Jump to content

Companhias aéreas fizeram pressão por reforma rápida em Congonhas


C010T3

Recommended Posts

23/07/2007 - 22h26

 

Companhias aéreas fizeram pressão por reforma rápida em Congonhas

Representantes das companhias pediram que reforma fosse rápida.

Infraero nega que tenha havido ingerência política ou comercial na reforma.

 

Fabio Schivartche* Do G1, em São Paulo

 

A ata de uma audiência pública realizada pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) em abril deste ano revela a pressão das companhias aéreas brasileiras por uma reforma rápida da pista principal do Aeroporto de Congonhas. Os representantes das empresas pediram que as obras fossem entregues antes do final de junho, quando começam as férias escolares e aumenta o movimento de aeronaves.

 

A Infraero nega que tenha havido ingerência política ou comercial na reforma.

 

A pista principal de Congonhas é a mesma utilizada na terça-feira (17) pelo Airbus da TAM que não conseguiu concluir o pouso e colidiu com um prédio, matando ao menos 189 pessoas -foi o mais grave acidente da história da aviação brasileira.

 

A reunião foi realizada no dia 2 de abril, 42 dias antes de a pista principal ser interditada para o início da reforma.

 

A pressão veio nas palavras de três representantes do setor: Ronald Jenkins, diretor do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA), Fernando Alberto dos Santos, superintendente do Sindicato Nacional de Empresas de Táxis Aéreos (SNETA), e de Adalberto Febeliano, vice-presidente executivo da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag).

 

Jenkins disse que as empresas se preocupam em “que as obras estejam concluídas até o final de junho, visto que a alta temporada tem início na última semana desse mês”. Ele relatou ainda que as empresas terão grandes dificuldades com a transferência de vôos para o aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos, principalmente nos horários de pico do tráfego aéreo.

 

Adalberto Febeliano disse ser “fundamental” que as obras terminassem antes de julho. Já Fernando Alberto, das empresas de táxi aéreo, disse que “seu produto é muito perecível”, devendo ser oferecido de imediato, sob pena de perda do cliente. Ele estava reclamando que as empresas de táxi aéreo estavam sendo preteridas pelas grandes companhias aéreas na prioridade de uso da pista –o que estava causando prejuízos às empresas que ele representa.

 

A resposta da Infraero (a empresa do governo federal que administra os aeroportos brasileiros) foi dada pelo engenheiro Mário Jorge, que também estava presente à reunião. Ele disse que o prazo de execução depende de vários fatores. Mas que a meta da estatal era realizar uma reforma que levasse entre 40 e 45 dias. “Será um trabalho de 24 horas corridas, sem interrupções”, afirmou Jorge.

 

De fato, as obras (coordenadas pela Infraero) duraram 45 dias. Começaram em 14 de maio e terminaram em 29 de junho –bem na sexta-feira em que começaram as férias escolares na maior parte das escolas brasileiras.

 

Durante a reforma, Congonhas funcionou com a pista auxiliar e horários mais reduzidos de pousos e aterrissagens. Com o fim das obras e a retomada de operações na pista principal, os vôos que haviam sido transferidos para o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, voltaram para Congonhas.

 

A TAM, empresa mais afetada pela reforma, anunciou a volta de 42 vôos. Destes, 38 haviam sido transferidos para Cumbica e quatro estavam cancelados. A GOL, também bastante afetada com as obras, retomou os dez vôos que haviam sido transferidos de Congonhas para Guarulhos durante o período de reforma.

 

Desde a conclusão das obras em Congonhas a falta de aderência na pista principal tem sido alvo constante de reclamação de pilotos. O atrito reduzido da pista nova é uma das hipóteses que podem explicar a derrapagem de um avião da Pantanal na véspera do acidente da TAM.

 

A Infraero diz que a pista oferece um coeficiente de atrito adequado para pousos e decolagens.

 

Infraero

 

Questionada pelo G1 sobre a pressão das empresas exercida por seus representantes durante a reunião da Anac, a Infraero disse que "não há lobby envolvido". "Atendemos os requisitos técnicos para a reforma da pista. É impossível haver ingerência política ou comercial", informou a assessoria de imprensa da estatal.

 

A reforma de 45 dias foi basicamente uma correção da declividade da pista principal do aeroporto. É necessário, diz a Infraero, que a pista seja convexa (tenha uma declividade de 1 grau a 1,5 grau) para facilitar o escoamento da água e evitar a formação de poças. As obras da pista tiveram um custo de R$ 19 milhões.

 

Anac

 

O coordenador de comunicação da Anac, Luiz Guilhermino, disse ao G1 que a reunião com os representantes das empresas não tem nenhuma relação com a definição do prazo para a conclusão das obras de Congonhas.

