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Uma entrevista com Ivan Sant'anna


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ENTREVISTA COM IVAN SANT'ANNA

Escritor fala sobre tragédia do vôo da Gol e de quão seguro é voar nos dias de hoje

Por Mahanna Costa (5/10/06)

 

O acidente envolvendo um Boeing 737/800 da Gol e um jato particular Legacy, da Embraer, no dia 29 de setembro levantou dúvidas sobre a segurança nos vôos e trouxe à tona o mito de que é quase impossível sobreviver a um acidente aéreo. O país assistia atônito enquanto as equipes de resgate anunciavam que nenhum dos 155 passageiros sobreviveu à queda na Serra do Cachimbo, limite do Pará com Mato Grosso. O escritor Ivan Sant'Anna, autor do best-seller Caixa-Preta, que reconta a história de três grandes tragédias aéreas no Brasil, conhece bem a realidade da segurança na aviação. Em seu trabalho mais recente, Plano de Ataque (Objetiva, 280 páginas, R$ 38,90) sua paixão pela aviação o levou a pesquisar durante três anos a trajetória dos homens recrutados para pilotar os aviões nos atentados do 11 de setembro, nos Estados Unidos. Sant'Anna, que também é piloto amador, falou sobre a tragédia do vôo da Gol e o quão seguro é voar nos dias de hoje.

 

Por que os acidentes aéreos exercem tanta comoção popular?

Acho que isso vem desde os primórdios da aviação, quando voar era realmente arriscado. Por isso os aviadores eram considerados heróis e, de certo modo, os passageiros também. Se morrem 200 pessoas em um tufão na Ásia, ninguém, a não ser na região atingida, dá muita importância. Mas se cai um jato comercial no centro da África, também com 200 mortos, sai na primeira página de todos os jornais do mundo. Foi o que aconteceu, agora, com o acidente envolvendo o vôo 1907 da Gol.

 

Na sua opinião, quão seguro é viajar de avião?

Se você vai embarcar para a Europa no aeroporto de Guarulhos, perde o embarque e volta para casa, para aguardar o vôo do dia seguinte, vai correr mais riscos de morte na ida-e-volta aeroporto-casa-aeroporto, do que se estivesse no avião cruzando o Atlântico. Só para dar uma idéia de quão seguros são as viagens aéreas, em 60 anos de vôos entre o Brasil e a Europa, só caiu o Boeing 707 da Varig, em Paris, no ano de 1973, episódio que narro em meu livro Caixa-preta.

 

Com que frequência acidentes ocorrem?

No Brasil, a grosso modo, um acidente envolvendo uma aeronave comercial de grande porte ocorre uma vez a cada 10 anos. O último, antes desse da Gol, aconteceu em 1996, quando caiu o Fokker 100 da TAM na Ponte Aérea Rio-São Paulo. Agora, acidentes com aviões menores, operando em aeroportos com menos estrutura de apoio, são mais freqüentes. Na Amazônia cai um teco-teco quase todas as semanas.

 

Quais foram os piores acidentes aéreos no Brasil?

O pior foi este da Gol, com 155 mortos. Antes dele, o Boeing 727 da Vasp que caiu nas proximidades de Fortaleza, em junho de 1982, com 137 mortos. O terceiro foi o do Fokker 100 da TAM, há dez anos, com 99 mortos, entre passageiros e moradores do local onde caiu o avião, no bairro do Jabaquara.

 

O acidente da Gol tem semelhança com algum deles?

Não. Nenhuma. A colisão de duas aeronaves numa área do pouco tráfego aéreo (principalmente naquela altitude) é matemáticamente quase impossível de acontecer. E, no entanto, aconteceu. Acho que, em toda a história da aviação mundial, foi a colisão mais improvável. A maioria dos choques aéreos, que são cada vez mais raros, acontece em rotas de grande tráfego.

 

Qual o procedimento que oferece mais risco num vôo?

Os minutos que precedem um pouso são os que apresentam o maior índice de acidentes fatais.

 

Há aviões mais seguros do que outros?

Com certeza. Os grandes jatos comerciais são muito mais seguros do que os pequenos aviões usados como táxi aéreo ou na aviação esportiva. Os aviões de combate também apresentam um índice de acidentes muito maior do que os da aviação comercial.

 

Existe uma poltrona mais segura em caso de colisão?

As da última fila. Nos desastres com muitos mortos, e um ou dois sobreviventes, quase sempre estes estão sentados lá atrás. Mas isso não é uma regra fixa.

 

Há alguma dica para aumentar as chances de sobrevivência em um acidente aéreo?

Se o avião caiu, ou fez um pouso forçado, e você sobreviveu, a dica é manter a calma e se dirigir às saídas de emergência.

 

O que você acha que aconteceu no acidente da Gol?

Falha humana, com certeza. Em colisões aéreas a causa é sempre falha humana.

 

Os equipamentos e procedimentos usados na segurança aeronáutica são confiáveis?

Mais confiáveis do que em qualquer meio de transporte.

 

A estrutura de resgates para acidentes como esses é eficiente?

É. Tanto que o vôo 1907 caiu no meio da selva amazônica no final da tarde e no dia seguinte as equipes de busca o localizaram.

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