gaspar, o “João Garapa” e Hasseni Cameli, o "Manu". Só estes últimos dois vão sobreviver.
Na hora do embarque, uma confusão se forma. Passageiros sem reserva querem embarcar. Muitos querem chegar a tempo de ir para o antepenúltimo dia de Expoacre, dali a poucas horas, com atrações de bandas nacionais, em Rio Branco.

Mais de dez pessoas estão na fila de espera, entre eles o pecuarista Júnior Betão e a esposa do então candidato a vice-prefeito por Cruzeiro do Sul, Vagner Sales, a atual deputada Antônia Sales, que era candidata também a deputada.
Júnior Betão, que a época era candidato a deputado federal, desiste de embarcar quando a funcionária pública estadual Clenilda Nogueira chega nervosa e reclamando que alguém ocupou sua vaga no avião. Betão, que não tinha reserva porque comprou a passagem de última hora, cede a sua vaga no voo.

Em Tarauacá, pelo menos sete pessoas também não embarcam, porque o voo está lotado. Na cidade, somente três pessoas têm reservas.


Carta de rota mostra trajetória do voo 4823, desde Cruzeiro até o fatídico em Rio Branco (Montagem: webdesigner Enarde Fernandes/AGazeta.net)
Ainda no solo, em Cruzeiro, a passageira Rosângela Pimentel Cidade Figueira também não tem reserva. Ela estava em Cruzeiro do Sul para um seminário na área de saúde e começa um bate-boca com a médica Célia Rocha, exigindo uma vaga no avião. A então secretária Maria Jesuíta, ao perceber a confusão, entrega sua passagem a Rosângela, cedendo-lhe o lugar e optando pelo voo da Varig do dia seguinte. Clenilda Nogueira e Rosângela Figueira também vão morrer na tragédia.


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Aeronave ficou praticamente irreconhecível, após chocar-se contra copa de árvore, um mourão de cerca e atingir animais no campo (Foto: Reprodução/A Tribuna)

O avião decola de Cruzeiro do Sul às 17h10 com destino ao aeroporto de Tarauacá. A primeira perna do voo será de cerca de 30 minutos. Os passageiros conversam, Hasseni Cameli senta-se no lado direito da aeronave, e na fila da esquerda próximos a Cameli estão os passageiros Luiz Maciel Costa e o deputado Ildefonço Cordeiro. Próxima deles, a esposa de IIdefonço, Arlete Souza. Eles conversam durante todo o voo.

Nas demais poltronas, os passageiros se sentem à vontade numa etapa sem turbulência de uma tarde, aparentemente, tranquila.
Após o pouso em Tarauacá, três passageiros embarcam. Outros dois descem da aeronave. Depois de dez minutos de solo, a aeronave decola para Rio Branco. A duração prevista é de uma hora.

Às 17h40m25s, horário local de Rio Branco e 90 quilômetros da pista, o comandante do voo RLE 4823, Paulo Roberto Tavares, chama o Controle de Aproximação de Rio Branco, o APP-RB.

Neste momento se inicia um desvio de rotina na empresa. Ao acionar o APP-RB, Tavares se põe na condição de piloto não voando (PNF na sigla em inglês). É o co-piloto que está no comando da aeronave.

A recomendação do Manual de Rotina Operacional do avião Brasília da Rico, no item Política Operacional, recomandava o seguinte: “Quando a operação do aeroporto estiver nos mínimos instrumentos, recomenda-se que a operação de aproximação e pouso seja feita pelo comandante”. Em outras palavras, quando não há visibilidade externa, o pouso deve ser por instrumentos e feito pelo comandante que não poderia estar na fonia.

Às 17h40m31s, o APP-RB informa que Rio Branco opera (pousos) por instrumentos, fornece os ajustes de altímetro, pista em uso e outros dados técnicos para orientar a tripulação do RLE 4823 até a aproximação pela pista 06, localizada para o lado da BR-364.
Entre o repassado, o controlador reporta “chuva forte e trovoada”, com visibilidade reduzida.
Os passageiros já avistam relâmpagos na região de descida. A educadora Maria de Fátima Meireles, que está na segunda fileira de bancos, vê clarões por todos os lados. Ela fica apreensiva.