 

"Fizemos inclusive um termo de ajustamento de conduta (TAC) antes da reunião que já definia o final de junho como prazo para o término da reforma. Não nos interessa entrar em briga política", afirmou Guilhermino.

 

Minutos depois de Guilhermino falar ao G1, uma outra assessora da Anac telefonou para corrigir uma informação: disse que o TAC foi concluído no dia 13 de abril -11 dias depois da reunião da Anac, e não antes, como o coordenador de comunicação havia dito.

 

Representantes das empresas

Adalberto Febeliano, vice-presidente executivo da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), confirmou que as empresas pediram que a reforma da pista principal de Congonhas fosse entregue antes das férias de julho por causa do excesso de demanda no mês de férias, mas negou que tenha havido pressão para acelerar a obra.

 

Segundo ele, todo o procedimento foi planejado e discutido diversas vezes. Para Febeliano, o fato de os meses de julho e agosto serem mais secos e sem chuvas também foi um fator importante para a decisão de entregar a pista antes das férias.

 

"A pista tinha que ficar pronta antes de julho porque julho era alta estação e, além disso, julho e agosto são os meses do ano mais secos em São Paulo e não se esperava essas chuvas, que são totalmente atípicas. Foi uma questão de bom senso. Não tem nada de pressão nisso. É totalmente errado usar essa palavra. Não chove em julho, portanto não tem necessidade de deixar a pista fechada até ficar pronto o grooving. Isso é óbvio. A decisão não tem nada de errado, foi tomada de acordo com o que o bom senso manda", afirmou Febeliano.

 

Já o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que em nenhum momento houve pressão das empresas aéreas para que a obra fosse liberada antes do tempo. Segundo Jorge Honório, assessor de imprensa do sindicato, nem a Anac e nem a Infraero contestaram quando as empresas falaram que a pista deveria estar pronta antes de julho.

 

Segundo a assessoria de imprensa, foi dito, sim, que se a reforma da pista ultrapassasse 45 dias os passageiros seriam prejudicados porque o mês de julho é de férias escolares e tradicionalmente a demanda aumenta. Além disso, disse o sindicato, haveria os jogos Pan-americanos.

 

Ainda segundo a assessoria de imprensa do SNEA, o fato de a pista principal ter sido entregue sem o grooving não é problema deles porque este é um detalhe técnico e deveria ter sido previsto pela Anac e pela Infraero. "Na audiência pública, ninguém se manifestou dizendo que não tinha condições de entregar a pista nesse prazo. Na hora, todo mundo concordou. Então isso não é pressão. É uma questão de interpretação de cada um", disse Honório.

 

Por fim, Fernando Alberto dos Santos, superintendente do Sindicato Nacional de Empresas de Táxis Aéreos (SNETA), disse que a empresa não pressionou pela entrega rápida da pista e a sua única manifestação foi sobre a redução do espaço que as empresas de táxi aéreo estavam sofrendo em Congonhas.

 

Segundo ele, historicamente, as empresas de táxi aéreo faziam até dez movimentos (pousos ou decolagens) por hora. Com a reforma da pista e com a pressão das empresas de vôos comerciais, o espaço deles foi reduzido para dois movimentos por hora e, em alguns horários, não era permitido fazer nenhum pouso ou decolagem.

 

"Tivemos que aceitar a imposição de diminuir a quantidade de movimentos porque a prioridade eram as empresas de transporte de massa. O que nós pedimos foi que tão logo a pista principal fosse entregue, que nós voltássemos a ter o direito de operar dez movimentos por hora e não dois. Até porque, não temos peso suficiente para influenciar numa decisão dessas [de acelerar a entrega da obra]", disse Santos.

 

O superintendente preferiu não comentar a entrega da pista principal sem o grooving. "Não sou piloto, sou um administrador de empresas. Não tenho conhecimento técnico para dar uma opinião sobre isso", disse.

 

* Com reportagem de Fernanda Bassette

Link to comment
Share on other sites

Pedir pressa não significa pedir para fazer mal feito. Significa pedir eficiência, palavra que não faz parte do vocabulário do governo atual. E se houve pressão, as autoridades não deveriam ter se curvado a elas, caso contrário não merecem ser chamadas de "autoridades".

De todo modo foi muito bom ler este texto. Vou pensar 2 vezes antes de dar atenção ao Febeliano, que ultimamente vive aparecendo para dar entrevista e cobrar isso e aquilo de todo mundo.

Link to comment
Share on other sites

Archived

This topic is now archived and is closed to further replies.

Guest
This topic is now closed to further replies.
×
×
  • Create New...

Important Information

Saiba os termos, regras e políticas de privacidade