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Estrangeiras já dominam 70% dos vôos do Brasil para o exterior


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O ESTADO DE S.PAULO

Estrangeiras já dominam 70% dos vôos do Brasil para o exterior

Com a crise da Varig, companhias internacionais ocuparam as rotas mais depressa que os concorrentes brasileiros

Nilson Brandão Junior, Alberto Komatsu

Mais de 70% do transporte de passageiros do Brasil para o exterior já está nas mãos das companhias aéreas estrangeiras. Com a crise da Varig, a presença das empresas internacionais nessas rotas avançou fortemente, segundo levantamento elaborado pela TAM, com projeções para 2006. Atualmente, as empresas brasileiras estão conseguindo responder por pouco mais de um quarto (28,5%) desse tráfego.

 

Os trabalho preparado pela TAM a pedido do Estado revela que a presença estrangeira já é predominante em 14 dos 17 principais destinos no exterior. Companhias internacionais já respondem, por exemplo, por 99,6% do transporte de passageiros para Portugal, 98,8% para o Japão, 90,7% para a Itália, 87,2% para os EUA e 77,6% para o Reino Unido. Mesmo para a Alemanha, destino que continua servido pela Varig, a fatia brasileira encolheu de 65,5% em 2002 para 35,7% este ano.

 

De forma geral, empresas de bandeira brasileira transportam menos do que as internacionais em todas as ligações transcontinentais e algumas na América do Sul. Apenas para Argentina, Paraguai e Venezuela a bandeira brasileira sobressai. 'O resultado não é nem um pouco surpreendente. É uma perda econômica para o Brasil', diz a economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Lucia Helena Salgado.

 

A saída da Varig de rotas internacionais abriu o interesse das concorrentes nacionais em ocupar o espaço vago, principalmente TAM e Gol, as duas maiores empresas do setor. As duas companhias, além da OceanAir e da BRA, foram contempladas pela Agência Nacional de Aviação (Anac) numa recente distribuição de rotas, mas uma decisão da 8ª Vara Empresarial do Rio, que cuida da recuperação judicial da Varig, congelou esse processo.

 

O diretor de relações institucionais da TAM, Paulo Castello Branco, argumenta que o lado brasileiro 'está travado' e que o plano de expansão da nova Varig, em três etapas, nem sequer determina quando a empresa voltará a operar os destinos no exterior. Na semana passada, os presidentes da TAM, Marco Antonio Bologna, e da Gol, Constantino de Oliveira Junior, defenderam em almoço com o presidente Lula uma solução rápida para a malha aérea no País.

 

A nova Varig argumenta que ainda não tem autorização para voar e, por isso, não poderia começar a contar o prazo para redistribuição das suas rotas. 'É a nova empresa que está operando com o cheta (autorização de empresa aérea) da velha', disse Castello Branco, citando que a empresa voa para alguns destinos fora do País. A Varig responde assegurando que irá retomar progressivamente esses vôos.

 

HOMOLOGAÇÃO

A comissão de juízes que cuida da recuperação judicial da Varig tem poderes para conceder a concessão de transporte aéreo para a nova Varig via decisão judicial, caso a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) não dê a autorização.

 

O entendimento é do Ministério Público do Rio, manifestado em ata de reunião realizada ontem no Tribunal de Justiça com representantes do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea),VarigLog, a administradora judicial Deloitte e o gestor judicial da Varig antiga, Miguel Dau.

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