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O voo mais longo do país


thor.rao

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Na fila do aeroporto de Guarulhos, um casal aponta para a tela que fica sobre o portão de embarque. "Você viu quantas escalas tem esse voo?", pergunta a mulher. Perplexos, eles começam a contar as cidades pelas quais o avião irá passar - e são tantas que nem conseguem terminar, interrompidos pelo funcionário que carimba as passagens. Estamos prestes a embarcar no voo 1650 da Gol, que vai de São Paulo a Recife. É um trajeto de 2.133 quilômetros, que normalmente leva em torno de três horas. Mas nosso avião fará outra rota, que a princípio parece desafiar o bom senso. O Boeing 737-800 dará uma gigantesca volta de 5.753 quilômetros, atravessando o Brasil de leste a oeste duas vezes e fazendo nada menos do que cinco escalas - Manaus, Santarém, Belém, São Luís e Fortaleza - até chegar ao destino. Em vez de três horas, a viagem vai levar 13.

 

mapaDados.jpg

O voo foi criado em fevereiro deste ano pela Gol. A ideia da empresa é ir pegando e deixando passageiros pelo caminho, desde gente que vai de São Paulo para Manaus até pessoas que circulam entre os Estados do Norte e Nordeste. "A ideia é que o passageiro sempre encontre o melhor caminho no melhor horário. Esses voos longos, no cenário atual de malhas grandes e complexas, perdem a finalidade de levar a pessoa do início ao fim do trajeto, e sim se tornam alimentadores de uma rede, como um ônibus", explica Ricardo Scorza, um dos diretores da Gol. Na prática, portanto, ninguém acompanha toda a odisseia do voo 1650. Mas eu vou fazer isso - por apenas R$ 345, comprei uma passagem que dá direito a fazer o caminho inteiro.

Meu assento é o 8C, no corredor. O avião não está lotado (cabem 183 passageiros), mas tem bastante gente. Decolamos com 16 minutos de atraso. Não por excesso de aviões na pista ou por algum problema técnico, mas porque o funcionário responsável pela remoção do finger se atrapalhou com alguma coisa. Alheia à explicação do atraso, feita apenas em português pelo sistema de som, uma família oriental se acomoda nas poltronas da sexta fileira. Enquanto o pai folheia um guia do Brasil em japonês, a mãe fica de olho nas duas filhas pré-adolescentes. Uma delas me explica em inglês que eles vão fazer um "safári" na floresta amazônica.

Logo o almoço começa a ser servido. O voo não tem comida de graça. É tudo pago, em dinheiro ou em uma maquininha que aceita cartões de crédito (ela armazena as transações e só as completa quando o avião está em solo). Às vezes a maquininha dá pau - aconteceu no trecho entre Belém e São Luís. Nesses casos, os passageiros ganham saquinhos de amendoim grátis. Mas, mesmo quando ela funciona normalmente, torna tudo muito demorado. No primeiro trecho, o atendimento é feito em pleno horário de almoço, e os comissários levam quase uma hora para atender metade dos passageiros.

 

dadosCarro.jpg

A equipe de cada voo é formada por um comandante, um copiloto e quatro comissários de bordo - três ficam no fundo da aeronave e um na parte da frente. "Alguém precisa ficar na frente porque às vezes os passageiros querem ir ao banheiro e tentam abrir a porta do avião", conta a simpática aeromoça Shirley, a responsável por guiar os mais desorientados nesse trecho do voo. Por volta das 13h, o comandante sai da cabine com escova e pasta de dente na mão e espera cinco minutos até que um dos passageiros desocupe o banheiro. Ele e o resto da tripulação vão desembarcar já em Manaus, onde devem passar a noite. No dia seguinte, seguirão para São Luís em outro voo.

Pousamos em Manaus às 14h41 (13h41 no horário local). Quase todo mundo desembarca, inclusive a tripulação. "A lei proíbe que os passageiros fiquem em um avião sem comissários, então a troca tem de ser feita de maneira rápida", diz Cláudio Neves Borges, diretor de planejamento de malha da Gol. Um funcionário do aeroporto entra com uma listinha e faz uma chamada para ver se as pessoas que compraram passagem para outros destinos continuam a bordo (além de mim, cerca de 20 pessoas vão seguir viagem). Enquanto isso, o pessoal da limpeza começa a recolher o lixo - a cada trecho voado, são seis quilos de copinhos de plástico, guardanapos sujos e restos de sanduíche.

