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Airbus e Boeing ainda têm muito trabalho a fazer para cumprir metas do ano


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Por ROBERT WALL e JON OSTROWER, de Farnborough, Inglaterra

Sexta-Feira, 15 de Julho de 2016 00:04 EDT


Os executivos da Boeing Co. e da Airbus Group estão encerrando a principal semana do ano para a indústria de aviação comercial. Mas, em vez de aproveitarem o verão no Hemisfério Norte, parece mais que eles devem usar o período de férias para continuar a fazer a lição de casa.


As rivais saíram do Salão Aeronáutico de Farnborough com um volume combinado de negócios de quase US$ 62 bilhões, ante US$ 115,5 bilhões fechados no salão anterior, há dois anos. Na época, ocorria um histórico boom nos pedidos, graças a um cenário em que as empresas aéreas estavam em rápida expansão, em busca de aeronaves mais novas e eficientes.


Os pedidos realizados no salão devem ser o destaque do ano do setor. É o momento em que os fabricantes de aviões reúnem suas encomendas e se posicionam rumo ao cumprimento das suas metas traçadas para o ano todo, que são acompanhadas de perto. Este ano, contudo, os executivos das duas empresas afirmam que terão um trabalho maior para fazer depois do evento para atingir essas metas.


A europeia Airbus conseguiu US$ 35 bilhões em vendas no salão, elevando os pedidos recebidos no ano, até agora, para 380 aeronaves. A americana Boeing fechou negócios que somam US$ 26,8 bilhões, o que fez o total de encomendas chegar a 321 unidades.


Os números mostram que a Airbus ainda tem muitos aviões para vender até atingir sua meta anual de 650 aeronaves. O diretor de operações para clientes da empresa, John Leahy, disse ontem que a meta ainda é possível, embora admita que não será fácil.


Há três anos, em Paris, que alterna com Farnborough como sede do evento, Leahy brincou que poderia pendurar uma placa com a mensagem “fui pescar” na porta escritório depois das muitas encomendas recebidas no período. Este ano, disse ele, “nós temos muito a fazer”.


A Boeing definiu como meta para 2016 a venda de 740 aeronaves. Randy Tinseth, diretor de marketing comercial da Boeing, disse que a empresa estava “no caminho” para cumprir a meta. Ainda assim, o diretor de vendas, John Wojick, disse que ele “tem muito trabalho a fazer até o fim do ano”.


As vendas de aviões de fuselagem larga foram especialmente fracas para as duas fabricantes nos últimos meses. Essa é uma dor de cabeça especialmente para a Boeing, que está sob pressão para vender mais aviões da atual geração do modelo 777, de longa distância, para manter a produção ativa até a transição para a versão que o substituirá. Ela já planejava um corte na produção da aeronave em 2017.


A Boeing não conseguiu vender nenhuma unidade do 777 no salão. Ela recebeu encomendas para apenas oito aeronaves do modelo este ano. A empresa está tentando conseguir pedidos para até 50 aviões por ano para evitar outro corte em seu mais lucrativo avião de dois corredores.


Para a Airbus, os poucos pedidos não são um dos seus maiores problemas. A empresa foi o destaque do salão, não por um número surpreendente de pedidos como aconteceu nos últimos anos, mas por sua decisão de cortar de forma expressiva a produção de seu já problemático avião de dois andares, o A380, com capacidade para mais de 800 passageiros, dependendo da configuração interna.


Fabrice Brégier, diretor da unidade produtora de aviões da Airbus, disse que a medida drástica não foi seu maior problema. A maior dificuldade tem sido entregar os modelos atualizados do A320, de curto alcance, e do A350, de longo alcance. Mas as versões atualizadas estão atrasadas, deixando insatisfeitas as companhias aéreas que fizeram encomendas e afetando o fluxo de caixa.


“O A380 é um desafio marginal. Meu maior desafio é o A320 e o A350”, disse.


Segundo Brégier, os problemas nos motores que vêm causando atrasos nas entregas do A320 parecem já ter sido resolvidos. Alguns dos problemas com os fornecedores do A350 estão começando a apresentar avanços, mas não todos.


Com o total de pedidos fechados próximo do maior volume da história e um nível recorde de entregas prometidas, as duas fabricantes de aviões também estão pressionadas para agilizar o trabalho no chão de fábrica.


Elas também têm lição de casa para fazer em seus programas militares.


A Boeing conseguiu uma encomenda do Reino Unido para nove aviões caça-submarinos P-8A e 50 helicópteros de ataque Apache. Mas ela ainda está tentando superar os problemas de desenvolvimento em seu avião de reabastecimento KC-46A para a Força Aérea americana. A empresa está testando um ajuste na sonda de reabastecimento do avião — usada para reabastecer outros aviões durante o voo.


O avião de transporte A400M da Airbus continua sendo uma dor de cabeça sem fim. A empresa alertou os investidores esta semana sobre uma série de reduções na receita relacionada a mudanças que devem ocorrer no programa. Ela está ajustando o calendário de entrega do avião para os clientes militares, ao mesmo tempo em que ainda enfrenta dificuldades com recursos prometidos aos clientes. Analistas esperam que o programa, que já está no vermelho, registre mais 1,5 bilhão de euros (US$ 1,7 bilhão) em custos.

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