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Fiscais encontram escravos para obra da OAS no Aeroporto de Guarulhos


Bagrim

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Leonardo Sakamoto

 

25/09/2013 16:32

Ao todo, 111 migrantes do Maranhão, Sergipe, Bahia e Pernambuco foram submetidos a condições análogas à de escravidão de acordo com auditores do Ministério do Trabalho e Emprego e procuradores do Ministério Público do Trabalho. Eles foram contratados para trabalhar na ampliação do aeroporto mais movimentado da América Latina e passaram fome.

A OAS declarou que “vem apurando e tomando todas as providências necessárias para atender às solicitações” do ministério. A construtora nega que as vítimas sejam seus empregados e afirma que “não teve qualquer participação no incidente relatado”. A reportagem é de Stefano Wrobleski, da Repórter Brasil:

Quando o Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, começou a ser construído em 1980, a população do distrito de Cumbica, onde ele fica, cresceu vertiginosamente. Os novos habitantes, em sua maioria do Nordeste do Brasil, ali se estabeleceram para trabalhar pelos cinco anos seguintes nas obras do aeroporto. Mais de 30 anos depois, os bairros do distrito agora abrigam grande parte dos 4,5 mil funcionários da OAS, uma das maiores construtoras do país e a responsável pelas obras de ampliação do aeroporto mais movimentado da América Latina. Segundo fiscalização conduzida por auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), são empregados dela também 111 homens resgatados de condições análogas às de escravos. Para garantir o pagamento de verbas rescisórias e indenizações, o MPT acionou a Justiça trabalhista, que determinou o bloqueio imediato de R$ 15 milhões da empresa.*

Aliciadas em quatro Estados do Nordeste – Maranhão, Sergipe, Bahia e Pernambuco –, as vítimas aguardavam ser chamadas para trabalhar alojadas em onze casas de Cumbica que estavam em condições degradantes. Além do aliciamento e da situação das moradias, também pesou para a caracterização de trabalho escravo o tráfico de pessoas e a servidão por dívida. A primeira denúncia foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil em Guarulhos ao MTE, que resgatou os primeiros trabalhadores no último dia 6 de setembro. Na ocasião, a fiscalização visitou três casas com um total de 77 pessoas que chegaram de Petrolândia, interior de Pernambuco, nos dias 13 de agosto e 1º de setembro. Cada uma havia pago entre R$ 300 e R$ 400 ao aliciador (“gato”) pela viagem e aluguel da casa, além de uma “taxa” de R$ 100 que seria destinada a um funcionário da OAS para “agilizar” a contratação. Eles iriam trabalhar como carpinteiros, pedreiros e armadores nas obras de ampliação do aeroporto de Guarulhos, que prometem aumentar a capacidade dele de 32 para 44 milhões de passageiros por ano até a Copa do Mundo de 2014.

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Ficha de encaminhamento recebida pelas vítimas para contratação na OAS (Fotos: Stefano Wrobleski)

Em um dos três alojamentos fiscalizados, 38 homens se espremiam na casa de dois andares com quatro quartos e dois banheiros. Devido à falta de espaço para todos, muitos dormiam na cozinha e até debaixo da escada. Quando o segundo grupo chegou, em 1º de setembro, alguns tiveram que passar duas noites em redes do lado de fora, na varanda, por falta de espaço no interior. Só então outra casa foi providenciada, mas em condições também degradantes. Os trabalhadores não tinham nenhum móvel à disposição e já haviam sido orientados a trazer seus colchões. Quem não trazia tinha que comprar um, dividir o espaço dos colchões dos demais ou dormir no chão enrolado em lençóis. Já a cozinha não tinha fogão ou geladeira e a comida era paga por eles mesmos com o pouco que haviam trazido de Petrolândia. A água faltava quase todo dia.

Os empregados haviam recebido a promessa de bons salários, registro em carteira e vales-refeição e transporte. Além disso, todos já tinham feito o exame médico exigido pela empresa e haviam apresentado os documentos necessários para contratação. Eles, no entanto, também tiveram que trazer as ferramentas necessárias para trabalhar. Além disso, ao chegar na empresa, ficaram sabendo que não poderiam apresentar os comprovantes de residência das suas cidades de origem porque esses deveriam ser de Guarulhos. Os migrantes, então, entregaram cópias de comprovantes das casas alugadas pelo “gato”, o que garantiria à OAS o não pagamento dos valores referentes ao alojamento, como o aluguel.

