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Continental entra na Star Alliance e altera jogo de forças no setor aéreo


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Mike Esterl

The Wall Street Journal, de Houston

 

Dezoito meses atrás, a Continental Airlines Inc. abandonou negociações para uma fusão com a United Airlines, da UAL Corp., que teria criado a maior companhia aérea do mundo.

 

Hoje, a americana Continental, que tem sede em Houston, embarca em uma jornada bem próxima, juntando forças com a também americana United, sediada em Chicago, e outras 23 aéreas na Star Alliance, a maior rede de companhias aéreas independentes do mundo.

 

A troca da Continental, que estava na rival SkyTeam, é a maior entre as alianças que cruzam o mundo desde que elas começaram a formar esses grupos, mais de dez anos atrás, para expandir seu alcance ao compartilhar voos, programas de milhagem e salas nos aeroportos. Ela também aumenta as chances de que a United e a Continental — respectivamente, a terceira e a quarta maiores aéreas americanas em tráfego — avaliem uma fusão em algum momento no futuro.

 

A decisão deixa a Continental como rival direta de sua antiga parceira na SkyTeam, a Delta Air Lines Inc., de Atlanta, que se tornou a maior companhia aérea do mundo quando se fundiu no ano passado com a também americana Northwest Airlines Corp.

 

A Delta concorre com a Continental em muitos mercados, como o de Nova York e as rotas para a América Latina, onde a Star tem pouca presença até agora. A Continental, por sua vez, tem pouca presença no mercado do oeste dos Estados Unidos e as que cruzam Pacífico. A nova aliança com a United vai aumentar significativamente as ofertas da Continental nessas rotas.

 

"O que se quer é uma aliança com alguém que não seja um concorrente", disse o diretor-geral da Continental, Jeff Smisek, ao Wall Street Journal na sede da empresa.

 

A mudança nas alianças ocorre num momento crítico para as aéreas, que estão lutando para sobreviver. Os altos custos do combustível e a recessão mundial arrasaram as finanças do setor nos últimos anos. Ao mesmo tempo, as viagens internacionais se tornaram cada vez mais cruciais para o sucesso de quase todas as grandes aéreas. A maioria pertence a uma das três alianças internacionais: Star, SkyTeam ou oneworld.

 

A Star crescerá cerca de 10% com o acréscimo da Continental, transportando um número estimado de 570 milhões de passageiros por ano para quase 1.000 aeroportos em 169 países numa frota de quase 4.000 aviões. Entre as outras empresas do grupo estão a alemã Deutsche Lufthansa AG, a portuguesa TAP e a japonesa All Nippon Airways Co.

 

A SkyTeam, a segunda maior aliança, está encolhendo para cerca de 400 milhões de passageiros anuais e nove membros integrais com a saída da Continental. Os membros Delta e Air France-KLM SA têm tentado agressivamente seduzir a Japan Airlines Corp., a maior aérea do Japão, para que abandone a oneworld e se junte à SkyTeam.

 

A oneworld, que tem dez membros e transporta um pouco mais de 300 milhões de passageiros por ano, está negociando para manter a JAL entre seus membros. Entre os membros atuais estão a American Airlines, da AMR Corp., a segunda maior aérea dos EUA em tráfego, e a British Airways PLC.

 

Depois que a Delta e a Northwest anunciaram que se fundiriam, em abril de 2008, a Continental e a United chegaram perto de selar a própria união. Mas a Continental acabou se retirando, temendo riscos operacionais e financeiros. Em vez disso, anunciou em junho de 2008 que faria uma aliança mais modesta com a United ao ingressar na Star.

 

"Houve muitas fusões bem-sucedidas, mas não neste negócio", disse Larry Kellner, o diretor-presidente da Continental, quando refletia sobre a decisão numa entrevista ao Wall Street Journal na semana passada.

 

Como parte da proposta troca pela Star, a Continental solicitou ao governo dos EUA imunidade antitruste para que pudesse coordenar rotas, programação de voos e preços de passagens com a United, a Lufthansa e outros membros da aliança em voos internacionais. A aprovação só saiu em julho, porque as autoridades dos EUA e da Europa aumentaram a vigilância sobre essas parcerias.

 

A American e a British pediram ao Departamento de Transportes dos EUA autorização para que possam aprofundar a aliança entre ambas, nas mesmas linhas, e esperam receber a decisão até o fim desta semana.

 

A Continental saiu formalmente da SkyTeam à 0h de sábado. Ela está no processo de substituir os logos da SkyTeam com os da Star em coisas que vão dos guardanapos aos exteriores de seus 604 aviões. A Continental também está trocando de terminais em muitos aeroportos para ficar mais perto das aéreas parceiras e assim acelerar conexões.

 

A companhia calcula que sua parceria com a Star gerará US$ 100 milhões em receita adicional por ano. Ela não informa os custos de transição, mas afirma que até 2011 a aliança começará a melhorar seus resultados.

 

A Delta, que está no processo de integrar as operações da Northwest, depois de finalizar o negócio em outubro do ano passado, afirma que assegurou US$ 500 milhões em receita e reduções de custo nos primeiros nove meses deste ano graças à fusão. Ela informa que o valor deve chegar a US$ 700 milhões ao fim de dezembro.

 

Muitos analistas dizem que a entrada da Continental na Star pode ser um prelúdio para uma fusão total com a United nos próximos anos. Na Star, a Continental tem a "chance de ser uma empresa maior, e também a chance de ter uma fusão e ser a maior empresa", diz Darryl Jenkins, um analista de aviação de Marshall, no Estado americano de Virginia.

 

Smisek, que substituirá Kellner na presidência executiva quando este deixar a empresa, no fim de dezembro, disse que "não pretende" se fundir e "preferiria muito" que a Continental permanecesse independente. A United, que expressou abertamente nos últimos anos a necessidade de as aéreas se consolidarem, afirmou que não descarta nenhuma possibilidade.

 

http://online.wsj.com/article/SB125659922745509161.html

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