Depois de pouco mais de 8 minutos de voo e ter feito a primeira tentativa de pouso na cabeceira 06 do aeroporto de Rio Branco, a tripulação do RLE 4823 decide então tentar a aterrissagem pela cabaceira 24, no lado oposto.
Às 17h48m59s, o voo RLE 4823 pede autorização ao Controle de Aproximação para fazer o pouso pela cabeceira 24. O Controle prontamente, responde: “Afirmativo, autorizado!”

Às 17h49m26s, o Controle de Aproximação faz um alerta ao voo RLE 4823: “Tá ciente de que não há auxílios visuais na aproximação da 2 4? Não há “papi” ou apapi e nem o ALS?”

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Aeronave caiu com 31 pessoas a bordo, das quais apenas oito sobreviveram (Foto: Arquivo/ATribuna)
O apapi a que o controlador se refere são luzes na cabaceira que orientam o piloto num pouso com pouca visibilidade, mas não com visibilidade zero, assim como o ALS que significa Sistema de Luzes para Aproximação.

O comandante Paulo Roberto Tavares então responde: “Afirmativo, mas é que....a gente tá desviando aqui da formação pesada e...aparentemente aqui pela 2 4 tá melhor. (...) quando chegar mais próximo a gente avisa!”
Às 17h54m49s, o Rico RLE 4823 opta por pousar na cabeceira 06, para onde seguiriam originalmente e onde existem os auxílios apapi e ALS. “Estamos aproando pro procedimento da zero meia!”, afirmou Tavares.

Às 17h57m39s, o APP-RB anuncia que vai colocar o balizamento do ALS, do apapi e das luzes da pista no brilho máximo. Pede então que a tripulação reporte assim que avistar a iluminação, para então, reduzir o brilho.
Na cabine de passageiros, todos começam a perceber que o tempo não está colaborando para o pouso. A chuva permanece forte e a visibilidade cai ainda mais.

Mas o clima ainda não é de apreensão. O deputado Ildefonço Cordeiro mostra um álbum ao amigo, Hasseni Cameli, o “Manu“. Entre as fotos estão umas feitas na solenidade em que ele foi homenageado pelas Forças Armadas, em Brasília.
“O Maciel também estava com o rosto na janela tentando visualizar alguma luz lá fora. Foi neste momento que, de repente, ficamos todos calados. Então veio o impacto inicial. O avião já saiu batendo e a gente pareceu milho dentro de lata”, relata Hasseni Cameli, ao relembrar de forma precisa o que se passou naquele momento.

Às 18h03m30s o controle APP-RB fez nova chamada ao RLE 4823. Seguiram-se então, outras sete tentativas de contato, mas sem sucesso.

O Brasília da Rico Linhas Aéreas colide contra o solo a quatro quilômetros da cabaceira 06 do aeroporto de Rio Branco. A aeronave bate na copa de uma mangueira, atinge um mourão e vai parar retorcido num descampado às margens do ramal da Chapada, na fazenda dos Alves. Três bois também são atingidos em terra.

Os três tripulantes e 17 passageiros morrem na hora. Outros três falecem posteriormente. Seis sobrevivem com lesões graves e outros dois escapam quase ilesos, entre eles Hasseni Cameli, o “Manu”, que sofreu apenas fraturas no maxilar.

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Jornal deu ampla divulgação sobre o acidente na época, quando o Acre parou para ser solidário às vítimas (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)
“O Nosso Senhor tinha um propósito para mim”, diz Manu

Passados dez anos, o empresário Hasseni Cameli, o “Manu”, não tem praticamente nenhuma sequela física do acidente. Entrevistado pela reportagem da TV Gazeta de Cruzeiro do Sul, onde tem vários negócios, entre eles um supermercado, Manu diz que psicologicamente se tornou apenas uma pessoa mais nervosa.

