Jump to content

Substituto do A320 vai voar com 1 piloto


Recommended Posts

https://www.flightglobal.com/airframers/acubed-works-toward-single-pilot-a320-replacement-begins-autonomy-development-flights/139951.article

O braço de inovação da Airbus, Acubed, iniciou voos na Califórnia para promover a tecnologia autônoma que tornará a próxima aeronave de corpo estreito de folha limpa capaz de operar com um único piloto.

“Certamente acreditamos que a próxima geração de aeronaves de corredor único terá capacidade para um único piloto”, disse o presidente-executivo da Acubed, Mark Cousin, à FlightGlobal.

Ele observa que qualquer aeronave comercial monopiloto precisará de sistemas autônomos avançados, capazes de assumir o controle e pousar caso o piloto fique incapacitado.

Para esse fim, a Acubed completou em 28 de julho o primeiro teste de vôo de um Beechcraft Baron, parte de um programa de vôo que a empresa está usando para desenvolver sistemas autônomos. Os voos estão sendo realizados a partir de Palo Alto.

Acubed Baron Acubed 082720

Fonte: Acubed

A Acubed iniciou os voos deste Beechcraft Baron em 28 de julho para testar câmeras e a tecnologia de coleta de dados que usará para desenvolver tecnologia autônoma para um narrowbody de próxima geração.

“Esta é realmente uma preparação de longo prazo para ... que esta tecnologia seja madura o suficiente para ser integrada ao desenvolvimento da próxima geração de aeronaves de corredor único”, acrescenta.

A missão do Barão: avaliar várias câmeras e coletar dados de imagem. A Airbus precisa de grandes quantidades de dados para alimentar sua tecnologia autônoma, diz Cousin. Acubed não está pilotando o Barão de forma autônoma.

Dentro de um ano, a Airbus pode começar a equipar seus grandes jatos de teste de vôo com a tecnologia de coleta de imagens, e a Airbus vai explorar o trabalho com as companhias aéreas para que os jatos em serviço possam coletar dados.

A empresa deve instalar a tecnologia em “um número adequado de aeronaves, para coletar um banco de dados amplo ... para que possamos treinar nosso aprendizado de máquina”, diz Cousin.

Só então a Airbus estará "confiante de que, quando lançarmos nossa [aeronave] de próxima geração, já teremos um sistema robusto".

O presidente-executivo da Airbus, Guillaume Faury, disse que o airframer europeu pode lançar um programa de substituição do A320 na segunda metade desta década, com entrada em serviço no início de 2030.

A Boeing, que também tem trabalhado com autonomia, também deve lançar um substituto do 737 nos próximos anos.

O impacto da atual desaceleração da indústria sobre os planos dos airframers permanece desconhecido.

Steven Udvar-Hazy, presidente executivo do principal cliente da Airbus, a Air Lease, convocou durante o show aéreo de Paris 2019 para que os pilotos tornem seus próximos modelos aptos para um único piloto.

Cousin observa que os próximos jatos narrowbody, embora provavelmente capazes de voar para um único piloto, podem entrar em serviço com dois pilotos. Outros desafios - como aqueles relacionados a regulamentações, trabalho e tecnologia de controle de tráfego aéreo - devem ser enfrentados.

“É um laboratório de teste de voo da Acubed”, diz Cousin sobre o programa Baron, que faz parte do esforço de desenvolvimento de tecnologia autônoma do Projeto Wayfinder da Acubed. “Pretendemos voar ... algumas vezes por semana durante os próximos três a seis meses.”

Os voos do Baron seguem a conclusão de junho pela Airbus de seu programa Autonomous Taxi, Take-off and Landing (ATTOL), executado a partir de Toulouse. Como parte da ATTOL, a Airbus usou um A350 e concluiu cerca de 500 voos. Realizou táxi, decolagem e aterrissagem autônomos utilizando tecnologia composta por sistemas “baseados em visão totalmente automáticos” e “reconhecimento de imagem a bordo”, de acordo com a Airbus.

Conclusão 2 do projeto autônomo do Airbus ATTOL

Fonte: Airbus

O A350 Airbus costumava testar sua tecnologia de táxi autônomo, decolagem e pouso.  

A Acubed, sediada em Sunnyvale, Califórnia, formada pela Airbus em 2015 para garantir uma presença no Vale do Silício, centrada em tecnologia e inovação, agora está avançando nesse trabalho. Cousin foi anteriormente o chefe de demonstradores de voo da Airbus e diretor técnico de seu programa Beluga XL.

