Jump to content

Neeleman: Rio vai perder R$ 1,4 bilhão por ano sem a Azul


C010T3

Recommended Posts

'Teremos tarifas equivalentes às dos ônibus'

 

Dono da Azul promete passagens até 75% mais baratas e avisa: Rio vai perder R$ 1,4 bilhão por ano

ENTREVISTA

David Neeleman

 

SÃO PAULO. O empresário brasileiro radicado nos Estados Unidos David Neeleman despacha em Alphaville, São Paulo, numa sala com mesa, cadeira e telefone. Depois de almoçar com seus funcionários no refeitório, recebeu O GLOBO e prometeu, cheio de sotaque: a nova companhia aérea Azul vai ganhar os céus do Brasil em 15 de dezembro, com tarifas até 75% menores e “equivalentes às cobradas pelos ônibus”. No lugar da barrinha de cereal, um self-service, e, por R$ 20, espaço extra para os altões. Neeleman não perde o bom humor nem ao lamentar o lobby do governador Sérgio Cabral pelo Galeão, que impediu a abertura do Santos Dumont. Ele diz que a ida da Azul para Campinas custará ao Estado do Rio R$ 1,4 bilhão por ano. O empresário diz que não quer brigar com Cabral. Mas alfineta: “Tenho mais experiência em aviação que ele. Ter um aeroporto central como o Santos Dumont é uma grande bênção e ele não precisa ficar fechado porque isso atrapalha os passageiros que você pode ter na sua cidade”.

Geralda Doca

Enviada especial

 

O GLOBO: Quando a Azul começará a voar?

DAVID NEELEMAN: Dia 15 de dezembro. Faremos CampinasSalvador e Campinas-Curitiba. Em janeiro, entram mais duas rotas: Campinas-Vitória e CampinasPorto Alegre. As pessoas também poderão voar de Porto Alegre para Salvador com uma pequena escala. Como serão muitas freqüências, teremos cinco aviões. Começaremos de uma base única e depois expandiremos para ligar algumas pontas.

Eu queria que esses aviões saíssem do Santos Dumont...

 

A Azul conseguirá se manter como empresa de baixo custo? Como ficará o preço das passagens?

NEELEMAN: As tarifas aéreas aqui são muito parecidas com a maneira como os ônibus cobram — viajar hoje ou daqui a seis meses tem o mesmo preço. Acreditamos que, para crescer no mercado, é preciso fazer uma segmentação dos passageiros.

vamos ter tarifas de R$ 800? Claro, mas haverá também tarifas equivalentes às cobradas pelos ônibus, se a compra for planejada. Se você quer ir amanhã, não vai conseguir.

Com antecedência, pode ser 25% do valor mais alto naquele trecho; se não planejar, poderá pagar até quatro vezes mais.

 

O mercado é dominado por duas empresas. Como ganhar espaço?

NEELEMAN: Não queremos roubar os clientes das outras. Temos de ter mais pessoas viajando e, para isso, temos de baixar preço, claro. Em algumas situações, o preço pode chegar a 35% do cobrado pela concorrência. Em outras, eles já têm tarifa baixa.

 

Apesar do discurso favorável, há quem diga no governo que não há espaço para três empresas no mercado. A Azul pode ser engolida?

NEELEMAN: Concordo que não precisamos de mais uma companhia no Brasil para ter uma malha igual à de Gol e TAM, que fazem quase os mesmos trechos. Podemos ser diferentes com os aviões da Embraer, porque os custos são menores.

para ir de Salvador a Manaus, hoje é preciso ir para Brasília ou São Paulo. Quando estivermos lá, será possível ir direto.

 

Vocês também vão servir barra de cereal?

NEELEMAN: Teremos uma cesta, com batata frita, doces, lanchinho, sanduíche, bolacha, e o passageiro poderá pegar o que quiser. O refrigerante vai ser de lata. A garrafa é mais barata, mas estamos negociando com Coca-Cola e Pepsi um preço melhor.

Você mesmo se serve, não vai ter carrinho no corredor.

 

E programa de milhagens?

NEELEMAN: Vamos ter. E já no primeiro dia os passageiros poderão usar o check-in eletrônico.

 

Que outro diferencial a empresa vai oferecer?

