Jump to content

CTA: Matávamos o problema no peito...


jambock

Recommended Posts

Meus prezados:

"Matávamos o problema no peito"

Entrevista: gaúcho de 31 anos, participante da operação padrão

RODRIGO CAVALHEIRO

Um dos 149 convocados pela Aeronáutica para a força-tarefa incumbida de normalizar os vôos, um gaúcho de 31 anos ficou irritado ao receber a ordem. Participante da operação dos controladores de Brasília que há sete dias atrasa vôos em todo o país, o militar da Aeronáutica considera a medida uma forma de encarceramento. Com a condição de que sua identidade fosse preservada, sob o receio de ser punido na corporação, ele concedeu entrevista a Zero Hora. Por telefone, desde Brasília, ele contou como a manifestação foi desencadeada. Veja os principais trechos:

Zero Hora - Quando começou a operação?

Militar - Foi depois do acidente com o avião da Gol. Fomos questionados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, quando todos sabem que há problemas nos radares e nos equipamentos daquela região. Paramos e pensamos "olha a quantidade de erros que cometemos". Matávamos o problema no peito, não vamos mais assumir este risco.

ZH - Por que os atrasos só foram sentidos nesta semana?

Militar - Pelo aumento no número de vôos devido ao feriado.

ZH - Como a operação foi planejada?

Militar - Decidimos pedir por escrito as ordens superiores que vão contra as normas de segurança. Os superiores perceberam e começaram as punições. Como militares, somos proibidos de nos sindicalizar, mas nos organizamos na Associação Brasileira de Controle de Tráfego Aéreo.

ZH - Por que não denunciaram antes?

Militar - Somos pressionados. Quando seguimos as normas, somos ameaçados de prisão e de afastamento de cursos de aperfeiçoamento. A queda do avião e o afastamento dos colegas devido ao acidente foram o estopim.

ZH - Há tensão entre os controladores?

Militar - Desde o acidente, 30 entraram em licença médica em Brasília. Está completamente estressante. Tem colega que vomitou, passou mal... Eu tenho insônia, não consigo me concentrar. Imagina os 12 que foram afastados! Três deles tiveram envolvimento direto, pois trabalhavam no setor no instante do choque. Dois deles me disseram chorando "matei aquelas pessoas".

ZH - O sentimento de culpa é porque o controle poderia ter avisado o avião da Gol do risco?

Militar - (Silêncio) Participei da investigação do acidente, e este fator provavelmente contribuiu para o choque. Mas não foi a causa.

ZH - Há informação de que o Legacy recebeu autorização de controladores para estar naquela altitude. Este foi o primeiro erro?

Militar - Pode ter sido, mas nesta área um acidente não é causado por erro isolado. Os controladores podem ter errado, mas a falta de estrutura levou ao acidente.

ZH - Atrapalhar a vida de tantos passageiros é a solução?

Militar - Quem viaja de avião é 2% da população, quem tem mais grana. E acho que eles preferem ficar horas no chão a 50 minutos arriscando a vida no ar. Fiquei três horas dormindo no chão à espera de vôo para Porto Alegre e mais uma hora e meia em São Paulo. Fui vítima do próprio veneno.

ZH - A situação vai se normalizar até domingo?

Militar - Pedimos a desmilitarização da atividade, entre outras coisas. Em troca, vamos dar um gás nos horários de folga para trabalhar durante o feriado.

fonte: jornal "Zero Hora" 03 nov 2006

Link to comment
Share on other sites

Archived

This topic is now archived and is closed to further replies.

Guest
This topic is now closed to further replies.
×
×
  • Create New...

Important Information

Saiba os termos, regras e políticas de privacidade