A tecnologia autônoma da Airbus emprega uma “rede neural profunda” que pode “aprender” a partir de dados de imagem de uma forma modelada a partir do funcionamento do cérebro humano, de acordo com a Airbus.

O sistema pode “ver” o mundo ao redor, incluindo pistas, “tomar decisões táticas” e realizar abordagens visuais, diz Airbus.

Para fazer funcionar, o Airbus precisa de muitos dados de imagem atualmente indisponíveis.

“O grande desafio para um sistema de pouso autônomo robusto será a coleta de dados”, diz Cousin. “Você precisa treinar um algoritmo de aprendizado de máquina.”

É aí que entra o Barão.

A Acubed equipou aquela aeronave movida a pistão duplo com sistemas semelhantes aos transportados no demonstrador A350. Além de coletar dados, a Airbus usará o Baron para avaliar os tipos de dados necessários e para testar câmeras e sensores com campos de visão e resoluções variados, diz Cousin.

“Basicamente, estamos usando [o Barão] como uma plataforma de teste de vôo na qual podemos fazer iterações muito rápidas de nosso sistema de coleta de dados”, acrescenta.

O primeiro voo em 28 de julho permitiu à Airbus testar sensores e coleta e processamento de dados.

Mas aperfeiçoar a automação é apenas um passo na direção de operações de piloto único. Os airframers também devem revisar a “interface homem-máquina”, fazendo mudanças significativas nas cabines.

Cousin prevê que uma futura escassez de pilotos aumentará a necessidade de aeronaves de um piloto. A indústria aeroespacial tem alertado por anos sobre a iminente escassez, embora a atual desaceleração da indústria pareça provável que a deixe com um superávit piloto temporário.

  • Like 1
Link to post
Share on other sites

Ok, chegar a esse estágio é inevitável e é esperado ansiosamente por muitos.

O interessante é observar que em mais de 100 anos de operações aéreas ainda não conseguimos atingir um patamar impecável na condução de um voo com dois pilotos. Talvez com somente um a bordo certos acidentes absurdos não ocorram mais. Na teoria tudo é possível.

O único 'porém' é que simultaneamente o automatismo ainda precisa apresentar confiabilidade plena, ainda mais quando motores de aeronaves com a melhor tecnologia disponível andaram 'apagando' pelo simples fato de cair liquido no painel.

Uma coisa é certa: emoção não faltará.

  • Like 2
Link to post
Share on other sites
46 minutes ago, Jet Age said:

Ok, chegar a esse estágio é inevitável e é esperado ansiosamente por muitos.

O interessante é observar que em mais de 100 anos de operações aéreas ainda não conseguimos atingir um patamar impecável na condução de um voo com dois pilotos. Talvez com somente um a bordo certos acidentes absurdos não ocorram mais. Na teoria tudo é possível.

O único 'porém' é que simultaneamente o automatismo ainda precisa apresentar confiabilidade plena, ainda mais quando motores de aeronaves com a melhor tecnologia disponível andaram 'apagando' pelo simples fato de cair liquido no painel.

Uma coisa é certa: emoção não faltará.

O automatismo poderia evitar muitos acidentes bizarros, talvez o PIA e o Air India recentes, mas também abre uma possibilidade de acidentes que não existe hoje na aviação. E se o servidor "bugar"? Não houver rede? E se todos as relutâncias eletrônicos falharem? Um ataque hacker? Um único piloto lá em cima conseguirá coordenar tudo isto?

É o perigo do automatismo, a máquina evolui mas o humano não, cria a dependência em algo artificial.

  • Like 1
Link to post
Share on other sites

Vocês estão focando na parte que a aviação dá errado (<1x por milhão de decolagens), deveriam focar na parte que dá certo pra entender todo o resto.

Os acidentes da PIA e da Air India não aconteceriam se existissem pilotos dentro dessas cabines de comando, e não detentores de licenças. Há uma grande diferença. E não estou falando de aviadores, mas pilotos - apenas.

Colocar um piloto só não resolve muita coisa. Continuam precisando construir um cockpit, continuam precisando treinar este indivíduo, o custo de hotel e transporte ainda existe, e por aí vai... Imagina se após bilhões em inovação investidos o projeto falha?