NEELEMAN: Nos dois aviões (Embraer), 190 (de 106 lugares) e 195 (188 lugares), teremos 18 assentos com mais três polegadas (de espaço, para acomodar pessoas altas). Se pagar um pouco mais, vai ser bem barato, R$ 20, pode sentar lá. Estamos chamando isso de “classe Jobim” (risos — referência ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que tem mais de 1,90m e reclamou do aperto em aviões). Os outros assentos terão mais duas polegadas do que na Gol e TAM

 

Houve um grande revés às vésperas da estréia: o Santos Dumont não foi aberto a novos vôos, como constava dos planos da Azul, a pedido do governador Sérgio Cabral. A base da companhia saiu do Rio e foi para Campinas. O que houve?

NEELEMAN: Estamos aqui porque o ministro Jobim disse que precisávamos de uma terceira empresa de aviação no Brasil.

 

Sabíamos que seríamos bemvindos e que a entrada era necessária, pois os 92% que Gol e TAM têm (do mercado) não é algo bom para os viajantes, para o país, para cidades que não têm serviço. A primeira vez que falei com a doutora Solange (Vieira, presidente da Agência Nacional de Aviação Civil), ela disse: “Estamos abrindo os aeroportos (Santos Dumont e Pampulha) não por causa de vocês, mas porque tem uma lei. Vamos dar a autorização e você vai poder pedir os lugares como os outros”.

 

Então, voltamos para nossos investidores, pegamos mais dinheiro (até US$ 200 milhões), compramos mais aviões, porque acreditamos que há uma grande oportunidade aqui.

 

Por que o Santos Dumont é importante?

NEELEMAN: A oportunidade é única, e a abertura desse aeroporto vai ajudar o Rio. Se você mora em qualquer lugar do Brasil e quer fazer negócios no Rio, é bem difícil. Faltam muitas ligações diretas, praticamente só a ponte aérea, que é a quarta rota mais viajada do mundo porque tem serviço entre os dois aeroportos centrais (Congonhas e Santos Dumont).

 

Se forçarmos os passageiros a irem para Galeão e Guarulhos, você acha que haveria seis mil pessoas viajando todos os dias? De jeito nenhum. O que estão fazendo é impedir o resto do Brasil de usar o Santos Dumont, mas deixando São Paulo usar seu aeroporto. Explicamos isso ao governador Sérgio Cabral.

 

E o que ele respondeu?

NEELEMAN: Que a abertura vai reduzir o valor do Galeão, que será privatizado. Mas esse dinheiro vai para a União, nada para o estado. Acho que alguém das outras empresas falou para ele que iriam esvaziar o aeroporto.

 

Não é verdade. Mas se eu fosse eles, eu diria a mesma coisa, quem quer concorrência? Ninguém. Pampulha tem o mesmo problema do Santos Dumont, e o governador de Minas (Aécio Neves) também não quer.

 

Hoje há 700 pessoas que voam todos os dias do Galeão para Confins. Acreditamos que se tivesse vôo entre Pampulha-Santos Dumont, seriam duas mil.

 

Quais são os planos da Azul para o Rio?

NEELEMAN: A partir do Santos Dumont, é voar sem escala para 22 cidades, como Navegantes, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Florianópolis, Uberlândia, Gramado, Salvador, Curitiba, Vitória, Porto Alegre, Natal. Acreditamos que podemos desenvolver mercado no Rio. Mas o governador só pensa em Copa do Mundo, Olimpíadas... Para ele é importante ter um aeroporto bonito, de primeira categoria.

 

Mas isso vai levar tempo. Agora, ele tem o Santos Dumont, que tem muito espaço vazio.

 

O que o Rio perde com a ida da Azul para Campinas?

NEELEMAN: Perderá R$ 1,4 bilhão em benefícios econômicos que poderíamos gerar em um ano (com 90 vôos diários) e nove milhões de passageiros. Entram na conta gastos com hotéis, restaurantes, salários com novos empregos (R$ 100 milhões), ganhos com serviço de manutenção de aeronaves e R$ 15 milhões de impostos sobre combustíveis.

 

A volta da empresa ao Rio está descartada?

NEELEMAN: Não. Fomos para Campinas porque o aeroporto que queremos está fechado.

No nosso modelo de negócios, com aviões menores, não somos competitivos no Galeão.

Temos 900 empregados, temos aviões, temos tudo para começar a voar. Se o Santos Dumont abrir, teremos aviões lá.

 

A crise financeira pode afetar as operações da Azul?

NEELEMAN: O mercado brasileiro tem um nível de serviço muito baixo e deveria ter três vezes mais viajantes. Se esse mercado cresce 5%, 8% em vez de 15%, não importa, pois nossa proposta é desenvolver mercados. Claro que há o impacto da crise, principalmente no crédito, pois temos de financiar nossos aviões. Mas há tempo para isso. Estamos trabalhando com Embraer, BNDES e Banco do Brasil, e lá fora, para passar por esse tempo difícil.

