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Temos Aeroporto (Regional da Zona da Mata)!


Carlos Augusto

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Fonte: revista PAUTA ECONÔMICA, edição de outubro de 2007

 

Artigo assinado por Paulo do Carmo Martins

Doutor em Economia Aplicada pela USP/Esalq, Pesquisador da Embrapa Gado de Leite

 

 

No passado, chegar atrasado ou sair antes do término de uma reunião e culpar ida ao dentista, dava charme. Hoje, essas justificativas soam como desculpa esfarrapada. Por que mudou? No passado, dentista era coisa rara e cara, distante da população. Hoje, os serviços são melhores, mais baratos e incorporados ao cotidiano de boa parte da população. Antes, viajar de avião era raro e caro, coisa de elite. Hoje, como o tratamento dentário, viajar de avião está mais acessível. No acidente da Gol, ocorrido no ano passado, tinha passageiro com renda de até mil Reais/mês.

 

O que o usuário deseja de um serviço aéreo é certeza de chegar no horário. Nada mais. Não tem a menor importância se é distante do centro da cidade. Até porque, excetuando-se Congonhas, os aeroportos do mundo são distantes das cidades.

 

Por força da profissão, viajo muito de avião. Mas, para São Paulo, vou de ônibus. Nem penso no aeroporto da Serrinha. Afinal, foram tantos os compromissos que perdi, que aprendi que o Serrinha não cumpre a única exigência de um transporte aéreo: a certeza. Qual a garantia que o Serrinha me dá de eu estar às dez horas da manhã no centro de São Paulo?

 

Você já conhece o nosso Aeroporto de Goianá? Não?!. Suas acomodações são melhores que as dos aeroportos de Uberlândia, Uberaba, Belo Horizonte (Pampulha), Varginha e Governador Valadares. É obra idealizada pelo Presidente Itamar, que demonstra pensar na próxima geração e não na próxima eleição. Mas, o nosso novo está inoperante, ainda, pois estamos com energias dispersas, lutando pelo passado.

 

O Aeroporto de Campinas dista 20 kms do centro. E atende as seguintes cidades, pelo menos: São Carlos (130 km), Piracicaba (100 km), Americana (60 km) e Sorocaba (60 km). Quando morei naquela região, as lideranças destas cidades reivindicaram a reforma do aeroporto de Campinas, para elevar sua classificação. Ninguém ficou lutando por um Serrinha em cada cidade.

 

Não há demérito nenhum para nós o Serrinha estar sendo tecnicamente desclassificado. Também não faz sentido discutir se deveria ter sido construído ou não o aeroporto de Goianá. Ele foi construído. Está lá. E, faz todo sentido lutar para que as obras finais sejam feitas. Faz sentido somar forças e lutar por um acesso mais ágil e com menos curvas. Faz sentido buscar viabilizar o início de seu funcionamento. Serrinha é passado. Goianá é futuro, no presente. E a nova Diretora da ANAC, a Dra. Solange Vieira, pode ser uma grande aliada nesta questão, pois é da região. Foi minha brilhante aluna no curso de economia da UFJF. Seu compromisso é com o futuro, com soluções novas. Não com o passado, com problemas antigos.

 

Goianá é oportunidade, não é ameaça. Não podemos nos enveredar em disputas artificiais entre Juiz de Fora e Goianá. Se não queremos aprender com Campinas, então devemos aprender com Ubá e Rodeiro. Estas cidades alimentavam uma insana disputa, que desapareceu com a criação de um pólo moveleiro que rejuvenesce as duas cidades. Hoje, caminham juntas no sentido da riqueza. Enquanto isso, em Juiz de Fora...

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