Jump to content

Briga por causa de coelho em GRU


Pessoa 1985
 Share

Recommended Posts

1 hour ago, PT-WRT said:

A IATA e uma entidade privada, suas regras não prevalecem sobre a legislação de nenhum pais (em alguns casos como tarifas, elas são internalizadas nos acordos e tratados) muito menos servem de argumento valido para descumprir uma ordem judicial, expressão da soberania de um pais.

Em uma analogia simples seria o mesmo que dizer que um clube de futebol não precisa cumprir uma liminar da justiça brasileira num jogo internacional por conta de uma regra da FIFA.

Quanto a capacidade de um Juiz do Brasil (ou de qualquer lugar do mundo) obrigar a KLM ou qualquer outra empresa a cumprir as suas decisões, na pratica é bem simples, não precisa de Russomano nem Datena, basta o coelho ir com escolta policial, como aconteceu ontem.

Na vida real, a KLM ou qualquer outra empresa descumpre liminar da justiça achando que suas aeronavas estão isentas da jurisdição de um pais, isso como diria o Quevedo non ecziste, as consequencias pelo descumprimento são graves e o Poder Judiciario de qualque pais possui diversos meios para obrigar e sancionar a empresa que descumpre.

Quando é necessario para a segurança do voo (sim existem algumas liminares absurdas do ponto de vista aeronautico, principalmente em relação a transporte de equipamentos médicos) a empresa quamdo recebe a liminar, tenta esclarecer o Juiz ou Recorre e em último caso o Comandante nega o embarque ou adia o voo de forma coordenada com outros setores da empresa, inclusive o juridico.

O que houve em GRU foi um erro de comunicação a tripulação e os funcionários não sabiam da liminar, por isso vetaram o Embarque.

Abraços

 

WRT,

Futebol acontece em estádio situado em território soberano. Os envolvidos apresentam seus passaportes na entrada ao país e ganham um "status migratório". Uma vez em Roma, faça como os romanos. Algo completamente diferente de uma área de segurança internacional onde os envolvidos já deixaram o país oficialmente.

De resto, sua colocação é perfeita e dispensa maiores esclarecimentos. Vou colocar um exemplo para esclarecer:

- Se um juiz emitir liminar para um passageiro voar à Holanda com um cilindro de oxigênio portátil, a tripulação deverá negar o embarque na aeronave, mesmo com escolta policial. Se precisar esclarecer qualquer coisa, a referência será dada através do DGR (Emitido pela IATA) que proíbe o transporte. Mas isso é depois.

Aliás, a escolta policial - neste caso - me parece que tem mais a ver com a violência no dia anterior do que com qualquer "cumpra-se".

Vamos aguardar os próximos capítulos. Duvido que a KLM sofra sanções por isso.

 

  • Like 2
Link to comment
Share on other sites

Não sou muito de comentar por aqui, mas para este tópico venho com minhas contribuições. Vou fazer um comparativo caso a situação tivesse sido no sentido inverso, se tal confusão tivesse sido armada aqui na Europa em um voo embarcando para o Brasil. 

- Pelas condições gerais de transporte da KLM disponíveis nos links abaixo, o coelho não poderia se transportado. As condições são claras e quaisquer desvios são passíveis de recusa de embarque mesmo com ordem judicial.

https://www.klm.com/travel/br_br/images/General_Conditions_of_Carriage_Global_Brasilian_tcm581-430603.pdf

https://www.klm.pt/information/pets/reservation#pets-we-cannot-transport

- Considerando toda a falta de comunicação sobre a ordem judicial, o comandante ainda assim poderia recusar o embarque do coelho uma vez que segundo as regras da companhia tal animal não pode ser transportado.

- Pelo vídeo não fica claro, mas segundo o que informou um conhecido meu que trabalha em GRU, antes do início da gravação do vídeo aparentemente o casal tentou embarcar a força tentando abrir as portas do portão. No Brasil não sei como anda essa tratativa, mas aqui na Europa, qualquer tentativa de acesso forçado à uma aeronave ou pátio de manobra é considerado crime e/ou tentativa de atentado. O casal aqui seria imediatamente preso com pena de inicial de 2 anos. 

- O mesmo ocorre com a gritaria. Por aqui, um aumento no tom voz ou confusão causada pelo passageiro já é motivo de recusa de embarque. Numa situação onde se escala para gritaria e depredação do patrimônio do aeroporto a empresa tem total respaldo para recusar o embarque, acionar a polícia e inclusive cancelar o bilhete e não permitir mais compras na companhia (a famosa Black List). 

