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TAM reduzirá custos para economizar até R$ 400 milhões no próximo ano


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TAM reduzirá custos para economizar até R$ 400 milhões no próximo ano

 

Roberta Campassi, de São Paulo

11/11/2008

Valor

 

Sem saber o cenário econômico que 2009 reserva, a TAM optou por voar mais baixo. A companhia aérea vai usar seus aviões por menos horas, postergar investimentos e cortar custos. O principal objetivo no ano será preservar o caixa e a liqüidez.

Davilym Dourado / Valor

Barroso, vice-presidente: "De gastos com táxi a projetos de tecnologia da informação, tudo está sendo revisto"

 

A TAM pretende reduzir todos os custos que não têm relação direta com a operação da empresa, de forma a economizar entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões em 2009. "De gastos com táxi e celular a projetos de tecnologia da informação (TI), tudo está sendo revisto com austeridade", disse o vice-presidente de finanças e relações com investidores da empresa, Líbano Barroso, durante evento para investidores, ontem. Sobre a redução de custos operacionais, a TAM disse que ainda não conseguiu fazer uma estimativa segura devido à forte volatilidade do dólar e do petróleo, dois itens que pesam bastante sobre os resultados.

 

A empresa pretende manter o plano de frota e deve passar de 125 aviões em 2008 para 130 no ano que vem. Mas, diante da desaceleração da demanda por viagens aéreas, a TAM deverá voar menos horas com cada avião e, portanto, seus custos serão menos diluídos. Daí a necessidade de apertar o cinto onde for possível. "Tomamos a decisão corajosa de manter o tamanho da empresa mesmo num ano difícil, porque quando o mercado se recuperar queremos estar bem posicionados", disse Barroso.

 

A TAM estima que a demanda por viagens crescerá entre 5% e 9% em 2009 - neste ano, o crescimento entre janeiro e setembro foi de 10,2%. Do lado da oferta, a companhia vai ampliar a capacidade doméstica em 8% e a internacional, em 20%.

 

Caso 2009 seja mais negro do que o previsto e a demanda se retraia ainda mais, a TAM pode vir a negociar a redução da frota e, em última instância, deixar aviões no chão e cortar pessoal. "Mas não acreditamos que isso será necessário", disse Barroso.

 

A companhia aérea acredita que a concorrência será "racional" no que diz respeito aos preços das passagens. Barroso disse não esperar, por exemplo, que a novata Azul Linhas Aéreas, que pretende iniciar vôos em dezembro, faça guerra tarifária. Mas aproveitou para deixar seu recado. "Não temos nenhuma munição de caixa reservada para brigar nem pretendemos queimar caixa. Mas as concorrentes precisam saber que estamos preparados." A TAM fechou o terceiro trimestre com caixa de R$ 2,1 bilhões. Tem dívidas de R$ 836 milhões no curto prazo e de R$ 1,75 bilhão no longo prazo.

 

A TAM estima que conseguirá manter o "yield" de 2009, indicador que mostra quanto cada passageiro paga por cada quilômetro que voa, no mesmo patamar deste ano, em termos nominais.

 

A empresa divulgou ontem seus resultados do terceiro trimestre. A TAM teve prejuízo líquido de R$ 112,7 milhões, contra lucro de R$ 48,5 milhões no mesmo período de 2007. A linha final do balanço foi afetada, principalmente, por uma perda financeira de R$ 301,5 milhões, sendo que R$ 268,3 milhões desse total referem-se a perdas com hedge (proteção) de combustível. Esse prejuízo, porém, só sairá do caixa da empresa a partir do quarto trimestre e ao longo de 2009. A TAM havia protegido 50% do seu consumo de combustível a US$ 110 o barril de petróleo, mas a cotação do insumo no trimestre fechou a US$ 104.

 

Se considerada apenas a diferença entre as vendas e custos de operação, a TAM teve lucro bruto de R$ 164 milhões, quase o triplo do alcançado no mesmo trimestre de 2007.

 

As vendas líquidas subiram 40,5%, para R$ 2,89 bilhões, ajudadas pelo aumento da demanda e também pela elevação dos preços das passagens. Nos vôos domésticos, o "yield" subiu 18% de um ano para o outro, para R$ 0,28. A Gol, que divulga resultados na sexta-feira mas já comunicou projeções, também reajustou tarifas no terceiro trimestre, em cerca de 40%. Nos vôos internacionais da TAM, o yield cresceu 5,1%, para R$ 0,18.

 

Em relação aos custos de operação, a alta foi de 36%, para R$ 2,73 bilhões. O principal item desse aumento foi, sem surpresas, o combustível, cujo custo subiu 68% para R$ 1,1 bilhão. Gastos com pessoal e seguros também subiram de forma significativa - 36% e 41%, respectivamente.

 

Pelas regras da contabilidade dos Estados Unidos (US Gaap), o prejuízo da TAM no terceiro trimestre foi de R$ 475 milhões, contra lucro de R$ 143 milhões no ano anterior. Pelo modelo americano, a companhia registra em seu balanço patrimonial cerca de 52 aeronaves adquiridas via leasing financeiro cujos pagamentos são feitos em dólar. Assim, a empresa fica com ativos em reais e dívidas em dólar. Como a moeda americana se valorizou no trimestre, a diferença entre ativos e passivos foi negativa em R$ 535 milhões e prejudicou o resultado final.

 

A TAM informou que, a partir do quarto trimestre, já pretende divulgar seus balanços em IFRS - pela legislação, a adoção das regras internacionais de contabilidade é obrigatória a partir do balanço anual de 2008. "Até agora, entendemos que os resultados em IFRS serão bastante próximos daqueles em US Gaap", disse Barroso. A principal mudança para companhias aéreas será, justamente, a necessidade de registrar as aeronaves adquiridas via leasing financeiro nos balanços, o que deve aumentar a exposição à volatilidade cambial.

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