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Vôos voltam a atrasar e agências de viagem temem caos nas férias


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O ESTADO DE S.PAULO

Vôos voltam a atrasar e agências de viagem temem caos nas férias

Atrasos afetaram pelo menos 629 decolagens só ontem, 42% do total das operações, segundo balanço da Infraero

ISABEL SOBRAL, BRUNO TAVARES,

PAULO BARALDI, ROBERTA PENNAFORT

E TÂNIA MONTEIRO

 

Os atrasos nos vôos em todo o País voltaram ontem a atormentar passageiros e funcionários de companhias aéreas. A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) informou que 42,3% das 1.487 decolagens previstas entre zero hora e 19h30 partiram com pelo menos 15 minutos de atraso, prejudicando 629 vôos. Fontes da própria Aeronáutica já admitem que não há solução de curto prazo à vista para a crise, iniciada no dia 26 com a greve-padrão de controladores de vôo. Setores como o das agências de viagem, tradicionalmente empolgados com o fim de ano, estão apreensivos. 'Se não houver um tratamento de choque no curto prazo, teremos férias complicadas', disse o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), João Pereira Martins Neto.

 

A nova onda de atrasos nos aeroportos foi tema de reunião ontem no Palácio do Planalto. Após mais de três horas de conversa, o governo emitiu uma nota lacônica, sem anunciar novas medidas. Enquanto isso, os controladores insistem que não estão fazendo operação-padrão e a causa dos problemas de ontem e de domingo - quando a Infraero contabilizou atrasos de mais de 15 minutos em 670 vôos - são conhecidas: falta de pessoal.

 

Oficialmente, a Aeronáutica informou que não houve problemas nem com os operadores nem com o tráfego aéreo, apesar do atrasos. Não admitiu nem mesmo a falta de controladores no domingo e afirmou que, naquele dia, só houve 'controle de fluxo'. Em relação a ontem, a Força Aérea Brasileira (FAB) atribuiu os atrasos a problemas meteorológicos ocorridos pela manhã, em Salvador, e, à tarde, no Rio.

 

A Abav alertou que, se a crise não for resolvida rapidamente, a situação deve piorar em dezembro e janeiro, quando o número de vôos cresce de 15% a 25%. 'A melhor palavra para definir o sentimento do setor hoje é apreensão', disse Martins.

 

Com base nos números de oferta de assentos, divulgados mensalmente pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o consultor em aviação Paulo Bittencourt Sampaio destacou que o pico da demanda e oferta por vôos ocorre em janeiro. Em outubro do ano passado, por exemplo, foram oferecidos por todas as companhias aéreas do País 4,3 milhões de assentos. Em dezembro, a oferta subiu para 4,4 milhões e em janeiro chegou a 5 milhões. Em abril, a oferta voltou para a casa dos 4,3 milhões de assentos.

 

Para Sampaio, a ação do governo para aperfeiçoar a carreira dos controladores é fundamental para evitar mais caos nos aeroportos. 'E isso tem que vir acompanhado de credibilidade junto aos profissionais.'

 

O presidente da Associação Brasileira de Operadores de Turismo (Braztoa), José Zuquim, é outro que está preocupado, mas prefere esperar para saber o efeito dos atrasos no setor. Por enquanto, a crise fez cair em 5% a compra antecipada de pacotes. 'Mas esperamos um crescimento de 15% nas vendas de fim de ano e janeiro.'

 

A Braztoa pediu à Anac sua participação em um conselho consultivo de entidades do turismo e da aviação para ter informações sobre os motivos dos atrasos. As associadas da entidade respondem por cerca de 80% dos pacotes vendidos no País.

 

Ontem, aliás, nem a Anac poupou a Aeronáutica de críticas. Para o presidente da agência, Milton Zuanazzi, as justificativas apresentadas pela FAB para explicar a volta dos atrasos e retenções de vôo são insuficientes. 'Sabemos que há falta de pessoal e evasão em algumas regiões. Mas é preciso aprofundar a discussão, senão será difícil resolver o problema.' Reservadamente, técnicos da agência disseram considerar suspeito o aumento do número de licenças médicas pedidas pelos operadores.

 

Zuanazzi disse que, para amenizar a crise, a agência tem trabalhado, desde a semana passada, num projeto de reestruturação da malha aeroviária e dos horários de chegada e partida dos vôos.

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