Sinto uma leve dor de ouvido e começo a me questionar sobre até que ponto foi inteligente escalar uma repórter com sinusite para fazer essa matéria. Um casal de franceses se senta ao meu lado e, 50 minutos depois do pouso, o avião decola de novo. O homem se chama Louis, está na casa dos 60 anos e é produtor de TV em Paris. Ele e a amiga ("não é minha esposa") vão fazer um tour de um mês pelo Brasil: começaram em Manaus, estão indo conhecer os Lençóis Maranhenses e depois seguirão para o litoral do Nordeste e o interior de Minas. Ele pergunta se conheço Santarém. Explico que é uma cidade relativamente pequena, não muito procurada pelos turistas. E Belém, conheço? "Não". E São Luís? "...". Ele desiste e começa a ler a edição francesa de um livro chamado O Navio Negreiro, enquanto a amiga lê La Cité de Dieu (a tradução de Cidade de Deus, de Paulo Lins). Atrás de nós está sentado um grupo de quatro homens que embarcou em São Paulo e vai descer em Santarém. De lá, eles vão encarar mais três horas de lancha até Óbidos, cidade de 49 mil habitantes no interior do Pará, para participar de uma missão evangélica.

A pista de pouso de Santarém fica colada numa lagoa. O aeroporto Maestro Wilson Fonseca foi criado em 1977 pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) como parte de um plano para facilitar a ligação entre o norte e o resto do País, mas a Gol só começou a operar lá em 2006. O aeroporto tem cinco vagas para estacionamento de aeronaves e capacidade para receber 225 mil pessoas por ano (Guarulhos pode receber até 35 milhões). Alguns passageiros desembarcam e vão andando até a parte coberta do aeroporto.

 

linhaDoTempo.jpg

Respondo à segunda chamada do dia e começa o embarque de um grupo de 21 alunos da Apae (associação dedicada a promover o desenvolvimento e o bem-estar de pessoas com deficiência) que está indo a Belém participar de um festival de música. Eles conseguiram o dinheiro das passagens por meio de rifas e doações e, se vencerem, vão participar da próxima etapa, em São Luís. Heloísa Silva, uma das professoras que acompanham os estudantes, conta que só três alunos ainda não tinham viajado de avião: "Como eles participam sempre desses festivais, estão acostumados com essas viagens."

Chegamos a Belém às 18h. Depois do desembarque, o francês Louis e outros dois ou três passageiros que continuam a bordo aproveitam o avião vazio para fazer uma série de alongamentos. O corredor fica parecido com uma daquelas aulas de ginástica que a Jane Fonda dava nos anos 80. O pessoal da faxina recolhe o lixo e mais um embarque começa. Mas o perfil dos passageiros mudou. Agora, a maioria é formada por executivos. Isso não é por acaso: esta parte do voo foi planejada para atender aos empresários que se deslocam entre as capitais nordestinas durante o fim da tarde e o início da noite. Decolamos às 18h51 e, 20 minutos depois, quase todos estão dormindo. Na poltrona da minha frente, um sujeito com menos pinta de empresário lê um jornal popular. A manchete: "Sem-teto urina em policiais militares".

Chegamos a São Luís e sobram uns 20 passageiros no avião. Mesmo assim, uma fila se forma na porta do banheiro. "As pessoas só vão ao toalete quando o avião está no solo, o que nos incomoda muito", reclama um dos comissários. É que esse é o momento do reabastecimento da água da torneira e do ar da descarga, além da troca dos rolos de papel higiênico: "Pode escrever no seu texto que não tem problema ir ao banheiro durante o voo", completa ele.

No lugar em que já estiveram os missionários evangélicos, sentam três irmãs maranhenses na faixa dos 40 anos que estão indo passar férias em Fortaleza. A mais animada, Luciana, diz que vai ficar dez dias com as irmãs num spa: "Preciso emagrecer um pouquinho, né?". Também nessa perna do voo embarcam alguns executivos, mas são os turistas que chamam mais atenção. A capital do Ceará é a cidade com o maior PIB do Nordeste, e o setor de serviços, que abrange os negócios relacionados ao turismo, responde por 77% da riqueza da cidade.

