Jump to content

Avião cai em Goiânia


Tremedera

Recommended Posts

A bruxa está solta...

 

 

Avião cai e destrói 2 casas

 

Bimotor com sete pessoas a bordo faz pouso de emergência no

Jardim Liberdade. Acidente causou prejuízos, mas nenhuma pessoa

ficou gravemente ferida. É o quarto caso em 13 dias em GoiásMalu Longo

 

O bimotor Sêneca 3, prefixo PT-RST, de propriedade do agropecuarista e empresário Adriano Ricardo de Carvalho, de 34 anos, caiu por volta do meio-dia de ontem, no Jardim Liberdade, Região Noroeste de Goiânia, nas proximidades do Aeroclube de Goiânia. A aeronave, bastante danificada, ficou sobre o muro das casas dos lotes 21 e 22 da Rua U. Nenhum dos sete ocupantes, entre eles o piloto Roberto Rottini, ficou ferido. Tecnicamente, o que ocorreu foi considerado um pouso de emergência. Este foi o quarto caso de acidente com aeronave em Goiás neste mês.

 

O proprietário do avião, a mulher dele, Susiléia Junqueira Carvalho, 29, os dois filhos do casal, de 2 anos e de 10 meses, a babá e o primo, o médico urologista César Vilela, tinham saído da fazenda da família, em Vila Rica (MT). De acordo com testemunhas, o piloto tentou por duas vezes pousar na pista do aeroclube e não conseguiu. Ao circular pelas imediações para fazer nova aterrissagem, o avião atingiu a copa de duas árvores, a rede de alta tensão da Rua U, o telhado das duas casas e parou sobre o muro.

 

A primeira pessoa a chegar ao local do acidente foi o segurança Ronair Nunes Soares, de 31 anos. “Eu ajudei todos a sair de dentro do avião”, informou. Tratado como um herói pelos amigos, Ronair contou que no momento não pensou na possibilidade de explosão, só queria salvar os sobreviventes. “Como eles estavam em choque, procurei acalmá-los”, disse.

 

Presidente do Aeroclube de Goiânia, Zezil Alves Ferreira chegou logo em seguida, acreditando que iria deparar com uma grande tragédia. “Foi um verdadeiro milagre”, resumiu. Segundo Zezil, ao tentar pousar, o piloto notou que houve falha no motor direito. “O piloto evitou uma tragédia maior. Ele não andou um milímetro sobre o muro”, contou Zezil, ressaltando que Roberto Rottini é instrutor de vôo e tem larga experiência.

 

Proprietário da casa do lote 21, José Schiochet ainda estava transtornado uma hora após o acidente. Ele tinha saído e, ao se aproximar da residência, percebeu a movimentação dos vizinhos. “Minha mulher e meus filhos estão salvos, isso é o que conforta”, assinalou. Mulher de José, Deuzinha Aparecida adiou a preparação do almoço de domingo porque os filhos Pablo, de 14 anos, e Mário, 7, não estavam com fome. “A minha sorte é que resolvi arrumar o guarda-roupa”, contou Deuzinha que, ao olhar para o lado, viu o teto da cozinha no chão. “Peguei meu filho e saí correndo”.

 

Equipes do Corpo de Bombeiros chegaram ao Jardim Liberdade cerca de dez minutos depois do pouso forçado. No comando da operação, o segundo-tenente Nériton Pimenta Rocha isolou a área, retirou os moradores das casas próximas e orientou todos a não acenderem lâmpadas, chamas ou cigarros até que o combustível que escorreu da aeronave fosse recolhido. Leidna Vital Silva, vizinha às casas atingidas, estava almoçando no momento do acidente. “Fiquei completamente descontrolada”, disse Leidna, que abandonou o prato e saiu de casa junto com os dois filhos pequenos.

 

As duas casas atingidas pelo Sêneca ficaram bastante danificadas. No lote 22, a caixa d’água e o telhado da área de serviço foram arrancados. No lote 21, o estrago foi ainda maior. O telhado, a partir do alpendre, sofreu avarias. Na cozinha, o teto caiu. “Eu gastei R$ 40 mil na reforma da casa”, disse José Schiochet. “Nossos móveis são novinhos, ainda estamos pagando as prestações”, completou Deuzinha, ressaltando que há poucos dias chegou a pensar que um dia um dos aviões do aeroclube poderia cair sobre a casa dela. Acabou acontecendo.

