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José C. Biason

AUTOESTIMA. Acreditar em si mesmo é uma necessidade vital para a vida equilibrada.

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AUTOESTIMA. Acreditar em si mesmo é uma necessidade vital para a vida equilibrada.

 

Com dedicação, dizem os especialistas, todos podem chegar lá.

 

REVISTA ISTOÉ - Ed. 2078 - Set/09

Por Suzane G. Frutuoso

 

 

Antes de ler esta reportagem pare diante do espelho e faça um exercício

sincero com você mesmo. Diga dez qualidades suas. Aponte também pelo menos

cinco partes do corpo que lhe agradam. Observe ainda se é capaz de

contabilizar mais pontos positivos do que negativos durante seu dia.

 

Lembre-se do nome de cinco amigos que não são colegas de trabalho. E, com

honestidade, assuma seus erros mais recentes. Não conseguiu? Sinal de que a

autoestima vai mal - e isso pode prejudicar muito a vida de alguém.

 

A diminuição do amor-próprio é um problema histórico do brasileiro, dono de

uma auto-imagem derrotista. Estudo da International Stress Management

Association no Brasil (Isma- BR) aponta que 59% das pessoas no País têm

pouca confiança em si.

 

Quem tem baixa autoestima acaba atropelado pelo dinamismo do mundo, ou reage

com violências frustrações; ou mascara a insegurança com símbolos de status. O resultado

vai de um simples incômodo a distúrbios mentais graves.

 

Por isso, amar a si mesmo é uma necessidade vital, que não tem nada a ver

com arrogância, como se acreditava até 15 anos atrás!

 

Olhar-se no espelho disposto a fazer uma auto-análise é o primeiro passo para

resgatar um bom nível de autoestima, diz o consultor Sergio Savian, diretor

da Escola de Relacionamento Mudança de Hábito, em São Paulo. Hoje, aprender

a dizer "eu me amo" é compreendido como uma atitude saudável e indispensável

para se sentir psicologicamente confortável.

 

Por causa desta crença, se estima que tenha aumentado em até 20% a procura

por cursos e terapias com a finalidade de trabalhar a autoestima, desde

meados da década passada.

 

Enaltecer em excesso a humildade e tachar pessoas seguras de metidas está em desuso.

Uma série de pesquisas indicando as evidências positivas de uma boa

autoconfiança reforça essa tese. A mais recente é da Universidade da Califórnia, publicada

no mês passado no"Journal of Personality and Social Psychology", na qual os pesquisadores

comprovam que pessoas com baixa autoestima estão mais sujeitas à depressão.

 

Há empresas que já entenderam a importância de reforçar a confiança dos

funcionários. Perceberam que o assédio moral - quando há ameaças e

humilhações - só resulta em queda de rendimento e pessoas infelizes. Uma

equipe em equilíbrio gera melhores resultados, é comprometida e responsável.

 

"As novas gerações não querem o stress que consumiu seus pais. Ou as

empresas mudam, ou não conseguirão recrutar os bons profissionais", afirma o

headhunter Ivan Witt, sócio-diretor da Steer Recursos Humanos.Um ambiente

sadio, motivador e flexível, que permita ao funcionário se sentir especial,

provocará uma revolução no mundo corporativo.

 

Antenada com a tendência, a siderúrgica ArcelorMittal Tubarão, no Espírito

Santo, desenvolveu programas pensando na saúde global dos empregados, com

foco na autoestima deles e de suas famílias. Em encontros periódicos

orientados por psicólogos, questões ligadas ao bem estar são tratadas de

maneira integral. Saúde física, emocional, relações afetivas e até sugestões

de como lidar com dinheiro estão na pauta das reuniões.

 

"Incluímos os familiares ao percebermos que os problemas do funcionário não

são isolados", diz a assistente social Sandra Sabadini, coordenadora dos

programas. Mais de 80% da equipe já participou.

 

A pressão e a cobrança do mercado existem. Porém, eles reagem melhor a esses

desafios por estarem serenos. Nas avaliações internas, dão média 9 aos projetos. Segundo um

estudo da Case Western Reserve University, quando são demitidos, indivíduos

com boa autoestima culpam menos a crise e não sentem tanta raiva.

 

A confiança em si não excluirá tristezas e erros. Ajuda, porém, a lidar

melhor com as adversidades, analisar os problemas, aprender com eles e

seguir em frente. Sem drama, sabendo ouvir e sem culpar os demais - atitudes

inerentes a quem tem baixa autoestima.

 

Não gostar de si mesmo pode virar algo insuportável, e é característico da

baixa autoestima.

 

Um sinal de que o problema existe na nossa sociedade é o

fato de boa parte das pessoas se sentir impedida de dizer apenas "obrigado"

quando recebe um elogio ou um presente. Agradecer acompanhado de um "não

precisava" também é sinal de autoestima em desequilíbrio.

 

Atitude comum da fonoaudióloga Vanessa Macedo, 29 anos. Bonita, simpática, formada

em uma das melhores universidades do País, bem colocada em um acirrado concurso público, Vanessa, não consegue acreditar quando a família e os amigos dizem

que ela é capaz. "Admiro gente confiante, mas me falta estímulo para ser

assim", diz. Ela ainda não tem certeza se deve fazer terapia, mas percebe

que a falta de confiança prejudica suas relações

.

Aqueles que conseguem construir uma boa autoestima não devem ter medo de

expor essa conquista, dizem os especialistas.

 

O empresário Eduardo Assunção,40 anos, chegou lá. O processo foi sofrido.

Dono de restaurante durante 15 anos, entrava em pânico quando precisava falar com mais de dois subordinados

em uma reunião ou com clientes.

 

Não sentia que era capaz de passar uma mensagem. Com taquicardia, nervoso,

achava-se incompetente. Percebeu que não estava prosperando e precisava mudar.

 

Depois de um curso em PNL (Programação Neuro Lingüística); ele trocou de

área (trabalha com soluções em web) e hoje dá palestra para auditórios

lotados. Diz gostar de passar conhecimento e que aprendeu a ver em todo

problema uma oportunidade.Não gosta quando as pessoas acomodadas chamam os bem-sucedidos de arrogantes. "Ninguém vê o que você fez para traçar um caminho de sucesso", diz Eduardo.

 

Ele compreendeu que, querer o melhor para si mesmo, sem receio de vibrar

pelas próprias alegrias, não tem nada a ver com prepotência. É direito de cada um!

 

JC. Biason

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