Pouco antes da chegada a Fortaleza, depois de quase dez horas de voo, as luzes são reduzidas e vejo de relance uma galinha ciscando no corredor ao lado da minha poltrona. A galinha é, na verdade, o chinelo vermelho da Luciana, que estava sentada atrás de mim e resolveu dar uma esticada no pé.

 

tabela.jpg

 

Já são 21h17 quando finalmente pousamos. O segundo grupo de tripulantes, que estava no avião desde Manaus (há mais ou menos sete horas), vai descer aqui. Eles esperam o desembarque dos passageiros e se despedem de mim com um abraço e as únicas palavras possíveis naquele momento: "Falta pouco".


Durante a última decolagem do dia, às 22h08, vejo outros dois aviões pela janela. "Esses aviões foram planejados e não estavam na nossa rota (à frente do avião). É seguro e é previsto", me explicou o comandante Daniel Medina Guimarães. O piloto anuncia que uma das comissárias, Cristiane, que os colegas apelidaram de "galega", está completando 25 anos de aviação. Os passageiros aplaudem. E essa é minha última lembrança antes do pouso em Recife, porque depois disso, preciso confessar, dormi em serviço pela primeira vez.

Design: Paula Bustamante / Adaptação: Abraão M. Corazza

http://super.abril.com.br/cotidiano/voo-mais-longo-pais-774740.shtml?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super

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Muito interessante a reportagem! Lembro quando a GOL soliciou o hotran deste voo, eu mesmo não acreditei! Faria mais sentido que o trecho GRU-MAO tivesse uma numeração diferente. Btw, também existe o retorno, é o GLO1653. Antigamente a GOL tinha um voo N/NE/SE/S bastante longo também, não lembro a numeração da ida, mas o retorno era o GLO1830 POA-GRU-GIG-SSA-REC-FOR-BEL-MAO.

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A VP teve um vôo, conhecido por "mata bicha" que era parecido com isso. Alguém se lembra disso?

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Dá vontade de fazer este vôo, mas a água e BOB é dose :lol:

Um mês atrás estava aguardando um vôo na catacumba de GRU e estavam anunciando o vôo, "com destino a Recife e escalas em...", e tinha gente que ficava na mesma reação do casal do primeiro parágrafo, tentando contar as escalas.

 

A Transbrasil tinha esse tipo de vôo também, muito interessante.

 

Snme era o TR505, famoso Transbrasileiro.

 

A VP teve um vôo, conhecido por "mata bicha" que era parecido com isso. Alguém se lembra disso?

A Varig/Cruzeiro tinha um vôo também chamado assim (SC484 - inclusive com report no CR). A Varig tinha um vôo com 727 que era com muitas escalas e era chamado em uma propaganda de... Transbrasil!

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A VASP tinha um que fazia CGB-GYN-BSB-SSA-REC-AJU. Curiosidade: a VASP se gabava de ser a empresa mais pontual no Brasil, mas a pontualidade era dada apenas na primeira decolagem do voo, mesmo se tivesse 10 pernas. Sendo a maioria dos voos da empresa assim, ficava fácil ter uma pontualidade alta.

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"Alguém precisa ficar na frente porque às vezes os passageiros querem ir ao banheiro e tentam abrir a porta do avião"

 

Se precisa de uma comissária de plantão na frente, então isso não é assim tão "as vezes"...

 

Taí uma dúvida que tenho sobre esse tipo de voo - que nem é novidade, pois a Varig já fazia algo similar. Quando dá um pau no avião, como funciona a resolução do pepino? Eu presumo que deve causar um bom rebuliço em parte da malha, pois esse voo deve atender muitas conexões.

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Bom, se esse voo chega aos 5753 km percorridos, olhando através do site distanciacidades.com, em linha reta de cidade a cidade, o famoso JJ3858 que opera POA-CWB-SSA-FOR-MAO está somando 5753,59 km. Talvez este seja o voo mais longo do país, não em escalas, mas em distância total percorrida!