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Cozinha de uma das casas: o fogão portátil comprado pelos trabalhadores ficava em cima de uma cadeira, ligado ao botijão de gás, que ficava desprotegido no pé do colchão onde um deles dormia

A contratação de moradores do mesmo município é uma das exigências do “Compromisso Nacional para o Aperfeiçoamento das Condições de Trabalho na Indústria da Construção”, do qual a OAS é signatária. Ele pode ser firmado voluntariamente pelas construtoras com o Governo Federal e se refere a obras específicas, escolhidas pelas empresas. Em caso de descumprimento, a única previsão que existe é a expulsão da empresa do rol de signatários do compromisso. José Lopez Feijóo, um dos principais articuladores do compromisso,disse à Repórter Brasil em 2012 acreditar que, com o acordo, “serão cumpridos direitos constitucionais que hoje praticamente ninguém exerce”. Uma das regras é que os empregadores devem “contratar, preferencialmente, trabalhadores oriundos do local de execução dos serviços ou do seu entorno”. Quando isso não é possível, a construtora deve informar ao Sistema Nacional de Emprego (Sine) detalhes sobre a obra e as vagas disponíveis para que o órgão federal supervisione a contratação. De acordo com um funcionário administrativo das obras da OAS no aeroporto de Guarulhos, o compromisso lá está “em fase de implantação”. No entanto, os trabalhadores declararam aos auditores do MTE não terem sido orientados pela empresa a buscar o Sine.

Grande parte das vítimas ouvidas pela reportagem já havia feito diversas viagens do tipo: em busca de dinheiro para completar a renda familiar, eles saem de suas cidades no Nordeste atraídos por ofertas de empregos temporários, em geral em grandes construções.

Um jovem de 21 anos resgatado pelo MTE nesta fiscalização disse que já havia ido trabalhar em outras quatro obras em diferentes Estados. Em uma delas, ele ficou impressionado com as condições de trabalho e com a qualidade dos alojamentos, que tinham “até quadra de futebol”. Apesar disso, a construtora informou antes da viagem que o funcionário teria que pagar pelo translado e que a carteira de trabalho seria assinada só quando ele chegasse: “Pelo menos eles [a empresa] foram sinceros”, conformou-se.

De acordo com a legislação trabalhista, as empresas que contratarem pessoas de cidades diferentes do local de trabalho são responsáveis pelo transporte e, além de garantir as condições do veículo e a integridade dos migrantes, devem também pagar pelo translado. Tudo isso deve ser registrado e informado ao MTE, o que nem sempre acontece. O primeiro grupo de trabalhadores da OAS que chegou de Petrolândia, em 13 de agosto, fez a viagem em ônibus precário: a chegada a Guarulhos foi atrasada em um dia porque o veículo quebrou quatro vezes. Em uma delas, o motorista teve que parar depois de ter sido alertado por um caminhoneiro que o motor do ônibus estava em chamas. Uma das vítimas contou à reportagem que o veículo estava com o câmbio quebrado e não engatava duas das marchas, o que não o impediu, contudo, de seguir viagem.

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Bairro onde três dos alojamentos foram encontrados no distrito de Cumbica, que fica a cerca de um quilômetro das obras; ao fundo, grua da construção e torre de controle do aeroporto de Guarulhos

 

Outras casas - Depois do primeiro resgate, a notícia foi se espalhando por Cumbica. Denúncias chegaram ao sindicato, que informou ao MTE. Os auditores retornaram ao distrito nos dias 10 e 16 de setembro, quando fiscalizaram as condições dos empregados em outras oito casas. Todos se encontravam em condições semelhantes aos primeiros, de Petrolândia, e também esperavam o início dos trabalhos com documentos de contratação da OAS.