 

Há dois anos, o país viveu um apagão aéreo sem precedentes.

Teme nova crise?

NEELEMAN: A situação hoje é melhor. Acreditamos que a Aeronáutica está fazendo as coisas certas, treinando mais pessoas, visitando outros países para conhecer novas tecnologias. E não vamos voar para as áreas que têm mais problemas, como Guarulhos e Congonhas.

Fonte: O Globo de 23/11/2008

Link to comment
Share on other sites

  • Replies 155
  • Created
  • Last Reply
O pessoal têm jogado pedra, mas eu continuo achando que o Neelman sabe do que fala cada vez que leio uma de suas entrevistas.

 

Ah é? Você acredita no milagre da multiplicação de passageiros?

Link to comment
Share on other sites

Esse Neeleman conversa pra danar. Ele está gostando muito de citar números e fazer projeções mas explicar como ele chegou nas conclusões até agora não vi. Dizer que um aeroporto central pode dobrar um mercado é bom pra fazer lobby mas eu gostaria de saber aonde, na visão dele, está esse mercado hoje (mas logo aparece um pra dizer que está indo de carro, canoa, cavalo, etc). Quando a Gol chegou foi a mesma novela, trazer público de não sei da onde, gente que tem medo de voar, que visita parente de ônibus, isso e aquilo mas hoje está com tarifas semelhantes as da concorrente em boa parte das faixas e independente de antecedência. Esses planos funcionam bem no papel e é óbvio, e a Azul está careca de saber, que se ela colocar um vôo com preço de ônibus a TAM e a Gol vão lá e colocam dois vôos na tarifa duende, digo, promo. É a mesma novela sempre. Se abrir SDU o cara lança meia dúzia de vôos pra UDI, NVT, Gramado (????) e alguns anos depois anuncia que está adequando a malha a nova realidade, cancela tudo e usa os slots pra fazer SDU-BSB/CGH/PLU/CWB e fim de papo.

 

Abraço

Link to comment
Share on other sites

Ah é? Você acredita no milagre da multiplicação de passageiros?

 

Eu acho que existe uma boa dose de ironia, de marketing, de lobby, etc, no meio das frases dele... É óbvio que tem coisa que ele fala para provocar, agora, noves fora, ele sabe do que tá falando. O que não dá é para interpretar o que ele fala ao pé da letra.

 

Por exemplo, a questão da "Classe Jobim" que no outro tópico deu o que falar, depois dessa entrevista parece mais uma coisa irônica, e nem sequer fica claro se vai ser realmente esse o nome oficial, ou se é só um codinome irônico por enquanto, como ele mesmo diz, "estamos chamando de ...", e não, "vai se chamar ...".

 

Acredito que muitas das críticas à Azul atualmente são fruto de má interpretação de quem escuta e/ou de um certo descontentamento por motivos mais ou menos pessoais. Por exemplo, é relativamente fácil alguém que gostaria que o Galeão fosse usado ao invés do SDU, ficar com um pé atrás com a empresa pq ela não quer fazê-lo e, por causa desse pé atrás, não conseguir reconhecer as coisas boas que a empresa está fazendo. Da mesma maneira um paulistano pode se sentir um pouco "ultrajado" porque a tão falada empresa nova não vai operar na tão falada maior cidade do país. E depois? Pedra, pedra, pedra...

 

Eu continuo achando que o cara não brinca em serviço, até pq a história dele não mente. É sim um empresário querendo lucro, e pronto, mas eu acho que uma empresa a mais, querendo lucro, querendo espaço, é bom pra todos... por isso continuo torcendo e, independentemente da torcida, acreditando que tem tudo pra dar certo sim.

Link to comment
Share on other sites

Por exemplo, é relativamente fácil alguém que gostaria que o Galeão fosse usado ao invés do SDU, ficar com um pé atrás com a empresa pq ela não quer fazê-lo e, por causa desse pé atrás, não conseguir reconhecer as coisas boas que a empresa está fazendo.

 

Acho que é relativamente fácil esquecer os argumentos dados pelos defensores do GIG e falar que dizemos porque gostamos. Mais uma vez, o SDU não é mais o mesmo de antigamente, não é aquele que teve seus voos transferidos. É um aeroporto que tem capacidade absorver pelo menos metade da demanda O&D doméstica do GIG. Isso sem contar os reflexos em GRU e CNF.

