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Aposta errada em câmbio faz Embraer ter prejuízo no 3º trimestre


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da Folha Online

A Embraer anunciou na noite de ontem que teve prejuízo de R$ 48,4 milhões no terceiro trimestre de 2008, contra lucro de R$ 306 milhões no mesmo período do ano passado e de R$ 176,3 milhões no segundo trimestre.

As perdas com variações cambiais foram determinantes para o resultado. Segundo a empresa, essa perda foi de R$ 366,8 milhões, sendo que R$ 177,8 milhões são resultado de apostas erradas em derivativos cambiais. Se a empresa não tivesse feito essas apostas, o resultado final do trimestre teria sido positivo

Como 97% da produção da Embraer é exportada, o dólar baixo de até meados de setembro também causou impacto negativo na receita líquida da empresa. No terceiro trimestre atingiu R$ 2,638 bilhões, ou 3,3% menor do que no mesmo período do ano passado (R$ 2,729 bilhões).

Apesar das perdas com os derivativos cambiais, a Embraer garantiu que não agiu como especuladora no mercado. "Tais operações têm o propósito exclusivo de proteção dos riscos patrimoniais e de fluxo de caixa identificados, não tendo nenhuma característica de alavancagem ou especulação", disse a Embraer em comunicado.

Nos dois primeiros trimestres do ano, a empresa obteve ganhos de R$ 107 milhões com essas operações cambiais. Até o momento, mais três empresas admitiram perdas significativas com derivativos cambiais: Sadia (R$ 760 milhões), Aracruz (R$ 1,95 bilhão) e Votorantim (R$ 2,2 bilhões).

O Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 356,3 milhões no trimestre, com queda de 17,7% sobre o mesmo período do ano passado.

A Embraer entregou 48 aeronaves no período, uma a mais do que entre julho e setembro de 2007. "A Embraer reafirma sua estimativa de entregar entre 195 e 200 jatos em 2008, com tendência para o limite superior, além de dez a 15 jatos Phenom 100. A carteira de pedidos firmes da Embraer em 30 de setembro de 2008 alcançou a marca recorde de US$ 21,6 bilhões, incluindo vendas para o mercado de Aviação Executiva, que possui um backlog atual de cerca de US$ 7,0 bilhões", informou a empresa.

Entenda

As operações mencionadas são escoradas em papéis classificados como derivativos cambiais, em contratos com vencimentos futuros. Apesar do vencimento ocorrer de um a dois anos, em média, o preço do dólar do contrato é fixado no momento da assinatura.

Assim, se o dólar cai, os bancos cobrem o prejuízo e as empresas lucram, mas se a cotação sobe, ganham os bancos. Só que a disparada da moeda americana é tão forte no último mês, que teme-se que as empresas não tenham dinheiro para quitar suas dívidas.

Por enquanto, Sadia, Aracruz e Votorantim anunciaram perdas na casa dos R$ 5 bilhões com as chamadas operações de "hedge" (proteção) cambial. O governo, porém, já estimou em torno de 200 as empresas que podem estar expostas a este tipo de ativo.

 

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