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Fogareiro improvisado na varanda de uma das casas para preparo das refeições

As 111 vítimas foram divididas em dois grupos que, em dias diferentes, foram à sede da Superintendência Regional do Trabalho (SRTE) em São Paulo para receber as verbas rescisórias e as guias de seguro-desemprego. A construtora concordou em pagar todas as verbas, mas não em firmar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT). Além do TAC, o órgão entrou com um pedido de liminar (ordem provisória) para assegurar o pagamento e conseguiu que a Justiça determinasse o bloqueio imediato de R$ 15 milhões da empresa.

Ao que tudo indica, o número de trabalhadores nessa condição pode ser ainda maior: durante os trabalhos do MTE para registrar o segundo grupo de trabalhadores, um representante do sindicato presente recebeu ligações denunciando pessoas na mesma condição dos 111 resgatados em ao menos outras duas casas de Cumbica. A OAS também deve responder por trabalho escravo na Justiça, em uma ação que será aberta pelo MPT em até 20 dias, segundo Christiane Vieira Nogueira, Procuradora do Trabalho que acompanha o caso. Uma das intenções do processo é assegurar os direitos de outras possíveis vítimas ainda não identificadas.

Em nota, a OAS declarou que “vem apurando e tomando todas as providências necessárias para atender às solicitações” do MTE. A construtora nega que as vítimas sejam seus empregados e afirma que “a empresa, nas pessoas dos seus representantes, não teve qualquer participação no incidente relatado”.

A construtora - Além de ser uma das maiores construtoras do Brasil, a OAS é também a terceira empresa que mais faz doações a candidatos de cargos políticos, segundo levantamento do jornal Folha de S. Paulo. Entre 2002 e 2012, a empreiteira doou R$ 146,6 milhões (valor corrigido pela inflação). A OAS é uma das quatro empresas que formam o consórcio Invepar que, junto com a Airports Company South Africa, detêm 51% da sociedade com a Infraero para a administração do Aeroporto Internacional de Guarulhos através da GRU Airport. Para as obras de ampliação do aeroporto, onde foi flagrado trabalho escravo, o BNDES fez um empréstimo-ponte de R$1,2 bilhões.

Entre as vítimas, seis índios - Dos trabalhadores resgatados pelo MTE em Guarulhos, seis são indígenas da etnia Pankararu. O mais velho deles, de 43 anos, contou à Repórter Brasil que aceitou o emprego para complementar a renda de sua família, como faz há 23 anos, trabalhando provisoriamente como carpinteiro em obras pelo país, sempre voltando à sua aldeia ao final. Segundo ele, um dos contatos do aliciador dos migrantes de Pernambuco dentro da OAS também é Pankararu.

O MTE argumenta que o uso de mão de obra indígena resulta no desfavorecimento da relação de trabalho em razão de etnia, conforme a lei nº 9.029/95. Os auditores fiscais concordam com a visão da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de que os índios “são mais afetados pela pobreza severa e são, portanto, mais suscetíveis a serem vítimas do trabalho infantil, trabalho forçado, tráfico e outras violações de direitos humanos”.

Os Pankararu são bastante conhecidos em Petrolândia (PE), onde ficam suas aldeias. Como acontece com a maioria dos povos indígenas do nordeste brasileiro, o contato com brancos se dá desde os tempos da colônia, o que leva os índios a defender a delimitação legal de suas terras já no século 19, trazendo uma relação diferente da que tinham anteriormente, baseada na ancestralidade. Em 1940, o antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) fez a demarcação das terras sem, no entanto, homologá-las, o que só foi feito 47 anos depois, em 1987. Nesse período, os conflitos entre índios e posseiros, que já existiam, são intensificados nas regiões com solo mais fértil próximas às aldeias. Parte de uma reivindicação histórica, a terra indígena passa por um novo processo de demarcação em 1999, que aumenta sua área de 8 para 14 hectares. A área é homologada só em 2007.

Além dos conflitos fundiários, os Pankararu também foram vítimas da política energética nos anos 1950: a construção do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso, no Rio São Francisco, alagou a cachoeira de mesmo nome, que os índios consideravam sagrada.

Na mesma década, iniciou-se um fluxo intenso de saída dos Pankararu, que perdurou até os anos 60. Eles viajavam para São Paulo aliciados por outros índios do mesmo povo para trabalhar em obras na cidade por curtos períodos nos anos de seca em Pernambuco ou em situações emergenciais. A partir da segunda geração de índios migrantes, os primeiros núcleos familiares começaram a se estabelecer na capital paulista, dando origem à favela do Real Parque, na zona sul, que conta hoje com aproximadamente 1,5 mil índios Pankararu, de acordo com o Instituto Socioambiental.

