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Relatório da Aeronáutica sobre acidente da TAM faz 83 recomendações de mudanças


Stratocruiser

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31/10/2009 - 20h06

Relatório da Aeronáutica sobre acidente da TAM faz 83 recomendações de mudanças

 

GABRIELA GUERREIRO

da Folha Online, em Brasília

 

O relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) sobre o acidente com o Airbus A-320 da TAM, ocorrido em julho de 2007, faz 83 recomendações a órgãos de fiscalização e companhias aéreas para que implementem mudanças no setor aéreo nacional. Apesar do relatório sugerir mudanças, os órgãos e companhias áereas não são obrigados a implementá-las pela legislação brasileira.

 

"Nós não temos como impor alguma coisa a ninguém. Então, nós recomendamos. É da responsabilidade de quem receber a recomendação cumpri-la ou não. Por isso a organização vai analisar cada recomendação e nos informar a respeito do que pretende fazer", disse o presidente da comissão de investigação do acidente da TAM no Cenipa, coronel Fernando Camargo.

 

Entre as recomendações listadas pelo Cenipa, estão melhores treinamentos para os pilotos de companhias aéreas e equipamentos eletrônicos que possibilitem maior controle dos pilotos sobre as aeronaves. Segundo o coronel, de todas as recomendações já expedidas pelo Cenipa desde o início das investigações do acidente com o Airbus da TAM, 23 foram acatadas pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), companhias áreas, Infraero e Airbus. No total, o Cenipa fez 23 recomendações à TAM, 13 à Infraero e 33 à Anac, entre outras.

 

Com a conclusão das investigações, o relatório do Cenipa será encaminhado ao Ministério Público Federal, que dará prosseguimento às investigações. O MP já está com o relatório da Polícia Federal sobre o acidente, que responsabilizou o piloto e o co-piloto do Airbus pelo acidente. Os familiares das vítimas, que acompanharam hoje a divulgação do relatório do Cenipa, reagiram ao trabalho da PF.

 

"Isso é canalhice, não tem outro nome. É fácil fazer isso, os culpados morreram. O Cenipa é um órgão sério, mas não tem como ultrapassar alguns limites", reagiu o pai do co-piloto Henrique Di Sacco, Rafael Di Sacco. Os familiares das vítimas do voo argumentam que a Polícia Federal agiu de forma rápida e sem condições técnicas para apurar o acidente, enquanto a Aeronáutica investigou tecnicamente a tragédia no aeroporto de Congonhas.

 

Relatório

 

O relatório final do Cenipa sobre o acidente, divulgado neste sábado, não aponta os responsáveis pela tragédia. O relatório mostra que um dos manetes do avião estava em posição de aceleração, quando deveria estar em ponto morto, mas não deixa claro se houve falha mecânica ou humana como causa do acidente.

 

O relatório aponta duas principais hipóteses para o acidente. Na primeira delas, teria havido falha no sistema de controle de potência dos motores do avião --o que teria mantido o manete em aceleração, independente da sua real posição. Nessa hipótese, teria havido falha mecânica da aeronave.

 

Na segunda hipótese levantada pelo Cenipa, o piloto teria executado um procedimento diferente do previsto no manual ao colocar o manete numa posição irregular, numa configuração de falha humana para o acidente.

 

"Nós conseguimos êxito em explicar a dinâmica do acidente por meio de duas possibilidades. Uma delas centralizada numa falha do equipamento e a outra centralizada na execução de um procedimento diferente do que está em vigor. Cada uma delas poderia ter resultado na mesma dinâmica", disse Camargo.

 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidia...95u646135.shtml

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31/10/2009 - 19h23

Sem apontar culpados, Aeronáutica divulga relatório sobre acidente da TAM

 

GABRIELA GUERREIRO

da Folha Online, em Brasília

 

O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) divulgou neste sábado os resultados das investigações oficiais sobre o acidente com o Airbus A-320 da TAM, ocorrido em julho de 2007, sem apontar os responsáveis pela tragédia. O relatório mostra que um dos manetes (que controla a turbina) do avião estava em posição de aceleração, quando deveria estar em ponto morto, mas não deixa claro se houve falha mecânica ou humana como causa do acidente.

