Jump to content

Executivos atrasam em Guarulhos e têm paz em Congonhas


C010T3

Recommended Posts

Executivos atrasam em Guarulhos e têm paz em Congonhas

 

Raquel Landim e Sérgio Bueno

17/10/2007

 

Há dez meses, Gilberto Lima vive entre uma conexão e outra nos aeroportos. Com outros sócios, ele montou a Mythus Fragrância, uma empresa de perfumes, e ficou com a incumbência de encontrar e capacitar os distribuidores. Lima já conseguiu 150 parceiros, mas seu dia-a-dia se tornou uma sucessão de esperas. "São no mínimo três ou quatro horas por vôo", diz.

 

 

Ele mora em Porto Alegre e reclama que ao viajar para Minas Gerais, interior de São Paulo, ou para o Centro-Oeste é obrigado a fazer conexões nos aeroportos de Cumbica, em Guarulhos, ou no Galeão, no Rio de Janeiro. "Esses aeroportos estão cheios e os atrasos são freqüentes. O governo resolveu o problema de um aeroporto, mas piorou os outros."

 

 

O executivo se refere à reorganização da malha aérea brasileira que, desde 1º de outubro, proibiu conexões em Congonhas e viagens para destinos distantes mais de mil quilômetros. As mudanças obrigaram as maiores companhias aéreas do país, TAM e Gol, a alterarem uma série de vôos. No caso da Gol, foram 130. A TAM não informa o número. A medida foi uma reação ao acidente com o vôo 3054 da TAM, que resultou na morte de 199 pessoas.

 

 

Executivos ouvidos pelo Valor nos aeroportos e por telefone elogiaram o bom funcionam de Congonhas, mas criticaram a sobrecarrega de Cumbica, Galeão, Confins (Belo Horizonte) e Juscelino Kubitschek (Brasília), que receberam a maior parte das conexões. A situação é pior para os empresários das regiões Sul e Nordeste, que precisam fazer conexões em aeroportos mais movimentados.

 

 

Paulo Corso atendeu a reportagem pelo celular, quando estava a caminho do aeroporto de Porto Alegre. Na ocasião, o destino da viagem era Cumbica, mas o executivo viaja por todo o país. Corso é gerente-comercial da fabricante de ônibus Marcopolo para o mercado brasileiro. "Engessou um pouco a agenda, porque diminuíram as opções de conexão. O mais complicado é viajar para o Nordeste e o Centro-Oeste." Ele já preferia Guarulhos antes da reorganização da malha aérea. "Os horários ficam comprometidos, mas se esse é o preço da segurança, vale a pena."

 

 

Para os empresários do Nordeste, Cumbica se tornou a única opção para chegar a São Paulo, principal destino para os negócios. Fábio Araújo, gerente comercial da Metalic, que fabrica latas de aço para bebidas, tentava embarcar para Fortaleza. "Na ida, surpreendentemente, o vôo chegou na hora. Vamos ver a volta", afirmou. Para o executivo, o pior de utilizar Cumbica são os atrasos e não a distância para o centro de São Paulo.

 

 

Sérgio Baccaro, gerente-comercial da fabricante de calçados West Coast, reclama que a reorganização da malha aérea e os atrasos aumentaram os custos da empresa com viagens. Isso ocorre porque, quando se trata de uma reunião importante, o executivo prefere chegar na véspera e pagar uma diária de hotel. "Tememos que imprevistos como atrasos nas conexões ou cancelamento de vôos prejudiquem os negócios", diz.

 

 

Os executivos que só tomam vôos diretos e conseguem utilizar Congonhas estão satisfeitos com o funcionamento do aeroporto. Quando o Valor visitou Congonhas na terça-feira de manhã da semana passada, o clima era de tranqüilidade, quase sem filas no check-in das companhias e com poucos vôos atrasados.

 

 

"Está muito melhor. No último trimestre, não peguei mais que meia hora de atraso", diz José Geraldo Maciel Junior, diretor-financeiro da empresa de desenvolvimento de software Ipeye. Ele vive em Brasília e viaja constantemente para São Paulo e Rio de Janeiro. "Não faço conexão. Não tenho esse tipo de demanda", diz.

 

 

Wolmar Hoffman, diretor de negócios da Organização Mundial de Negócios da Internet, trabalhava calmamente em seu computador em um dos cafés do aeroporto. "Congonhas ficou muito melhor. Não está mais congestionado e os vôos saem no horário", diz o executivo, que faz a rota Florianopólis-São Paulo.

 

 

Logo após o acidente com o avião da TAM, a gestora de fundos de investimentos CRP Companhia de Participações determinou que seus executivos não utilizassem mais o aeroporto de Congonhas nas viagens para São Paulo. A medida, porém, vigorou poucas semanas devido à distância e ao tempo de deslocamento entre Guarulhos e o centro da cidade, diz o diretor da empresa, Clóvis Meurer. O executivo costuma viajar duas vezes por semana de Porto Alegre a São Paulo e conta que a redução do movimento provocada pelas restrições impostas pela Anac tornou Congonhas mais "confortável" para os passageiros, mas ainda assim os atrasos continuam.

 

 

O fim das conexões em Congonhas alterou a rotina do chefe do escritório da Delegação Comercial Holandesa para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina (ligado ao Ministério da Economia da Holanda), Philippe Schulman. Nas viagens que faz com freqüência ao Rio de Janeiro e Brasília, o executivo passou a utilizar vôos diretos a partir de Porto Alegre, disponíveis em horários mais restritos.

 

 

Nas viagens a São Paulo, Schulman trocou Congonhas por Guarulhos, mas a distância o fez retornar ao antigo terminal. "Não existe infra-estrutura para uma conexão rápida ao centro", explica. Ele também considera urgente melhorar o sistema de informações sobre chegadas e partidas de vôos.

 

Fonte: Valor Econômico

Link to comment
Share on other sites

Archived

This topic is now archived and is closed to further replies.

Guest
This topic is now closed to further replies.
×
×
  • Create New...

Important Information

Saiba os termos, regras e políticas de privacidade