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Bom, se esse voo chega aos 5753 km percorridos, olhando através do site distanciacidades.com, em linha reta de cidade a cidade, o famoso JJ3858 que opera POA-CWB-SSA-FOR-MAO está somando 5753,59 km. Talvez este seja o voo mais longo do país, não em escalas, mas em distância total percorrida!

 

Parei pra calcular, em linha reta, as etapas de ambos os voos e, realmente, o da TAM é maior!

 

- SAO-MAO-STM-BEL-SLZ-FOR-REC - 5.752,96 km

 

- POA-CWB-SSA-FOR-MAO - 5.753,59 km

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A VP teve um vôo, conhecido por "mata bicha" que era parecido com isso. Alguém se lembra disso?

 

Vamos a ele (na verdade eles)!

 

O "mata bicha" era o VP 382:

 

GRU-CGR-CGB-PVH-RBR-MAO-STM-BEL

 

E se isso não fosse suficiente às quartas e sextas ele ainda ficava um pouquinho mais longo, com mudança de numeração.

 

Às quartas virava o VP 384, atendendo também a Vilhena:

 

GRU-CGR-CGB-BVH-PVH-RBR-MAO-STM-BEL

 

E às sextas virava o VP 386, acrescentando Altamira ao "original":

 

GRU-CGR-CGB-PVH-RBR-MAO-STM-ATM-BEL

 

E essa foi mais uma sessão curiosidade aeronáutica de enlouquecer os tripulantes.

 

Confesso que para mim esses voos cheios de escalas eram, no entanto, diversão total. O melhor dos mundos para uma criança apaixonada por aviação, crescendo em uma época menos restritiva ao acesso à cabine: jump que não acabava mais nos bregas! :lol:

 

Foi também a fase da minha vida em que mais comi quindim. Quem se lembra? :P

 

Um abraço.

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A empresa tambem tem o 1620/21 CGH-SSA-REC-FOR-BEL-MCP e retorno

 

 

Por ai, e cada vez mais usando esse Tapatalk

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A Total tinha um que fazia Pampulha, Uberaba, Uberlândia, Brasília , Araguaina, Carajás, Tucurui, Belém, Itaituba, Altamira, Santarém, Porto Trombetas, Parintins e Manaus. Começava 06:30 e terminava 22:30. Um avião subindo e outro descendo.

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Por R$ 345,00 eu faria este voo ! pousos e decolagens são a nossa dorga rsrsrsrsrs

 

Agora...para um pax não doido por aviação e que quer ir para REC não se atentando ao voo...rsrsrsrsrsrs

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Fugindo um pouco da aviação comercial, e só para dar umas risadas...

 

Lá pelo fim 2008 tinhamos concluido o teorico do PC e o pessoal cumprindo as exigencias para checar o PC tiveram a brilhante idéia de fazer uma

navegação longa todos juntos ( não me lembro se eram 3 ou 4 alunos o que quer dizer 3 ou quatro boeros )

 

Planejaram tudo muito bem, a ideia era ir para uma cidade bem ao sul do Brasil (não lembro quel era), pernoitar ir para AD e voltar. a unica coisa chatinha era um frente fria entrando mas de forma moderada e que não parecia comprometer os top gun no seu ride.

 

Até fui ver os cabras decolando, bonito mesmo, acompanhei na fonia e tudo mais....

Pousaram no primeiro destino e.....fechou tudo !!!!! O sul do Brasil é complicado....

 

Uma semana depois começaram a chegar...de ônibus rsrsrsrsrsrsrsrs os INVA ficaram mais ums dias até azular o céu rsrsrsrsr

 

Este sim foi um voo longo pra kawaca rsrsrsrsrs....imaginem no aeroclube a gozação :dente: que é óbvio terminou em churrascool !

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Para quem voou na saudosa Nordeste Linhas Aéreas, vale lembrar o não menos saudoso NES260: SSA-PNZ-REC-JDO-FOR-PHB-SLZ-IMP-BEL. Provavelmente nem tão longo assim, mas era feito de EMB-120, com troca de tripulação em SLZ. Voltava na mesma linha como NES261. Nessa época, as diárias eram pagas na boca do caixa nos DOs, e quem era escalado para o 260/261 metia a mão numa bolada, eram 5 dias de voo! Briga de foice para fazê-lo, rss.

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