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Um dia em Toledo

Toledo Espanha

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5 replies to this topic

#1 alferreira

alferreira
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Posted 22 de February de 2013 - 15:32

Olá pessoal.

Apresento-lhes nesse trip report uma rápida passagem que realizei por Toledo, na Espanha, em outubro de 2012. Toledo uma cidade com um toque de idade média / renascença, muito bonita e agradável, cuja visita me proporcionou a possibilidade de viajar de trem-bala.
Oportunidade
Com 10 dias na Espanha, gastaria 3 em Madrid, 3 em congresso e 2 ida-vinda, restando 1. Antes de iniciar minha viagem, pesquisei na Internet um roteiro interessante de 1 dia, algo como Ibiza ou outro país, deparando-me com Toledo, pertinho de Madrid. Aliou-se um custo baixo, ir e vir no mesmo dia e ainda provar a experiência de andar de trem-bala, lá chamado de AVE (pronunciasse “ave”). Como tinha adquirido um cartão turístico para Madrid (o Madricard), encontrei no site onde efetuei a compra um link para adquirir, nos mesmos moldes, o Toledocard. Tal cartão daria acesso 4 atrações turísticas, já determinadas, ida-e-volta da estação ferroviária para a parte alta (a antiga) de Toledo em ônibus de 2 andares turístico (outra experiência legal) e passagem ida-e-volta de trem-bala, de Madrid a Toledo. Isso tudo por 45 euros. Achei agradável o preço, mas deixei para comprar lá, em Madrid. Lá, um dos vários pontos de fácil acesso de compra era na estação ferroviária Atocha (estação do metro Atocha RENFE – RENFE é a companhia de trens espanhola, não confundir com a estação Atocha, que fica do lado de fora, do outro lado de uma avenida), no balcão da agência de turismo que gerenciava o programa do cartão.

Comprando

Dia 18 de outubro, já em Madrid desde o dia 14, acordei cedo e me dirigi a estação Atocha, as 08h30 da manhã. Passeei pela estação e fui procurar a agência de turismo: sem indicação, foi um tanto trabalhoso achá-la, até porque é bem pequena. Uma senhora muito simpática me atendeu, me explicou tudo e na hora de emitir as passagens, deu problema no sistema dela. Mas foi rapidamente resolvido: ela se dirigiu a um ATM bem em frente e num piscar de olhos imprimiu as passagens: escolhi domingo, que seria dia 21, ida as 10h20 e volta as 17h30.

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ATM que emite as passagens (bilhetes)


Indo

No dia 21 fui bem cedo a estação Atocha: o tempo estava bem nublado, parecendo que ia chover. Pensei que estragaria o passeio. A estação Atocha é muito bonita, combina um pouco de clássico com moderno. É bem maior que Congonhas e mais confortável, além de contar com muitas lojas sem preços exorbitantes. Há um lindo jardim tropical lá dentro. Vi o monumento das vítimas do atentado terrorista. Interessante é que – se me falassem não acreditaria – você sente um clima triste, pesado, em um lugar desses. Atualmente a Espanha tem tropas no Afeganistão e por lá todo cuidado é pouco: raio-x em tudo quanto é lugar.

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Jardim tropical dentro da estação Atocha


Após passear bastante, me dirigi aos terminais de embarque, passando antes pelo raio-x: todo de vidro, muito limpo e claro. O portão de embarque (isso mesmo, portão de embarque, só não tem finger) tinha mudado, mas os terminais informaram.

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Portões de embarque

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Painel com os embarques

Ao iniciar o embarque, 10h10, uma fila pequena se formou e foi rapidamente atendida, com uma dupla de eficientes atendentes lendo o código de barras dos bilhetes com leitores portáteis. Adentrei a plataforma e rapidamente encontrei o vagão: limpíssimo e novíssimo. Sentei e aguardei. Poltronas largas, confortáveis, em configuração 2+2, sendo uma de frente para outra no meio do vagão e um pitch enorme. A ocupação estava em 80% com muitos estrangeiros, de todas as nacionalidades (pela língua falada, dava para descobrir algumas). As 10h20 – pontualmente – o trem partiu vagarosamente da estação.

