Jump to content

Ao contrário do previsto, há excesso de pilotos


C010T3

Recommended Posts

Ao contrário do previsto, há excesso de pilotos

 

Por Alberto Komatsu | De São Paulo

Valor Econômico - 15.04.2013

 

Quase 18 anos como piloto de avião, 16 dos quais na Varig, onde chegou a voar para Ásia, Europa e Estados Unidos. Apesar da experiência de 12 mil horas de voo, o comandante Renan Sampaio agora trabalha com engorda de gado e plantação de soja, numa fazenda da família. Ele fez parte de um corte de 270 pilotos após a extinção da Webjet pela Gol Linhas Aéreas, em novembro do ano passado. No total, 850 pessoas foram dispensadas.

 

"Tem que tocar o barco. A esperança é que apareça uma oportunidade boa, pois a minha paixão é pilotar", afirmou Sampaio. "Os ciclos de crise na aviação estão cada vez menores."

 

Mesmo que seja temporária, a troca de atividade do ex-comandante da Webjet faz parte da atual realidade dessa categoria profissional. No ano passado, o menor crescimento econômico, a escalada do preço do combustível e a desvalorização do real em relação ao dólar, aliados ao processo de redução da oferta doméstica de assentos nos aviões, adiou a projeção de que a partir de 2013 haveria falta de pilotos para a aviação comercial. Em 2010, essa perspectiva era consenso entre empresas aéreas, universidades e especialistas do setor, diante de taxas de crescimento de demanda consistentes nos seis anos anteriores, cinco deles com dois dígitos.

 

"A gente achava que com a Copa e a Olimpíada haveria uma falta muito grande de pilotos. A situação se inverteu, porque vemos agora o fechamento da Webjet, que supria bastante o mercado", afirmou o professor Elones Ribeiro, do curso de ciências aeronáuticas da PUC-RS, uma das 10 universidades do país que formam pilotos.

 

O ano de 2010 terminou com crescimento de 23,81% no fluxo de passageiros transportados no país e aumento de 19,26% na oferta de assentos nos aviões. Esses dois índices são os maiores da séria histórica da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), iniciada em 2001.

 

No ano passado, no entanto, a demanda doméstica registrou o crescimento mais baixo em nove anos, de 6,79%. A oferta de assentos nos aviões avançou só 2,72%, a menor variação desde 2003. Com a alta do combustível, que responde por 43% dos custos das empresas, e a desvalorização do real, o prejuízo somado de Gol e TAM foi de R$ 2,7 bilhões, o pior resultado combinado da história.

 

arte15emp-102-pilotos-b1.jpg

 

"Vamos ter problemas com pilotos entre três a cinco anos. Vai depender de como for a recuperação da economia mundial e de como vai ser a taxa de crescimento econômico brasileira", afirmou o consultor técnico da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Adalberto Febeliano. Estudo feito por ele, no ano passado, mostra que o Brasil vai precisar de 24 mil pilotos nos próximos 20 anos. A projeção foi feita com as previsões de vendas das fabricantes de aviões Boeing, Airbus e Embraer para o mesmo período. No total, são 5.439 aeronaves.

 

Segundo Ribeiro, da PUC-RS, a última turma de 60 alunos que se formaram em 2012 estão sem emprego. A PUC-RS e a Azul Linhas Aéreas têm um acordo no qual a Azul aproveitava todos os graduados da faculdade gaúcha, mas no ano passado nenhum deles foi contratado pela empresa.

 

"Com a aviação aquecida, o aluno vem para cá. Se o Brasil não retomar o crescimento econômico, a tendência é recuar", disse Ribeiro. O custo total do seu curso, com três anos de duração e 160 horas de voo é R$ 140 mil.

 

"Enviamos uma proposta ao governo para criar uma universidade pública com formação de pilotos. Essa proposta foi feita em 2003. Hoje quem pode fazer curso de piloto é filho de milionário", afirmou a diretora do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio. "Hoje a situação é totalmente contrária à tese de que em 2013 haveria um gargalo", acrescentou.