O Neeleman quer o SDU, porque é perfeito para roubar passageiros. No SDU, ele viraria n° 1 do mercado do Rio em dois tempos...

Link to comment
Share on other sites

Ah é? Você acredita no milagre da multiplicação de passageiros?

Então Coiote, acho que não é milagre, mas faz muito sentido. Alguém mora em BH e quer passar o final de semana no Rio. Sair de um bairro residencial de Belo Horizonte, ir até Confins para embarcar, e ainda descer lá longe no Galeão... não sei, acho que desanima. Não se está falando do passageiro que precisa ir ao Rio, mas aquele que gostaria de ir ao Rio de maneira mais descomplicada.

 

De qualquer forma, essa não é rota que eu frequente. Agora, quando estou em Curitiba e quero ir a São Paulo ver alguma exposição em final de semana, penso 10x antes de ir para Guarulhos, porque Congonhas é muito mais conveniente. Da última vez, gastei R$ 110 só em 1 (uma!) corrida de táxi de GRU. Acredito que quem gostaria de ir ao Rio a passeio desista por ser obrigado a descer no GIG ou ter que parar em Congonhas antes.

 

Essa entrevista abre margem para discutirmos:

1) O quanto a ponte-aérea pode ter contribuído ao longo das últimas décadas, junto com outros fatores, para o deslocamento do centro econômico para São Paulo;

2) O quanto São Paulo se beneficia em ter uma aeroporto central bem conectado a todo o país, enquanto o Rio perde em passageiros e em importância por ter o Santos Dumont praticamente fechado;

3) Se por um lado usar o Santos Dumont pode enfraquecer o Galeão, por outro pode muito bem fortalecer a cidade como um todo.

Link to comment
Share on other sites

Então Coiote, acho que não é milagre, mas faz muito sentido. Alguém mora em BH e quer passar o final de semana no Rio. Sair de um bairro residencial de Belo Horizonte, ir até Confins para embarcar, e ainda descer lá longe no Galeão... não sei, acho que desanima. Não se está falando do passageiro que precisa ir ao Rio, mas aquele que gostaria de ir ao Rio de maneira mais descomplicada.

 

De qualquer forma, essa não é rota que eu frequente. Agora, quando estou em Curitiba e quero ir a São Paulo ver alguma exposição em final de semana, penso 10x antes de ir para Guarulhos, porque Congonhas é muito mais conveniente. Da última vez, gastei R$ 110 só em 1 (uma!) corrida de táxi de GRU. Acredito que quem gostaria de ir ao Rio a passeio desista por ser obrigado a descer no GIG ou ter que parar em Congonhas antes.

 

Essa entrevista abre margem para discutirmos:

1) O quanto a ponte-aérea pode ter contribuído ao longo das últimas décadas, junto com outros fatores, para o deslocamento do centro econômico para São Paulo;

2) O quanto São Paulo se beneficia em ter uma aeroporto central bem conectado a todo o país, enquanto o Rio perde em passageiros e em importância por ter o Santos Dumont praticamente fechado;

3) Se por um lado usar o Santos Dumont pode enfraquecer o Galeão, por outro pode muito bem fortalecer a cidade como um todo.

 

Você acha mesmo que alguns minutos a mais de trajeto impedem alguém de vir à Zona Sul e ao Centro do Rio?

 

Você acha mesmo que o tráfego de passageiros gera riqueza por si só?

 

Você sabe quanto custa um táxi do GIG para Copacabana?

 

O Santos Dumont passou anos aberto, fez alguma diferença?

Link to comment
Share on other sites

Você acha mesmo que alguns minutos a mais de trajeto impedem alguém de vir à Zona Sul e ao Centro do Rio?

 

Você acha mesmo que o tráfego de passageiros gera riqueza por si só?

Acho que para uma viagem ocasional, para relaxar em um final de semana, descer no Santos Dumont é certamente mais conveniente. Agora, quando há um motivo real (a trabalho, por exemplo) para ir à cidade, daí é preciso ir de qualquer jeito, mesmo a contragosto descendo em aeroporto mais afastado.

 

Sobre a questão econômica, acho que ou você não entendeu ou eu não expliquei claramente. Quando digo que a ponte aérea pode ter ajudado a deslocar o eixo econômico para São Paulo, junto com outros fatores, estou dizendo que, nos anos 70 e 80, ficou muito mais fácil transferir e abrir negócios em SP, mantendo contato relativamente fácil com o RJ, havendo 2 a 4 vôos por hora entre as cidades. O argumento que lanço para discutirmos é: a ponte facilitou a transição de uma economia centrada e focada no Rio de Janeiro -- antiga capital e palco de todos os acontecimentos políticos, culturais e econômicos importantes -- para São Paulo? Não sei a resposta, mas gostaria de discutir.