 

O relatório aponta duas hipóteses para o acidente. Na primeira delas, teria havido falha no sistema de controle de potência dos motores do avião --o que teria mantido o manete em aceleração, independente da sua real posição. Nessa hipótese, teria havido falha mecânica da aeronave.

 

Na segunda hipótese levantada pelo Cenipa, o piloto teria executado um procedimento diferente do previsto no manual ao colocar o manete numa posição irregular, numa configuração de falha humana para o acidente.

 

"Nós conseguimos êxito em explicar a dinâmica do acidente por meio de duas possibilidades. Uma delas centralizada numa falha do equipamento e a outra centralizada na execução de um procedimento diferente do que está em vigor. Cada uma delas poderia ter resultado na mesma dinâmica", disse o presidente da comissão de investigação do acidente no Cenipa, coronel Fernando Camargo.

 

Além das posições dos manetes, o relatório do Cenipa aponta uma série de fatores que podem ter contribuído para a ocorrência do acidente --como um volume intenso de chuva no dia, com a formação de poças na pista de Congonhas, assim como a ausência de "grooving" na pista.

 

"Não existe um peso maior ou menor para qualquer um desses fatores. Qualquer um deles recebe a mesma atenção e deve ser objeto de recomendação de segurança", disse.

 

O Cenipa também apontou que o co-piloto da aeronave, Henrique Di Sacco, tinha pouca experiência na função --o que poderia ter prejudicado o controle da aeronave no momento do pouso. "A enorme experiência do piloto que estava na função de co-piloto não garantia a sua competência técnica na função de co-piloto, especialmente porque só havia realizado uma sessão de simulador nessa função. Isso tudo contribuiu para a perda da consciência situcional nos momentos mais críticos do voo", afirma o relatório.

 

Segundo o Cenipa, também há fatores indiretos que podem ter contribuído para a tragédia, como a pressão da TAM para o pouso em Congonhas, falhas na aeronave relatadas no mesmo dia do acidente por outros tripulantes que estiveram no Airbus no dia 17 de julho, assim como a falta de um alarme sonoro capaz de avisar os pilotos sobre eventuais falhas nos manetes da aeronave.

 

"A falta de um dispositivo que pudesse alertar os pilotos de que alguma coisa estava errada, especialmente se considerarmos hipótese de manetes em posição conflitantes aos de pouso, favoreceu à perda da percepção no tocante ao que acontecia. Existe uma inadequação na lógica de percepção e resposta da aeronave porque ela permite que se coloque a aeronave em situação crítica, mas não dá informações depois", disse Camargo.

 

O relatório não responsabiliza o tamanho da pista de Congonhas como responsável pelo acidente. Segundo o relatório, em condições normais a aeronave deveria pousar no máximo depois de 1.332 metros, enquanto a pista de Congonhas tem 1.880 metros --mesmo com pequena área de escape da pista.

 

"Não está contemplado nos padrões de operação que uma aeronave saia nessa velocidade lateralmente, com esse regime de potência funcionando. Não foi isso que contribuiu para a consumação do acidente", disse Camargo.

 

Culpados

 

Segundo as convenções internacionais, não cabe ao Cenipa apontar culpados sobre o acidente, por isso o relatório é inconclusivo. A investigação policial, de acordo com o Cenipa, tem a prerrogativa de apontar os culpados pelo acidente --e consequentemente instaurar inquérito para penalizar os responsáveis.

 

"A investigação policial visa apontar culpa. A nossa investigação formula hipóteses, enquanto a policial busca provas", disse Camargo.

 

A PF já divulgou o relatório final das investigações, mas responsabilizou o piloto e o co-piloto da aeronave pelo acidente --o que irritou os familiares das vítimas.

 

"O relatório da Polícia Federal nos deixou indignados. Nós não descartamos, mas não podemos dizer que foram apenas os pilotos. Temos a pista com relatos de perigo, a recomendação do Airbus para avisar problemas de reverso", disse Dario Scott, presidente da Afavita (Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo da TAM JJ 3054.).

 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidia...95u646127.shtml

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