 

A Secretaria de Aviação Civil (SAC), que recebeu a proposta de criação de uma faculdade pública para a aviação, afirmou que estuda como fomentar a formação de pilotos. "Até o momento, não há nada conclusivo", informou.

 

Em 2011 se verificava um crescente interesse pela carreira de piloto, segundo o dado mais recente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) do Ministério da Educação. Foram 3.660 inscrições no processo seletivo de 12 cursos naquele ano, mais que o dobro do número de inscritos em 2010. A quantidade de vagas, porém, recuou 5,2% de 2010 para 2011, para 1.450 vagas. Em 2011, 323 alunos concluíram cursos de aviação no país, ante 228 pessoas em 2010.

 

"Como houve 'boom' de contratação, houve 'boom' de formação. Temos um conjunto de profissionais formados aptos a trabalhar na aviação regular. Eles buscam outros tipos de contratação para continuar a sua profissão, ganhando experiência", disse o diretor da Anac Carlos Eduardo Pellegrino.

 

Dados da Anac mostram um forte recuo na concessão de licenças para piloto de linha aérea, a habilitação necessária para pilotar em companhias aéreas de voos regulares. Segundo levantamento da Anac feito a pedido do Valor, de janeiro a março deste ano foram concedidas 58 licenças, uma redução de 45,3% diante das 106 licenças do mesmo período de 2012.

 

"Naquela época [meados de 2010] havia um número enorme de jovens que entraram em aeroclubes e cursos de ciências aeronáuticas porque a profissão estava demandada e os salários subiram", afirmou o vice-presidente técnico e de operações da TAM Linhas Aéreas, Ruy Amparo. "Esses jovens agora estão terminando seus cursos de piloto e vão encontrar um pouco de dificuldade ao longo deste ano para se posicionar no mercado", acrescentou.

 

A TAM e a Gol iniciaram no ano passado uma redução de capacidade, diante de um quadro de superoferta no mercado doméstico. De 2005 a 2011, a oferta de assentos no país teve crescimento médio anual de 14,56%. Segundo Febeliano, da Abear, na década de 90 a oferta anual de assentos da Vasp equivalia ao que hoje é a capacidade mensal das principais aéreas do país, em torno de 9 bilhões de assentos por quilômetro voado.

 

Em 2013, Gol e TAM planejam um corte de 7% na oferta de assentos no pais. Esse corte é feito com menos aviões, menos utilização de horas diárias e, portanto, menos pilotos são necessários. Na Gol, a previsão é a de que o quadro de contenção de oferta se estenda para 2014.

 

"Se a indústria está voando com 10% a menos de assentos, por exemplo, ela precisaria de 10% a menos de pilotos", afirmou o especialista em aviação da consultoria Bain & Company, André Castellini.

 

http://www.valor.com...esso-de-pilotos

Link to post
Share on other sites

Que mistureba que fizeram. Fala-se de sobra de pilotos e ao mesmo tempo de um projeto que incentiva a formação através de faculdade pública. Não que isso seja ruim, mas inverte a lógica da matéria.

 

E se o problema fosse só a Webjet estaria menos crítica a situação. Faltou dizer que a faca já tinha passado duas vezes na Gol antes do fechamento da WH. E o Rui Amparo falar que salário subiu em meados de 2010?! Estranho.

Link to post
Share on other sites

"Dados da Anac mostram um forte recuo na concessão de licenças para piloto de linha aérea, a habilitação necessária para pilotar em companhias aéreas de voos regulares."

 

What!? :thumbsdown_still:

 

Misturaram tudo.

A verdade é que rolou sim reportagem paga pra entupirem de pilotos no mercado, basta ter olho crítico que em 2010 a aviação bombou e em 2011 "estufou".

Só espero que os aventureiros livrem logo o caminho para os que gostam de verdade da coisa permanecam e prosperem...

 

Abs!

Link to post
Share on other sites

É um tema e tanto para se analisar! Vejo isso na minha faculdade diariamente, pela enorme quantidade de pessoas que estão no curso não por paixão, mas pelo status e pelo salário alto que muitos pensam que um piloto em início de carreia pode ganhar!