- Houve sim falta de preparo dos funcionários na tratativa da situação mostrada no vídeo. Porém, não devemos esquecer que para a situação ter chegado a este ponto houveram vários outros acontecimentos predecessores dos quais não tomamos conhecimento. Desta forma, nós espectadores externos, ficamos quase impossibilitados de julgar o acontecido com apenas este excerto. Ambos os lados devem ser analisados e não podemos nos esquecer que todos ali são humanos e passíveis de erro. 

- Vejo uma grande diferença entre Brasil e Europa na tratativa destes processos de embarque. Só para ilustrar, semana passada operei um voo entre Oslo e Londres, já nos finalmente do embarque notamos que uma pequena confusão se formou no portão por causa da recusa de embarque de um pax pela não apresentaçao da documentação necessária. A acompanhante do pax recusado desceu o finger correndo e veio suplicando a nós (Comissarios) para que ela pudesse falar como comandante. Pela atitude da mesma e euforia, não só negamos o pedido como também não havia motivo justificável para que ela fosse ter com o comandante. Segundo a passageira, se o comandante autorizasse, o seu acompanhante poderia seguir a viagem mesmo sem a documentação necessária. No caso, não cabe ao comandante autorizar ou não a viagem do mesmo, o processo é simples, sem os formulários preenchidos e teste covid feito não embarca e ponto. Os agentes no gate checam os documentos e liberam ou não o embarque. Por fim, o pax sem os documentos, mesmo armando confusão, gritando e afins, não embarcou e muito menos teve a passagem remarcada. A política da companhia é simples, está mais que desenhada nas condições de transporte. Na falta de apresentação de quaisquer documentos, a viagem não acontece. 

- Para encerrar, todos ali erraram e feio. Desde a falta de comunicação por parte da companhia até a agressão física entre pax e funcionário. Cabe lembrar que o cliente sempre tem razão, porém, até determinado ponto. 

 

  • Like 6
  • Thanks 3
Link to comment
Share on other sites

Como Brasileiro é um ser superior em memes kkkk dêem uma olhadinha no facebook da KLM, os comentários com fotos e figurinhas de Coelhos, não temos a minima chance de ser uma nação séria.

  • Like 1
  • Haha 3
Link to comment
Share on other sites

Resumo da ópera: o coelho não podia ir, assim como os funcionários não podiam dar bordoada nos passageiros, no final o coelho vai e os passageiros saíram no braço, a KLM indeniza por agressão e acaba a ópera.

Edited by Avionics
Link to comment
Share on other sites

Achei essa thread no twitter. Vou colar o restante aqui para ficar mais fácil a leitura: 

2 - Os tutores queriam viajar com o pet na cabine por medo do bichinho morrer no bagageiro. Há inumeros casos de óbito de pet transportado no porão do avião, pq as empresas não conseguem assegurar a segurança no local. Inclusive há casos de falta de oxigênio no bagageiro.

3 - A família tinha laudo de inúmeros veterinários falando sobre o alto risco do animal viajar no bagageiro, somado ao fato que o Alfredo (coelho) gozava de saúde perfeita e não era um risco para as pessoas no avião.

4 - A família tinha autorização de importação do pet do governo da Irlanda, ou seja, não seria barrado o ingresso do pet no país de destino. Eles tinham toda a documentação médica.

5 - A liminar judicial foi concedida após a análise dos laudos, documentos e sobre uma ação pública movida por uma ong de coelho no Paraná.

6 - A empresa já tinha aceitado o embarque, mediante apresentação de toda documentação e pagamento das taxas necessárias. A família chegou 10 horas antes no aeroporto para garantir que tudo estivesse certo a aprovado.

7 - Eles fizeram o check-in, tudo aceito e perfeito. Documentação em ordem e pagamento aprovado. 5 minutos antes do embarque a equipe de voo negou o embarque. Segundo a empresa, por equívoco interno, a equipe não foi avisada da autorização.

8 - Por este fato, o juiz já foi notificado do descumprimento e a empresa já recebeu a multa de R$ 5.000,00 pelo descumprimento.

9 - Consequências jurídicas das cenas lamentáveis: A equipe claramente não soube lidar com a situação, ao serem informados pelos passageiros que havia autorização de embarque, ao invés de consultarem a gerência e jurídico da empresa, preferiram ser arrogantes e IGNORAR  a liminar

10 - Trataram os passageiros com deboche, foram agressivos e embora o vídeo não mostre as cenas anteriores, partiram para agressão e humilhação da família, ao serem xingados. Não há no vídeo agressão física por parte da família, só verbal.

11 - Considerando a existência de processo anterior, as cenas lamentáveis, a confissão da empresa que havia autorização para voo e que eles tinham toda a documentação. Prevejo demissão de todos os envolvidos por justa causa. Indenização de no mínimo 30k se o juiz for sério.

