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Adivinhe quem vem para voar

Nova proposta pela Varig passa pelo manche da Continental Airlines

Por Gustavo Gantois

 

O número 223 da rua Fidêncio Ramos foi palco de uma reunião tensa na tarde da quinta-feira 29. No 14º andar do edifício localizado na Vila Olímpia, em São Paulo, a diretoria da Volo do Brasil tentava traçar um plano B para o caso de o juiz Luiz Roberto Ayoub rejeitar a oferta de compra da Varig, feita pelos controladores da sua antiga subsidiária VarigLog. A questão primordial sobre a mesa, no entanto, era outra: como explicar de onde vem tanto dinheiro? Os investidores brasileiros Marcos Haftel, Luis Eduardo Gallo e Marco Audi ouviram atentamente as instruções de Lap Chan, o representante do fundo americano MatlinPatterson que chegou ao Brasil pouco antes do início do encontro. Nos dois dias anteriores ele desdobrou-se entre os escritórios do fundo em Londres e Nova York recebendo as orientações dos controladores do grupo. Era preciso traçar uma estratégia para eliminar quaisquer dúvidas sobre a veracidade da união que desembolsou US$ 48,2 milhões pela VarigLog e prometia outros US$ 485 milhões pela Varig. A reunião teve pouco mais de cinco horas de duração. Mas o resultado não foi esclarecedor. “Já demos todas as explicações pedidas pela Justiça e pela Anac”, decretou Chan. “O dinheiro é da Volo e ponto final“. Por incrível que pareça, essa também é a opinião das autoridades brasileiras que analisam o caso. “O Código de Aeronáutica menciona apenas o controle acionário, e não as ações preferenciais”, disse à DINHEIRO Milton Zuanazzi, presidente da Agência Nacional de Aviação Civil. “Não nos importa de onde vem o dinheiro”. Um olhar mais atento à intrincada engenharia financeira que construiu a Volo do Brasil revela, no entanto, conexões importantes no plano de vôo para aquisição da Varig. Caso ela se concretize, a Continental Airlines, uma das maiores companhias aéreas americanas, pode vir a ter um assento na cabine de comando da empresa brasileira.

 

Na semana passada, DINHEIRO seguiu a rota de formação da Volo do Brasil. A empresa foi aberta em agosto do ano passado com um capital social de apenas R$ 1 mil. Na verdade, apenas R$ 100 constavam integralizados com uma promessa de aporte de R$ 900 em até um ano. Cinco meses depois, no entanto, o capital foi elevado para R$ 32,9 milhões com a entrada da MatlinPetterson no negócio. E foi aí que começou a reestruturação da Volo. Os três sócios brasileiros – Gallo, Audi e Haftel - aplicaram, juntos, R$ 6,6 milhões. Trata-se de cerca de 20% do capital social, mas ainda assim contabilizaram 80% das ações ordinárias. À MatlinPetterson, cujo investimento declarado foi de R$ 26,3 milhões (os outros 80% do capital), couberam 20% das ações de controle, máximo permitido pela legislação brasileira. Consultados por DINHEIRO, especialistas do setor aéreo e financeiro traçaram também a rota dos dólares que vêm abastecendo a Volo do Brasil. Uma das maiores administradoras de private equity do mundo, a MatlinPetterson tem, entre seus financiadores, dois grandes grupos econômicos dos Estados Unidos. Um deles é justamente a Continental Airlines, que faturou mais de US$ 8 bilhões no ano passado. A outra financiadora é a American International Group, a AIG. Trata-se de uma gigante do setor de seguros que controla a International Lease Finance Corporation. Por sinal, é a mesma empresa que arrendou 11 aviões à Varig e cobra uma dívida de US$ 6 milhões. “Como eles não conseguiram os aviões pela Justiça de Nova York, estão criando outra forma de tê-los de volta”, analisa um ex-diretor da Varig. “Para eles, não é nenhum prejuízo. A dívida foi inflada pelos juros e não chega nem perto do retorno que eles terão com a volta das aeronaves”.

 

Além dos US$ 48,2 milhões utilizados na compra da VarigLog, a Volo já fez quatro depósitos na conta da Varig, num total de US$ 5,5 milhões, para garantir a continuidade dos vôos restantes da companhia aérea. E comprometeu-se a injetar outros US$ 14,5 milhões já computados na oferta de US$ 485 milhões. A estratégia é ousada. A Volo pretende utilizar toda a estrutura da Varig para transformá-la numa empresa preferencialmente de logística. É exatamente isso. Entre um mercado de passageiros no qual a companhia já não possui a credibilidade do passado e o outro, de carga, que projeta um crescimento de 30% por ano, a Volo prefere o segundo. Em fevereiro deste ano, em entrevista à DINHEIRO, Lap Chan já insinuava a intenção de transformar as operações da empresa. “Para sanear a VarigLog teremos de usar outras companhias e aumentar a frota”, disse. “Com as estradas e ferrovias abandonadas e sem navegação de cabotagem, o mercado de logística aérea tende a ser o setor mais lucrativo da economia brasileira”. É um sinal para os funcionários da Varig. Caso a venda da empresa para a Volo seja aprovada, a companhia volta a respirar, mas encolhe. Caso contrário, a falência está mais do que decretada.

 

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A noticia confirma e complementa a matéria da Forbes sobre o Matlin. No artigo já é citada a Continental, a AirPartners e a AirCanada e agora com a informação sobre a AIG o panorama fica ainda mais claro. Que a nova Varig vai encolher, vai mesmo, e funcionários e concorrência deve estar bem receosa, e com razão ! Mas e a pergunta que não quer calar : porque nenhum grupo brasileiro consistente se interessou pelo espólio ? Porque sómente um inexperiente grupo de funcionários, trabalhando em causa própria para manter seus empregos, continua fazendo tentativas amadoras, como vimos no frustado leilão ganho pela TGV. Foi também um grupo de funcionários, a FRB, que levou Varig a esta situação, visando sómente seu altos salários e saqueando até seu próprio fundo de aposentadoria. Quem garante que daqui a algum tempo o TGV, se levar a Varig, não vai virar na nova FRB ?

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Estou feliz do jeito que as portas estão se abrindo a Volo Brasil,pois eles me parecem investidores sérios e que podem vir a salvar a Varig.

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