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Após pouso milagroso, piloto iraniano luta contra sanções que sucateiam setor aéreo


PP-CJC

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Boa tarde amigos Forenses.

 

Após pouso milagroso, piloto iraniano luta contra sanções que sucateiam setor aéreo

 

Fonte -

Portal UOL - http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/12/1384929-apos-pouso-milagroso-piloto-iraniano-luta-contra-sancoes-que-sucateiam-setor-aereo.shtml

 

DEPOIMENTO A... SAMY ADGHIRNI - DE TEERÃ

 

Em 18 de outubro de 2011, um sucateado Boeing 727 da Iran Air se aproximava de Teerã com 113 pessoas a bordo quando o trem de pouso dianteiro emperrou. O comandante Hooshang Shahbazi, 56, evitou a tragédia ao controlar o avião até que o nariz encostasse suavemente na pista. Desde então, ele milita pelo fim das sanções que impedem o Irã de comprar equipamentos aéreos --e chegou a sofrer represálias do governo anterior do Irã, que negava o impacto das medidas americanas.

 

Fui sentado como passageiro entre Teerã e Moscou, pois eu comandaria a tripulação no voo de regresso ao Irã. Ao assumir a cabine, conferi equipamentos e previsão meteorológica. Autorizei o embarque e decolei.

 

A viagem foi muito agradável. Mas, quando já estávamos descendo, a 130 km de Teerã, pedi ao copiloto que baixasse o trem de pouso. Pelo barulho, percebi que havia algo errado. O painel indicou que o trem de pouso dianteiro estava emperrado.

 

O procedimento nesse caso prevê opções sucessivas: acionamento hidráulico, elétrico e manual. Nada funcionou.

 

Tentei então manobra radical que consiste em subir o avião e jogar o nariz para baixo para chacoalhar peças eventualmente emperradas.

 

Não deu certo, e tive que preparar a aterrissagem de emergência. Nem tudo deve ser dito aos passageiros, mas tive de informá-los e pedir que colocassem a cabeça entre os joelhos para o pouso.

 

Como o aeroporto Imã Khomeini só tem uma pista e fica longe do centro, pedi para aterrissar no aeroporto doméstico Mehrabad. Além de ter duas pistas, o que permite manter o aeroporto funcionando mesmo com uma pista interditada, ele fica perto dos hospitais. Eu tinha em mente um cenário de passageiros gravemente queimados.

 

Eu não rezava porque orações não adiantariam. Nessas horas temos que usar o treinamento e agir como robôs.

Chamei a torre de controle com pedido de "Mayday", usado em casos de morte iminente, que permite a ambulâncias e bombeiros se posicionarem para reduzir danos.

 

O mais difícil na hora do pouso foi equilibrar o peso do avião de maneira a manter o nariz levantado pelo maior tempo possível. Qualquer movimento em falso poderia fazer o avião explodir.

 

Ninguém se feriu.

 

A manobra foi possível porque tenho 35 anos de experiência na aviação civil, período no qual exerci vários cargos, inclusive o de engenheiro de voo, e pilotei todos os modelos da frota da Iran Air, sejam Boeing ou Airbus. Meu pouso é estudado no Japão como milagre.

Ao chegar em casa, vi que a mídia estava escondendo o ocorrido. Mas não quis ficar quieto. O inquérito provou que o problema foi causado por uma peça deficiente.

 

Equipamentos falhos são comuns no Irã porque, devido às sanções americanas, não podemos comprar peças de reposição originais para aviões que, como aquele 727, foram fabricados há 40 anos.

 

Somos obrigados a nos abastecer no mercado negro, com peças genéricas de péssima qualidade, fabricadas na China ou na Coreia, ou de segunda mão.

É uma ameaça constante aos passageiros, e esse absurdo precisa ser denunciado. Comecei a falar com jornalistas e a fazer campanha pelo fim das sanções à aviação. Até na ONU dei palestra.

 

As autoridades não só nunca me agradeceram como também me pressionaram a ficar calado, já que o governo negava o impacto das sanções. A Iran Air, estatal, me aposentou de forma compulsória. Nunca mais pilotei.

 

Fico feliz que o acordo nuclear de Genebra nos permita comprar peças de reposição, mas lutarei pelo fim de todas as sanções. Precisamos de 800 aviões civis novos.Temos dinheiro, mas não podemos comprar Airbus e Boeings novos.

 

Já recebi proposta de grandes companhias estrangeiras para voltar a pilotar. Mas estou bem de vida, não preciso. Minha campanha é mais importante.

 

Abraços

 

PP-CJC

 

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Pouso "Milagroso", é uma expressão um pouco forçada.

Ah, sim, forçou ;) mas a tripulação fez tudo como manda o figurino e o comandante segurou legal o nariz até o máximo que pode, evitando que a coisa se transformasse numa possível tragédia, você tem que admitir.

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O piloto do Rio Hudson falou algo parecido... Falou naquela hora nem pensei em rezar porque sabia que umas 150 pessoas la atrás já estavam rezando por mim uhauhauhhuahuahuahuuha ;D :shock:

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Sempre vi com muita preocupação o fato das cias de lá operarem aviões tão velhos e terem o embargo das peças de manutenção, que eles devem conseguir no mercado negro. Parabéns a tripulação e aos mecânicos que deixam aquelas aeronaves "em condições" de voar.

É muita hipocrisia dos EUA (apoiado pelos seus paus mandados europeus, outros santos que espoliaram tanto a Africa e a indochina, entre outras) que sempre apoiaram e ainda apoiam várias ditaduras (desde que os beneficiem), e no entanto impõem embargo ao Iran que não pode comprar nem mesmo aviões dos anos 80 como o B767 ou o B744. O mais irônico é que o Iran do Xá Reza Pah Levi era uma baita duma ditadura e era o melhor aliado dos EUA nos Golfo, ao lado da Arabia Saudita, esta uma pérola de democracia. Ô mundo hipócrita.