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OS AVE

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Assento

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Ocupação



De trem-bala (ou AVE)

Depois de sair dos limites da estação, deu uma acelerada imperceptível e só quando passávamos por algum viaduto ou túnel é que se sentia a velocidade. Por dentro, silêncio e pouquíssimo balanço. Faltou um velocímetro para indicar a velocidade aos passageiros.
A paisagem foi mudando de cidade grande, para subúrbio e depois campo e em 30 minutos chegamos a Toledo.
Estação bem simples, só uma plataforma no meio do nada: um contraste enorme com o trem avançado.
Indo da estação para a cidade
Dirigi-me a estação, um prédio em uma arquitetura moura (será?) e adquiri um mapa de Toledo, que foi imprescindível como vi mais tarde, pelo qual paguei 2 euros. Depois, mostrando o tal Toledocard em um balcão, obtive um tíquete de ônibus e embarquei, já na rua em frente à estação, no piso superior do ônibus turístico, de dois andares. O ônibus ainda aguardou uns 10 minutos antes de partir.

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A estação

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O ônibus

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O vale, quase já atravessando a ponte para o outro lado. Ao fundo: ao lado direito do rio, a encosta por onde viemos;

a esquerda do rio, Toledo.


No piso superior estava uma enorme e falante família italiana, que tornou a viagem bem animada. O ônibus vai serpenteando uma encosta nas montanhas, tendo do lado direito um vale bem profundo, com o rio Tejo ao fundo e a cidade de Toledo – parte alta e antiga – do outro lado. E vai parando em lugares para ir tirando fotos, ficando uns 5 minutos em cada lugar (3 paradas). Apesar do céu ir abrindo e saindo um lindo sol, senti muito frio, mesmo estando de casaco grosso e acolchoado, creio que uma sensação de 5 graus. Pensei: vou sofrer nesse passeio. Desci para o piso inferior. Ainda bem que o frio não persistiu: o sol sai mais forte e depois fez até calor, em um céu azul “de doer” sem uma nuvem.
Passamos por uma ponte pênsil “rosa”, que passava por sob o vale, ligando uma margem a outra, a da cidade antiga. Seguimos até uma praça, Zocodover, e o ônibus parou atrás de um palácio, o Alcazar, onde todos desembarcaram.

Andando

E agora, para onde vou, qual o roteiro? Era por minha conta. Com o mapa na mão, excelente, fui traçando o meu roteiro. Tinha levado na mochila sucos, biscoitos e sanduíches, a fim de economizar euros e tempo. Contornei o palácio – enorme, estava em reforma – e fui para um boulevard, muito bonito, limpo, com mesas e lanchonetes, onde dava para ver todo o vale e a encosta por onde o ônibus tinha vindo. O bacana, que pude reparar ali mesmo, foi que as garagens para automóveis são subterrâneas, pois as ruas são bem estreitas, não tendo lugar para todo mundo estacionar (sim, moram muitas pessoas em Toledo, ela não é só atração turística). Há ruas onde o tráfego não é permitido ou então ela é muito estreita.

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O Boulevard

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As garagens públicas

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As ruas de Toledo

Com o mapa em mãos, fui andar e visitar os 4 pontos a que o cartão dava direito. Foi uma sensação muito gostosa em um dia lindo, sem nuvens, sem frio, passear meio perdido pelas ruas cheias de pessoas de Toledo, olhar as lojas, a arquitetura, somente andar. Fui a Catedral, enorme, aliás, gigantesca por fora. Mas estava fechada para visitas naquela hora – era domingo, e estava tendo missa – reabrindo apenas às 14h. Vamos ao ponto seguinte: igreja de São Tomé, do século XII - XIV. Muita gente na porta, pensei: deve ser legal. Grande engano. Dentro, apenas o local onde está enterrado um tal de Sr. Orgaz, com uma pintura de El Greco no teto. Não gostei, para mim não valeu a pena...
Mais andanças: próxima parada uma sinagoga. Em Toledo existiu um bairro judeu, com a sua respectiva sinagoga. No chão, a cada pedaço, havia inscrições em hebraico e um tozeto (pequeno azulejo) com a estrela de David e outros símbolos judaicos: muito legal. A Sinagoga de Santa María la Blanca pode soar estranho, pois uma sinagoga ter nome de santa, mas é que ela foi transformada em Igreja no século XV (ela é do século XII). Lá, só exposição de pinturas de artistas judeus, muito antigas. Um local bonito, que me trouxe bastante paz.
Próxima parada, bem perto, o Monasterio de San Juan de los Reyes, do século XV. Em todos esses lugares que citei, bastava apresentar o cartão na bilheteria que eles passavam o cartão em uma leitora e emitiam um bilhete. Depois, era só passar pela catraca. O monastério é muito bonito, grande, mas 1 hora é suficiente para vê-lo completo. Ao lado do monastério havia uma pracinha, onde vislumbrei todo o vale (bem alto) e a ponte pênsil por onde passei ao chegar.

