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EUA tentam evitar apagão aéreo previsto para 2017


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Sábado, 11 de outubro de 2008, 11h17 Atualizada às 10h53

EUA tentam evitar apagão aéreo previsto para 2017

 

Matthew L. Wald

 

A torre de controle de tráfego aéreo no Academy Airport de Oklahoma City oferece visão panorâmica das pistas, do terminal, das três birutas e, à distância, dos contornos dos edifícios mais altos da cidade. Mas nada disso é real.

 

E ainda bem, porque de vez em quando um controlador em treinamento na torre virtual da Academia da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos comete um erro e aviões colidem. Irrompem em uma bola de fogo que queima por diversos minutos, até que chegue o momento de uma nova simulação.

 

"Meus alunos jamais terão oportunidade melhor de fazer com que dois aviões voem muito perto do que aqui", diz Terry Harrington, professor de técnicas de controle por radar.

 

Na classe de Harrington, os alunos praticam com aviões simulados em espaço aéreo real, cerca de 25 mil quilômetros quadrados de céu sobre o Mississipi e a Louisiana.

 

Os sofisticados videogames têm por objetivo enfrentar um sério problema no mundo real. Cerca de dois terços dos 15 mil controladores de tráfego aéreo da agência terão se aposentado em 2017, por terem atingido a idade de aposentadoria compulsória de 56 anos.

 

Isso não é coincidência. Milhares de controladores foram contratados no começo dos anos 80, depois que seus predecessores entraram em greve e foram demitidos pelo presidente Ronald Reagan.

 

O resultado foi uma oscilação demográfica que por anos evitou que a Administração Federal da Aviação (FAA) tivesse de se preocupar muito com contratações e treinamento - apenas algumas centenas de controladores ao ano, ao longo da última década. Em determinado período recente de 12 meses, apenas 13 novos controladores foram contratados.

 

Como resultado, a agência agora precisa contratar e treinar cerca de 1,7 mil controladores ao ano, pelos próximos 10, uma tarefa que o Serviço de Responsabilidade Profissional do Governo definiu como sério desafio.

 

Os especialistas dizem que ter proporção elevada de profissionais em treinamento ou inexperientes nas torres e salas de radar por reduzir a segurança. Para enfrentar o desafio, a FAA está recorrendo a simuladores eletrônicos de torres, descritos por um instrutor como um "grande Xbox".

 

Funcionários dizem que esperam que o uso dos simuladores reduza o tempo de treinamento em entre 20% e 60%. O treinamento custa em média US$ 74 mil por controlador, mas isso varia consideravelmente, com custos mais altos para os aeroportos mais complexos e movimentados.

 

A agência usa simuladores no treinamento de radar há anos, mas recentemente começou a instalar simuladores para torres de controle. O Aeroporto Internacional O'Hare, em Chicago, tem um deles, e haverá outros espalhados pelo país.

 

Na academia, seis simuladores operam cerca de 18 horas por dia, mas a FAA continua também a utilizar seu método anterior de treinamento, concebido em torno de uma maquete de um aeroporto montada no meio de uma sala de aula.

 

Os alunos simulam vôos carregando aeromodelos em torno da sala e obedecendo às instruções de um controlador. Há marcas no chão que indicam a direção em milhas até a cabeceira da pista.

 

Os estudantes se adaptam rapidamente ao treinamento computadorizado. Byron Hull, que administra o treinamento para os Centros de Controle de Tráfego de Rotas Aéreas, se refere ao conhecimento de computação dos novos recrutas como "alavancologia", um neologismo que descreve a capacidade de um estudante para relacionar os controles de um instrumento à sua função.

 

No futuro, prevêem os especialistas, os controladores de vôo empregarão mais ferramentas computadorizadas, que permitirão que tomem conta de mais vôos por turno.

 

A simulação da torre é realista. Os aviões aparecem primeiro como pontinhos minúsculos contra o azul do céu, contra nuvens ou contra as estrelas. No solo, motoristas de caminhões manutenção pedem permissão para atravessar uma pista de pouso para que possam consertar um painel luminoso.

 

O instrutor, com um clique, pode mudar o clima e a hora do dia - de chuva a granizo, de nublado a claro. Para tornar as simulações tão imprevisíveis quanto o mundo real, certos pilotos ignoram as instruções.

 

Ainda assim os simuladores têm seus pontos fracos, diz Craig Carlson, co-diretor do Programa de Controle de Tráfego Aéreo da Universidade de Dakota do Norte.

