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Mulheres invadem as Forças Armadas


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11/07/2007 09:17 - BRASIL

 

Mulheres invadem as Forças Armadas

 

 

Elas são 4.381 divididas na Marinha, Aeronáutica e no Exército. As mulheres fazem parte do contingente de militares que compõem as Forças Armadas.

 

Em um universo predominantemente masculino, sério e repleto de regras a seguir, elas não decepcionam nos quesitos responsabilidade, competência e elegância. E conseguem, aos poucos, ocupar patentes mais altas, como por exemplo no Exército, que terá a primeira turma de Major formada no próximo mês.

 

Bonitas, elegantes e disciplinadas, elas são chamadas de capitão, sargento e tenente - no masculino mesmo. Usam farda, quepe, coque, meia-calça, coturno, calça cargo e fazem, como os homens, treinamento pesado de quatro meses que inclui tiro, sobrevivência na selva, resgate e muito mais.

 

Carregam mochilas que pesam 20 quilos, marcham, suam a camisa e, quando estão de plantão, tomam conta de soldados e subordinados com arma na cintura. Tudo isso sem descuidar da casa, do marido, dos filhos e, é claro, da vaidade que acompanha dez entre dez "milicas".

 

Ouvindo as histórias relatadas por sete mulheres que trabalham em três corporações em Brasília, o G1 pode perceber que a carreira militar deixou de ser uma opção para apenas complementar renda. O sonho de ser militar é o mesmo de qualquer trabalhador de classe média: remuneração justa, plano de carreira e aposentadoria.

 

Sempre arrumada

Longe de casa, a tenente da Aeronáutica Mariana Camargo, de 23 anos, sofreu muito durante quatro anos na Academia da Força Aérea (FAB) em Pirassununga (SP). Muito bonita e com o corpo esbelto, ela conta que a mochila que era obrigada a carregar na selva, durante o treinamento, pesava a mesma coisa que a do seu namorado na época, que tem 1,85 de altura e porte de atleta. "Sofri muito com a parte física", diz.

 

Mariana comenta que, durante a formação no Interior de São Paulo, ela perdeu completamente a vaidade. "Não dava tempo, não tinha como. Era impossível cuidar do cabelo, da pele ou da unha", afirma. Segundo ela, quando voltou "à normalidade da vida", decidiu abusar dos artefatos da beleza - mantém a unha comprida e cuidada, usa rímel, blush, sombra, lápis nos olhos, tem cabelos hidratados e corpo em forma. Tudo com muita discrição, porque as regras da Aeronáutica, assim como na Marinha e no Exército, pedem discrição nos "adendos" à farda.

 

Diferentemente da tenente, a terceiro sargento da Aeronáutica Dariele Reis, de 22 anos, não usa tanto a farda quanto Mariana Camargo. Ela trabalha na manutenção de aviões e usa macacão e coturno preto nos pés todos os dias. Apesar da falta de feminilidade no uniforme, a sargento não perde a vaidade. Prende os cabelos loiros com grampos em um coque bem feito, coloca brinco e anel e corta as unhas bem curtinhas para não sujar muito, já que trabalha com graxa, e passa uma base para dar brilho. "Esse uniforme não é muito bonito, mas eu me arrumo mesmo assim", diz ela.

 

Já as meninas do Exército - capitães Sylvia Rey e Virgínia Satuf e a primeiro tenente Ingrid de Freitas - também capricham nos acessórios para ornamentar as fardas. Sem descuidar da aparência, as três gostam de colocar brincos, passar batom e arrumar o cabelo, como forma de amenizar o uniforme marrom com verde usado diariamente.

 

A única reclamação, segundo Ingrid e Sylvia, é o coque que estraga muito o cabelo. "O cabelo fica prejudicado porque está sempre amarrado. Tenho cabelo longo e tento melhorar passando alguns produtos para hidratar", desabafa a capitão Rey.

 

A capitão Satuf, que trabalha na área de Saúde, é privilegiadaavorecida por usar uniforme branco com calça e uma espécie de jaleco e também por ter os cabelos mais curtos, sem precisar fazer o temido coque. "Decidi cortar o cabelo para ser mais prático, porque fazer coque todos os dias é trabalhoso e estraga muito", diz a médica.

 

Marinha, 27 anos depois

A Constituição dispensa as mulheres do serviço militar, mas nem por isso as Forças Armadas deixam de atrair significativa parcela da população feminina.

 

Pioneira, a Marinha do Brasil comemora, no dia 7 de julho, 27 anos do ingresso da primeira mulher. "Isso foi antes da abertura política", afirma, orgulhosa, a capitão-tenente Andréa Delduque, sete anos de Marinha.

 

As Forças Armadas são vistas sempre como território de homens, sobretudo pelos "preceitos rígidos de disciplina e hierarquia" e o "vigor físico" exigido dos candidatos interessados na carreira militar. São características da profissão listadas pela própria Marinha na sua página na internet. Há quem goste. E há mulheres que, por trás das fardas, esbanjam charme e sensualidade.

 

A pedagoga Andréa Delduque, de 39 anos, não se incomoda com as regras. Ela se diz vaidosa, sensível, feminina. E qualquer dúvida cai por terra após uma rápida espiada no seu armário do banheiro, ou melhor, "camarote" - na Marinha, todos os nomes são característicos de navios e embarcações. O nécessaire da oficial tem de tudo: de cápsulas de colágeno e suplementos alimentares a maquiagem, lixas de unha e pinças.

 

"Não dispenso meu creminho. A idade está chegando. Aliás, onde está meu batom?", pergunta, revirando o desorganizado nécessaire - como costuma ser a de todas as mulheres - antes da sessão de fotos.

 

Regras e normas

Afixada no "camarote" das marinheiras, há uma lista de exigências até para o traje civil. Vestidos e saias são permitidos, mas os limites estão especificados em centímetros. Nada de transparências ou decotes. As meias-calças não são obrigatórias. "Mas convém usá-las", adverte a sargento Ane Beatriz dos Santos Reis. Ela esclarece que o cabelo não pode tampar a gola da farda. Se não for curto, precisa estar devidamente preso em um coque. As redes de proteção ajudam a manter o cabelo em ordem. "O coque faz parte do uniforme. Quando enjôo do coque, corto o cabelo", conta a sargento.

 

Um movimento de corpo e a farda branca revelam uma tatuagem nas costas de Andréa. "Tenho outra também", conta, rindo. "Mas a regra diz que o uniforme tem que escondê-las. Também têm que ser registradas e não podem ofender a Marinha", explica.

 

Orgulho

No passeio pela exposição permanente, no térreo do Ministério da Marinha, a tenente Andréa Delduque e a sargento Ane Beatriz Reis se emocionam quando falam das tradições da Marinha do Brasil. Até suspiram.

 

Ane diz que seguiu o caminho natural, pois é filha de oficial. "Cresci em vilas militares, freqüentei hospitais militares. Adorava ver meu pai fardado", lembra. Andréa garante que já tinha o perfil. "Sempre fui muito organizada. Só não sabia como entrar nas Forças Armadas". Quando Ane Beatriz ingressou na Marinha, há 13 anos, as mulheres não recebiam espada. Agora, são treinadas para o serviço armado.

 

"Eu adoro atirar. É a maior higiene mental. Estava grávida no último treinamento", lembra Andréa Delduque, que abandona o tom firme e se desmancha em lágrimas quando fala das cerimônias militares, prova de que o ambiente masculino, a rígida disciplina e os tiros não a endureceram. "As formaturas são as mais bonitas. Sempre penso: 'não vai acabar, tem mais por vir'", diz.

 

fonte: O Popular Online

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