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"A Copa preocupa, mas vamos dar conta"


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Enxugar para crescer no futuro. Esta tem sido a missão do presidente da Infraero, Gustavo do Vale

Por Denize BACOCCINA

 

Enxugar para crescer no futuro. Esta tem sido a missão do presidente da Infraero, Gustavo do Vale. No cargo há quase três anos, ele comanda a redução da estrutura da estatal, que, com a concessão dos terminais ao setor privado, detém agora apenas 49% dos aeroportos de Guarulhos, Brasília, Campinas, Confins e Galeão. O encolhimento é apenas temporário, já que Vale prepara a empresa para abrir o capital em 2017, ano em que pretende começar a colher os frutos das parcerias com o setor privado e receber os lucros gerados pelos aeroportos. A Copa do Mundo, que vai colocar o Brasil sob os holofotes da mídia internacional em junho, não chega a lhe tirar o sono. “A Copa é só um evento”, afirma o presidente da Infraero. “Precisamos de aeroportos melhores para atender à demanda do ano inteiro.”


DINHEIRO – A Infraero ganhou sócios privados em cinco aeroportos brasileiros. Como está a relação com as concessionárias?

GUSTAVO DO VALE – Excelente. A Infraero coordena todas as autoridades que atuam nos aeroportos, como Anvisa, Receita Federal, Polícia Federal, Vigilância Agropecuária, polícias civis e militares e Aeronáutica, responsável pelo tráfego aéreo. Nós fazemos a intermediação entre os consórcios e os órgãos governamentais. As concessionárias tomam todas as decisões do lado operacional. Nós só participamos do conselho e prestamos serviços, como manutenção de pistas e desemborrachamento, pelos quais somos remunerados à parte.
DINHEIRO – Os três aeroportos que foram concedidos em 2012 – Guarulhos, Brasília e Viracopos – já estão em obras. Elas ficarão prontas antes da Copa do Mundo?
DO VALE – Tudo está dentro do prazo. Apenas uma parte das obras estará concluída, mas será o suficiente para elevar a capacidade. Em Brasília, um novo terminal estará pronto. Em Guarulhos, o terminal 3 já estará funcionando e, em Campinas, o terminal inteiro será entregue antes da Copa.
DINHEIRO – A Anac autorizou na semana passada 1.973 novos voos durante a Copa. Os aeroportos estão preparados?
DO VALEAinda estamos analisando a expansão da malha, mas em princípio não teremos problemas, mesmo porque a Anac analisou a capacidade de todos os aeroportos, tanto de terminais quanto de infraestrutura, antes de autorizar os novos voos.
DINHEIRO – Nos aeroportos mais movimentados do Brasil, muitos embarques de passageiros ainda são feitos por ônibus. O aumento do número de fingers vai reduzir o tempo de solo dos aviões?
DO VALE – Sim, será bastante reduzido, especialmente em Brasília, que é um hub para o Nordeste. Isso vai aumentar a eficiência das empresas.
DINHEIRO – Como isso pode afetar a lucratividade das empresas aéreas?
DO VALE – Quanto mais tempo o avião ficar no ar, melhor. Avião no chão é só custo. O principal problema dos nossos aeroportos, hoje, é a falta de pátio e de terminal de passageiros. Não temos problemas de pista. Nos últimos anos, a estrutura dos aeroportos não acompanhou o crescimento da demanda. Fala-se muito na Copa do Mun­do, mas esse é só um evento. Nós precisamos de ae­­­­­r­­oportos melhores para atender à demanda do ano inteiro.
DINHEIRO – Qual será o movimento trazido pela Copa, em comparação a Carnaval e Réveillon, no Rio de Janeiro?
DO VALE – Na Copa deverá haver uma transferência na demanda. O tráfego externo deve aumentar, mas o movimento doméstico tende a diminuir. O mesmo deve acontecer com a aviação empresarial – muita gente deixará de trabalhar nesses dias. No maior estádio brasileiro, o Maracanã, cabem 70 mil pessoas. Isso não é nada. No dia seguinte à Jornada Mundial da Juventude, em julho, nós transportamos 110 mil pessoas nos dois aeroportos do Rio de Janeiro. Estima-se que a Copa trará um movimento de três milhões de passageiros domésticos e 600 mil estrangeiros. No Carnaval do ano passado, transportamos 9,1 milhões de passageiros domésticos e 585 mil estrangeiros. Nos preocupa porque queremos deixar uma boa imagem para os mais de 20 mil jornalistas que virão cobrir os jogos. Dizer que não preocupa seria ausência de modéstia. Mas vamos dar conta.
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Loja do free shop no aeroporto de Guarulhos: "A expansão já está pronta, o que vai triplicar
o faturamento da empresa e o que a loja paga de aluguel"
DINHEIRO – Nos últimos anos o número de passageiros cresceu anualmente em torno de 10%. Qual é a perspectiva de crescimento para os próximos anos?
DO VALE – O aumento da renda familiar e o barateamento das passagens aéreas já trouxeram um público novo para os aeroportos. Agora, teremos uma expansão em torno de 4% a 5% anuais. Mas, se a economia voltar a crescer num ritmo mais forte, dentro de alguns anos esse número pode aumentar. Ainda temos um potencial grande de crescimento.
DINHEIRO – Qual é o tamanho da rede atual da Infraero e como está a situação desses aeroportos?
DO VALE – Temos 61 aeroportos, já excluindo Confins e Galeão, que foram concedidos e serão administrados pelos consórcios vencedores, a partir do segundo semestre. Desses, 27 precisam de investimento e 40 dão prejuízo. Mas são aeroportos importantes, estratégicos para o País.