Estão confundindo automatismo com autonomia. E principalmente tudo à sua volta.





 

Edited by MarceloF
typo
  • Like 4
  • Thanks 1
Link to post
Share on other sites

O 737 Max mostrou que quando se trata de "fazer o avião voar e lidar com panes sozinho" é bom ir com bastante calma.

Nos dois acidentes fatais do Max, o automatismo em excesso aliado à instrumentos gerando dados imprecisos resultou na aeronave se transformando em um míssil tripulado. Mesmo com 2 pilotos capacitados à bordo, por N razões não foi possível identificar à tempo a pane e atuar nas contra-medidas.

Com 1 piloto só, passa à haver simultaneamente mais automatismos agressivos e menos poder de reação do piloto único.  Até daria pra projetar um "botão vermelho" bem grande no painel, feito para num instante desabilitar todos os sistemas automáticos  de uma vez só, o que eliminaria a etapa de fazer troubleshooting quando o sistema do avião estiver se comportando de maneira errada, deixando instantaneamente o avião 100% na mão desse piloto único. No caso dos Max, um botão como esse teria salvado centenas de vidas.

O problema é que o piloto único é um só, e algumas panes podem exigir demasiada atenção dele na mitigação do problema e fazer com que o piloto não consiga voar o avião corretamente. Além de acabar com uma das principais redundâncias da aviação. E se do nada o piloto passar mal e desmaiar sobre os controles do voo? Isso não é incomum de acontecer.

Eu particularmente, como passageiro, ainda prefiro entrar em um avião com 2 pilotos humanos dividindo as tarefas em caso de pane, do que confiar minha vida numa inteligência artificial, no tamanho do cérebro de quem programou a AI e no comprometimento da equipe de manutenção que não vai estar à bordo durante o voo.

  • Like 3
Link to post
Share on other sites

Agree to disagree em alguns pontos de vista, todos válidos por sinal.

Há dois problemas que gostaria de saber o que está sendo proposto para esse tipo de configuração, piloto + automatismo:

- Soluções na geração de conflitos, que muitas vezes não disponibilizam tempo para pensar e agir -- e.g. RTO.

- Pensar 'fora da caixa' -- e.g. alto na aproximação, mas sem margem de combustível para arremeter: continua para o pouso ou o avião 'toma o controle' e faz o 'correto'?

Na aviação, a não ser que mudem certos conceitos e a estrutura geral seja unificada, há enormes 'gaps' e variáveis que seria impossível colocar no database uma infinita série de opções de ações para a resolução de problemas. Vários incidentes e acidentes foram evitados por iniciativas jamais imaginadas. Exemplos não faltam, mas vou me resumir ao voo Clipper 843 e ao Americam 96. Valem como ilustração de como o imprevisível não é do domínio pleno da engenharia aeronáutica.

O que temos no momento é um referencial que não será completamente compatível com a proposta que está sendo sugerida. A opção 'desliga-se tudo e assuma o controle' no meu modo de ver é inaceitável. Isso já é, de certa forma, feito atualmente nas operações do dia a dia e sabemos das possíveis consequências quando em mãos e cérebros errados.

  • Like 1
Link to post
Share on other sites
20 minutes ago, Jet Age said:

Agree to disagree em alguns pontos de vista, todos válidos por sinal.

Há dois problemas que gostaria de saber o que está sendo proposto para esse tipo de configuração, piloto + automatismo:

- Soluções na geração de conflitos, que muitas vezes não disponibilizam tempo para pensar e agir -- e.g. RTO.

- Pensar 'fora da caixa' -- e.g. alto na aproximação, mas sem margem de combustível para arremeter: continua para o pouso ou o avião 'toma o controle' e faz o 'correto'?

Na aviação, a não ser que mudem certos conceitos e a estrutura geral seja unificada, há enormes 'gaps' e variáveis que seria impossível colocar no database uma infinita série de opções de ações para a resolução de problemas. Vários incidentes e acidentes foram evitados por iniciativas jamais imaginadas. Exemplos não faltam, mas vou me resumir ao voo Clipper 843 e ao Americam 96. Valem como ilustração de como o imprevisível não é do domínio pleno da engenharia aeronáutica.