(* )Post atualizado às 18h40 desta quarta (25), para inclusão de informação referente ao pagamento das verbas rescisórias pela empresa.

 

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http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2013/09/25/fiscais-encontram-escravos-para-obra-da-oas-no-aeroporto-de-guarulhos/

 

[]´s,

 

 

 

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Puts, mas é muita burrice da OAS, meu Deus o que é o valor de alojamentos pré moldados locados, que hj são facílimos e acessíveis perto da multa que terão que pagar...

 

O pessoal fica ''apregoando'' liberdade irrestrita de mercado, mas as empresas Brasileiras não são maduras o suficiente para ganhar esse ''prêmio'', é como adolescente revoltado.

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Gente tenho certeza que não são funcionários da OAS e sim de uma terceirizada (subempreiteiro ou gato como é conhecido no meio). O problema é que você contrata o sub para fazer determinado serviço, as vezes algo mais especializado como uma estrutura metálica por exemplo, a gente contrata o gato mas nunca vai atrás pra ver as condições que o gato mantem os funcionários deles, ai que está o problema.

As vezes eles até usam os uniformes da OAS, mas são fichados no gato.

Sendo um pouco advogado do diabo, vocês sabiam que a construção é o único ramo onde o empregado chega e fala, me manda embora ou invés de pedir as contas??? Ninguém pede conta na construção, o cara fica um ano e chega para o encarregado e pede para ser mandado embora, e é melhor mandar caso contrário você fica um um problema na obra.

Pena de peão, você tem quando não conhece o meio.

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Gente tenho certeza que não são funcionários da OAS e sim de uma terceirizada (subempreiteiro ou gato como é conhecido no meio). O problema é que você contrata o sub para fazer determinado serviço, as vezes algo mais especializado como uma estrutura metálica por exemplo, a gente contrata o gato mas nunca vai atrás pra ver as condições que o gato mantem os funcionários deles, ai que está o problema.

As vezes eles até usam os uniformes da OAS, mas são fichados no gato.

Sendo um pouco advogado do diabo, vocês sabiam que a construção é o único ramo onde o empregado chega e fala, me manda embora ou invés de pedir as contas??? Ninguém pede conta na construção, o cara fica um ano e chega para o encarregado e pede para ser mandado embora, e é melhor mandar caso contrário você fica um um problema na obra.

Pena de peão, você tem quando não conhece o meio.

vc fala isso pq vc pôde estudar e agora é engenheiro...queria ver vc ter suas terras roubadas (como no caso dos índios), passar fome e depender de um trabalho degradante desses..e ainda chegar numa obra e saber que tem um engenheiro que foi criado a leite com pêra que pensa isso de vc. uma vez indo dar aula, estava no trem da central do brasil e estava ouvindo a conversa de 3 trabalhadores da construção civil...na hora, eles estavam falando de um engenheiro arrogante e playboy que eles tinham lá e o que poderia acontecer de ruim com o cara...achei super radical a atitude deles e até discordei..agora, lendo a sua declaração bizarra, os entendo perfeitamente e acho até plausível, do ponto de vista deles, acidentes acontecerem...

a questão meu amigo é luta de classes..as empreiteiras estão aí zoando milhões, metidas em grandes obras de vultosos interesses financeiros, estiveram presentes e militantes financiando a ditadura militar e a repressão política..o cara que vc chama de "peão" pode ser um ignorante analfabeto cidadão de segunda classe como muita gente acha por aí e não deve saber nada disso (que muita gente letrada e com nível superior tb ignora, por ser um idiota alienado), mas ele não é idiota o suficiente para não retirar, por bem ou por mal, a parte que lhe cabe nesse latifúndio!!! é uma questão de justiça..torta, mas é!

 

agora, mesmo que o empregado não seja da empresa, pelo o que sei ela responde subsidiariamente na justiça trabalhista, pq é a tomadora do serviço.