DINHEIRO – Outros aeroportos serão concedidos? Fala-se em Salvador e Recife.
DO VALE – Não há nada decidido sobre isso. Vamos avaliar o quadro durante este ano, a partir dos resultados das primeiras concessões, e a decisão será tomada apenas no fim do ano. Precisamos dessa definição para saber qual é o patrimônio da Infraero e preparar a nossa abertura de capital, prevista para 2017. Hoje, o único ativo da Infraero é a participação de 49% nos aeroportos concedidos, já que os demais são da União. No futuro, a Infraero será uma grande empresa.
DINHEIRO – O ministro da Aviação Civil, Wellington Moreira Franco, falou também que Congonhas não tem potencial para privatização, porque não pode crescer.
DO VALE – É tudo especulação. Todos os aeroportos têm os seus atrativos. Todos têm os seus prós e contras. Nada ainda está decidido.
DINHEIRO – A Infraero vai dar mais lucro no futuro?
DO VALE – Vai. Porque com a administração privada temos mais agilidade para fazer contratos. Antes, quando queríamos reajustar o aluguel de uma loja, tínhamos de enfrentar uma batalha na Justiça. Por exemplo, quando a Dufry, que opera o free shop de Guarulhos, nos apresentou um plano de expansão, o Tribunal de Contas da União disse que tínhamos de licitar a área. Não podíamos permitir sem abrir uma concorrência para todas as outras, mesmo sendo impossível que outra empresa entrasse porque tinha que passar dentro do free shop. Com a administração privada, a expansão já está pronta, o que vai triplicar o faturamento da empresa e o que a loja paga de aluguel.
DINHEIRO – Aumentou a receita com o aluguel das lojas? Quanto?
DO VALE – No primeiro ano de operação, a receita dos três aeroportos concedidos em 2012 já aumentou mais de 50%, e os investimentos ainda não estão prontos. Isso foi possível só com a melhora do espaço que já existia.
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Desfile de escola de samba no Rio, em 2013: "No Carnaval, transportamos
9,1 milhões de passageiros domésticos e 585 mil estrangeiros"
DINHEIRO – As tarifas aeroportuárias podem aumentar com as concessões?
DO VALE – As tarifas estão definidas no contrato. A receita virá da gestão da área comercial.
DINHEIRO – A operação da Infraero dava prejuízo no passado?
DO VALE – Nunca deu. Em 2012, último dado disponível, tivemos R$ 4,5 bilhões em faturamento e lucro operacional de R$ 800 milhões. Poderíamos investir alguma coisa, mas não o necessário. Ainda assim, em 2014, vamos investir R$ 1,9 bilhão. Agora, com uma rede menor, estamos enxugando. A nossa receita deve cair para R$ 3,1 bilhões neste ano e temos um plano de reestruturação. No futuro, a nossa receita vai aumentar.
DINHEIRO – Quando os aeroportos concedidos vão trazer resultados para a Infraero?
DO VALE – Por enquanto, estamos investindo, mas a previsão é ter lucro, em 2017, em Brasília e, em 2020, em Guarulhos e Viracopos. Os dividendos dessas operações permitirão à Infraero sustentar a sua rede de aeroportos deficitária e investir nos 270 aeroportos regionais que foram anunciados.
DINHEIRO – Quando esse plano entrará em prática?
DO VALE – A Secretaria de Aviação Civil contratou o Banco do Brasil, que está elaborando os projetos para aeroportos pequenos, médios e grandes. Na administração, vamos ver com prefeituras e Estados o interesse em cada um dos aeroportos. E, através da Infraero Serviços, que será criada, poderemos prestar serviços. Já existe um lote de 40 aeroportos que receberão os primeiros investimentos desse plano. Al­­guns deles são da Infraero, outros não. Temos aeroportos regionais extre­mamente modernos, e outros que precisam de investimento para receber voos comerciais.
DINHEIRO – A presidenta Dilma Rousseff, ao anunciar a criação da Infraero Serviços, no fim de 2012, definiu-a como uma empresa que iria absorver tecnologia de operadores internacionais. Quando ela será de fato criada?
DO VALE – A partir de março vamos fazer um road show apresentando a Infraero Serviços para 12 operadores no Exterior. Entre eles deverá ser escolhido nosso parceiro. Vamos dar preferência a um operador internacional, que tenha experiência em aeroportos regionais. A Infraero Serviços vai prestar serviços para esses aeroportos que não têm estrutura e receberá por isso.

 

http://www.istoedinheiro.com.br/entrevistas/138155_A+COPA+PREOCUPA+MAS+VAMOS+DAR+CONTA

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Quem vai dar a conta são os usuários e as empresas aéreas. Eles é que vão se virar pra conseguir chegar e sair das sedes. O governo não está nem aí, já passou pra frente o problema.

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Quantas pistas tem o aeroporto internacional da cidade de Porto Alegre ?? Ahhhh ... sei

Quantas pistas tem o aeroporto internacional em Manaus ??? Ahhh ... sei

 

Fica fácil observar o descaso com a Aviação no Brasil

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Acho que ele quis dizer saturação de pista nos principais aeroportos. Falar de segunda pista certamente nem passa pela cabeça dele, a política da Infraero sempre foi fazer o mínimo possível.

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