 

Estranho é o fato desse Cmte com mais de 12.000 horas/voo não ter conseguido nenhum outro emprego, no Oriente Médio/Asia necessitam muito de pilotos com grande bagagem, então deve ter outro motivo pelo qual ele está desempregado.

 

Percebe-se na roda de colegas, que muitos não querem trabalhar em Linha Aérea, vejo muitos querendo voar na Av.Agrícola aliado ao custo e dificuldade para tirar a licença de PLA, acho que não vai faltar emprego nessa área!

 

Como diz o meu professor: "Não faltam pilotos, faltam Comandantes!"

Link to post
Share on other sites

Comentei em outro tópico o que esse mesmo professor disse: Que as pessoas se resumem muito na finalidade da pilotagem, mas a aviação tem um campo enorme pouco explorado. Na área de Curso Superior, existem Pós-Graduações e o mesmo pode trabalhar como professores/coordenadores em instituições de ensino e conseguir 'cargos' dentro das companhias aéreas se tiver um bom curriculum.

Link to post
Share on other sites

fresquinha!

 

(recebi agora)

 

Curtam...

 

 

 

Meus amigos bom dia

Recebi do Flemming e estou repassando .

Para quem não conhece o Ruy é piloto de hicóptero e voa no grupo Votorantim ( Ex. Cel.AV. da FAB )

 

Abraço

Eduardo

 

 

 

 

Quem são os profissionais que ocuparão os assentos 1P e 2P na aviação brasileira?

 

 

 

 

 

Boatos correm de um lado para o outro na mesma velocidade em que a pista 17 se alterna com a 35 para pousos e decolagens em Congonhas.

 

Há cerca de três anos faltariam pilotos no mercado e a solução seria "importar" estrangeiros sob pena de travarmos a aviação por aqui. O boato foi lançado em momento propício, já que os problemas com a aviação estavam vendendo jornais e garantindo pontos com IBOPE nas telinhas. Os problemas foram solucionados ou foi garantida a esperança de que receberíamos a infra-estrutura adequada. Controladores voltaram a controlar voos, as pistas receberam grooving e promessas foram jogadas ao vento. Nada mais antigo que o jornal de ontem. Assim, ou o assunto mudaria completamente e as atenções seriam voltadas para a transposição do rio São Francisco e o amontoamento de navios na Baía de Santos, ou teríamos que procurar algum aspecto interessante d entro do interminável tema que envolve a aviação.

 

A solução foi dizer que faltariam pilotos e começou o corre-corre das redações atrás de espaço a ser preenchido nos noticiários da TV e nos jornais que circularão no dia seguinte. Você certamente assistiu ou leu alguma notícia de que as pessoas poderiam sonhar tão alto quanto os níveis de cruzeiro dos jatos comerciais que teriam a garantia de um bom emprego.

 

O fato é que se formaram filas em escolas e aeroclubes. E as pessoas foram buscar seu lugar ao Sol sem se preocupar em observar o que realmente estava acontecendo.

 

O que fazer agora com os 1.670 pilotos comerciais de aviões que receberam suas licenças em 2012?

 

Antes mesmo da WebJet colocar os calços em toda sua frota de Boeing, os números já se mostravam incompatíveis.

 

Onde colocar os 1.200 pilotos comerciais de avião que se formaram em 2011?

 

Certamente, muitos dos 792 novos piloto s comerciais de aviões que passaram a disputar um assento de 2P em 2010 já penduraram suas licenças num quadro na parede.

 

Antes dos boatos, o Brasil formava entre 580 e 680 pilotos comerciais de avião e nem todos conseguiam se empregar. Os resultados dos primeiros meses de 2013 apontam para que o recorde de 1.670 licenças de piloto comercial de avião expedidas no ano passado seja superado. A aviação regular, que é o principal objetivo da maioria dos novos pilotos, teve um crescimento de exatos 13 aeronaves entre 2011 e 2012, saltando de 666 para 679. 2010 fechou com 621 e no ano anterior, 571. A taxa de crescimento dos últimos anos dificilmente chegava às 50 aeronaves anuais.

 

Claro que a média na aviação regular é de cinco tripulações por aeronave (uma tripulação é um piloto e um copiloto), mas ainda assim, não é possível encontrar cabines de pilotagem para toda essa demanda de formandos.