O que temos no momento é um referencial que não será completamente compatível com a proposta que está sendo sugerida. A opção 'desliga-se tudo e assuma o controle' no meu modo de ver é inaceitável. Isso já é, de certa forma, feito atualmente nas operações do dia a dia e sabemos das possíveis consequências quando em mãos e cérebros errados.


Como assim mãos e cérebros errados?

E o escrutínio constante aos quais os pilotos são submetidos? E os testes e mais testes para garantir a proficiência destes profissionais? E os médicos e psicólogos da mais alta referência profissional, que também são checados ano após ano para garantir a precisão de cada um destes em seus exames e avaliações? E os sistemas de reporte para indicar um profissional "variando" mais do que pode em cima da faixa, com comportamento ligeiramente suspeito, pra não dizer preocupante? E as autoridades aeronáuticas em todo o mundo que jamais permitiriam que fraudes pudessem acontecer?

Como mãos erradas tocam em um avião?

Quem permite que isso aconteça?


Oh, wait. Ninguém se preocupa. No fim, é fácil culpabilizar o indivíduo, livrar a responsabilidade dos demais, e ainda jogar no colo da engenharia a demanda pela inovação que vai arrancar esta incógnita da equação.

Edited by MarceloF
typo
  • Like 1
Link to post
Share on other sites
53 minutes ago, MarceloF said:


Como assim mãos e cérebros errados?
 

Marcelo, 

Vamos contextualizar:

A partir do momento que for colocada em prática essa iniciativa de um único piloto a bordo e for adicionado um 'panic button' como sendo uma alternativa segura na condução da aeronave, algo está definitivamente errado nesse processo. 

Quanto ao que você citou no começo, honestamente estou em dúvida se é sério ou uma gozação. Qual empresa é essa? Aquela cheia de soberba do ME? Pré ou pós A340 em MEL ou o 777 em DXB?

Nesses eventos não havia um cérebro e um par de mãos errados, mas pelo menos 6 'kits' completos. Barba e cabelo.

Em suma, essa 'realidade' apresentada não existe sem um percentual de admissão que algo possa sair da curva. Todas as empresas sérias sabem disso, tanto que cada vez mais os SOPs estão parecendo produção de advogados, não de pilotos.

Edited by Jet Age
Link to post
Share on other sites
28 minutes ago, Jet Age said:

Marcelo, 

Vamos contextualizar:

A partir do momento que for colocada em prática essa iniciativa de um único piloto a bordo e for adicionado um 'panic button' como sendo uma alternativa segura na condução da aeronave, algo está definitivamente errado nesse processo. 

Quanto ao que você citou no começo, honestamente estou em dúvida se é sério ou uma gozação. Qual empresa é essa? Aquela cheia de soberba do ME? Pré ou pós A340 em MEL ou o 777 em DXB?

Nesses eventos não havia um cérebro e um par de mãos errados, mas pelo menos 6 'kits' completos. Barba e cabelo.

Em suma, essa 'realidade' apresentada não existe sem um percentual de admissão que algo possa sair da curva. Todas as empresas sérias sabem disso, tanto que cada vez mais os SOPs estão parecendo produção de advogados, não de pilotos.



Eu? De gozação? No CR? Jamais.

Vamos contextualizar:

O Faria Lima Elevator postou esses dias algo interessante, e eu cito:

"Você passa meses se preparando, estuda o cenário econômico, Black & Scholes, sabe VBA e Python, inglês fluente, lê um monte livros sobre a crises, hedge funds e value investing e comportamento.
Mas o RH quer mesmo saber qual animal você é..."

Pegue uma centena de relatórios de investigação onde o fator humano é contribuinte para o desfecho e me diz onde está o erro. Pode começar pelo 767 da Atlas que foi derrubado em Houston, que é mais recente.

Por fim, você mesmo vai poder me responder a qual empresa eu estava me referindo - ou quais.

Valendo! 
 

Link to post
Share on other sites

Uma verdade que incomoda mas não vai deixar de existir é que 99,9% de toda a preocupação que existe no mundo em colocar logo aviões para voar sem pilotos não é para fins de aumentar a segurança e sim para fins de aumentar a lucratividade.

E sinceramente acho que vão passar por cima de muitos fatores de segurança para colocar logo isso em prática, e vão continuar passando por cima da segurança para otimizar custos cada vez mais até acontecer alguma tragédia, para só depois disso rever os conceitos.

