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Aeroportos próximos do colapso


-GustavoK-

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Fonte: Correio Braziliense

 

Setor de aviação cresce rapidamente e, sem ter se preparado, Brasil está muito perto do limite de atendimento aos passageiros. Transtorno para os clientes deve continuar aumentando

Mariana Mazza

Da equipe do Correio

 

Uma nova crise está prestes a atingir em cheio o setor aéreo. Quem usa com freqüência os aeroportos brasileiros já começa a reparar os sinais do colapso no atendimento, demonstrado pelas filas imensas, atrasos intermináveis, preços mais altos e muito transtorno. E, ao contrário do que muitos possam pensar, a culpa não é da redução de vôos da ex-líder Varig. O laudo da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), responsável por cuidar dos aeroportos nacionais, é que o Brasil está perto do limite no atendimento de passageiros por conta do crescimento impressionante que o setor tem apresentado.

 

Com uma demanda aumentando em torno de 15% ao mês, os principais aeroportos brasileiros — que passaram há poucos anos por reformas — já estão próximos do limite da capacidade de circulação de pessoas. É o caso do Juscelino Kubitschek, em Brasília. A Infraero calcula que, em novembro, o aeroporto ultrapassará o teto para o atendimento de passageiros, embora ainda tenha pistas para receber mais aviões. O resultado dessa equação será o aumento do transtorno para quem precisa usar o aeroporto brasiliense.

 

“Mesmo que a Varig se recupere, não espere uma beleza nos aeroportos”, alerta o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira. A explosão da procura pelos serviços aéreos é vista como um “bom problema” pelo presidente da estatal, pois indica que viajar de avião tornou-se mais popular no Brasil, sem contar o aumento do turismo. No entanto, os problemas no atendimento começam a preocupar, uma vez que comprometem o serviço e podem afastar os brasileiros dos aeroportos.

 

Para o bancário Leonardo Araújo, 41, é notória a queda na qualidade nesses últimos meses. Como viaja muito a trabalho, Araújo tem presenciado atrasos cada vez maiores nos aeroportos de todo o país. Nas vezes em que foi vítima desses problemas, percebeu o quanto o atendimento piorou. “O que mais me irritou foi a falta de respeito, de ninguém vir prestar uma informação sobre o que está acontecendo”, critica. “Eu tenho convicção de que os empregados estão fazendo o melhor, mas as empresas não estão dando conta.”

 

O drama tem contornos ainda mais claros quando o passageiro depende do transporte aéreo para fechar um negócio. O advogado Luis Maximiliano Telesca, 31, coleciona ocasiões onde os atrasos e cancelamentos poderiam ter mudado o desfecho dos processos e significado prejuízos enormes aos seus clientes. Em uma das vezes, o cancelamento de um vôo por pouco não fez com que o advogado perdesse uma ação de mais de R$ 1 milhão. Telesca tinha uma reunião com um desembargador para apresentar seus argumentos sobre o caso que defendia. Junto com o vôo, o encontro acabou cancelado. “Minha sorte foi que o desembargador compreendeu a situação e remarcou a reunião para o dia seguinte”, conta. “A conversa tanto era fundamental que ele mudou seu voto depois do encontro. E eu ia perder uma causa desse valor por conta de um cancelamento no vôo.”

 

Na opinião do assessor de comunicação Flávio de Castro, 36, nem sempre os clientes compreendem que a culpa pelo atraso foi da companhia aérea. “Quando a viagem é de lazer, meio dia a mais ou a menos não faz tanta diferença. Mas para a gente que vai a trabalho, um atraso pode gerar um grande desgaste com o cliente, que às vezes acha que você está fazendo corpo mole”, lamenta.

 

Falta dinheiro para expansão

 

Infográfico

 

Com problemas nos aeroportos de Norte ao Sul do país, a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) precisará fazer mágica com o seu orçamento se quiser redimensionar os saguões e pistas para atender todos os passageiros sem problemas. Pelos cálculos da estatal, é necessário investir R$ 1,5 bilhão anualmente, nos próximos cinco anos, para fazer as reformas necessárias. No entanto, o orçamento da Infraero é de R$ 800 milhões, dinheiro usado tanto para expansões dos aeroportos, quanto para a manutenção das instalações já existentes.