“Como preciso voar, eu consigo viajar normalmente hoje, mas não posso passar mais de 30 dias sem fazer minhas viagens porque me bate nervosismo. Por muitas vezes, só voava na cabine do piloto, porque ali eu me sentia mais seguro. Até que um dia um piloto amigo meu também da Rico me deu outro choque; ele me mostrou alguns equipamentos que não estavam funcionando naquele voo. Acabei me acostumando a voar na cabine de passageiros mesmo (risos)”.

Manu acredita que não morreu porque Deus tinha um propósito maior para ele. Ele ressalta que na época, estava com um projeto de assistência a crianças carentes no Instituto Santa Terezinha.

Sozinho na escuridão - “Os bancos voaram e querosene começou a cair no meu corpo. Me deu medo de que o avião pegasse fogo, mas estava chovendo. Antes, o barulho foi mais forte que qualquer grito e quando o avião parou, vi muita serpentina de ar, de óleo caindo. Eu não cheguei a desmaiar em momento algum”.

Ele continua: “Num primeiro momento, queria sair, soltei o cinto, vi muitos destroços por cima de mim e por baixo também. Fui buscar um buraco. Consegui rasgar o que seria fibra do avião e saí. Lá fora vi pessoas mortas, destroços e até bois mortos. Fui para o outro lado da fuselagem e lá vi uma graminha. Então eu saltei e saí em direção a uma luz. Era um casebre. Sozinho eu corri para lá”.

Hasseni Cameli prossegue dizendo: “Naquele momento, eu me perguntei. Por que Senhor? Mas neste momento, eu esqueci de mim. Não sabia quem eram meus filhos, minha esposa, o que estava fazendo ali e até quem eu era. O choque é tão grande que te faz perder a memória. Mas o Nosso Senhor tinha um propósito pra mim. Na minha mente veio uma reposta. Ela dizia: “As crianças”. Veio na minha mente as crianças carentes do Instituto Santa Terezinha. Disse, meu Deus, as crianças”.

“Eu penso que aquele trabalho não poderia ser interrompido e que a Providência Divina estava me dando um bem: a vida novamente, por querer fazer o bem àquelas crianças. A vida da gente é uma vela acesa que pode apagar a qualquer momento, mas só vamos na hora que é para ir. Existem milagres”.

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Manu (esquerda) com o amigo, João Garapa: vivos para contar a história (Foto: Reprodução/TV Gazeta)
75 dias dormindo num quarto desconhecido

Ele sofreu uma pancada forte na cabeça e apagou. Acordou 75 dias depois perguntando pelo amigo Hasseni. “O que eu estou fazendo aqui?”, perguntou João Garapa. Depois pensou estar em algum hospital de Rio Branco e pediu pra ir pra casa. Mas estava num hospital de São Paulo, para onde havia sido transferido depois do acidente.

“Eu me recordo de algumas coisas durante o voo, de que conversava com meus amigos. Mas no momento da tragédia, eu simplesmente bati a cabeça e apaguei. Fui acordar num hospital de São Paulo. Ali, passei mais 15 dias até voltar pra minha terra em Cruzeiro. Ouvi pelos meus familiares o que se seguiu depois da queda, mas só me recordo que dormi”.

Na colisão, João Garapa perdeu uma parte do crânio e da massa encefálica, ficou momentaneamente sem os movimentos das pernas por conta de traumas no próprio cérebro, foi restituído de todas as suas funções e saiu do coma como se nada tivesse acontecido.
“Dez anos depois, costumo dizer que tenho duas datas de aniversário, uma no dia 7 de março e outra no dia 30 de agosto”, brinca.
Dezenas de cirurgias, incluindo a paciência de médicos e familiares para que seu cérebro desinchasse, teve um desfecho positivo, segundo a própria vítima, graças às horas intermináveis de orações que se sucederam desde a queda.