 

O segundo item que escrevi no post anterior: sobre o quanto São Paulo se beneficia em ter um aeroporto central bem conectado a todo o país, enquanto o Rio perde em passageiros e em importância por ter o Santos Dumont praticamente fechado, acho que é auto-explicativo. Também não sei a resposta, mas temo que São Paulo se beneficie muito com isso. Não estou sugerindo que o transporte em si gere riqueza (embora certamente o faça), mas sim que o acesso fácil contribua para isso. É como uma cidade com ou sem vias de acesso.

O Santos Dumont passou anos aberto, fez alguma diferença?

Você mora no Rio e afirma isso, então quero crer que saiba o que está dizendo. Mas observo que o Rio tristemente vem perdendo importância em ritmo cada vez mais acelerado. O aeroporto pode ser uma pequena parte disso.

Link to comment
Share on other sites

Acho que para uma viagem ocasional, para relaxar em um final de semana, descer no Santos Dumont é certamente mais conveniente. Agora, quando há um motivo real (a trabalho, por exemplo) para ir à cidade, daí é preciso ir de qualquer jeito, mesmo a contragosto descendo em aeroporto mais afastado.

 

Sobre a questão econômica, acho que ou você não entendeu ou eu não expliquei claramente. Quando digo que a ponte aérea pode ter ajudado a deslocar o eixo econômico para São Paulo, junto com outros fatores, estou dizendo que, nos anos 70 e 80, ficou muito mais fácil transferir e abrir negócios em SP, mantendo contato relativamente fácil com o RJ, havendo 2 a 4 vôos por hora entre as cidades. O argumento que lanço para discutirmos é: a ponte facilitou a transição de uma economia centrada e focada no Rio de Janeiro -- antiga capital e palco de todos os acontecimentos políticos, culturais e econômicos importantes -- para São Paulo? Não sei a resposta, mas gostaria de discutir.

 

O segundo item que escrevi no post anterior: sobre o quanto São Paulo se beneficia em ter um aeroporto central bem conectado a todo o país, enquanto o Rio perde em passageiros e em importância por ter o Santos Dumont praticamente fechado, acho que é auto-explicativo. Também não sei a resposta, mas temo que São Paulo se beneficie muito com isso. Não estou sugerindo que o transporte em si gere riqueza (embora certamente o faça), mas sim que o acesso fácil contribua para isso. É como uma cidade com ou sem vias de acesso.

 

Você mora no Rio e afirma isso, então quero crer que saiba o que está dizendo. Mas observo que o Rio tristemente vem perdendo importância em ritmo cada vez mais acelerado. O aeroporto pode ser uma pequena parte disso.

 

Strato, o Rio vem estancando o seu declínio econômico relativo. Os piores anos já se passaram e todo o prejuízo mais recente se deu por falta de voos internacionais, não por falta de voos domésticos. CGH pode ser de grande vantagem, porém não tem toda essa importância. A abertura do SDU é inevitável no futuro, voos domésticos são criados bem rapidamente. A grande questão são os voos internacionais e é disso que o Rio precisa para se garantir neste momento.

Link to comment
Share on other sites

Se abrissem o SDU, deveria ser de forma tão sutil, mas tão sutil, que atendesse apenas algumas cidades chaves, em horários chaves, deixando o GIG crescer e criar uma base auto-sustentavel.

 

Ambos aeroportos podem se co-existir, só não pode ser o oba-oba no SDU que era antigamente.

Link to comment
Share on other sites

Se abrissem o SDU, deveria ser de forma tão sutil, mas tão sutil, que atendesse apenas algumas cidades chaves, em horários chaves, deixando o GIG crescer e criar uma base auto-sustentavel.

 

Ambos aeroportos podem se co-existir, só não pode ser o oba-oba no SDU que era antigamente.

 

E, infelizmente, é justamente o que Neeleman propõe. SDU-NAT? Ah, por favor.

 

Só se fosse algo limitadíssimo, como DCA ou LGA. Mas estamos no Brasil e nem a mais básica das limitações vai impedir as outras companhias de encherem o saco até a ANAC liberar tudo.

 

Se Gol e TAM tivesse E-Jets, por outro lado, ficava mais fácil.