Favor notar que o sujeito oculto da minha frase acima não é nenhum órgão ou pessoa específica, e sim a civilização de modo geral. Isso é um processo que leva décadas pra se desenrolar, mas se observamos com atenção a linha do tempo da aviação é fácil observar esse padrão.

  • Like 4
  • Thanks 1
Link to post
Share on other sites

O avião com um só piloto será autônomo, não estamos falando de um ser humano controlando o automatismo, mas sim de um computador que aprendeu a voar e foi exposto a um número inimaginável de situações durante seu “aprendizado”. Ele estará capacitado a lidar com todas a panes previstas num QRH e ainda poderá tomar as melhores decisões em casos excepcionais, como uma perda de todos os motores ou todos os sistemas hidráulicos. O computador nesse caso seria um piloto com conhecimento técnico completo, exposto a praticamente tudo que é possível de acontecer e capaz de processar muito mais informações de uma só vez que um ser humano típico.

 

O caso de uma aproximação sem combustível pra voar até a alternativa é simplesmente irrelevante, pois o computador com inteligência artificial não será burro de se colocar numa situação dessas. O grande e custoso desafio no futuro vai ser integrar todo o espaço aéreo para aeronaves autônomas e deixar um pouco para os entusiastas voarem desportivamente.

  • Like 1
Link to post
Share on other sites
2 minutes ago, Tintin said:

O avião com um só piloto será autônomo, não estamos falando de um ser humano controlando o automatismo, mas sim de um computador que aprendeu a voar e foi exposto a um número inimaginável de situações durante seu “aprendizado”. Ele estará capacitado a lidar com todas a panes previstas num QRH e ainda poderá tomar as melhores decisões em casos excepcionais, como uma perda de todos os motores ou todos os sistemas hidráulicos. O computador nesse caso seria um piloto com conhecimento técnico completo, exposto a praticamente tudo que é possível de acontecer e capaz de processar muito mais informações de uma só vez que um ser humano típico.

 

O caso de uma aproximação sem combustível pra voar até a alternativa é simplesmente irrelevante, pois o computador com inteligência artificial não será burro de se colocar numa situação dessas. O grande e custoso desafio no futuro vai ser integrar todo o espaço aéreo para aeronaves autônomas e deixar um pouco para os entusiastas voarem desportivamente.

Então o caso de Birigüi não vai acontecer nunca mais?

 O Cmdt Madeira teve culpa quando percebeu que estava sem combustível e teve que fazer uma aproximação e pousar num pasto e salvar todos a bordo?

Link to post
Share on other sites
2 minutes ago, Luckert said:

Então o caso de Birigüi não vai acontecer nunca mais?

 O Cmdt Madeira teve culpa quando percebeu que estava sem combustível e teve que fazer uma aproximação e pousar num pasto e salvar todos a bordo?

A inteligência artificial identificaria o vazamento/perda de combustível muito antes que a maioria de nós e levaria o avião ao aeroporto mais próximo. Se não fosse possível, seria feito um pouso forçado igual ou melhor o realizado na ocasião.

 

Quanto a culpa, acredito que ela não existe na maioria dos acidentes, porém o ser humano tem muito mais limitações que a nova geração de inteligência artificial em desenvolvimento.

Link to post
Share on other sites
17 minutes ago, Tintin said:

A inteligência artificial identificaria o vazamento/perda de combustível muito antes que a maioria de nós e levaria o avião ao aeroporto mais próximo. Se não fosse possível, seria feito um pouso forçado igual ou melhor o realizado na ocasião.

 

Quanto a culpa, acredito que ela não existe na maioria dos acidentes, porém o ser humano tem muito mais limitações que a nova geração de inteligência artificial em desenvolvimento.

Obrigado pelos esclarecimentos, não vi deste ponto de vista, deve ser porque não conseguiria imaginar a situação de Birigüi nem do Rio Hudson dando certo, o fator psicológico atrapalha no fator com pilotos humanos mas tb ajuda para improvisar situações que nunca foram simuladas em computadores, como na caso do Rio Hudson

Link to post
Share on other sites
18 minutes ago, Luckert said:

Obrigado pelos esclarecimentos, não vi deste ponto de vista, deve ser porque não conseguiria imaginar a situação de Birigüi nem do Rio Hudson dando certo, o fator psicológico atrapalha no fator com pilotos humanos mas tb ajuda para improvisar situações que nunca foram simuladas em computadores, como na caso do Rio Hudson

Então, quando se fala de computadores e tal, nós geralmente pensamos em algo como o Deep Blue da IBM jogando contra o Kasparov. Antes de cada partida o pessoal da IBM junto com um grupo de mestres de xadrez, bolavam uma estratégia e inseriam diversos cenários pra ganhar ou empatar. Era um computador fantástico, mas limitado a fazer o que ele foi programado. Basicamente a mesma lógica de um piloto automático atual.

