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Uma década de redução nas operações


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O Globo - 21.07.2006

Uma década de redução nas operações

Mercado espera que Varig volte a ser forte, sobretudo na área internacional

Maria Fernanda Delmas e Ramona Ordoñez

 

Vendida a Varig, o mercado agora espera que a nova dona consiga fazer a companhia assumir a velha forma. Há pelo menos uma década a Varig vem encolhendo, e hoje nem chega perto do gigante da aviação brasileira que foi. Segundo dados compilados pelo economista Paulo Bittencourt Sampaio, consultor do setor aeronáutico, a empresa, que hoje voa com 14 aviões, chegou a ter 106 aeronaves em 1993. Há 13 anos, a Varig abocanhava 53,7% do mercado doméstico e em junho tinha apenas 10,5%. Mas Sampaio estima que este mês a fatia seja de minguados 4,9%.

 

O ano de 1993 foi escolhido como base de comparação porque, segundo o consultor, foi o ápice das operações da Varig. Ele explica que em março de 1994 a companhia teve sua primeira crise financeira forte:

 

— Como a lei não permitia que empresas aéreas entrassem em concordata, a Varig fez uma espécie de concordata branca, e começaram os cortes de custos.

 

O número de empregados, que beirava os 27 mil no início da década de 90, hoje não passa de 10 mil. Há um ano a crise é aguda, mas, segundo especialistas, a derrocada começou mesmo nos anos 90, quando houve a abertura de mercado. Em 1994, início do Plano Real, a Varig também foi atingida pela crise do petróleo.

 

Empresa é importante para equilíbrio de tarifas

 

Representantes dos agentes de viagens e de turismo no país ficaram satisfeitos com o resultado do leilão de ontem. Executivos do setor acreditam que em um ano, com uma administração séria e competente, a Varig poderá voltar a ser uma companhia de grande porte tanto no mercado doméstico como no internacional.

 

O presidente da Associação Brasileira de Operadoras de Turismo (Braztoa), José Zuquim, disse que é muito importante, principalmente nos vôos internacionais, o país ter uma companhia aérea forte, para ter condições de competir e equilibrar as tarifas cobradas pelas grandes empresas estrangeiras:

 

— É importante ter uma companhia brasileira, para evitar que as estrangeiras cobrem os preços que quiserem. Com uma companhia aérea brasileira, as estrangeiras são obrigadas a respeitar as leis do país.

 

Nas rotas entre Brasil e Ásia, que não explora mais, a Varig chegou a ter 70,1%, em 1993. De 1993 até hoje, a participação da companhia também encolheu nas rotas entre Brasil e EUA (de 36,1% para 4,5%) e nos vôos para a Europa (de 47,3% para 13,5%).

 

Sampaio concorda que o leilão terá sido positivo se a nova Varig conseguir recuperar a estrutura do grupo, sobretudo na área internacional. Com passageiros migrando para as empresas estrangeiras, o consultor lembra que a crise da Varig vai se refletir este ano no balanço de serviços do país. Também vai atrapalhar o comércio internacional, pois há exportadores que dependem da Varig.

 

A nova Varig, de acordo com Sampaio, precisa ter mais de 13 aviões. Até porque a VarigLog, que é uma empresa de cargas, usa as “barrigas” dos aviões da Varig para transportar as encomendas.

 

O presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav), Leonel Rossi Junior, também acredita que em um ano a Varig voltará a ser uma grande companhia. Segundo ele, mesmo para o mercado nacional é importante a Varig ter uma atuação forte: o Brasil tem uma extensão territorial muito grande, difícil de ser plenamente coberta apenas por companhias de menor porte, apesar de estarem ganhando mercado, como TAM e Gol.

 

— O importante é que a Varig não morreu. O início vai ser difícil, vai demorar mais de um ano para voltar a ser apenas a sombra do que era. Acredito que, com uma boa administração, dentro de um ano já estará com 50 aviões e em mais dois anos, com 80 — disse Leonel.

 

Segundo o executivo da Abav, a médio prazo a nova Varig voltará a ocupar seu espaço nos vôos internacionais e a competir com as grandes companhias estrangeiras. Ele lembrou que há alguns anos a Varig detinha 60% dos vôos internacionais e as outras companhias, os 40% restantes. Para Leonel, o Brasil precisa de uma companhia aérea forte no mercado internacional para atrair turistas do exterior.

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