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Enquanto isso, em outro fórum de discussão, fazem propaganda de uma empresa de confecção estrangeira que comprovadamente se utiliza de trabalho escravo e apagam os posts de quem faz o alerta...

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vc fala isso pq vc pôde estudar e agora é engenheiro...queria ver vc ter suas terras roubadas (como no caso dos índios), passar fome e depender de um trabalho degradante desses..e ainda chegar numa obra e saber que tem um engenheiro que foi criado a leite com pêra que pensa isso de vc. uma vez indo dar aula, estava no trem da central do brasil e estava ouvindo a conversa de 3 trabalhadores da construção civil...na hora, eles estavam falando de um engenheiro arrogante e playboy que eles tinham lá e o que poderia acontecer de ruim com o cara...achei super radical a atitude deles e até discordei..agora, lendo a sua declaração bizarra, os entendo perfeitamente e acho até plausível, do ponto de vista deles, acidentes acontecerem...

a questão meu amigo é luta de classes..as empreiteiras estão aí zoando milhões, metidas em grandes obras de vultosos interesses financeiros, estiveram presentes e militantes financiando a ditadura militar e a repressão política..o cara que vc chama de "peão" pode ser um ignorante analfabeto cidadão de segunda classe como muita gente acha por aí e não deve saber nada disso (que muita gente letrada e com nível superior tb ignora, por ser um idiota alienado), mas ele não é idiota o suficiente para não retirar, por bem ou por mal, a parte que lhe cabe nesse latifúndio!!! é uma questão de justiça..torta, mas é!

 

agora, mesmo que o empregado não seja da empresa, pelo o que sei ela responde subsidiariamente na justiça trabalhista, pq é a tomadora do serviço.

Meu amigo primeiro eu não pude estudar, eu estudei porque muita gente atrás de mim trabalhou muito, meu bisavô italiano analfabeto comprou 6 casas abrindo um depósito de material de construção, meu avô estudou até a 4 série e tinha 2 empregos para pagar a faculdade para o meu pai e eu fiz o colegial técnico em uma escola estadual, mas não era só aparecer lá e fazer a matricula tinha um vestibular para entrar.

Tudo isso bem diferente de índios e de peão que até os 18 ficavam empinando pipa, enquanto eu estava estudando.

Segundo, as empreiteiras não estão "zoando milhões" (não entendi sua linguagem culta), o jogo é esse e o governo nunca fez nada para mudar.

Terceiro nunca falei que peão é idiota, isso meu caro eles não são mesmo, como disse no meu post, é o único ramo de trabalho onde o cara chega e pede pra ser mandado embora, vai fazer isso numa Ford ou Embraer por exemplo.

Por que você não vai pra Cuba com os teus amigos do PCO, PSOL ou PC do B, lá você vai ver bem feliz.

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"""O problema é que você contrata o sub para fazer determinado serviço, as vezes algo mais especializado como uma estrutura metálica por exemplo, a gente contrata o gato mas nunca vai atrás pra ver as condições que o gato mantém os funcionários deles, ai que está o problema.

As vezes eles até usam os uniformes da OAS, mas são fichados no gato."""

 

 

:cool: :thumbsdown_still:

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Rafa, eu supervisiono 18 equipes de trabalho em pequenas obras de drenagem e pavimentação, num total de quase 200 ''peões'' (sic) e poucas foram as vezes que eu tive problema. Essa questão de ''terceirizada'' já está virando lugar comum, todo B.O. envolvendo condições análogas a escravidão que ocorre agora é culpa de uma terceirizada, foi assim com a Zara, com a Luigi Bertolli, com a DuPont e agora pelo que eu to vendo vai ser a ''távola'' de salvação da OAS.

 

Me dá um trabalho do cão, mas todo final de mês eu monto um dossiê de cada equipe minha de trabalho e exijo da empresa todas as guias de recolhimento e registro dos funcionários, além de toda a documentação para provar que cada um deles estão ok, isso já me livrou de uma série de problemas, amigos meus com menos tempo ''de casa'' já tem 2 ou 3 sindicâncias nas costas por conta de coisas do tipo, por que querem só chegar lá no meio da ''peãozada'' (sic) dando ordem e pronto, acha que a profissião se resume a isso.