 

A inteligência artificial em desenvolvimento  está em outro estágio. O computador AlphaGo, que derrotou Lee Sedol em um jogo de Go (https://pt.wikipedia.org/wiki/Go), foi criado de uma maneira completamente diferente. O pessoal simplesmente fez um input com as regras do jogo e deixou o computador jogando contra si mesmo centenas de milhões de vezes até se tornar praticamente imbatível. O computador aprendeu sozinho as estratégias pra se tornar um mestre, o tal do deep learning.

 

O avião autônomo está sendo criado de maneira similar, o pessoal criou regras e prioridades básicas (não machucar ninguém, não danificar a estrutura, não cair etc) e deixou o computador “aprendendo a voar” por horas e mais horas de voo, primeiro num simulador e agora estão chegando no estágio final com voos reais. Isso além de dar uma bagagem de experiência fantástica pro computador, ainda cria a possibilidade de ele improvisar quando algo completamente inesperado acontecer, como no caso do A320 no Hudson ou do F100 em Birigüi.

  • Like 1
Link to post
Share on other sites
1 hour ago, Tintin said:

A inteligência artificial identificaria o vazamento/perda de combustível muito antes que a maioria de nós e levaria o avião ao aeroporto mais próximo. Se não fosse possível, seria feito um pouso forçado igual ou melhor o realizado na ocasião.

O nível de "consciência" situacional de uma AI depende diretamente da quantidade de sensores físicos presentes em cada ponto sensível da aeronave. Se não houver sensores, não haverá dados para alimentar decisões da AI, que vai tratar situações anormais como normais por falta de dados.

Vai sempre haver um limite físico no fornecimento de dados, determinado pelo número de sensores que pode ser colocado em um avião. Não tem como garantir 100% de eficiência em uma AI se não houver 100% de cobertura sensorial em todas as variáveis que governam qualquer voo. Não existe mágica nessa ciência, uma AI não vai adivinhar magicamente que existe um vazamento na linha de combustível só porque ela é muito inteligente e eficaz. Muitos aviões nem mesmo têm sensores de nível de combustível, muito menos sensores capazes de identificar vazamentos.

Um conjunto sensorial eletrônico perfeito e 100% à prova de falhas é uma utopia, visto que, com a tecnologia disponível hoje, seria necessário um número infinito de sensores, pois haveriam sensores para monitorar o comportamento de outros sensores. É possível chegar perto da perfeição? Sim é possivel. É possível atingir a perfeição? Com a tecnologia disponível hoje, não, pois nunca vai haver um avião voando com sensores infinitos.

No dia que essa tecnologia surgir, o primeiro lugar onde iremos identificar ela trabalhando será em um chão de fábrica. Existem muitas fábricas hoje em dia que já são controladas por sistemas operacionais complexos, e algumas até por AI's experimentais. Mas todas as fábricas do mundo na data de hoje tem algo em comum: Supervisão humana. Isso porque, nem mesmo em uma fábrica, que é um dos ambientes mais controlados possíveis, onde pode estar passando um furacão da porta pra fora que do lado de dentro nem a humidade do ar muda, se consegue garantir que uma AI esteja no controle de 100% das operações e um evento inesperado não possa causar danos e prejuízos. Por isso sempre existe no mínimo 1 ser humano responsável por acionar um override no sistema e assumir o controle ou desligar a linha de produção se, por exemplo, um rato roer uma fiação crítica e os sensores não identificarem.

Dito isso, na minha opinião, a tecnologia pode até dar um salto e tornar isso tudo viável, mas no dia que isso acontecer, vai acontecer primeiro em fábricas e não em tubos de metal alados que voam por aí à 85% da velocidade do som, enfrentando uma infinidade de situações atmosféricas anormais e defeitos mecânicos que são simples para um ser humano bem treinado identificar e controlar mas podem ser impossíveis para uma AI administrar sem o sensor correto instalado.