 

Desespero

No bar do Aeroclube de Goiânia, o casal Silvana e José Roberto Ala comemorava com amigos e familiares o primeiro vôo solo do filho Fernando. “Vimos quando o avião tentou pousar e não conseguiu”, disse Silvana, que chegou a passar mal acreditando que fosse a aeronave do filho. A filha de Silvana, Maria Elisa, foi ágil. Ao perceber que o avião estava descontrolado, a estudante ligou para o Corpo de Bombeiros. “Foi tudo muito rápido. Quando acionei os bombeiros, o avião ainda não tinha caído”, contou. “Depois que tudo passou fizemos uma oração aqui para agradecer a Deus porque não houve vítimas”, disse Silvana.

 

No mesmo lugar onde a família Ala se reunia, parentes dos ocupantes do Sêneca aguardavam a aeronave pousar. “Foi um desespero, todos assistiram daqui ao pouso forçado”, disse José Roberto. Entre eles estava a mulher do médico César Vilela, que está grávida. De acordo com Silvana, as pessoas estavam se comunicando pelo celular e, logo após o pouso forçado, o marido tranqüilizou a mulher.

 

Mauri Martins, piloto aposentado do Serviço Aéreo do Estado, resolveu passar pelo aeroclube no domingo. “Estava aqui por acaso e assisti a tudo.” Não foi a primeira vez que Mauri e a mulher, Selma, que o acompanhava, se sentiram impotentes diante de uma situação como essa. Moradores do Goiânia 2, eles acompanharam de perto, em 1999, a queda do avião que matou o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Sulivan Silvestre. O avião caiu sobre a quarta casa abaixo da residência deles, na mesma rua, matando, além de Sullivan, o comandante Aguimar Domingos Rosa, que pilotava o aparelho, o auxiliar administrativo da Funai Adão Fernandes Sobrinho e Luciano Ribeiro Neves, secretário particular do presidente da Funai.

 

Pulo

Do céu não veio apenas o calor do sol, mas também um avião. O costureiro Deigmar Argeu Rodrigues aproveitava o horário de almoço para lavar seu tênis no tanque e mal deu tempo de entender o estranho barulho que se aproximava. “Quando vi o que estava acontecendo, dei um pulo para trás”. A rapidez de Deigmar salvou sua vida. A asa esquerda do bimotor atravessou exatamente o lugar onde estava o costureiro.

 

Era domingo, mas Deigmar trabalhava na confecção, no Setor Finsocial, perto de sua casa. Quando ligou para o trabalho dizendo que não voltaria à tarde porque “um avião tinha caído em sua casa”, os colegas caíram na gargalhada. Depois do susto, o costureiro contou a história rindo, mas uma hora após o acidente, ainda não sabia como iria contar ao sogro, o proprietário da casa, o que havia ocorrido. O restante da família, outras cinco pessoas, não estava em casa.

 

Quarto caso em 13 dias

 

Este foi o quarto acidente aéreo, sem vítimas, em apenas 13 dias em Goiás. No dia 6, o AT-26 Xavante, pilotado pelo tenente Paulo Roberto Cursino dos Santos, 32 anos, caiu numa área particular desabitada, perto da cabeceira da pista da Base Aérea de Anápolis. O piloto conseguiu se ejetar antes de o avião atingir o solo.

 

No dia 17, um helicóptero Esquilo, com uma pane no rotor da hélice da cauda, caiu na pista do Aeroclube de Goiânia. O piloto Roni Piagetti e uma pessoa não identificada não tiveram ferimentos graves. No dia 11, o avião BE90, com três pessoas, derrapou na pista do Aeroporto Santa Genoveva, interditando o local por duas horas.

 

Fonte: Jornal O popular 20/11/2006

Link to comment
Share on other sites

Archived

This topic is now archived and is closed to further replies.

Guest
This topic is now closed to further replies.
×
×
  • Create New...

Important Information

Saiba os termos, regras e políticas de privacidade