 

O crescimento da aviação não -regular (táxi aéreos) tem sido desprezível para aviões e ligeiramente mais acentuado para o caso de helicópteros.

 

Os números da aviação privada são mais consistentes, mas ainda assim estão longe de absorver todos os pilotos que estão sendo lançados ao mercado, porque, embora haja o registro de uma média recorde de cerca de 400 aeronaves ao ano nos últimos cinco anos, muitas delas referem-se a helicópteros ou são de particulares que pilotam seu próprio avião e não evoluem além da licença de Piloto Privado de Avião, que também experimentou recorde histórico com a emissão de 3.161 licenças somente em 2012.

 

Os jornais falam em prejuízos das grandes empresas aéreas que ultrapassam bastante a soma do bilhão. Quando o prejuízo chega a esse nível, saber se trata-se de dólares ou reais, parece ser um mero detalhe. A Gol, porém, dobrou o prejuízo registrado anteriormente e atingiu R$1,5 bi (http://economia.uol.com.br/noticias/r edacao/2013/03/26/prejuizo-da-gol-dobra-em-2012-e-chega-a-r-151-bilhao.htm). No segundo semestre de 2012, a TAM estava quase no primeiro bi no vermelho (http://economia.esta...ro,133163,0.htm). Já se ouve novamente um zum zum zum no sentido de reduzir ligeiramente a frota e readequar quadros (http://exame.abril.c...idade-domestica).

 

Uma bolha perigosa parece que está prestes a explodir. Quando acontecer, vai lançar sonhos para os ares e pulverizar investimentos. Como acontece regularmente na senóide da aviação, quem estiver mais bem preparado terá mais chances de sobreviver.

O que mudou tanto em tão pouco tempo?

Quem vai assumir os assentos do 1P e 2P da aviação brasileira?

 

Ruy Flemming

 

 

Ruy Flemming

Link to post
Share on other sites

Já pedi pra moderação dar uma mãozinha na letra. Desculpem a falha mas é um Ten. Cel. RR que voa helicopteros de US$ 20.000.000 preocupado com a nossa situação!

 

Tive o imenso prazer em ser recebido no Serac IV há quase duas decadas, numa sexta feira e este mesmo senhor entregou a minha carteira de PP em mãos, quase as 18 hrs!

 

Pessoa de altissimo nivel, digo de passagem!

Link to post
Share on other sites

Hawker, Prazer??? Rsrsrs

Geral se tremia de medo do Flemming no Serac-IV.

Haviam 2 coisas que davam medo nessa epoca:

1) Fila do SERAC as vezes dava pernoite

2) Humor do Flemming.

Nao vou questionar sua competencia jamais, somente seu humor naquela epoca!.

Abs

 

(null)

Link to post
Share on other sites

Outro detalhe é essa conversa de que o mercado brasileiro tem potencial pra mais trocentos voos, trocentos aeroportos. Isso não é verdade, sabemos disso. Em 2008/2009 teve empresa falando que existia um leque enorme de destinos sem ligação, que tinha potencial disso e daquilo, mas hoje está cortando destinos no interior. E não dá nem pra criticar falta de estrutura apenas, porque temos determinadas cidades por aí com bons aeroportos onde nenhuma empresa jamais colocou o pé nem pra analisar.

 

Voltamos na velha e eterna questão da popularização fake do transporte aéreo no Brasil. A operação custa caro por inúmeros fatores. Se cobrar caro o sujeito prefere ir de carro, afinal no interior já é rotina. Se cobra barato a conta não fecha. Eu sou bastante cético nessa questão do país ter esse enorme potencial de expansão da malha como alguns executivos afirmam. Escutamos isso há muitos anos, empresas abrem, empresas fecham e a malha tem sido mais ou menos a mesma nos últimos 10 anos.

