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Sem o antigo glamour, setor busca mais eficiência


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Valor Econômico - 05.07.2006

Sem o antigo glamour, setor busca mais eficiência

De São Paulo

 

Histórias de veteranos da aviação que trabalharam em tempos áureos demonstram que o trabalho no espaço aéreo preserva o seu charme. Mas a tecnologia, a necessidade de redução de custos e o investimento em segurança tornam a atuação profissional de quem trabalha no setor cada vez mais pragmática. "Como o custo tem de ser o menor possível, o processo de redução do glamour é contínuo", observa o professor Richard Lucht. As baixelas e faqueiros de prata servidos na primeira classe, tampouco os meticulosos e sedutores cardápios já não são os chamarizes da clientela. Mas sim a chegada ao destino em menor tempo possível e com segurança. André Castellini, consultor da Bain & Company, que pesquisa o setor, também ressalta o sucesso de companhias aéreas como TAM e Gol e o crescimento do emprego nos últimos anos. Mas pondera. "Ao mesmo tempo em que é preciso mais tripulação, as empresas que estão crescendo têm um perfil mais eficiente, tem menos pessoas por aeronave, e uma cultura moderna."

 

Se os tempos são abertos para profissionais clássicos da aviação como pilotos, comissárias e técnicos de suporte à operação, há executivos do mercado que também têm encontrado desafios nunca imaginados no setor. Na TAM, Roberto Hobeika, que comanda a área de gestão de pessoas, é um veterano de casa e diz que sua maior motivação hoje é que todos os dias são realizadas contratações. A seção de integração dos novatos é feita no estilo que o comandante Rolim gostava, com shows de motivação, semelhantes aos desafios de perguntas de programas de auditório e jogos para estimular a auto-estima profissional.

 

A Ocean Air, integrante do grupo Sinergy Space, trouxe há dois meses um alto executivo da Companhia Vale do Rio Doce para comandar o crescimento da empresa. Trata-se de Carlos Ebner, diretor financeiro da Vale. Mas ele já conhecia o setor, antes tinha sido executivo da Varig por 24 anos. "Entrei lá muito jovem, na época para ganhar uma passagem para Nova York. E fiquei. Fui gerente de aeroportos, de seguros e diretor financeiro", conta. Hoje ele é o número um da Ocean Air e não hesita em deixar claras as metas ousadas da companhia. Este ano a empresa deve triplicar de tamanho. "Estou bastante motivado por estar em uma empresa em rápido crescimento, com bons acionistas e flexibilidade", diz. Para ajuda-lo a comandar a gestão da mudança, ele trouxe cinco executivos do mercado. A equipe comanda com ele as mudanças e o novo plano de carreira da companhia. Além da empresa brasileira, o grupo é dono das companhias aéreas Avianca, na Colômbia, Wayra Air, no Peru, e Vipsa, no Equador. Ebner acredita que o mercado de aviação está crescendo e exigindo gente jovem, mas ainda conta com muitas pessoas numa faixa etária elevada.

 

Entre os mais experientes, há quem esteja voltando ao mercado com funções bem diferentes. William Freitas Jr., onze anos de carreira no mercado de aviação, por exemplo, tornou-se especialista em mecânica de vôo na Força Aérea Brasileira e tem muitas histórias memoráveis na carreira. Fez até vôos cinematográficos, com piruetas para colocar combustível nos caças aéreos. "Para que eles tenham melhor desempenho, é bom abastecê-los em vôo", relembra ele, citando a mágica dos aviões da esquadrilha da fumaça. Quando a FAB comprou o 707, o primeiro jato que ganhou expressão comercial, relembra, o mesmo operado mais tarde pela Transbrasil, ele experimentou o kit presidencial. Nos seis anos de atuação na FAB, fez dois vôos presidenciais, acompanhou José Sarney, em 1989, ao funeral do imperador do Japão Michinomiya Hiroíto , no Japão, em Tóquio, e uma missão a Luanda, em Angola.

 

Trabalhou seis anos na Transbrasil- cuidando de vôos cargueiros. Mas dessa época não tem boas lembranças. "Fui substituído pelo computador. Até o 747-300, era necessário a figura do engenheiro de vôo. Com o advento do 767, veio o computador 'glass cockpit' e perdeu-se uma vaga na cabine".

 

Mais tarde foi para Absa, atuava num DC8, continuação do 707 com tripulante técnico, lá acompanhava os vôos, cuidada dos combustíveis, sistemas elétricos e pneumáticos. Ficou na empresa seis anos. Depois, a tecnologia deixou Freitas fora do mercado. "Nos últimos dois anos, trabalhei numa empresa de computação", conta Freitas, recém contratado pela TAM Táxi Aéreos Marília, do grupo TAM. Lá dará consultoria técnica na manutenção dos aviões. "É muito bom voltar ao mercado."

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