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Um novo líder com visão de engenheiro para a Boeing


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Por DOUG CAMERON

Domingo, 28 de Junho de 2015 21:10 EDT


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Dennis Muilenburg assumirá o comando da fabricante americana na quarta-feira. Bloomberg


Dennis Muilenburg, que será o novo diretor-presidente da Boeing Co. a partir de 1o de julho, passou anos trabalhando na unidade de defesa da empresa e gerenciando programas que, na maioria das vezes, não se concretizaram.


Mas as pessoas que acompanham sua carreira dizem que ele tem duas habilidades essenciais para comandar a gigante americana, que está cada vez mais concentrada na aviação comercial: uma visão de engenheiro para resolver problemas de design e uma experiência comprovada em manter os custos baixos.


Muilenburg, que tem 51 anos, assume nesta quarta-feira o lugar de Jim McNerney, de 65, que lidera a Boeing desde 2005 e ocupará indefinidamente a presidência do conselho. Em entrevistas ao The Wall Street Journal na semana passada, os dois enfatizaram a continuidade na transição e analistas não esperam qualquer desvio expressivo ou imediato da atual estratégia.


Ainda assim, Muilenburg tem uma formação muito diferente de seu predecessor, a qual, provavelmente, irá formatar a maneira de a Boeing lidar com grandes desafios nos próximos anos, incluindo sustentar sua unidade de defesa, entregar de forma lucrativa US$ 500 bilhões em encomendas de aviões e, possivelmente, desenvolver um modelo totalmente novo.


McNerney, que se formou na Universidade Yale e fez mestrado em administração de empresas em Harvard, trabalhou na McKinsey & Co., Procter & Gamble Co. e a maior parte de sua carreira na General Electric Co., tornando-se depois diretor-presidente da 3M Co. Ele entrou para o conselho de administração da Boeing em 2001.


Muilenburg é formado em engenharia aeroespacial pela Universidade do Estado de Iowa e possui um mestrado em aeronáutica e astronáutica pela Universidade de Washington. Ele entrou na Boeing como um engenheiro estagiário, em 1985, e voltou após se formar.


Desde dezembro de 2013, ele ocupou os cargos de diretor-superintendente e diretor operacional, ajudando a liderar a campanha de automação da Boeing para cortar custos de desenvolvimento e fabricação de aviões comerciais e sistemas bélicos. Pessoas a par das decisões da Boeing dizem que ele também está concentrado em enfrentar o crescente desafio representado pela China. O país é considerado uma grande ameaça de longo prazo para a área de aviões comerciais da Boeing e é, também, um fator essencial para seu braço de defesa, num momento em que o Pentágono aloca mais recursos para as forças americanas na Ásia.


“Antes de qualquer coisa, ele é um engenheiro”, diz Jim Albaugh, que já foi diretor-presidente das unidades de jatos comerciais e de defesa e espaço da Boeing. “Ele gosta de reunir todos os fatos e dados e optar pelo consenso, se houver um. Mas, no fim das contas, ele sabe que é quem terá que tomar as decisões mais duras.”


Antes de se tornar diretor-superintendente e diretor operacional, Muilenburg chefiou a unidade de defesa, espaço e segurança da Boeing — cargo que herdou de Albaugh em 2009. A participação dessa divisão na receita da Boeing caiu para cerca de 34% no ano passado ante cerca de 50% cinco anos atrás, devido a reduções em estatais orçamentos de defesa e a aposentadoria de alguns aviões importantes, como o jato de transporte militar C-17.


Mas Muilenburg ganhou crédito por elevar a margem operacional da unidade para 10,8% em 2013, ante 9% em 2009. A alta foi obtida, em grande parte, através do corte de 9 mil empregos — ou 15% da força de trabalho da divisão — em seus primeiros dois anos e do fechamento de fábricas. Mas ele também manteve elevados investimentos em pesquisa que ampliaram os ganhos de eficiência.


“Dennis mostrou que pode cortar custos e sustentar margens durante um declínio no crescimento”, diz Byron Callan, analista da Capital Alpha Partners LLC.


Essas habilidades financeiras são cruciais para a unidade comercial da Boeing, que está sob pressão para reduzir os custos de sua linha principal 787 e de outros produtos, em meio a uma competição intensa com a Airbus Group SE pelas encomendas de companhias aéreas globais cada vez mais atentas aos preços.


Ao mesmo tempo, Muilenburg demonstrou vontade de assumir alguns riscos durante seu período como engenheiro na Boeing.


Albaugh diz que Muilenburg chamou sua atenção pela primeira vez durante o projeto do caça Joint Strike Fighter. O jovem engenheiro ocupou várias posições organizando a oferta da Boeing na disputa pelo maior projeto de aquisição da história do Departamento de Defesa americano. A firma concorreu com a Lockheed Martin Corp., que acabou ganhando a concorrência, mas o esforço de Muilenburg foi notado por executivos mais experientes, diz Jerry King, ex-diretor da unidade de defesa da Boeing.


King disse, em uma entrevista ao WSJ, que Muilenburg estava bastante consciente do processo como um todo, encontrando equilíbrio para resolver pontos conflitantes no novo jato.


A Boeing frequentemente muda seus executivos mais promissores de projeto para projeto para dar a eles exposição a diferentes áreas da empresa. Depois de 14 anos projetando aviões e sistemas militares em Seattle, Muilenburg saiu da equipe dos caças para liderar uma nova unidade que vendia serviços de gerenciamento de tráfego aéreo, com sede próxima a Washington.


Ele atravessou o país com a família e sete animais de estimação. Dez dias depois de chegar, os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 desferiu um duro golpe nas viagens aéreas, levando a Boeing a enxugar consideravelmente a nova unidade.


Um mês depois, a Boeing perdeu a concorrência do caça para a Lockheed, deixando a empresa fora do programa militar. Tais perdas não eram incomuns no setor de defesa. Mais tarde, Muilenburg disse que a saída de Seattle na verdade ajudou sua carreira.


“Voltando àquele período, eu provavelmente cresci mais como líder durante aquele ano do que qualquer outra época de minha carreira”, disse ele em uma conferência em 2012. “E era uma coisa que, a princípio, eu nem queria fazer.”


Muilenburg agora terá que se equilibrar entre dois papéis: agradar os acionistas e carregar a bandeira da inovação nos EUA.


“É o que os acionistas querem: gere muito dinheiro e não corra grandes riscos”, diz Callan, o analista. “É diferente da Boeing dos velhos tempos e da indústria aeroespacial dos velhos tempos.”



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