 

Seriedade e respeito faz mágica com as pessoas. Quase todo mundo com quem trabalhei teve uma relação boa e trabalharia novamente sem problemas, já outros colegas meus conseguiram o feito de criar inimizades ao ponto de ninguém mais querer trabalhar com eles, de se ter dificuldade de contratar equipes pois ninguém queria trabalhar com o ''cavalo'' fulano de tal.

 

Essa visão de que engenheiro, arquiteto, fiscal de obra, etc... tem que ser mal humorado, chato, arrogante e grosso para ter ''respeito'' é da época do seu bisavô Italiano, mude seus conceitos.

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Rafa, eu supervisiono 18 equipes de trabalho em pequenas obras de drenagem e pavimentação, num total de quase 200 ''peões'' (sic) e poucas foram as vezes que eu tive problema. Essa questão de ''terceirizada'' já está virando lugar comum, todo B.O. envolvendo condições análogas a escravidão que ocorre agora é culpa de uma terceirizada, foi assim com a Zara, com a Luigi Bertolli, com a DuPont e agora pelo que eu to vendo vai ser a ''távola'' de salvação da OAS.

 

Me dá um trabalho do cão, mas todo final de mês eu monto um dossiê de cada equipe minha de trabalho e exijo da empresa todas as guias de recolhimento e registro dos funcionários, além de toda a documentação para provar que cada um deles estão ok, isso já me livrou de uma série de problemas, amigos meus com menos tempo ''de casa'' já tem 2 ou 3 sindicâncias nas costas por conta de coisas do tipo, por que querem só chegar lá no meio da ''peãozada'' (sic) dando ordem e pronto, acha que a profissião se resume a isso.

 

Seriedade e respeito faz mágica com as pessoas. Quase todo mundo com quem trabalhei teve uma relação boa e trabalharia novamente sem problemas, já outros colegas meus conseguiram o feito de criar inimizades ao ponto de ninguém mais querer trabalhar com eles, de se ter dificuldade de contratar equipes pois ninguém queria trabalhar com o ''cavalo'' fulano de tal.

 

Essa visão de que engenheiro, arquiteto, fiscal de obra, etc... tem que ser mal humorado, chato, arrogante e grosso para ter ''respeito'' é da época do seu bisavô Italiano, mude seus conceitos.

Gente eu nunca falei que tem que ser grosso, arrogante e chato, FALEI QUE NÃO TEM QUE TER PENA.

Mesmo juntando Gfip e e registro dos funcionários você vai ver aonde eles estão morando e o que comem a noite??? Esse é o ponto no caso, não é problema ser fichado ou não e sim as condições aonde viviam.

Vendo agora pela manhã no bom dia São Paulo, o que eu to achando que houve é o seguinte, as vezes o pessoal do DP, tem alguns contatos que trazem os peões do nordeste pra cá, só que esses bandidos cobram do pessoal pra vir pra cá e dão uma grana pro pessoal do DP fichar eles. Obra com 3 mil pessoas a rotatividade é muito alta, e tem gente saindo e entrando todo dia, bom esses caras ai que os fiscais pegaram estavam esperando para serem fichados, como estava demorando muito pra entrar eles chamaram os fiscais. Você vê que eles tem até a cartinha pra fazer exame médico mas carteira de trabalho com carimbo da OAS ninguém mostrou né, essa Globo é complicada também.

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Essa visão de que engenheiro, arquiteto, fiscal de obra, etc... tem que ser mal humorado, chato, arrogante e grosso para ter ''respeito'' é da época do seu bisavô Italiano, mude seus conceitos."""

 

 

Até parece o papel do Zé de Abreu na nova novela da plim plim > Joia Rara

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Gente eu nunca falei que tem que ser grosso, arrogante e chato, FALEI QUE NÃO TEM QUE TER PENA.

Mesmo juntando Gfip e e registro dos funcionários você vai ver aonde eles estão morando e o que comem a noite??? Esse é o ponto no caso, não é problema ser fichado ou não e sim as condições aonde viviam.

