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Osasco foi palco do primeiro voo da América Latina há 110 anos

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Osasco foi palco do primeiro voo da América Latina há 110 anos

Dimitri Sensaud de Lavaud voou no aeroplano São Paulo sobre a Avenida dos Autonomistas em 1910. Voo é considerado o primeiro da América Latina.

No dia 7 de janeiro de 1910, Dimitri Sensaud de Layaud, espanhol naturalizado americano realizou o primeiro voo da América Latina. Ele sobrevoou a Avenida dos Autonomistas, em Osasco, na Grande São Paulo, por mais de seis segundos e caiu na sequência. Segundo o jornal O Correio Paulistano, ele deslizou por 70 metros antes de levantar voo. O aviador, sem ferimentos, foi aplaudido pelos presentes que compareceram na ocasião.

A efeméride foi lembrada na manhã desta quarta-feira (8) em Osasco, onde aconteceu um hasteamento de bandeiras em homenagem aos feitos do aviador.

Estiveram presentes no local a bisneta de Dimitri, Fabiana Martine, e o neto de Lourenço Pellegatti, Caio Pellegatti, que foi um dos grandes amigos e mecânico de Dimitri. O aviador morava em Osasco.

Dimitri Sensaud de Lavaud nasceu no dia 18 de setembro de 1882, na cidade de Valladolid, Espanha e faleceu em Paris no dia 21 de abril de 1947, aos 64 anos de idade. Filho de mãe russa, Alexandrine Bognoff, e de um nobre francês, Evariste Sensaud de Lavaud, acabou vindo morar com a família na atual cidade de Osasco. A família de Dimitri foi a proprietária da famosa Cerâmica Osasco, que foi uma das marcas mais importantes do mercado paulista.

Segundo um livro publicado pelo Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica em 2013, Dimitri era poliglota e, aos 15 anos, já falava russo, inglês, francês, espanhol, grego, italiano e português. Ele se tornou engenheiro por vocação, já que nunca cursou uma escola regular de engenharia.

Dimitri contratou como projetista e auxiliar, Lourenço Pellegatti, que à época tinha 17 anos. Ele havia estudado no Liceu de Artes e Ofiícios e se tornou o braço direito de Dimitri.

Juntos, eles construíram o "São Paulo", o primeiro avião inteiramente construído no Brasil. Sua fuselagem era baseada na de uma aeronave Blériot. A estrutura do avião era de pinho e peroba, com 18m² de superfície alar, cobertura de cretone envernizado, grampos e cabos de aço. Para finalizar, o trem de pouso era composto por rodas de bicicleta. Ainda segundo o livro da aeronáutica, a aeronave chegava a 54 km/h e seu motor, que fora totalmente construído e usinado no Brasil, pesava 25kgs.

Ele tinha entre 28 e 32 HP, com seis cilindros rotativos e 1200 rotações por minuto. A hélice do São Paulo tinha 2,10 metros de diâmetro, largura de 30 centímetros e era feita de Jequitibá.

Dimitri ainda enfrentava outro problema: no Brasil, na época, não existiam mecânicos e projetistas aeronáuticos e, o aviador, por seu vasto conhecimento, ensinou muitos desses profissionais pioneiros.

Vale o destaque de que Dimitri era um grande inventor e, ainda segundo o livro “Dimitri Sensaud de Lavaud: O Primeiro voo no Brasil e na América Latina", ele era o dono de centenas de patentes. Uma delas, inclusive, gerou grande polêmica à época e, segundo registros, foi a responsável por sua morte.

Uma de suas patentes, relacionada ao passo variável, que servia para melhorar o desempenho das hélices dos aviões, chegou a interessar para a Luftwaffe, força aérea nazista, que coagiu o inventor a demonstrar seu funcionamento. O livro relata que o inventor sabotou o próprio projeto para que ele não fosse funcional aos objetivos do partido nacional socialista alemão.

Após a Segunda-Guerra, entretanto, ele foi acusado de colaborar com os nazistas e acabou sendo preso. Graças à intervenção da diplomacia brasileira junto as Organizações das Nações Unidas (ONU), ele acabou sendo liberado após oito meses. Dimitri nunca esqueceu desse acontecimento e acabou falecendo aos 64 anos de idade, após um duplo infarto cardíaco e uma profunda depressão.

Sua antiga casa, conhecida como Chalé Brícola, é hoje o Museu de Osasco. Antes de ser a casa do aviador, foi a residência de um famoso banqueiro, Giovanni Brícola. O pioneirismo da aviação de Dimitri está integrado ao Brasão de Osasco, onde estão duas asas em sua homenagem.

Fonte: Abrahão de Oliveira para G1 via CECOMSAER 9 jan 2020

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