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Forte oscilação de papéis da Varig acende sinal de alerta no mercado


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O Globo - 10.07.2006

Forte oscilação de papéis da Varig acende sinal de alerta no mercado

Patricia Eloy

 

A forte alta das ações da Varig nos últimos dois meses tem chamado a atenção dos investidores e despertado cautela cada vez maior entre os analistas de mercado. No período, os papéis da empresa subiram 141,29% — de R$ 1,55 em fins de maio a R$ 3,74 na última quinta-feira — em função das especulações sobre a venda dos ativos da companhia. O movimento, entretanto, foi recheado de sobressaltos e, por isso, especialistas são categóricos em dizer que o investidor deve se manter longe de ações de empresas como a Varig, que tem dívidas elevadas e/ou cujos negócios estão envoltos em boataria. Entre os setores que inspiram cuidados estão os de telecomunicações e energia.

 

É preciso estômago forte para suportar o sobe-e-desce frenético dos papéis. Na última segunda-feira, as ações da Varig (que valiam R$ 0,58 em abril) dispararam 24,25%, chegando aos R$ 4,97. No dia seguinte, registraram queda de 37,63%, sendo cotadas a R$ 3,10. Movimentos como esse têm feito parte do dia-a-dia dos papéis da empresa nos últimos dois meses, afugentando inclusive gestores de fundos. É o caso de Rogério Poppe, gestor de Renda Variável da Mellon Global Investments Brasil:

 

— Mesmo para um gestor, é muito difícil avaliar a real situação da Varig, pois há reviravoltas diárias no processo de venda. Ações de empresas com dívidas elevadas em relação ao capital total, tendem a ter uma oscilação maior, pois a perda de um único contrato ou a entrada de um novo competidor no mercado mudam totalmente o resultado esperado e podem levar até à concordata. Isso, sem mencionar toda a especulação em torno da venda.

 

Varig: valor de R$ 400 milhões contra dívidas de R$ 8 bilhões

 

Segundo Daniella Marques, gestora de Renda Variável da Mercatto Gestão de Recursos, o valor de mercado da Varig é de cerca de R$ 400 milhões, mas as dívidas da companhia giram atualmente em torno de R$ 8 bilhões.

 

— São esses os números que o investidor tem que ter na cabeça, não a cotação dos papéis ou quanto a ação subiu num único dia. Se a empresa não gera lucro e seu valor de mercado é ínfimo em relação à sua dívida, será que vale a pena investir no papel? E a situação da Varig é tão complexa que mesmo quem tem anos de mercado não se sente confiante para fazer tamanha aposta, que pode dar ainda muita dor-de-cabeça e algum prejuízo — diz a gestora.

 

— É uma loteria, uma roleta, quando o papel cai 20% num dia e sobe 30% no outro. Em casos assim, o investidor deve esperar uma definição dos rumos da companhia — alerta Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora Senior.

 

André Cardoso, gestor de Renda Variável da Cenário Investimentos, diz que, a exemplo do que ocorre com a Varig, o investidor precisa ter cuidado com papéis de baixa liquidez, isto é, facilidade de compra e venda dos ativos:

 

— O pequeno investidor deve analisar se terá liberdade de comprar e vender os papéis. Há casos de ações cujo preço dispara, chamando a atenção do investidor, que compra o papel mas depois não encontra para quem vender. Quem não é especialista não deve se deixar seduzir pelo sobe-e-desce. A cobiça pode resultar em perdas bem significativas.

 

Quando o tema é especulação, Cardoso recomenda cautela com as ações de telecomunicações:

 

— Há uma expectativa de mudança societária, com fusões entre companhias e também muita competição, o que gera uma infinidade de rumores. Mas os papéis estão num patamar baixo de preços e podem valer a pena se a aplicação for a longo prazo.

 

Carlos Carvalho Júnior, sócio da Saga Investimentos, cita os exemplos da Telemar e da Vivo e lembra que, há três meses, boatos de que a Telemar seria vendida para a Portugal Telecom fizeram as ações da companhia saltarem 44,21% em pouco mais de uma semana. Em junho, o papel caiu 18,37% entre os dias 1 e 14:

 

— No caso da Vivo, por exemplo, rumores de fechamento de capital fizeram as ações oscilarem muito nos últimos meses. Quem não tem tempo para acompanhar o papel, não deve se arriscar.

 

Poppe cita ainda as ações da Cesp, empresa com dívidas elevadas, que registraram intenso sobe-e-desce na Bolsa. Em 23 de maio, caíram 7,87%. Dois dias depois, subiram 13,16%. Na última quinta, encerraram o pregão valendo R$ 16,50.

 

Investidor corre o riscode perder o que aplicou

 

— A companhia vale R$ 1,8 bilhão, mas tem dívidas que chegam a R$ 8,8 bilhões. O governo de São Paulo vem tentando sanear as finanças da empresa, mas enquanto isso não ocorre o papel fica ao sabor de boatos. Num ambiente incerto, o investidor corre o risco de entrar no mercado na hora errada e ver seu dinheiro virar pó da noite para o dia. No caso de companhias endividadas, o problema é ainda maior, pois elas nem pagam dividendos — alerta Poppe.

 

A gestora da Mercatto conta que tem investidor que telefona para ela, querendo saber se vale a pena investir nesta ou naquela ação que disparou, fruto de especulações:

 

— Minha resposta é: pode até valer, mas você também pode perder tudo.

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