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A sinagoga

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Interior do monastério

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Ponte pênsil

E ai, a fome chegou. Muitos, mas muitos restaurantes, um ao lado do outro, com os preços iguais. Qual escolher? Andei um pouco e escolhi um que infelizmente não me recordo o nome, mas que tinha uns barris como banquetas para sentar. Cheio de famílias espanholas. Pensei então que a comida deveria ser boa. E acertei. Por 12 euros (+10% de impostos, total 13,20) tive direito a 2 pratos, uma botija de vinho e sobremesa. De cara veio o pãozinho com uma botija de vinho, forte, gelado, muito bom, creio que deve ser do local. E fui tomando o vinho. De entrada, macarronada. Excelente, muito melhor do que já comi pelo Brasil, incrível (deve ser a “proximidade” com a Itália). Depois, veio umas costeletas de vitela, grelhadas, esplêndidas! E por fim, um sorvete (não lembro o sabor). E a botija (quase 1 litro) de vinho, ia indo junto, suavemente. E muito bom atendimento: cortês e rápido.

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Interior do restaurante

Ao sair do restaurante me dei conta que tinha tomado sozinho 1 litro de vinho! Dado conta só não, estava sentindo... Tudo ficou mais alegre, mais leve, e fui andando pelas ruas, mais devagar, em direção ao último ponto a ser visitado: a Catedral Prima. Como Toledo foi por um tempo a capital da Espanha, o centro do poder católico também era lá. A Catedral era enorme. Creio que da umas 5 catedrais da Sé! Adentrei, sem filas e por dentro pude constatar a beleza e enormidade do lugar. São catedrais dentro de uma catedral.

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Uma pequeníssima parte da catedral

A primeira coisa foi sentar em um banco para deixar passar um pouco o efeito do vinho, visto lá dentro ter vários degraus e eu não queria “pagar mico” por lá tomando um tombo. Creio que nesse momento São Pedro sentou do meu lado e trocamos algumas idéias: o vinho era forte mesmo e pegou. Diminuído os efeitos, comecei a andar e fotografar. Tem muita coisa para ver dentro da catedral e passei umas 2 horas por lá. Creio que 3 a 4 horas é um tempo para ver detalhadamente o lugar. Há varias exposições em cada canto (livros, obras de arte, vestuário, objetos dos rituais litúrgicos, etc) e várias criptas espalhadas pela catedral. Mas nada fúnebre ou mal cuidado. É um verdadeiro museu, no bom sentindo da palavra, claro. Há tanto ouro lá dentro que eu acho que se vendessem tudo por quilo salvaria a Espanha da crise!
Visitada a catedral, literalmente desci a ladeira: fui para as margens do rio Tajo, que é como os espanhóis chamam o rio Tejo. Longe de ter águas cristalinas, mas há gente pescando, patos, cisnes e não cheira mal. Passeei um pouco por uma trilha as margens do rio, molhei a mão nas águas do Tejo e admirei a paisagem. Depois, continuei pela trilha e comecei a subir uma outra, calçada, pelas encostas. Um pouco inclinada, cansa debaixo de sol, mas nada impossível. Visitei as ruínas de uma casa de banho do Império Romano. Muito legal, e grande. Apareceram uns mexicanos e pediram para tirar fotos: esqueci de pedir o mesmo favor a eles. Mas o automático da câmera me salvou algumas vezes. Depois, recuperado o fôlego, continuei a subida, uns 10 minutos, até a cidade.

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O rio Tajo/Tejo

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As ruínas das termas/casas de banho da época do Império Romano


Passeei pelas ruas, comprei as devidas lembrancinhas e em todos os 10 dias que estive na Espanha, somente neste passeio é que, ao entrar em uma loja, uma jovem vendedora muito bonita batendo papo comigo me disse que eu era brasileiro: perguntei como ela descobriu (minha avó era espanhola e arranho muito bem o espanhol) e ela me disse que sentiu no coração... que lindo! Compras feitas, mais passeios pelas ruas e já estava chegando a hora de voltar: o trem partiria as 17h30.