O máximo que vão conseguir por agora vai ser diminuir de 2 para 1 piloto à bordo, que vai ser o "supervisor humano" da AI, assim como ocorre nos chãos de fábrica por aí, e mesmo assim, como eu disse antes, isso não vai necessariamente melhorar a segurança. Vai melhorar o lucro.

Edited by diasfly
Link to post
Share on other sites
18 minutes ago, diasfly said:

O máximo que vão conseguir por agora vai ser diminuir de 2 para 1 piloto à bordo, que vai ser o "supervisor humano" da AI, assim como ocorre nos chãos de fábrica por aí, e mesmo assim, como eu disse antes, isso não vai necessariamente melhorar a segurança. Vai melhorar o lucro.

Depois de fazerem isso tudo ainda vão ter que combinar com os sindicatos, se nem as scope clauses conseguem mudar, imagina isso.

E avião complexo voando single pilot existe a muito tempo, na linha aérea não vejo nem a médio prazo.

Link to post
Share on other sites

Voar, navegar, comunicar, e ainda atacar a pane? Sei não... Vou com o @Uptrim, nem a médio prazo...

Já vi em simulador avião cair justamente por isso, o cara pic@ das galáxias queria fazer tudo sozinho

Link to post
Share on other sites
3 hours ago, Tintin said:

O avião com um só piloto será autônomo, não estamos falando de um ser humano controlando o automatismo, mas sim de um computador que aprendeu a voar e foi exposto a um número inimaginável de situações durante seu “aprendizado”. Ele estará capacitado a lidar com todas a panes previstas num QRH e ainda poderá tomar as melhores decisões em casos excepcionais, como uma perda de todos os motores ou todos os sistemas hidráulicos. O computador nesse caso seria um piloto com conhecimento técnico completo, exposto a praticamente tudo que é possível de acontecer e capaz de processar muito mais informações de uma só vez que um ser humano típico.

 

O caso de uma aproximação sem combustível pra voar até a alternativa é simplesmente irrelevante, pois o computador com inteligência artificial não será burro de se colocar numa situação dessas. O grande e custoso desafio no futuro vai ser integrar todo o espaço aéreo para aeronaves autônomas e deixar um pouco para os entusiastas voarem desportivamente.

 

Seria estupidez imaginar que a aviação não chegará num nível muito diferente do que conhecemos atualmente. No entanto ...

Você está partindo do pressuposto que a engenharia aeronáutica atingiu um patamar de conhecimento onde nada mais passará sem conhecimento prévio e o domínio das respostas (sempre corretas) para todas as situações. De qualquer forma, para proteger possíveis deslizes, uma sentença foi corretamente usada no caso de contingências: 'O computador nesse caso seria um piloto com conhecimento técnico completo (sic), exposto a praticamente tudo que é possível de acontecer ...' Essa condicional foi providencial. 

Sim, é mais do evidente que chegaremos num estágio de evolução da tecnologia que muito do que vemos hoje não passará de mera lembrança de como a aviação foi um dia tão arcaica. Mas entre o sonho e a realidade há um espaçamento ainda indefinido, se isso de fato em certo momento será possível medir. Se nem em solo conseguimos desenvolver um automóvel autônomo, os acidentes com os carros da Tesla são alguns exemplos, o que podemos imaginar de um veículo mais pesado do que o ar operando numa dimensão que envolve uma série de variáveis não necessariamente constantes?

Partindo do seu raciocínio, tivemos 4 'burros' a bordo do DC-10 da United, que se não fosse pilotado a '6 mãos', mais a ajuda do engenheiro de voo, a tragédia teria sido consumada por completo. Erro de projeto? É uma possibilidade, mas não a de maior destaque. O que é considerável de fato foi evidenciar que os engenheiros certamente não imaginavam uma falha daquela magnitude, acontecendo numa sucessão de problemas que somente foram administrados a partir da intervenção humana, tomando como base o conhecimento e a experiência de cada um ali na cabine de comando. 'Ahhh, mas a MDC sanou em parte esse risco em potencial no projeto posterior, no caso, o MD-11'. De fato, ele ficou mais 'protegido', mas curiosamente, esse novo avião 'infalível' trouxe outros tipos de problemas operacionais, que contribuíram para acidentes/incidentes impensáveis, ainda mais com o seu antecessor e toda a experiência acumulada. Puro efeito gangorra.

