Jump to content

O desastre aéreo que Pacatuba/CE não esquece


jambock

Recommended Posts

Meus prezados
O desastre aéreo que Pacatuba não esquece
8 de junho de 1982. O Boeing 727-200 da Vasp se chocou contra a Serra da Aratanha, em Pacatuba/CE e explodiu. Entre os mortos, empresários cearenses do ramo têxtil. História permanece viva e ensina lições

Trinta e cinco anos depois, o clarão vindo da explosão do boeing 727-200 da Vasp, na Serra da Aratanha, ainda ofusca a memória de Lizete Fernandes, 75. “A terra tremeu. Eu disse ‘valha-me, Deus, é o mundo que vai se acabar”, lembra a mulher. O esposo dela, o diretor do Museu Histórico de Pacatuba, Antony Fernandes, 81, diz que até hoje há quem queira saber sobre a história do avião que dizimou 137 pessoas ao colidir contra a serra — o que viria a se tornar uma das três maiores tragédias aeronáuticas do Brasil e um marco na história de Pacatuba.

voo-da-vasp-na-serra-da-aratanha.jpg
Nítido na lembrança de quem teve o sono interrompido na madrugada do dia 8 de junho de 1982, o desastre na serra instiga histórias sobre corpos mutilados, saques e devastação.
Num desses relatos, Antony descreve a cena de uma mulher que observava a mata no dia seguinte ao acidente. Tal como a maioria dos passageiros do voo 168, segundo o historiador, o marido dela voltava para Fortaleza depois de comparecer à Feira Nacional da Indústria Têxtil (Fenit), em São Paulo, com a bagagem repleta de tecidos recém-comprados. “No que o avião explodiu, jogou as malas pra cima e, quando elas voltaram, as fitas que vinham enroladinhas engancharam nas copas das árvores e ficaram voando. E ela (a mulher), chorando”.
Recordações sobre os saques aos pertences dos passageiros, contudo, se sobrepõem às outras. “Aqui, acolá, passava uma pessoa na carreira com um relógio. Dinheiro levaram muito. Vinham trocar no banco, mas chegou um ponto em que eles não quiseram mais receber porque o dinheiro vinha num mau cheiro muito grande”, conta Antony.
Memória
Todos os anos, nestes 35, Pacatuba revive a tragédia com menções na Câmara Municipal ou com preces proferidas na igreja matriz. “Lembro que o dia (do acidente) foi triste. Todos os corpos foram carregados de helicóptero pro estádio (Betão). Todo mundo ficou sentado nas arquibancadas num silêncio tão grande que não parecia que era o povo daqui. Não que o povo daqui seja mal educado, mas é que todo mundo sentiu”, compartilha Lizete. Das vítimas, ela diz que não conhecia nenhuma — só, de ver pela tevê, o industrial Edson Queiroz, uma das figuras mais importantes da história cearense.
Dentre as trilhas ecológicas da Serra da Aratanha, uma cruz de ferro encomendada pelos pacatubenses constitui o cenotáfio da catástrofe. As constantes visitas ao monumento impulsionam o turismo local, segundo o secretário municipal do Turismo, Diego Medeiros. “A trilha é um ‘chama’ pra quem vem conhecer as belezas naturais e aproveita pra fazer um ‘turismo de curioso’. Morreu aqui uma pessoa ilustre, isso chama atenção”. O secretário municipal da Cultura, Rosteny Cabral, acrescenta: “A gente vê muitas pessoas apontando e perguntando: ‘foi aqui que caiu o avião?’”.
Números
137 MORTOS. Entre eles, o industrial Edson Queiroz e outros ilustres da indústria cearense.
Aviação teve mudanças após acidente em Pacatuba

Pelo menos duas outras catástrofes aéreas aconteceram após o desastre com o boeing 727-200 na Serra da Aratanha, que, até aquele momento, era o maior já registrado no Brasil. Houve a colisão de um avião da Gol com um jatinho da Embraer, em Manaus, em 2006, e a queda de avião da Tam no aeroporto de Congonhas, São Paulo, em 2007.

De 1982 para 2017, além de incorporar evoluções tecnológicas como GPS e equipamentos que informam parâmetros de proximidade com o solo e excesso de velocidade na descida, a aviação brasileira passou por transformações no treinamento da tripulação, segundo o major aviador Daniel Duarte Moreira Peixoto, porta-voz do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
“O treinamento visa essa melhoria de comunicação, de inter-relação entre os tripulantes”, afirma o major, mencionando os últimos diálogos entre o comandante Fernando Paiva e o copiloto Carlos Roberto, do voo da Vasp. “E, hoje, se um piloto faz um parâmetro errado de descida, os dados são mandados para a companhia aérea e ele deve justificar. A própria tecnologia fiscaliza o piloto”, detalha ele.
Atualmente, de acordo com o major Daniel, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) considera, como nível aceitável de segurança operacional, a média de 0,26 acidentes com fatalidade no transporte regular de passageiros para cada um milhão de decolagens. “Estamos cumprindo muito bem. Eu diria que o risco de se acidentar seriamente indo ao aeroporto pegar um voo é muito maior”, compara o oficial.
Fonte: Luana Severo para jornal O Povo via CECOMSAER 9 JUN 2017

Link to comment
Share on other sites

Archived

This topic is now archived and is closed to further replies.

×
×
  • Create New...

Important Information

Saiba os termos, regras e políticas de privacidade