 

Mas, de qualquer maneira, o cara, como disseram, é um falastrão. 700 passageiros entre GIG e CNF diariamente? São quase 20 vôos diários em 737 e 320 e ele tem a afronta de dizer que são 700 passageiros? Prefiro acreditar que é um erro da imprensa.

 

Ele diz que assumir que a abertura de SDU não vai comprometer o Galeão. Baseando-se no quê? Em experiências passadas? Na boa vontade das nossas companhias? Tudo mostra que ele está errado!

 

Ele acusa o Cabral de querer o Galeão valorizado, de primeiro categoria? Quer dizer, isso é errado? Patético.

 

SDU vazio? SDU vai estar saturado já quando a Copa do Mundo estiver batendo às nossas portas.

 

Quantos negócios o Rio já perdeu porque SDU não está aberto? Desde quando a cidade agora está submetida à localização do aeroporto?

 

O que David diria se visse SDU e GIG em 2004, na época negra, no estado em que o Rio estava?

 

O Rio de Janeiro ganha 1,4 bilhão com a Azul, mas o quanto perde com menos vôos de TODAS as companhias aéreas? Se ter um aeroporto ali, com vôo direto, é tão importante, o quanto perderemos com vôos como Paris, Londres, Miami ou Houston indo embora?

 

 

Se eu fosse Sérgio Cabral, pesquisava um pouco sobre esses dados (ele, não querendo SDU aberto, com certeza tem conhecimento de alguns) e ia jogar na imprensa. O que David Neeleman está fazendo é lançando um monte de bobagem, tentando pintar o governo do estado de autoritário e ineficiente, e tentar transformar o bacanal em que ele quer fazer no SDU na verdadeira salvação do estado, apostando na falta de conhecimento técnico da população (e da imensa maioria dos jornalistas). Esse cara é um demagogo barato, isso sim.

 

Uma pessoa que se vale da opinião de gente como Solange Vieira para validar as suas propostas não merece crédito. Ela é economista, for God's sake. Ela não deve saber a diferença de uma freira desmaiada no gelo de um Airbus.

Link to comment
Share on other sites

Que ele fique sentado esperando em Campinas, e pare de encher o saco. Aliás, a própria mudança para VCP é algo que foge do meu conhecimento. Primeiro ele pressiona para ter um hub em aeroporto central, depois vai para um aeroporto que é um tanto quanto longe da grande metrópole.

 

É até mal gosto com os campineiros, que ganham um hub num dia, mas, abrindo SDU, vão ver todos os aviões dando adeus a Viracopos e chegando no Santos-Dumont. Bom, negócios são negócios.

 

Essa disputa Azul x Rio parece conversa de ex. Janot, Neeleman e toda a patota cansam de dizer "só vamos servir o Rio em 2013", "o Rio vai perder bilhões", eu hein.

Link to comment
Share on other sites

não duvido nada que sirva o rio antes mesmo da metade de 2010.

 

vai acabar fazendo o mesmo de sempre. vai enfiar 19284190481908490 de frequencias GIG-BSB-GIG, GIG-SSA-GIG e por ai vai...

Link to comment
Share on other sites

 

Vamos por partes:

 

1) A Azul não vai faturar R$ 1,4 bilhão em 2009 e como ela afirma que o Rio irá perder tal montante ?

 

2) Eu já estou cheio dessa história do Neeleman de ficar dando estatística sem sentido.

 

GRU é mal situado mas já é responsável por quase 60% a mais movimento do que CGH

O GIG pode ser tudo, mas é quase 3 vezes o SDU.

O JFK (onde a JetBlue opera forte) não é o aeroporto mais central de NY, recebe até A380, tem as pistas mais distantes dos terminais... mas o E190 lá é competitivo....

 

3) Já está ficando chato essa história dele ficar atacando o Rio, se é Campinas a base, sucesso a ele, mas parece um menino mimado reclamando que não tem acesso ao brinquedo.

 

 

Link to comment
Share on other sites

Depois de ler todos os posts, chego a seguinte conclusão:

 

Uma coisa é certa! Nem GOL nem TAM tem coragem de colocar um vôo direto CPQ X SSA ou CPQ X POA.

 

O que para elas é prejuízo certo, para a Azul é lucro certo. Aguardem cenas dos próximos capítulos.....

Link to comment
Share on other sites

O mais engraçado é ele falando o ÓBVIO...

 

"Hoje há 700 pessoas que voam todos os dias do Galeão para Confins. Acreditamos que se tivesse vôo entre Pampulha-Santos Dumont, seriam duas mil."