Link to post
Share on other sites

Meus prezados:

Ao contrário do previsto, há excesso de pilotos

 

Quase 18 anos como piloto de avião, 16 dos quais na Varig, onde chegou a voar para Ásia, Europa e Estados Unidos. Apesar da experiência de 12 mil horas de voo, o comandante Renan Sampaio agora trabalha com engorda de gado e plantação de soja, numa fazenda da família. Ele fez parte de um corte de 270 pilotos após a extinção da Webjet pela Gol Linhas Aéreas, em novembro do ano passado. No total, 850 pessoas foram dispensadas.

"Tem que tocar o barco. A esperança é que apareça uma oportunidade boa, pois a minha paixão é pilotar", afirmou Sampaio. "Os ciclos de crise na aviação estão cada vez menores."

Mesmo que seja temporária, a troca de atividade do ex-comandante da Webjet faz parte da atual realidade dessa categoria profissional. No ano passado, o menor crescimento econômico, a escalada do preço do combustível e a desvalorização do real em relação ao dólar, aliados ao processo de redução da oferta doméstica de assentos nos aviões, adiou a projeção de que a partir de 2013 haveria falta de pilotos para a aviação comercial. Em 2010, essa perspectiva era consenso entre empresas aéreas, universidades e especialistas do setor, diante de taxas de crescimento de demanda consistentes nos seis anos anteriores, cinco deles com dois dígitos.

"A gente achava que com a Copa e a Olimpíada haveria uma falta muito grande de pilotos. A situação se inverteu, porque vemos agora o fechamento da Webjet, que supria bastante o mercado", afirmou o professor Elones Ribeiro, do curso de ciências aeronáuticas da PUC-RS, uma das 10 universidades do país que formam pilotos.

O ano de 2010 terminou com crescimento de 23,81% no fluxo de passageiros transportados no país e aumento de 19,26% na oferta de assentos nos aviões. Esses dois índices são os maiores da séria histórica da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), iniciada em 2001.

No ano passado, no entanto, a demanda doméstica registrou o crescimento mais baixo em nove anos, de 6,79%. A oferta de assentos nos aviões avançou só 2,72%, a menor variação desde 2003. Com a alta do combustível, que responde por 43% dos custos das empresas, e a desvalorização do real, o prejuízo somado de Gol e TAM foi de R$ 2,7 bilhões, o pior resultado combinado da história.

"Vamos ter problemas com pilotos entre três a cinco anos. Vai depender de como for a recuperação da economia mundial e de como vai ser a taxa de crescimento econômico brasileira", afirmou o consultor técnico da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Adalberto Febeliano. Estudo feito por ele, no ano passado, mostra que o Brasil vai precisar de 24 mil pilotos nos próximos 20 anos. A projeção foi feita com as previsões de vendas das fabricantes de aviões Boeing, Airbus e Embraer para o mesmo período. No total, são 5.439 aeronaves.

Segundo Ribeiro, da PUC-RS, a última turma de 60 alunos que se formaram em 2012 estão sem emprego. A PUC-RS e a Azul Linhas Aéreas têm um acordo no qual a Azul aproveitava todos os graduados da faculdade gaúcha, mas no ano passado nenhum deles foi contratado pela empresa.

"Com a aviação aquecida, o aluno vem para cá. Se o Brasil não retomar o crescimento econômico, a tendência é recuar", disse Ribeiro. O custo total do seu curso, com três anos de duração e 160 horas de voo é R$ 140 mil.

"Enviamos uma proposta ao governo para criar uma universidade pública com formação de pilotos. Essa proposta foi feita em 2003. Hoje quem pode fazer curso de piloto é filho de milionário", afirmou a diretora do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio. "Hoje a situação é totalmente contrária à tese de que em 2013 haveria um gargalo", acrescentou.

A Secretaria de Aviação Civil (SAC), que recebeu a proposta de criação de uma faculdade pública para a aviação, afirmou que estuda como fomentar a formação de pilotos. "Até o momento, não há nada conclusivo", informou.

Em 2011 se verificava um crescente interesse pela carreira de piloto, segundo o dado mais recente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) do Ministério da Educação. Foram 3.660 inscrições no processo seletivo de 12 cursos naquele ano, mais que o dobro do número de inscritos em 2010. A quantidade de vagas, porém, recuou 5,2% de 2010 para 2011, para 1.450 vagas. Em 2011, 323 alunos concluíram cursos de aviação no país, ante 228 pessoas em 2010.