Voltando

Em 10 minutos cheguei ao ponto onde o ônibus tinha me deixado, lá pelas 16h40 e... nada de ônibus. Olhava para o início da rua, mais abaixo, olhava pro outro lado, e nada. Perguntei mas de nada adiantou: vários turistas que não sabiam (quando eu perguntava em inglês) ou não entendiam espanhol. Até que um senhor me disse (em espanhol) que o ônibus passava na esquina, quase em frente. Ao chegar ao ponto, perguntei a umas senhoras e me disseram que ali só parava o 41. O 21, que ia até a estação ferroviária passava ali mas parava após a esquina. Esses não eram os ônibus turísticos. Mas já passava das 17h e não teve jeito: chegou rapidamente o tal 21: vazio, limpíssimo, confortável, com o som ambiente passando jogo (até lá, domingo a tarde é dia de jogo). O motorista, atencioso, de terno e gravata, cobrou-me 1,40 (um com quarenta, como dizem) e me deu o recibo! Desceu, acionou o mecanismo para um cadeirante subir, pelo lado de fora do ônibus, posicionou o cadeirante, afivelou o cinto e... não cobrou: tai a diferença de um país de 1º mundo para o nosso! Fez um outro caminho e em 10 minutos desembarcava em frente a estação.

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Praça Zocodover, onde tomei o ônibus de retorno à estação


Tomei um refrigerante (nada de preços exorbitantes, mesmo sendo uma estação), fui ao banheiro (limpíssimo) e o trem, que já se encontrava na plataforma, foi recebendo os passageiros. Ocupação de 100% na volta. As 17h30 o trem partiu, inicialmente devagar, depois aumentando a velocidade. O cara ao meu lado caiu no sono, tudo quieto e eu cansado, paguei a língua: quando minha filha esteve no Japão, ao andar de trem-bala (Shinkazen lá), dormiu e mal viu o monte Fuji, o que protestei bastante (como pode, andar de trem-bala pela primeira vez e dormir) e eu, agora, caía no sono profundo.

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Estação, pelo lado de fora

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Lanche na estação: reparem o preço de 6 euros em tudo aquilo (sanduba de Jamom,

batata frita e caneca de cerveja)

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AVE de volta

Só acordei nos arredores de Madrid, onde reparei que havia chovido bastante, e o sol lutava para sair. Chegamos a estação as 18h05, desembarque rápido e tranqüilo. E em 5 minutos já estava no metro, indo para o hotel, descansar e me preparar para a última noite em Madrid.
Para quem quer algo diferente em um dia e já viu tudo em Madrid, recomendo: com cartão, almoço, metro, mapa, gastei uns 65 euros! R$ 180 é muito para um só dia? Mas quando é que eu terei outra oportunidade?

Abraços a todos e obrigado pela leitura!

#2 thor.rao

thor.rao
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Posted 22 de February de 2013 - 16:03

Comeu Jámon?

Comprou lembranças em Ouro? Ou folheado a ouro?

#3 alferreira

alferreira
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Posted 22 de February de 2013 - 16:20

Comeu Jámon?

Comprou lembranças em Ouro? Ou folheado a ouro?

Jámom comi todos os dias. Fui bobo em não ter trazido uma peça enorme, pois na volta, nada
de alfândega ou vigilância sanitária...

Ouro não: só umas pérolas de Malorca para a patroa...

#4 Raphael_Magalhaes

Raphael_Magalhaes
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Posted 22 de February de 2013 - 17:53

Toledo é bela!! Fui de ônibus pra lá, não tinha a menor ideia que poderia pegar um trem! Excelente report! Amei essa cidade!

Edited by Raphael_Magalhaes, 22 de February de 2013 - 17:54 .


#5 Adriano!

Adriano!
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Posted 22 de February de 2013 - 19:06

essa cidade é um desbunde mesmo. Foi o melhor passeio que fiz na Espanha em janeiro !!!

#6 trevisan26

trevisan26
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Posted 24 de February de 2013 - 16:24

Visitei essa em meados de 2007, fui de trem também. Uma das cidades mais medievais que já visitei, lembro de ter comprado uma espada bem bonita de lembrança hehe

Como é bom ver reportes de locais nos quais já visitamos...

Abraço