 

A saída encontrada até o momento para “completar” a diferença no caixa tem sido a assinatura de convênios com governos estaduais e com a própria União para a reforma de aeroportos centrais. Mesmo assim, os principais problemas da Infraero permanecem pendentes. É o caso dos aeroportos internacionais de Guarulhos (SP) e do Galeão (RJ). A estrutura fluminense ainda tem folga para atender um pequeno aumento da demanda, mas em pouco tempo pode ter os mesmos problemas de São Paulo.

 

Guarulhos precisa de uma ampliação na área de atendimento, sobrecarregada com o aumento das viagens ao exterior. A Infraero já possui inclusive o aval do Tribunal de Contas da União (TCU) para a construção do terceiro terminal em São Paulo, o que deve desafogar a área de check-in. A obra, no entanto, não tem data para começar. Além de ampliar o limite atual de recebimento de passageiros, a expansão de Guarulhos poderia ajudar na solução de um problema ainda mais grave: o tráfego de Congonhas, no centro da capital paulista.

 

O aeroporto mais movimentado do país sofre com a impossibilidade de expansão. Incrustado no meio da cidade, Congonhas ainda nem saiu da última reforma — que deve acabar neste ano — e já está com o novo teto de atendimento ultrapassado em pelo menos 3 milhões de passageiros por ano, segundo cálculos da Infraero. O presidente da estatal, brigadeiro José Carlos Pereira, defende a criação de estímulos para que as pessoas, apesar da distância da cidade, optem por pousar em Guarulhos. Mas admite que seria necessário, no mínimo, a criação de uma via expressa para reduzir o tempo de chegada ao centro da metrópole.

 

“Poderia ser feito um trem de alta velocidade por mais ou menos R$ 2 bilhões. Isso resolveria o problema da distância de Guarulhos mas, infelizmente, não está na alçada da Infraero fazer uma obra dessas”, reclama Pereira. De mãos atadas para realocar os passageiros, a Infraero já projeta que, em menos de 10 anos, terá que construir um terceiro aeroporto em São Paulo para dar conta de toda a demanda.

 

As capitais nordestinas também estão na lista de prioridades da estatal. Os bem-sucedidos projetos estimulando o brasileiro a conhecer as belezas do Nordeste e o aumento do número de turistas estrangeiros acabaram provocando um aumento muito grande no fluxo de passageiros nos aeroportos, que agora trabalham no limite. “Os planos estratégicos não têm conseguido acompanhar paripassu a expansão desse setor”, admite Pereira. “Ter problemas porque há crescimento é bom. Mas o gargalo da aviação é forte e merece cuidado.” (MM)

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É o caso dos aeroportos internacionais de Guarulhos (SP) e do Galeão (RJ). A estrutura fluminense ainda tem folga para atender um pequeno aumento da demanda, mas em pouco tempo pode ter os mesmos problemas de São Paulo.

 

Pequeno aumento? No GIG tem espaço pra burro, principalmente no TPS2, tanto que até hoje a InfraZero não terminou de inaugurar o mesmo. Quem conhece o GIG sabe que o pisos de embarque/desembarque e o mezanino não estão abertos até toda a extensão do terminal, existe uma parede temporária que limita esses andares. O GIG recebe hoje cerca de 9 milhoes e uns quebrados anuais de pax a capacidade plena é de uns 14 ou 15 milhoes ou seja..um "pequeno" acrescimo de cerca de 5 a 6 milhoes de pax por ano.

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“Poderia ser feito um trem de alta velocidade por mais ou menos R$ 2 bilhões. Isso resolveria o problema da distância de Guarulhos mas, infelizmente, não está na alçada da Infraero fazer uma obra dessas”, reclama Pereira. De mãos atadas para realocar os passageiros, a Infraero já projeta que, em menos de 10 anos, terá que construir um terceiro aeroporto em São Paulo para dar conta de toda a demanda.