 

Isso mesmo....e as chances de acidentes aumentam progressivamente!!! Se ele entrar entra TAM GOL VARIG OCEANAIR WEBJET daqui a pouco tudo indica que a BRA também...isso sem contar a TRIP/TOTAL Passaredo Air Minas e TODA A AVIAÇÃO EXECUTIVA de Minas Gerais que já habitam lá...e aí volta TUDO AO NORMAL denovo néh? Arremetidas sucessivas na pampula...sustos oméricos em congonhas e santos dumont....No caso da pampulha muitos atrasos em dias de chuva pela falta de um ILS...aeronaves orbitando em cima de Barbacena esperando vga pra pousar na pampulha..aeroporto com o saguão LOTADO gente perdendo vôo por causa disso...estacionamento impraticável...e confins vivendo para ser alternativa da pampulha!!! Mas o dinheiro entrando, tá bom!

Link to comment
Share on other sites

Você acha mesmo que alguns minutos a mais de trajeto impedem alguém de vir à Zona Sul e ao Centro do Rio?

 

Não são alguns minutos a mais. São muitos minutos a mais. Como foi muitíssimo bem dito, para quem PRECISA ir ao Rio não impede, mas para quem até gostaria de ir, influencia sim.

 

Você acha mesmo que o tráfego de passageiros gera riqueza por si só?

 

Mas é a coisa mais óbvia do mundo. Cada vez que se embarca, paga-se o valor da passagem, recolhem-se importos, vc compra um cafezinho na lanchonete do aeroporto, engraxa seu sapato no aeroporto, compra um jornal na banca do aeroporto, o avião abastece e paga impostos na sua cidade, gera empregos, que por sua vez injetam dinheiro na economia da cidade como um todo... ~Só não vê quem não quer!

 

Você sabe quanto custa um táxi do GIG para Copacabana?

 

Custa mais do que um taxi do SDU para Copacabana

 

O Santos Dumont passou anos aberto, fez alguma diferença?

 

E fechou justamente no momento e maior expansão da nossa aviação. Imagina se estivesse aberto agora.

 

É engraçado ver o pessoal com uma conversa de economia norte-coreana aqui. O mercado vai definir qual será o principal aeroporto do Rio. Se o público achar que é o SDU, que seja! Se o público preferir embarcar no SDU, e fazer conexão em BSB para chegar a Manaus, que seja! Uma hora algum empresário mais esperto vai perceber que tem muita gente que preferiria embarcar no GIG para pazer GIG-MAO sem escala e vai botar este vôo lá, e se o público gostar e achar que tem vantagem, eles vão passar a fazer GIG-MAO em vez de SDU-BSB-MAO por exemplo... Quem sabe este cara é o próprio Neeleman...

 

A mesma coisa é PLU. Tem cara que não se importa em embarcar em um terminal apertado, que inunda, com uma só esteira de bagagem, mas que lhe economiza 30 minutos de tempo no mínimo. Tem gosto para tudo! E o governo deveria respeitar isto!

 

Link to comment
Share on other sites

A primeira vez que falei com a doutora Solange (Vieira, presidente da Agência Nacional de Aviação Civil), ela disse: “Estamos abrindo os aeroportos (Santos Dumont e Pampulha) não por causa de vocês, mas porque tem uma lei. Vamos dar a autorização e você vai poder pedir os lugares como os outros”.

 

Muita gente pensa que o Neeleman quer o SDU só prá "ele". As outras vão adorar pegar carona nessa, hehehe

 

Por que o Santos Dumont é importante?

NEELEMAN: A oportunidade é única, e a abertura desse aeroporto vai ajudar o Rio. Se você mora em qualquer lugar do Brasil e quer fazer negócios no Rio, é bem difícil. Faltam muitas ligações diretas, praticamente só a ponte aérea, que é a quarta rota mais viajada do mundo porque tem serviço entre os dois aeroportos centrais (Congonhas e Santos Dumont).

 

Não são alguns minutos a mais. São muitos minutos a mais. Como foi muitíssimo bem dito, para quem PRECISA ir ao Rio não impede, mas para quem até gostaria de ir, influencia sim.(...)

 

A mesma coisa é PLU. Tem cara que não se importa em embarcar em um terminal apertado, que inunda, com uma só esteira de bagagem, mas que lhe economiza 30 minutos de tempo no mínimo. Tem gosto para tudo! E o governo deveria respeitar isto!