“Eu recebi o a apoio de todas as igrejas. Todos aqui em Cruzeiro, indistintamente, oraram pela minha recuperação e Jesus Cristo me salvou”, frisa João Garapa, emocionado.
“Não tenho nenhuma sequela. Nenhuma. Não sinto nada e costumo retribuir essa graça indo a missa todos os domingos”, completa.
“As pessoas precisam dar mais valor à vida. O conceito de vida muda muito depois de uma situação dessa”.

O exercício da paciência

As pessoas vinham conversando, vinham sorrindo. As impressões da médica Célia Rocha corroboram com o que outros passageiros relataram sobre o que teria ocorrido alguns minutos antes da queda.

“O avião vinha tranquilo e não me recordo quando ele caiu. Voltei a si no Hospital Nove de Julho, em São Paulo, 30 dias depois do acidente. Aí vieram me esclarecer o que tinha ocorrido”, conta Célia Rocha.

Curiosamente, muitos jornalistas que foram cobrir a tragédia desde o Pronto Socorro de Rio Branco puderam registrar o momento em que Célia Rocha chegou. Embora bastante debilitada, ela foi retirada de um veículo sentada. Seus olhos olhavam para o infinito, como alguém muito pensativo.
“A minha lição disso tudo é que aprendi a ter o exercício da paciência”, diz ela à reportagem da TV Gazeta. “É preciso valorizar o aprendizado da vida”.


Laudo aponta falha humana e desvios operacionais

Embora todo relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) -- órgão ligado ao Estado Maior da Aeronáutica e que investiga e expede laudos sobre acidentes aéreos no Brasil --, seja apenas para a prevenção e alerta para que acidentes em circunstâncias parecidas voltem a acontecer, o do voo RLE 4823 convergiu para falhas humanas e erros de coordenação da empresa e de tripulantes na cabine.

Mas outros fatores, como o de meio-ambiente e de condições meteorológicas adversas também contribuíram.
A participação de variáveis psicológicas e individuais do comandante Paulo de Freitas Tavares e do co-piloto Roberto Nascimento, como ansiedade e pressão para que o pouso fosse realizado em Rio Branco é apontada como uma das causas. Na época, estava acontecendo em Rio Branco a feira agropecuária Expoacre. A tripulação poderia optar por ir para Porto Velho como alternativa.

“As péssimas condições meteorológicas, aliada à quebra de sequência dos procedimentos operacionais e à ansiedade da tripulação para a realização daquele pouso, naquelas condições meteorológicas pode ter contribuído para a canalização da atenção a outros fatores que não permitem observar a proximidade e ultrapassagem da altitude mínima de decisão do procedimento”, revela o dossiê de 26 páginas, assinado pelo coronel-aviador Mauro Roberto Ferreira Teixeira, chefe do Cenipa, e pelo brigadeiro-do-ar Astor Nina de Carvalho Netto, na época, comandante do Estado Maior da Aeronáutica.
“A tripulação não utilizou adequadamente todos os recursos disponíveis na cabine para a realização do procedimento (de aproximação e pouso) com segurança”.

O meio ambiente, por sua vez, na região do aeroporto, contribuiu para desestabilizar o pouso, além de “poucas referências iluminadas no solo, dificultando a visualização por parte dos pilotos na condição de vôo noturno com céu encoberto”.
Soube-se, no entanto, que o sistema de alerta de proximidade ao solo, o GPWS não estava funcionando. O GPWS alerta a tripulação minutos antes de uma colisão contra terrenos.

Quatro testemunhas sobreviventes informaram não haver turbulência durante a aproximação até o momento do impacto.
A aeronave colidiu contra o solo em voo controlado e seus destroços se deslocaram por cerca de 650 metros de distância.


fonte: http://www.agazeta.n...cre-chorou.html

Editado por Silva, 30 de agosto de 2012 - 15:05 .


#18 3Setão

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Postado 13 de abril de 2014 - 17:43

Alguém sabe se já saiu algum relatório apontando as causas do acidente?








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