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Tragédia da TAM: empresa tem US$ 1,5 bilhão para as indenizações, diz Bologna


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Tragédia da TAM: empresa tem US$ 1,5 bilhão para as indenizações, diz Bologna

Publicada em 02/08/2007 às 12h00m

Luiz Cláudio de Castro - O Globo Online; O Globo; Agência Brasil; Agência Câmara

 

BRASÍLIA - Um dia após ser divulgada a transcrição do áudio da cabine do Airbus A-320 que caiu em São Paulo, e de aumentarem as suspeitas de falha humana ou problemas no avião, a CPI do Apagão Aéreo da Câmara ouve nesta quarta-feira o presidente da TAM, Marco Antônio Bologna. No depoimento, ele disse que tomou conhecimento do conteúdo pela imprensa e que, apenas a partir desta quinta-feira, a empresa passa a participar do processo investigatório. Também afirmou que a companhia tem US$ 1,5 bilhão para as indenizações e gastos materiais do acidente.

 

De acordo com o executivo, se o seguro da empresa for insuficiente para indenizar os familiares das vítimas do vôo 3054, a empresa vai complementar os pagamentos. As 187 pessoas a bordo e pelo menos 12 em terra morreram, na maior tragédia da aviação brasileira. A apólice de seguro cobre não só os danos sofridos pelas famílias dos mortos, como também os moradores do entorno do Aeroporto de Congonhas e os comerciantes da região, que estão perdendo negócios devido ao isolamento da área.

 

O executivo citou especificamente a família do taxista morto enquanto abastecia o carro no posto de gasolina atingido pelo avião e o próprio posto, que está fechado desde o acidente.

 

- É um amplo valor para cobrir danos às pessoas e aos bens. A TAM vai se responsabilizar integralmente pelo pagamento da indenização. A gente não consegue ter de volta nossos entes queridos, mas podemos dar as necessárias condições de apoio (...) As indenizações serão extremamente suficientes, extremamentes amplas para cobrir todos os direitos dos vitimados, tanto em vôo quanto em solo, assim como o impacto na região - afirmou.

 

O presidente da empresa disse que a companhia aérea tem dois escritórios exclusivos, um em São Paulo e outro em Porto Alegre, para cuidar das indenizações. Segundo ele, antigamente havia um "complicômetro" nesses casos, mas a legislação atual facilita o trato dos seguros. Bolonha disse ainda que qualquer adiantamento que as famílias estejam recebendo da companhia não reduzirá os valores a que elas têm direito pelas perdas sofridas.

 

- Podem ficar tranqüilos. Qualquer adiantamento necessário que seja feito não significa que a TAM vai requisitar qualquer pedido de quitação - afirmou Bolonha, frisando que os seguros levarão em conta a expectativa de vida das vítimas.

 

Bologna informou ainda que o prédio da TAM Express, atingido pelo avião, será doado para a prefeitura de São Paulo, que pretende fazer no local um memorial em homenagem aos mortos. Questionado pelo relator da CPI, Marco Maia (PT-RS), sobre as indenizações das vítimas com o Fokker 100 da companhia, ocorrido em 1996, Bolonha disse que algumas ainda não foram pagas por problemas legais, que não existem mais hoje em dia devido a mudanças na legislação.

 

- Houve evolução na legislação que permite adiantamentos de valores antes da quitação do processo indenizatório. Antes isso era uma complicômetro. Hoje não existe mais - afirmou.

Executivo nega que companhia use 'turbinas de segunda linha'

 

Bologna negou que a companhia utilize em sua frota turbinas de segunda linha. Segundo ele, a empresa só usa equipamentos de fabricantes reconhecidos internacionalmente, como GE. O executivo negou que a falta de um dos reversores do Airbus A320 tenha sido fator decisivo para o acidente. Segundo ele, um avião pode funcionar perfeitamente com um dos reversores "pinado" (travado). Bologna disse ainda que uma aeronave pode pousar até mesmo com os dois reversores inoperantes, desde que o resto do sistema esteja em bom funcionamento.

 

- Não é fato que o reversor pinado tenha sido a causa do acidente - afirmou.

 

Ainda segundo ele, o comandante do vôo, Kleyber Lima, tinha quase 20 anos de experiência e, inclusive, estava em processo de promoção para operar vôos internacionais. Indagado sobre a jornada de trabalho da tripulação, Bolonha disse não ter conhecimento de que os dois pilotos tenham trabalhado mais do que o permitido pela legislação no período do acidente.

 

- Ao que me consta, não, estava dentro da normalidade da jornada de trabalho - disse o executivo, comprometendo-se a enviar à CPI a planilha da jornada de trabalho dos dois pilotos.

 

Bologna disse ainda que a companhia aérea não promoveu nenhuma mudança no procedimento de carregamento das aeronaves após o acidente com o Airbus A320. Questionado pelo relator, Bologna disse que isso não é preciso porque a empresa sempre leva em consideração a rota e o local de pouso das aeronaves para calcular o peso dos aviões.

Familiares entregam manifesto a deputados

 

O depoimento de Bologna começou pouco antes das 10h. Ele prestou solidariedade aos parentes da vítimas e disse que a TAM foi considerada durante três anos consecutivos a melhor companhia operadora de Airbur A-320. Antes da reunião, um grupo de familiares das vítimas do acidente, juntamente com deputada Manuela D'Ávila (PCdoB-RS), entregou um manifesto aos deputados pedindo uma investigação completa e transparente . A CPI ainda deve ouvir hoje o representante da Airbus no Brasil, fabricante da aeronave, Mario José de Bittencourt Sampaio.

 

Na CPI do Senado, também serão ouvidos, a partir das 14h, o brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa); o presidente da Infraero, José Carlos Pereira; o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi; e o próprio presidente da TAM, Marco Antônio Bologna.

Duas hipóteses ganham força: falha humana e mecânica

 

O relator da CPI do Apagão, Marco Maia (PT-RS), mostra o envelope com as informações das caixas pretas do avião da TAM, retirado do cofre e lacrado - Agência BrasilA Aeronáutica considera duas hipóteses como as mais prováveis para a causa do acidente. Uma, de falha humana, em que o piloto posicionou o manete de forma errada. A segunda, de que o manete estava posicionado corretamente, mas houve falha na leitura do computador, que poderia ter entendido o comando para acelerar e não para desacelerar a aeronave

 

As informações foram divulgadas na quarta-feira, após audiência na CPI do Apagão na Câmara a portas fechadas com o chefe do Cenipa, Jorge Kersul Filho.

Pilotos tentaram e não conseguiram frear o avião

 

Os momentos finais da transcrição da caixa-preta do avião foram lidos pelos deputados da CPI na quarta-feira. Os diálogos mostram que os pilotos tentam frear o avião, mas não conseguem. (Você acha que a CPI fez bem em divulgar a transcrição ao vivo?)

 

As conversas indicam também que os pilotos sabiam que só um dos reversos da aeronave funcionava e que a pista estava escorregadia. ( Leia a íntegra da transcrição em inglês )

 

A transcrição das conversas acrescenta mais uma hipótese à lista de causas do acidente. A 22 segundos da batida, o co-piloto diz: "spoilers, nada". O piloto responde com um "aiiii, olhe isso". Isso pode indicar que os spoilers, extensão das asas que funcionam como freios aerodinâmicos, fixando o avião no solo, não armaram corretamente. Para Gustavo Cunha Mello, especialista que analisou mais de 175 mil acidentes aéreos, e foi ouvido por 'O Globo' em reportagem publicada nesta quinta , a possibilidade de falha mecânica não pode ser descartada.

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