_________________________________________

A própria KLM alegou o erro. E pelo que vi nas fotos eles receberam upgrade para classe executiva no dia posterior ao ocorrido. 

  • Like 5
Link to comment
Share on other sites

23 hours ago, MarceloF said:

WRT,

Futebol acontece em estádio situado em território soberano. Os envolvidos apresentam seus passaportes na entrada ao país e ganham um "status migratório". Uma vez em Roma, faça como os romanos. Algo completamente diferente de uma área de segurança internacional onde os envolvidos já deixaram o país oficialmente.

De resto, sua colocação é perfeita e dispensa maiores esclarecimentos. Vou colocar um exemplo para esclarecer:

- Se um juiz emitir liminar para um passageiro voar à Holanda com um cilindro de oxigênio portátil, a tripulação deverá negar o embarque na aeronave, mesmo com escolta policial. Se precisar esclarecer qualquer coisa, a referência será dada através do DGR (Emitido pela IATA) que proíbe o transporte. Mas isso é depois.

Aliás, a escolta policial - neste caso - me parece que tem mais a ver com a violência no dia anterior do que com qualquer "cumpra-se".

Vamos aguardar os próximos capítulos. Duvido que a KLM sofra sanções por isso.

 

Continuando no assunto, já que está interessante.

O aeroporto, bem como o espaço aéreo e mar territorial, de um país continuam sendo expressão de seu território soberano, sob a regência das leis nacionais e jurisdição da justiça pátria, a chancela administrativa do ponto de controle (que obviamente não pode ser feita na linha imaginária no meio do Oceano) não significa que você deixou oficialmente o país, o que só acontece de fato, quando ultrapassa os limites do seu território. Alguns países sequer fazem este controle de saída no passaporte em aeroportos, como os EUA, cabendo as Empresas Aéreas informarem os passageiros que deixaram o território americano (a multa é salgada se não informam).

A IATA é a referência de excelência (inclusive para as autoridades aeronáuticas dos países) afinal sua expertise e recursos são absolutamente inegáveis, mas contudo, suas regras e recomendações devem sempre ser cross checadas (and arm doors kk) com a legislação local. Evidentemente que o pessoal de terra que costuma fazer isso, afinal a tripulação não pode ser uma enciclopédia voante de normas.

No caso do cilindro de oxígênio a bordo, por exemplo, se eu não estiver errado (e posso estar, faz tempo que não vejo o assunto) a DGR 62 da IATA permite cilindros de até 5 kilos como bagagem despachada e de mão, desde que aprovado previamente pelo operador e o Comandante seja avisado, já o RBAC 175 a ANAC simplesmente diz que deve ser "pequenas garrafas" e se precisar durante o voo deve ser fornecido pelo operador.

Nestes "pequenas garrafas" é que mora o perigo (como diria Henrique e Juliano na musica mais usada no tiktok) brasileiro tem o dom de escrever regras pouco objetivas, o parâmetro da IATA pode ser utilizado,  mas com alguma tolerância, se barrar garrafa de 5.2 kg, provavelmente a justiça vai liberar.

Com relação a direito dos consumidores, por exemplo as regras de IATA via de regra colidem com o ordenamento brasileiro, um exemplo clássico era a franquia de bagagens, antes da ANAC editar a polêmica Resolução 400 e mudar as regras, as empresas estrangeiras tinham que oferecer a franquia de 2 malas de 32 kilos (em letras bem minúsculas) para passagens emitidas no Brasil.

Mudando de assunto, a Requisição de força policial é bastante comum para cumprimento de ordens judiciais, ainda mais em casos que a previsão de multa não é efetiva (como a necessidade de embarque) e houve a resistência do cumprimento (com ou sem violência).

Como o colega acima mencionou, já houve aplicação de multa de R$ 5.000,00 reais por descumprimento e os passageiros ainda podem entrar com um pedido de indenização por Dano Moral, a brincadeira acabou saindo meio cara para a KLM, fora a crise de reputação, fora das muralhas dos fóruns específicos de aviação, neste tipo de situação a população em geral tende a se colocar na pele dos passageiros.

Abraços!

 

Link to comment
Share on other sites

Join the conversation

You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.

Guest
Reply to this topic...

×   Pasted as rich text.   Paste as plain text instead

  Only 75 emoji are allowed.

×   Your link has been automatically embedded.   Display as a link instead

×   Your previous content has been restored.   Clear editor

×   You cannot paste images directly. Upload or insert images from URL.

 Share

×
×
  • Create New...

Important Information

Saiba os termos, regras e políticas de privacidade