Acho um crime condenar os cidadãos do Iran a voar em aviões tão sucateados e velhos, mas o pessoal la do ocidente quer mais é que eles morram...

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A questão não é ser democracia ou ditadura, é desrespeitar o Tratado de Não Proliferação de armas nucleares como foi atestado inúmeras vezes pela AIEA.

Tem que meter mesmo sanção, e se não achar seguro voar de Iran Air tem Emirates, Etihad, Qatar, Turkish, Lufthansa...

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esse piloto podia dar uma aula particular para o da Asiana.

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A Iran Air era uma potência nos anos 70, com frota composta por 707, 727, 737 e 747, com o vôos mais longo da época sendo operados por eles (THR-JFK). E encomendaram 2 Concordes que, até a Revolução de 1979, ainda constava como encomendado pela Sud-Aviation. Depois disso a encomenda foi cancelada pelos franceses.

 

A idéia dos iranianos era transformar Tehran em um hub entre Ocidente-Oriente, bem antes mesmo do surgimento da EK.

 

Até 1979, o índice de segurança era um dos melhores do mundo. E desde então a empresa sofreu dois acidentes, sendo um não sendo de responsabilidade da companhia e bem conhecido por nós que foi o abatimento de um A300 pelos EUA. Mostra que, apesar de tudo, a empresa consegue manter seus aviões operacionais.

 

No passado Iran Air, Iraq Airways e Ariana eram empresas bem conceituadas e com padrões operacionais do ocidente. São os melhores espelhos de como aquela região retrocedeu.

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A questão não é ser democracia ou ditadura, é desrespeitar o Tratado de Não Proliferação de armas nucleares como foi atestado inúmeras vezes pela AIEA.

Tem que meter mesmo sanção, e se não achar seguro voar de Iran Air tem Emirates, Etihad, Qatar, Turkish, Lufthansa...

 

Realmente, não tem nada a ver com ditarura - tudo a ver com ser aliado ou não...

 

Desrespeitar o tratado de não-proliferação de armas nucleares, como atestado pela AIEA inúmeras vezes? Hahaha, pesquise e vc verá que NUNCA se comprovou nada - no máximo eles enriqueceram urânio a 20%, o que é insuficiente para fazer armas nucleares...

 

Quem ignora totalmente o tratado de não-proliferação de armas nucleares é Israel, pois este sabidamente as possui e nunca sofreu qualquer fiscalização do AIEA. MAS, como é aliado dos EUA, tudo certo...

 

Índia e Paquistão também ignoraram (aliás nunca assinaram) o tratado de não-proliferação, mas como eram aliados dos EUA, ficou por isso mesmo - aliás depois que a Índia confirmou que possuía a bomba, os EUA assinaram um tratado de cooperação nuclear com eles, visando colocar pressão no Paquistão e na China...

 

Me desculpe mas é muito inocente se vc acha que os EUA e Europeus sempre agem com boas intenções - sempre existem interesses excusos por trás...

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esse piloto podia dar uma aula particular para o da Asiana.

ele que dar aulas ao pessoal da Tam mesmo!!rsrs de preferência fazer um blog tipo os aviadores anonimos denunciando um mundareu de coisas na cia,enfim os rapazes lá fazem milagre!!é muita hipocresia dos EUA com eles,nenhum país é flor que se cheire, mas o que me espanta é a midia lá censurar a noticia !!

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A Embraer bem que poderia dar uma volta por lá, não?

Não ia adiantar nada. Por ter vários componentes americanos, os EUA vetariam a compra. Antes eles driblavam comprando Airbus, mas agora que o calo apertou, só restam os russos ou chineses.

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A questão não é ser democracia ou ditadura, é desrespeitar o Tratado de Não Proliferação de armas nucleares como foi atestado inúmeras vezes pela AIEA.

Tem que meter mesmo sanção, e se não achar seguro voar de Iran Air tem Emirates, Etihad, Qatar, Turkish, Lufthansa...

 

Se formos por esse caminho então Índia, Paquistão e principalmente Israel não deveriam ter aviões da Boeing....

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  • 3 months later...

Sempre vi com muita preocupação o fato das cias de lá operarem aviões tão velhos e terem o embargo das peças de manutenção, que eles devem conseguir no mercado negro. Parabéns a tripulação e aos mecânicos que deixam aquelas aeronaves "em condições" de voar.

É muita hipocrisia dos EUA (apoiado pelos seus paus mandados europeus, outros santos que espoliaram tanto a Africa e a indochina, entre outras) que sempre apoiaram e ainda apoiam várias ditaduras (desde que os beneficiem), e no entanto impõem embargo ao Iran que não pode comprar nem mesmo aviões dos anos 80 como o B767 ou o B744. O mais irônico é que o Iran do Xá Reza Pah Levi era uma baita duma ditadura e era o melhor aliado dos EUA nos Golfo, ao lado da Arabia Saudita, esta uma pérola de democracia. Ô mundo hipócrita.

Acho um crime condenar os cidadãos do Iran a voar em aviões tão sucateados e velhos, mas o pessoal la do ocidente quer mais é que eles morram...

Prezado T7blue: Parece que a campanha do comandante Hooshang Shahbazi deu resultado:

http://forum.contatoradar.com.br/index.php/topic/108469-departamento-do-tesouro-usa-autoriza-boeing-e-ge-a-vender-pecas-de-recambio-pro-iran/

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