 

Os estudantes "sabem que não é verdade", diz Carlson, e quando começam sua aprendizagem depois de semanas de trabalho em simuladores precisam mudar de atitude porque "de alguma forma perderam a sensibilidade para com o fato de que estão lidando com tráfego real".

 

O treinamento na academia requer muita mão-de-obra. Há mais instrutores do que alunos, e eles se encarregam de ensiná-los a pensar sobre como resolver problemas tridimensionais e a usar respostas curtas para acelerar a comunicação, como "segure antes", para dizer a um piloto que espere antes de atravessar uma pista, por exemplo.

 

"É como aprender um idioma completamente novo", disse Marisella Powell, 23 anos, que está treinando para ser controladora de torre depois de quatro anos como controladora de vôo na força aérea.

 

A terminologia e os procedimentos adotados na agência de aeronáutica civil diferem dos usados pelas forças armadas. O computador que aciona o simulador de Powell conta com um sistema de reconhecimento de voz mas só responde a frases que constem dos manuais.

 

"Assim que você aprende, o processo se automatiza", disse Powell. "Você começa a repetir essas frases em casa, a se comunicar com os seus filhos usando o vocabulário do curso. Já me peguei diversas vezes dizendo 'repita'".

 

Os estudantes recebem um salário anual de US$ 19 mil e mais uma diária de US$ 79,20, no tempo em que freqüentam a academia, que inclui 65 dias de instrução em sala de aula.

 

Como aprendizes em torres de controle ou salas de radar, depois da conclusão, o salário deles sobe para US$ 30 mil ou mais ao ano, a depender da localização, até que se qualifiquem plenamente. Com o tempo, podem atingir salário de mais de US$ 100 mil ao ano.

 

O processo de seleção de candidatos também passou a ser conduzido de maneira tecnológica. Nos anos 90, a FAA desenvolveu um teste computadorizado de aptidão de seis horas de duração, que ela refina ocasionalmente.

 

Os recrutas precisam responder a perguntas sobre geometria e resolver problemas matemáticos de cabeça - por exemplo, se um avião viaja determinado número de quilômetros em 90 minutos, qual é sua velocidade de solo em quilômetros por hora?

 

Depois há testes semelhantes a jogos, projetados por psicólogos. Em um deles, que se parece um pouco com jogos de computador como Tetris ou Frogger, esteiras rolantes se movem em velocidade diferente e lançam letras para o fundo da tela.

 

O participante do teste precisa tentar apanhar cada letra antes que ela caia, e colocá-la em um recipiente da cor determinada. Depois, ele precisa posicionar os recipientes de forma correta e, quando o estoque se reduz, solicitar recipientes adicionais.

 

A parte difícil surge quando a tela desaparece e o computador pergunta quantos recipientes estão em uso, até que ponto estão cheios, que letras estão avançando pelas esteiras rolantes.

 

Um bom resultado nesse teste supostamente revela as qualidades necessárias a um controlador de tráfego aéreo, entre as quais a trabalhar sob pressão e manter "consciência de situação".

 

Outro dos jogos simula tráfego aéreo real. Uma tela mostra uma caixa que contém dois aeroportos, cada qual com uma única pista, usável em apenas uma direção. A caixa também tem quatro saídas. Aviões aparecem aleatoriamente, cada qual dirigido a um aeroporto ou saída.

 

O controlador precisa designar uma velocidade, altitude e curso para cada avião. Os aviões só podem sair em altitude elevada, e pousar em baixa altitude e baixa velocidade.

 

Quando o jogo termina, o computador calcula quanto tempo os aviões estiveram em vôo, comparado a um mínimo teórico, quantos deles saíram pelo portal correto, quantos deles colidiram com as muralhas nos limites da caixa e quantos foram instruídos a voar perto demais de outros aviões.

 

O teste serve para medir a memória de curto e longo prazo, a capacidade de realizar múltiplas tarefas, a flexibilidade, a tolerância a interrupções e a compostura.

 

Os estudantes também passam por um teste que se parece com uma versão hiperativa do Pac-Man, para jogar nas horas vagas. A idéia é manter seus reflexos aguçados e aperfeiçoar sua capacidade de observar diversos alvos ao mesmo tempo.

 

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

 

The New York Times

fonte> http://noticias.terra.com.br/mundo/interna...visto+para.html

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A diferença é que la eles pensam em um problema que vai estourar daqui a 8 anos...

Enquanto no Brasil, eles pensam em um problema que estourou há 8 anos.....

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