Mas faz parte da natureza da indústria aeronáutica, que repleta de erros e acertos chega-se a novos patamares. Mas quanto ao aprendizado, isso não se esgota jamais. E o que significa tomar as melhores decisões? Isso é muito subjetivo, porque depende do resultado, mas desde quando a aviação sempre foi ou um dia será 2+2=4? Imaginar um mundo ideal é válido, mas as operações aéreas, em todos esses anos de atividade, jamais foi algo linear. Há ainda muitas variáveis inconstantes que surgem sem um ordenamento previsível. 

Decolar e pousar autonomamente é que é irrelevante. Até macaco faz, basta ensiná-lo, e algumas empresas aéreas perderam tempo em não investir nisso. 

 

3 hours ago, Tintin said:

A inteligência artificial identificaria o vazamento/perda de combustível muito antes que a maioria de nós e levaria o avião ao aeroporto mais próximo. Se não fosse possível, seria feito um pouso forçado igual ou melhor o realizado na ocasião.

 

Isso não seria aplicável ao evento com o A330 da Air Transat. Há semelhança com o caso do F100 da Tam, mas são dois casos bem diferentes, principalmente em termos de cenário e opções.

 

Edited by Jet Age
Link to post
Share on other sites

A discussão sobre os limites da automação são interessantes, mas a coisa se torna bem menos complicada se considerar-mos que ainda vai haver um piloto no Cockpit

O que vejo é que vários procedimentos na aviação são desnecessariamente complicados, normalmente por causa de fatores históricos

Não tem porque, por exemplo, um acionamento de motores ser mais do que um apertar de botão e esperar por exemplo. Ou um exemplo melhor, o computador pode gerenciar melhor uma decolagem com suas performances e procedimentos de decolagem do que as duas pessoas no cockpit. Verificar todos os valores e colocar o pé no freio em caso de divergência antes da V1 e/ou subir o trem em caso de positive rate é o que o computador faz melhor.

Sim, o ser humano ainda é melhor em situações inesperadas, mas também não quer dizer que consiga se virar muito em caso de pane muito grave.

 

 

 

  • Like 1
Link to post
Share on other sites

Acho que alguns aqui ainda não entenderam q a tecnologia já está pronta, o avião já tem centenas de sensores que checam tudo dezenas de vezes por segundo que conseguem prever uma pane muito antes dela acontecer só cruzando dados e caso ela aconteça analisar centenas de alternativas numa fração de segundo com muito mais eficiência que um pobre mortal.

O que o artigo deixa claro é que a unica coisa que falta é alimentar o banco de dados dos lugares onde as aeronaves vão operar e para isso eles estão usando um Baron para depois passar os dados para as aeronaves de teste.

Link to post
Share on other sites
7 hours ago, JEduardo said:

Acho que alguns aqui ainda não entenderam q a tecnologia já está pronta, o avião já tem centenas de sensores que checam tudo dezenas de vezes por segundo que conseguem prever uma pane muito antes dela acontecer só cruzando dados e caso ela aconteça analisar centenas de alternativas numa fração de segundo com muito mais eficiência que um pobre mortal.

O que o artigo deixa claro é que a unica coisa que falta é alimentar o banco de dados dos lugares onde as aeronaves vão operar e para isso eles estão usando um Baron para depois passar os dados para as aeronaves de teste.


Há uma grande diferença entre a tecnologia "pronta" e o avião autônomo passar do primeiro milhão de decolagens fora de espaço aéreo restrito.

Tá cheio de projeto maduro por aí que de vez em quando ainda recebe boletim de manutenção, diretriz de aeronavegabilidade, e por aí vai.

O A320, depois de anos no mercado começou a iniciar mergulhos inadvertidamente. 

O 737, depois de um projeto homologado e trocentos vôos de teste, já em operação comercial, mergulhou vitimando fatalmente várias vítimas por duas vezes.

Imagina um avião autônomo...
 

  • Like 1
Link to post
Share on other sites

Join the conversation

You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.

Guest
Reply to this topic...

×   Pasted as rich text.   Paste as plain text instead

  Only 75 emoji are allowed.

×   Your link has been automatically embedded.   Display as a link instead

×   Your previous content has been restored.   Clear editor

×   You cannot paste images directly. Upload or insert images from URL.

×
×
  • Create New...

Important Information

Saiba os termos, regras e políticas de privacidade