Vendo agora pela manhã no bom dia São Paulo, o que eu to achando que houve é o seguinte, as vezes o pessoal do DP, tem alguns contatos que trazem os peões do nordeste pra cá, só que esses bandidos cobram do pessoal pra vir pra cá e dão uma grana pro pessoal do DP fichar eles. Obra com 3 mil pessoas a rotatividade é muito alta, e tem gente saindo e entrando todo dia, bom esses caras ai que os fiscais pegaram estavam esperando para serem fichados, como estava demorando muito pra entrar eles chamaram os fiscais. Você vê que eles tem até a cartinha pra fazer exame médico mas carteira de trabalho com carimbo da OAS ninguém mostrou né, essa Globo é complicada também.

 

Olha, pela maneira que você falou, dar a entender que o profissional que supervisiona tem que ter um tratamento duro e impessoal com sua equipe, mas se você está dizendo que não então, ainda bem... menos um que acha que fical de obra tem que falar gritando a todo tempo.

 

Eu não vou olhar onde meus funcionários dormem e o que eles comem pois todos tem residência fixa aqui (documentação que eu também levanto, inclusive o estado civil e se tem filhos), se algum funcionário meu fosse migrante recrutado pela empresa, pode ter certeza que eu ia levantar também essa informação, inclusive, as grandes construtoras daqui estão com a prática frequemte de recrutar ''conterrâneos'', tive a oportunidade de conversar com alguns em uma praça, próximo de casa, onde eles se reuniam a noite para conversar e jogar bola, e na maioria das vezes, além de um salário bom (para os padrões que teriam no Nordeste), eles ganham até passagem aérea 2x por ano pra voltar na terrinha, agora sempre tem os ''espíritos de porco'', que chegm de preferencia no interior, prometendo mundos e fundos, e quando os coitados chegam vão ficar amontoados, sem comer direito e as vezes até recebendo ameaça se ''denunciarem'' alguma coisa.

 

Minha mãe dizia uma frase que acho muito pertinente: ''Direito tem, quem direito anda''. Se você é responsável e faz seu trabalho doreito, não vai cair nesse tipo de roubada.

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A verdade é: Todos tem responsabilidade.

 

Muitas vezes faz bem deixar o escritório e até ir conversar amistosamente com os trabalhadores para "sentir" como estão os ânimos e também perceber se estão a favor ou não da empresa.

 

Por que em vez de terceirizar não contratam por prazo determinado? Existe essa opção na CLT.

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Aliás, a Copa no Qatar já está sendo construída da mesma maneira. Pelo menos aqui não é calor de 40C ou mais com baixíssima umidade do ar. http://www.theguardian.com/world/2013/sep/25/revealed-qatars-world-cup-slaves

 

Sobre pedreiros e peões de obra, tem uns muito bons, tem uns que não tem condições nenhuma, e nem "ficando em cima" funciona, como também tem "engenheiro playboy" que se acha grande bam bam bam que se mandar misturar um cimento não saberia fazer ou nunca viu um tijolo de perto.

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A verdade é: Todos tem responsabilidade.

 

Muitas vezes faz bem deixar o escritório e até ir conversar amistosamente com os trabalhadores para "sentir" como estão os ânimos e também perceber se estão a favor ou não da empresa.

 

Por que em vez de terceirizar não contratam por prazo determinado? Existe essa opção na CLT.

 

Bem rabugento, quanto a OAS eu não sei por que tercerizam, talvez para ter mais gente em menos tempo, pois o processo de recrutamento é meio demorado, inclusive tendo que haver um recrutamento prévio de mais pessoas para o RH da própria OAS, para depois esse pessoal extra de RH dar conta da demanda de novas contratações.

 

No meu caso, como sou de orgão público, eles não teriam essa opção, ou se contrataria via concurso ou via contrato de prestação de serviço como é o caso, já tentaram fazer concurso para se ter ao menos uma ou duas equipes próprias, que não fossem tão amarradas a contratos o que por vezes engessa um pouco a gente (tipo em uma enchente, ou reintegração de posse, não podemos usar essas equipes em virtude de limitação nos contratos), mas, por mais surreal que pareça, já tentaram fazer concurso para esse tipo de profissional e não conseguiram chamar, pois quem tinha experiência não conseguiu passar na prova ( e olhe que era uma prova a nível de 4º ano do ensino fundamental), e quem passou eram pessoas que não tinham experiência e foram reprovados na prática.