"Como houve "boom" de contratação, houve "boom" de formação. Temos um conjunto de profissionais formados aptos a trabalhar na aviação regular. Eles buscam outros tipos de contratação para continuar a sua profissão, ganhando experiência", disse o diretor da Anac Carlos Eduardo Pellegrino.

Dados da Anac mostram um forte recuo na concessão de licenças para piloto de linha aérea, a habilitação necessária para pilotar em companhias aéreas de voos regulares. Segundo levantamento da Anac feito a pedido do Valor, de janeiro a março deste ano foram concedidas 58 licenças, uma redução de 45,3% diante das 106 licenças do mesmo período de 2012.

"Naquela época [meados de 2010] havia um número enorme de jovens que entraram em aeroclubes e cursos de ciências aeronáuticas porque a profissão estava demandada e os salários subiram", afirmou o vice-presidente técnico e de operações da TAM Linhas Aéreas, Ruy Amparo. "Esses jovens agora estão terminando seus cursos de piloto e vão encontrar um pouco de dificuldade ao longo deste ano para se posicionar no mercado", acrescentou.

A TAM e a Gol iniciaram no ano passado uma redução de capacidade, diante de um quadro de superoferta no mercado doméstico. De 2005 a 2011, a oferta de assentos no país teve crescimento médio anual de 14,56%. Segundo Febeliano, da Abear, na década de 90 a oferta anual de assentos da Vasp equivalia ao que hoje é a capacidade mensal das principais aéreas do país, em torno de 9 bilhões de assentos por quilômetro voado.

Em 2013, Gol e TAM planejam um corte de 7% na oferta de assentos no pais. Esse corte é feito com menos aviões, menos utilização de horas diárias e, portanto, menos pilotos são necessários. Na Gol, a previsão é a de que o quadro de contenção de oferta se estenda para 2014.

"Se a indústria está voando com 10% a menos de assentos, por exemplo, ela precisaria de 10% a menos de pilotos", afirmou o especialista em aviação da consultoria Bain & Company, André Castellini.

 

fonte: Alberto Komatsu para Valor Econômico via CECOMSAER 15 abr 2013

Link to post
Share on other sites

Vou dar meu parecer, minha humilde opinião:

 

80% das pessoas que hj entram na aviação, n possuem o menor tino para a mesma. Por incrível que pareça, meus melhores alunos são aqueles que só desejam o PP pq o pai, avô, tio, primo possuem um mono ou mlte e querem voar por diversão. Vejo pessoas vendendo carros, apartamentos, passando dificuldades, incluindo esposa, filhos, pais nessa loucura toda, mas infelizmente eu, como instrutor de voo não posso e nem devo falar algo para essas pessoas. O sonho é de cada um, dinheiro idem. Muitos endividados, com grana do fies e sem a possibilidade de depois que checar o PC, ficar desempregado. O cenário hj é muito diferente, muito tenebroso, e só aqueles que possuem uma Baleia Azul para indicar, ou grana para poder arcar o desemprego, vão conseguir se manter. Meus amigos, tá na hora de pensar no plano B.

 

N entendo essa utopia que o Brasileiro tem com a aviação, essa paixão que precisa ser vomitada a cada palavra só pq começou o curso de PP. É uma auto-afirmação que eu realmente n consigo explicar. Mas o que hj acontece é, que o cara sabe o manual do B737ng como se fosse um comandante da aeronave, mas com 20hrs de voo n consegue pousar um C152, fazer fonia ou até mesmo manter um voo reto nivelado. A formação devia ser repensada, a maneira que se avalia tb. Galera, fico meio perdido, uma vez que todos meus alunos de PP tem algum contato : "Fera, é só vc checar PC que eu te coloco pra dentro", e todos gostam de se gabar sobre isso.Poxa, cade essas oportunidades então?? Como as pessoas podem ser tão ingênuas em achar que alguém vai segurar uma vaga por anos até se formar??? Talvez seja uma ilusão que nós mesmo plantamos. Afinal, quem quer estragar o sonho de alguém???