 

Exatamente! O pax corporativo que é quem efetivamente dá lucro prás aéreas comprando passagens de tarifa cheia "em cima da hora" do vôo, é que levam em consideração esses "poucos" minutos a mais perdidos entre aeroportos distantes. Tempo é dinheiro.

 

 

[]s

Link to comment
Share on other sites

Depois de ler todos os posts, chego a seguinte conclusão:

 

Uma coisa é certa! Nem GOL nem TAM tem coragem de colocar um vôo direto CPQ X SSA ou CPQ X POA.

 

O que para elas é prejuízo certo, para a Azul é lucro certo. Aguardem cenas dos próximos capítulos.....

 

Eu fico muito feliz por Campinas e Salvador. Desejo muito sucesso.

 

Não são alguns minutos a mais. São muitos minutos a mais. Como foi muitíssimo bem dito, para quem PRECISA ir ao Rio não impede, mas para quem até gostaria de ir, influencia sim.

 

Só se for para o Grande Centro e o Grande Flamengo. Fora isso, a diferença de tempo não é tão significativa no grande contexto. Nem precisamos comparar os tempos de deslocamento com CGH e GRU.

 

Mas é a coisa mais óbvia do mundo. Cada vez que se embarca, paga-se o valor da passagem, recolhem-se importos, vc compra um cafezinho na lanchonete do aeroporto, engraxa seu sapato no aeroporto, compra um jornal na banca do aeroporto, o avião abastece e paga impostos na sua cidade, gera empregos, que por sua vez injetam dinheiro na economia da cidade como um todo... ~Só não vê quem não quer!

 

Sim, aviões abastecendo o mínimo necessário para poder decolar da pista curtíssima do SDU realmente traz muitos impostos. O tamanho diminuto do SDU também reduz o tempo de estadia do passageiro no aeroporto, reduzindo o seu consumo. Hoje, temos todo mundo abastecendo adoidado no GIG, não teremos isso no SDU.

 

Custa mais do que um taxi do SDU para Copacabana

 

Eu me referi à comparação que ele fez com São Paulo. Os preços de táxi saindo do GIG são similares aos que se paga saindo de CGH.

 

E fechou justamente no momento e maior expansão da nossa aviação. Imagina se estivesse aberto agora.

 

É engraçado ver o pessoal com uma conversa de economia norte-coreana aqui. O mercado vai definir qual será o principal aeroporto do Rio. Se o público achar que é o SDU, que seja! Se o público preferir embarcar no SDU, e fazer conexão em BSB para chegar a Manaus, que seja! Uma hora algum empresário mais esperto vai perceber que tem muita gente que preferiria embarcar no GIG para pazer GIG-MAO sem escala e vai botar este vôo lá, e se o público gostar e achar que tem vantagem, eles vão passar a fazer GIG-MAO em vez de SDU-BSB-MAO por exemplo... Quem sabe este cara é o próprio Neeleman...

 

A mesma coisa é PLU. Tem cara que não se importa em embarcar em um terminal apertado, que inunda, com uma só esteira de bagagem, mas que lhe economiza 30 minutos de tempo no mínimo. Tem gosto para tudo! E o governo deveria respeitar isto!

 

Transporte e infra-estrutura não é questão de mercado. São coisas diferentes, bem diferentes. São decisões estratégicas. Aeroportos não surgem por livre iniciativa, por isso pare de vomitar aplicações absurdas de "Laissez-faire".

 

Usemos o exemplo de um país com uma das infra-estruturas mais impecáveis do mundo e o maior exportador global: a Alemanha. O que aconteceu com o Riem, antigo aeroporto de Munique que movimentou 12 milhões de passageiros em 1990? Foi fechado. Todas as suas operações foram transferidas para o Franz Josef Strauß. Por que será que não deixaram aberto um aeroporto perfeitamente bom a 10 km de Munique funcionando paralelamente ao que está a 40 km? Eles devem ser burros e estão levando a Alemanha a uma economia norte-coreana.

A mesma coisa estamos assistindo agora mesmo em Berlim. Gatow já foi há muito tempo, Tempelhof foi há poucos dias, Tegel é o próximo. Depois, só restará Schönefeld, que é justamente o mais distante. Engraçado, poderiam ter mantido o Tempelhof, pois já é extremamente limitado, mas nem isso.

Link to comment
Share on other sites

Archived

This topic is now archived and is closed to further replies.

Guest
This topic is now closed to further replies.

×
×
  • Create New...

Important Information

Saiba os termos, regras e políticas de privacidade