 

Eu não vejo nada de errado em terceirizar, errado é colocar seu pescoço a prêmio sem tomar o cuidado de se certificar que a empresa terceirizada a qual vc está contratando está fazendo a coisa certa, por que depois que o MTE pega, não adianta vir com desculpinha esfarrapada que não sabia. Engraçado que no ramo alimentício ha várias dessas empresas que terceirizam processos como o de embalagem de um determinado produto, eu DUVIDO que uma grande como a Nestlé ou a Pepsico vai simplesmente entregar seu produto para sem embalado sem vazer uma varredura completa nessa empresa e se certificar que todo o processo está de acordo com as normas vigentes, se brincar eles deixam um funcionário deles baseado nessa empresa, só para se certificar que tudo está O.K.

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Exatamente!

 

Tem que haver um funcionário para fiscalizar.

 

Esse funcionário tem que ser um cidadão responsável...

 

Empresas de grande porte tem condições de manter funcionários fiscalizando.

 

Algumas indústrias (a de petróleo, por exemplo) terceirizam diversos procedimentos mas mantém seus funcionários fiscalizando "in loco" o que está acontecendo.

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Também sou do ramo de construção e na empresa que trabalho (uma grande incorporadora nacional) todas as empresas terceirizadas que são contratadas PRECISAM apresentar toda a documentação provando que estão em dias com as obrigações legais e com os trabalhadores que por ela são contratados. Caso não o faça, os pagamentos são bloqueados no sistema...pura e simplesmente! E não tem boquinha nem arrumadinho. Ou faz o certo, ou faz o certo...porque quando um peão desse tem qualquer problema, não vai em cima somente do empreiteiro não...poe na justiça todo mundo! E quem contrata é co-responsável pela situação!

 

A empresa em questão, no caso das obras do GRU Airport, errou feio e foi relapsa na gestão de pessoal. Em certes horas, não tem muito o que contra-argumentar...é muito mais honesto assumir a falha, arcar com as consequências legais, e TRABALHAR para que isso não volte a acontecer.

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Não basta verificar documentos....

 

Juridicamente a empresa até fica protegida pelos documentos mas quando entra o Ministério Público do Trabalho todos serão envolvidos.

 

TEM QUE FISCALIZAR!

 

Aqueles advogados que todos conhecemos vivem disso, dessas falhas. O ruim é que também exploram os "peões". :(

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Depois dessa eu acho que alguns brasileiros queimaram a linguá.

Vi gente criticando o Qatar nos principais sites, Terra e UOL, e agora me aparece uma noticia dessas vindo do Brasil, apesar que eu acho que o serviço escravo no Brasil nunca acabou.

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Eu acho muito perigoso os discursos liberais que tentam eliminar fatores como risco de vida para justificar determinadas atitudes.

 

Pessoas em situações muito degradantes, literalmente podendo morrer de fome, doenças, o que seja, vão aceitar QUALQUER COISA para sair dessa situação, mesmo que seja algo extremamente desvantajoso ou imoral segundo sua própria consciência.

 

Segundo alguns liberais, não há problema algum em ser tratado como escravo, se dessa forma você não morrer de fome por exemplo, pois ser tratado como escravo é melhor do que morrer de fome, e soltam um bordão do tipo ''as pessoas sabem o que é melhor pra elas''. Já eu acho extremamente antiético se aproveitar de uma situação de desgraça do outro para aumentar sua margem de lucro por exemplo, você pode ter lucro sempre precisar recorrer a esse tipo de apelação...mas segundo alguns, não há essa opção.

 

Enfim, eu achei uma bola fora, mesmo que intencionalmente a OAS não quisesse fazer isso, não dá pra ta confiando no ''bom senso'' dos outros, principalmente no ramo da construção civil.

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...Gente tenho certeza que não são funcionários da OAS e sim de uma terceirizada...

 

O contratado era quem mesmo ? a responsa era de quem mesmo ?

 

Se tercereizar, a empresa continua como a CONTRATADA e respondera pelos atos. Imagine você contratar uma empresa, ela fazer um monte de shit e depois que desanda...ó...o problema foi de quem eu sub-contratei....!!!!!!!!!! só trouxa mesmo !

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