 

Até hj n consigo entender como a aviação virou a bola da vez, n entendo como 4mil reais possa ser um bom salário e não entendo aonde as pessoas estão tirando 80mil reias para uma formação tão cara. Já era hr de começar separar os homens dos garotos. Já escrevi em outros tópicos sobre isso, não vou me arrastar, até mesmo pq é chover no molhado. Infelizmente hj, a aviação está criando um bando de desempregados endividados.

 

God Bless us all...

Link to post
Share on other sites

Até a fábrica de sonhos admitiu que a situação é crítica, incrível... Como dizem por aí, bom que nisso alguns aventureiros acabam pulando fora, ruim pra quem, mesmo com tino para aviação, acaba de se formar, e não tem nem para onde ir.

Link to post
Share on other sites

Hawker, Prazer??? Rsrsrs

Geral se tremia de medo do Flemming no Serac-IV.

Haviam 2 coisas que davam medo nessa epoca:

1) Fila do SERAC as vezes dava pernoite

2) Humor do Flemming.

Nao vou questionar sua competencia jamais, somente seu humor naquela epoca!.

Abs

 

(null)

O então Maj. Flemming era um cara de postura firme mas era só saber falar com ele que ele nunca deixou de ajudar...

(como citei, ele me esperou até as 18hrs de uma sexta para entregar a minha CHT)

Ele nunca havia demostrado antes, mas agora ele tá do nosso lado igual muitos outros ex FAB

Abraço

Link to post
Share on other sites

O que eu entendo por falta é não ter algo, alguma companhia, algum proprietário deixou de trazer alguma aeronave por não ter um piloto para assumir os comandos? Até aonde eu sei não, então não houve falta alguma.

 

O que houve então? Uma escassez de pilotos com aquela experiência que eles queriam antigamente para se entrar em uma linha aérea, 1000, 1500 horas para um co-piloto, tiveram que baixar esses mínimos para 800, 600, 500, muitos nem icao exigiam mais, aí sugaram todo o pessoal que estava iniciando, invas, taxi-aéreo e por aí afora. Por sua vez tinha pessoas checando o PC e já sendo empregado em um taxi-aéreo voando uma maquina boa, resumindo o que ocorreu foi um declínio nos mínimos, não uma falta de pilotos crônica.

 

Junto ao momento, surgiu o oportunismo de muitos empresários, donos de escolas de aviação, faculdades de ciências aéronauticas, divulgando essa tal "falta" de pilotos, que o salário de um piloto era muito bom, que a vida de um tripulante era excelente, que o mercado estava absorvendo todo mundo e blá blá blá.

 

O que eu vi com essa divulgação? Gente que não sabia nem escrever direito, se inscrevendo em uma escola para tirar seu PC. Não é exageiro não, vi muitos, inclusive aqueles que entravam e só queriam saber de aviação agrícola, porque em uma safra o piloto já ficava milionário "na visão deles". Gente vendendo casa, carro, sugando dinheiro de onde tivesse para tirar suas habilitações a todo custo. Para se marcar uma hora de vôo tinha que dormir na fila de um dia para o outro, donos de escolas nunca viram tanto $$$$$ entrando.

 

Conclusão, alguns acabaram de fato ficando na aviação, mesmo sem ter qualificações boas, sem ter aquele "feeling" para a profissão, conseguiram chegar a linha, ou ao taxi aéreo, devido ao momento que viviamos, porém o lado triste é que muitos investiram pesado e acabaram ficando pelo caminho, sem carro, casa e com dívidas.

 

Sinto pena sim, pois as vezes fazemos coisas impensadas na vida, por impulso de querer um futuro melhor, pois muitos destes, queriam ter uma profissão boa com um salário ótimo, era o que se vendia na época sobre a profissão de piloto, mas ao mesmo tempo, fico alegre pois pessoas que não tinham o menor amor pela profissão passaram pela seleção natural e ficaram de fora.

 

 

 

Abraços

Link to post
Share on other sites

Archived

This topic is now archived and is closed to further replies.

×
×
  • Create New...

Important Information

Saiba os termos, regras e políticas de privacidade