 

Bom tudo bem construir um 3º aeroporto em São Paulo, isso seria ótimo pois diminuiria os problemas de CGH, mas agora uma pergunta chave: onde é que seria construído esse aeroporto?? Porque na cidade de São Paulo eu não me lembro de nenhum local que seja possivel tal obra, só se fosse construído na Região Metropolitana, mas daí não resolveria muita coisa pois seria uma espécie de GRU, os paxs embarcam reclamando por ser muito longe para se chegar.

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É o caso do Juscelino Kubitschek, em Brasília. A Infraero calcula que, em novembro, o aeroporto ultrapassará o teto para o atendimento de passageiros, embora ainda tenha pistas para receber mais aviões. O resultado dessa equação será o aumento do transtorno para quem precisa usar o aeroporto brasiliense.

e a obra do satelite sul, soh no papel...

 

o bizarro eh ler "planos estrategicos". Planos mirabolantes nunca funcionam (vide cebolinha), e isso acaba por evitar um desenvolvimento adequado do aeroporto, para manter ele por algum tempo subutilizado para dar margem a crescimento.... se nao... a cada 12 meses, um plano infalivel pra ajuste...

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Bom tudo bem construir um 3º aeroporto em São Paulo, isso seria ótimo pois diminuiria os problemas de CGH, mas agora uma pergunta chave: onde é que seria construído esse aeroporto?? Porque na cidade de São Paulo eu não me lembro de nenhum local que seja possivel tal obra, só se fosse construído na Região Metropolitana, mas daí não resolveria muita coisa pois seria uma espécie de GRU, os paxs embarcam reclamando por ser muito longe para se chegar.

 

lembram do projeto de Cotia??? poderia ser viavel, eh perto tb... e atende a todos.... hehehehe

e pra mim seria um pulo pra ficar "morando" no aero!! :thumbsup:

 

abraço

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GRU tem somente 21 anos né? Tão pensando fazer outro?

 

Conclusão: GRU foi muito mal planejado e no lugar errado, certo?

 

Cidade do México por exemplo tem 1 aeroporto e no meio da cidade e tem 25 milhões de pax ano.

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O problema não é dinheiro, o grande problema é vontade política mesmo. Planejar melhor, e não tomar medidas paliativas - como bem disse o Omykron: Plano infaliveis do cebolinha, otimizar o funcionamento dos aeroportos com obras que realmente conduzam aos resultados esperados e não chover no molhado como ogoverno tem feito. Como disse o Brigadeiro: "Poderia ser feito um trem de alta velocidade por mais ou menos R$ 2 bilhões." Simples não? :ohyes: Dinheiro de pinga para um País onde os escandâlos quase sempre estão na casa dos centenas de milhões.

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É mais que obvio que basta fazer um melhor direcionamento de conexões, toda empresa sabe o que isso representa, mas precisam ter vontade de fazê-lo !!!!

 

Felipe

 

Falou tudo! Toda vez que pego a ponte daqui pra CGH é impressionante o numero de pessoas que seguem para a área de conexções. O que acontece é que as cias não tem "peito" de dividir o centro de conexções com a alta demanda para/de SP.

 

Abraços

 

Matheus

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Falou tudo! Toda vez que pego a ponte daqui pra CGH é impressionante o numero de pessoas que seguem para a área de conexções. O que acontece é que as cias não tem "peito" de dividir o centro de conexções com a alta demanda para/de SP.

 

Exato Matheus, a TAM por exemplo, poderia tirar 2 BSB-CGH, 2 CNF-CGH, 2 SDU-CGH, 2 CWB-CGH, 2 POA-CGH e simplesmente usar os tempos criados para direcionar os voos a outro aeroporto.

 

Não iria doer nada, São Paulo teria que esperar por vôos em horários de menor movimento, mas uns 2.000 passageiros por dia deixariam de transitar pelos saguões. Parece pouco, mas são mais de 700 mil por ano!

 

Felipe

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